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09/10/19

Helena Rosinha ― desafio 100


Espreito o carteiro diariamente. Ele vem, toca campainhas, bate às portas, distribui alegrias, tragédias... “Não há nada para mim?”, grito-lhe, da janela. Meneia a cabeça e desanda, sacola ao ombro. Inconformada, ouço os comentários jocosos das vizinhas, “Olha, aquela também quer correspondência!"
Sofri longamente, silenciosamente, a dor do abandono. Hoje, indiferente a remetente ou destinatário, o carteiro depôs nas minhas mãos as palavras que sou. Hoje é o meu aniversário e foi por isso que me escrevi. 
Helena Rosinha, 66 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

25/07/18

Maria Loureiro ― desafio 100


Sou leitora compulsiva, menos acelerada atualmente, quando começo a regressar aos escritores com que cresci. Também as horas de trabalho ao computador cansam e condicionam esse gosto. Adoro o cheiro dos livros, folheá-los, lê-los emprestados da biblioteca, ou trocados com amigos. Quando estou mais nostálgica, ou algo me choca, alinhavo algumas palavras, invariavelmente apagadas ou rasgadas. Serei capaz de mudar isso? Em hora feliz encontrei as “histórias em 77 palavras” e foi por isso que me escrevi.
Maria Loureiro, 63 anos, Lisboa
Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

10/07/18

Elsa Alves ― desafio 100


Preciso de escrever-te ou escrever-me... Isto num tempo em que escrevo para a frente, apenas porque me faz acreditar que, um dia atrás do outro, é ir para a frente, mas sabe-se lá... o mergulho é para trás, para um tempo de descoberta, onde te espero reencontrar e te possa resgatar. Porque a ideia do amanhã contigo, essa foi-se-me no dia em que abriste os braços para já não me abraçares. E foi assim que me escrevi...
Elsa Alves, 70 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

20/05/18

Joana ― desafio 100

Sempre fui uma menina tímida, cujas palavras por vezes falhavam e fugiam, com medo de serem julgadas pelas mentes impiedosas que as escutariam. Nunca consegui expressar os meus sentimentos e pensamentos mais profundos, porque tinha medo de ferir almas inocentes às minhas críticas. Com o passar dos anos, apercebi-me do poder que as palavras carregam, do poder duma frase, da letra de uma música. Se não conseguem ouvir-me, vão ler-me… E foi por isso que me escrevi!
Joana, 9°ano, 14 anos, Colégio Paulo VI, Prof. Raquel Almeida Silva
Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

27/02/18

Constantino Mendes Alves ― desafio 100


Ontem, foi ontem, que me aconteceu. Derramei-me no diário como um rio no oceano. O segredo da minha dor rebentou, não encontrei vizinhos, nem companheiros, muito menos qualquer amigo para emparedar este sofrimento. Sou diferente, não ouço, não vejo, não sinto como o indiferente. Lancei-me nas páginas como em céu aberto. Só aqui os sentimentos têm uma audiência perplexa, mas confidente, só aqui uma mão me afaga o súbito crescimento… e foi por isso que me escrevi.
Constantino Mendes Alves, 59 anos, Leiria
Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»


17/02/18

Ana Beatriz ― desafio 100


Gratidão
Novamente, nevoeiro cerrado ― não via palmo de chão! Caminhava à beira do rio, aquela frescura parecia um beijo a despertar-me. Como via muito pouco, os tropeções eram frequentes, mas conseguia equilibrar-me.
Do frio tonificante e nevoeiro intenso, apareceu um raio de luz, que rosou o ambiente envolvente. 
Não havia vento, nem brisa, apenas um ar tépido, sem movimento ― semelhante ao afago dos anjos. Não sabia como agradecer. Sentia-me leve, protegida, amada! Foi por isso que me escrevi.
Ana Beatriz, 39 anos, Lisboa
Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»


24/11/17

Margarida Freire – desafio 100

Gosto das Pessoas, sinto ternura pelos Animais, amo o Planeta, o País onde nasci.
Fascinada pelo Mar, recordo o Primeiro Encontro, tinha eu seis anos.
Recordo que parei a meio da rampa, em Santo Amaro de Oeiras….
Compreendi nesse dia o sentido da palavra INFINITO. Não sei de forma que melhor o defina. No Mar, encontro Deus. 
Encontro-me, sem artifícios, sem desculpas, com rigor.
Sei, sinto que faço parte dele, e foi por isso que me escrevi.
Margarida Freire, 75 anos, Moita
Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»


29/10/17

Carla Augusto ― desafio 100

És uma tonta! De tanto ouvires os outros ficaste surda para ti!
Aquelas palavras ecoavam na minha cabeça sem dar tréguas. Percebi que não podia continuar a ser a rapariga simpática, disponível para tudo e todos mas sem tempo para si, sem tempo para viver.
Olhei-me ao espelho, vi um rosto desmaiado, sugado por vidas alheias. E aquele silêncio obsceno que em mim vivia… soltou-se.
Aprendi a amar-me nesse instante. E foi por isso que me escrevi.
Carla Augusto, 49 anos, Alenquer

Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

24/10/17

Paula Cruz ― desafio 100

Tantas palavras a pedirem chão, tantos silêncios a reclamarem ser reticências, tantos encolher de ombros sem eira nem beira, tantos olhares que falam, tantas respostas vagas a pedirem mais tempo e a vida a acontecer nos entretantos e adiar para um qualquer depois que pode ser tarde demais a poesia dos dias vãos. Os dias passam e o que era essencial fica soterrado por uma pilha de roupa por passar e foi por isso que me escrevi!
Paula Cruz, 42 anos, Viana do Castelo

Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

26/08/17

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 100

Sinto-me só, tão só, tão entregue a mim mesma!
Sabes, quando existias na minha vida, não sentia este vazio na alma.
Os dias começavam alegremente; eu escrevia-te uma carta de amor, enquanto música romântica me embalava o coração.
Quando me abandonaste, morreram as palavras e a música, até que decidi parar de sofrer.
Comecei a escrever um diário falando comigo mesma sobre os meus sentimentos, para aliviar angústias e amarguras... e foi por isso que me escrevi!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

22/03/17

José Jacinto Pereira Peres ― desafio nº 100

As palavras revelam algo fascinante. Escondem também. E cada combinação pode resultar numa mistura poderosa que surpreende e continuará a surpreender. Mesmo que se leia as mesmas palavras mais do que uma vez.

10/02/17

Alzheimer

Alzheimer… que doença terrível ladra das nossas memórias! O medo de esquecer todos aqueles momentos maravilhosos ou que nos colocam à prova e, que nos vão construindo enquanto pessoas, motivou-me a escrever sobre os melhores e piores acontecimentos da minha vida. Comecei a fazer um diário. Muitas vezes faltaram-me as palavras adequadas para descrever essas situações, mas o medo de um dia caírem no esquecimento, foi superior à dificuldade encontrada… e foi por isso que me escrevi. 
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo, Alentejo

Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

06/02/17

Na ausência dos outros

Por vezes, a vida gasta-se numa velocidade veloz, impossível de saborear o seu melhor. Por outras, queima-se na inércia de não saber o que fazer. E são tantas as oportunidades que escapam. Saber agarrar cada uma é arte. Estar com os que nos são queridos, ajudar quem precisa, conhecer pessoas novas, ajuda a dar sentido à vida. Mas na ausência dos outros, há sempre um lápis e um papel. Uma companhia indispensável. É aí que me escrevo! 
Mariana Sanchez, 38 anos, Barcelona

Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

01/02/17

Tempo para escrever

Ao longo destes anos, muitos têm sido os textos que fui incentivando os meus alunos a escrever… Estratégias atrás de estratégias, todos eles têm vindo a descobrir o prazer pela escrita, por criar, recriar, inventar e reinventar. Tenho passado horas a deliciar-me com os seus maravilhosos textos, até que deixei de ter tempo para eu própria escrever… Um dia, parei, tirei tempo para mim e fiz o que mais gosto… e foi por isso que me escrevi.
Raquel Candeias,  36 anos, Montijo
Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

Não mais

Acordei cedo com um frio no estômago que me remetia para um inverno irlandês de há séculos que não recordo. Uma tristeza sombria toldava-me o olhar perdido no dia que se aproximava com pezinhos de menina com medo. Na caixa que dormia ao lado da cama, missivas com carimbos militares de portos e bases desmaiavam de solidão, sem resposta. Foi então que decidi não perder mais uma palavra com ele... e foi por isso que me escrevi.
Filomena Mourinho, 43 anos, Serpa

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03/01/17

Ainda sou

Em mim, cá dentro, a emoção, em tudo o que vivo e sinto.
Está sempre lá. Umas vezes, intensa. Outras, muito leve.
Envolve os meus pensamentos, as minhas vontades.
Ao agir, procuro nela o equilíbrio com a razão.
Sempre assim foi. Hoje, ainda é. Amanhã, estou certa, assim será.
Assim sou e existo.
E quando, cá dentro, Tudo é Muito, valem-me o branco do papel e a dança das palavras.
E foi por isso que me escrevi...
Paula Tomé,
 44 anos, Sintra
Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

08/11/16

Sonhos, sim

Era um sonho recorrente. Que caía sem amparo mas que no fim tudo corria bem. Sentia-me Alice no tubo das árvores, ao contrário, pelo meio das suas raízes e eram vários os coelhos e os gatos que me acompanhavam. Uns diziam coisas engraçadas. Animavam-me. Outros, nem tanto. Recordo ainda hoje as suas expressões. Tantas, quantas as flores dum prado. Eram sonhos, sim. Mas não é também assim composta a realidade? E foi por isso que me escrevi.
Paula Coelho Pais, Lisboa, 55 anos

Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

27/10/16

As respostas

Há momentos em que precisamos de apoio para avaliar situações que nos inquietam. Opiniões sinceras podem fazer a diferença no caminho…
Percorri no telemóvel a gigantesca lista de contactos. Só dois interessavam.
O primeiro… desligado; o segundo tocou e nada!
Que diria eu a alguém no meu lugar?
Enquanto palavras, inesperadas e reveladoras, deslizavam na folha, pensei:
Não posso procurar sempre nos outros as respostas, quero encontrar-me, ouvir-me, sem medo. E foi por isso que me escrevi.
Carla Augusto, 48 anos, Alenquer

Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

20/10/16

Procurar respostas

Há momentos em que precisamos de apoio para avaliar situações que nos inquietam. Opiniões sinceras podem fazer a diferença no caminho…
Percorri no telemóvel a gigantesca lista de contactos. Só dois interessavam.
O primeiro… desligado; o segundo tocou e nada!
Que diria eu a alguém no meu lugar?
Enquanto palavras, inesperadas e reveladoras, deslizavam na folha, pensei:
Não posso procurar sempre nos outros as respostas, quero encontrar-me, ouvir-me, sem medo. E foi por isso que me escrevi.
Carla Augusto, 48 anos, Alenquer
Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»

06/09/16

Escrevi por fim!

O nervosismo não arruinou as letras, minhas amigas, companheiras em noites sombrias. E expus meu semblante bravio ao mundo. Sem questionar se este me aguardava, deixei transparecer a criatividade que até então aprisionara. Ao serviço das palavras, fizeram de mim serviçal eloquente. Não me embargava a dificuldade sacrificial, o prazer de espelhar-me sobrepunha-se ao distender do pensamento.
Não me interessava fama ou o que o mundo pensasse de mim.
Amo escrever.
Escrevo porque sim!
Andrea Ramos, 39 anos, Torres Vedras

Desafio nº 100 – «e foi por isso que me escrevi»