08 novembro 2017

Paula Coelho Pais ― desafio 128

Todas as tardes ficava pasmado com a luz do sol diluída até desmaiar, dourada, finalizada, no puxador antigo da gaveta da escrivaninha. Nela mantinha arquivados os seus poemas em asfixia. Ah! Mas aquela melancólica réstia de luz apoquentava-o. A garganta cansada por suportar o azedume permanente que o fazia ficar trancado dentro das memórias. Rios de sol convidavam-no, desafiavam-no. Idiotice era viver assim, longe dos seus sonhos. Tanto tempo longe deles. E, sorrindo, abriu finalmente a gaveta.
Paula Coelho Pais, 56 anos, Lisboa

Desafio nº 128 – 12 palavras com 4 no meio

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