28/11/22

Arnaldo C - desafio 256

Atrás do tempo eu vou, mantendo o mundo em frágil equilíbrio. Vigio os portões do tempo evitando que alguém altere coisas no seu tempo ou no de outro.
O tempo passa e é preciso manter os cuidados. Às vezes penso o quanto eu poderia conhecer, se não estivesse limitado a ter de manter o equilíbrio. Pode parecer chato, mas a realidade é que o é.

Eu estou velho e cansado, mas continuo trabalhando enquanto o tempo vier.

Arnaldo C, 17 anos, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix 

256 – Atrás do tempo, tempo vem.


18/11/22

Isabel Franco – desafio 261

Se há coisa que me preocupa é a multiplicidade de interpretações possíveis quando nos pomos à conversa com muito boas intenções. Surgem logo as desconfianças que conseguem dar saltos mortais com as nossas palavras. Há conversas que se prestam a que   se faça o pino com as frases e acabamos por passar uma mensagem completamente ao contrário.

Quase a chegar a mostarda ao   meu nariz, segreda-me “o conciliador de serviço”:

– Ah, conversa com ele, vai perceber!

Isabel Franco, 62 anos, Lisboa

261 – 3 hipóteses de conversa

Leonor G – desafio RS48

Era uma vez um grupo de amigos que foi passar férias a uma casa, o que eles não sabiam é que estava assombrada: tinha coisas macabras, bonecas com caras assustadoras, quadros de pessoas que mexem os olhos a cada sítio que estavam. A casa tinha um ambiente pesado, a cada sítio que iam sentiam uma estranha presença, parecia que alguém ou uma entidade de outro mundo os observava. Um dos amigos quando olhou para o espelho, percebeu...  

Leonor G, 12 anos, EB Professor João Cónin, Estômbar

RS48 ― um rosto diferente no espelho


16/11/22

Helena Rosinha – desafio 273

Não acreditava no que ouvia, não acreditava.

Desviei o olhar, fixei as nuvens, ameaçadoras. 

Era então essa a conversa importante, inadiável? Escolheste bem o local para mo dizer. Aqui nos encontrámos pela primeira vez, lembras-te? O céu azul derramava-se nos teus olhos. E eu presa a cada gesto teu. Estarrecida, ouvia-te falar sobre tudo e nada. Seguia cada palavra, o ondular das mãos…

Momentos felizes que não foram para sempre. 

As faces molhadas       é chuva que cai.

Helena Rosinha, 70 anos, Vila Franca de Xira

273 – 11x7 com frase inicial dada

02/11/22

Teresa Moreira – desafio 4

Sou um bule rachado, sou totalmente dispensável. 

Nunca me prepararam para isto! Anos de elogios! Sempre fui estética e funcionalmente aprazível! Não havia quem não me desejasse! Agora fui retirado… estou guardado, escondido, à espera do fim.

Tenho restos de cola seca à volta das minhas feridas, cicatrizes feias resultantes de uma esperança desesperada.

Já não há cola que me segure, mas continuo a olhar fixamente os pingos que escorreram, prova de que um dia fui amado.

Teresa Moreira, 47 anos, Porto
4 – começando a frase “Sou um bule rachado, sou”

30/10/22

Dulce Ribeiro – desafio 269

Um toque, uma energia, uma ininterrupta explosão, dilacerando o nobre coração. Prolonga-se à alma - mesclando-a de noite, luz e apreensão.

Ora inquietação perturbadora, ora quietude relaxante – imersão profunda na sublime alma universal.

Erguendo-me em solavancos, somam-se inexplicáveis momentos – talvez o início seja revelado. Sente-se a dor dos filtros, bloqueando os riachos – afluentes do grande rio, repleto de avalanches de ternura.

O fim – mergulho estéril, no rio gelado – dolorosa escuridão.

Reinício – esplendorosa iluminação pela vela que nos sustém.

Dulce Ribeiro, 41 anos, Lisboa

269 – excerto de MFS

24/10/22

Lara A – desafio 89

elefante comia tudo mas não tinha amigos, coitado do elefante. Bem, só tinha um amigo que é um grande agrafador que é maior do que ele. O agrafador sabia falar mas não tinha amigos porque todos tinham medo por causa do seu tamanho e por falar, já que os agrafadores normais não falam. O elefante comia lírios. O agrafador disse para o elefante não os comer porque dava tosse seca. De tanto comer apanhou tosse seca.

Lara A., 10 anos, 5º ano, Escola Básica da Sertã, prof Elsa Vasconcelos

89 – tosse + lírio + elefante + agrafador


21/10/22

Cristiano Romão - desafio 233

Vivo sempre no presente. Sou um desorientado por natureza, quero aproveitar cada minuto, vivo cada dia como se fosse o último porque o futuro, não o conheço. Não consigo imaginar que futuro terá alguém que vive cada dia sem planeamento e organização. Ponho-me a pensar o que me tornou assim, mas o passado, já o não tenho.  A escuridão trouxe amnésia, talvez seja uma defesa, mas tenho a certeza que viver no presente é a minha natureza.

Cristiano Romão, 30 anos, Lisboa

233 – citação de Fernando Pessoa

18/10/22

Um desafio por dia, nem sabe o bem que lhe fazia!


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Mais textos de José Pinto

José Pinto, 56 anos, Oeiras


Todos os sábados outonais, dois grupos de amigos disputavam jogos de voleibol na praia.

Era paródia constante e competição séria. As duas equipas tinham ambas Capitães da Areia que comandavam os grupos.

Tinham algumas figuras interessantes e uma delas era o mágico, O Mágico de Auschwitz, como era conhecido. Era o melhor jogador e fazia passes e pontos que parecia magia

Uma vez tatuou bêbado, o numero 999 invés do satânico 666 – Traição dizia ele, culpa vossa.

Traição de Jason Matthews; Capitães da Areia de Jorge Amado; O Mágico de Auschwitz de José Rodrigues dos Santos

270 – Dia Mundial do Livro em títulos

 

Vítor Rodrigues – desafio 1

Numa manhã de sol na aldeia de Campo benfeito, as pessoas estavam junto a fonte a conversa.

Quando ao longe no monte avistaram o fogo, com uma grande chama consumindo todo o arvoredo com muita pena de todos.

As pessoas da aldeia, estavam bastante preocupadas, pois o fogo parecia vir na direção da mesma.

Os bombeiros conseguiram controlar e apagar o fogo.

O sorriso apareceu na cara das pessoas da aldeia, e a tranquilidade por lá permanece.

Vítor Rodrigues, 39 anos, Lisboa

1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

Cristiano Romão – desafio 233

Vivo sempre no presente. Sou um desorientado por natureza, quero aproveitar cada minuto, vivo cada dia como se fosse o último porque o futuro, não o conheço. Não consigo imaginar que futuro terá alguém que vive cada dia sem planeamento e organização. Ponho-me a pensar o que me tornou assim, mas o passado, já o não tenho.  A escuridão trouxe amnésia, talvez seja uma defesa, mas tenho a certeza que viver no presente é a minha natureza.

Cristiano Romão, 30 anos, Lisboa

233 – citação de Fernando Pessoa

11/10/22

Miguel R – desafio 1

Era uma vez um miúdo que andava na escola e que sorria muito.

Este miúdo tinha um amigo chamado Tim. Eles brincavam muito.

Certo dia encontraram uma pena que serviu para eles brincarem. Ao brincarem, o miúdo deu um sorriso à pena e o seu amigo ficou a pensar: “Fogo! Este miúdo é meio maluco”.

Com vergonha, o rapaz parou de rir. Mas depois pensou melhor e decidiu sorrir de novo, porque, afinal, sorrir é sempre maravilhoso!

Miguel R. 7ºano, Escola Dr. Costa Matos – Gaia, prof Cristina Félix

1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

Zeca, mais uma série de textos!

José Pinto, 56 anos, Oeiras


No dia em que o caldo se entornou a construção penetrou.

Obras num prédio nunca há remédio pois é bater… e acabou.

E a lei dita, luz verde durante a semana de trabalho.

04/10/22

Zeca - tantos desafios!

José Pinto, 56 anos, Oeiras 

 

Há conversa acesa hoje com os “pardalitos”?

Ah, conversa natural entre casalinhos novos. Ele tem uma ideia de férias diferente dos gostos dela e assim põem-se à conversa enquanto acertam ideias.

Qual é a ideia de férias dele e dela?

Bem, ele gosta de estar no meio da natureza, caminhar e respirar ar puro e ela gosta de praia, sol e comodidades.

Já percebi que vão existir entre eles grandes disparidades.

Sim vão, é devem dizer disparates.

261 – 3 hipóteses de conversa

 

Conversa entre dois pescadores:

O que é que trouxeste para o anzol?

Comprei minhoca gordinha. E tu?

02/10/22

José Pinto – desafio 1

Encostado à minha palmeira, numa noite sem feira,

Vejo a estrela do norte que me guia e norteia;

Vejo-a brilhante e pequena como se espreitasse por uma fechadura terrena.

E se esperares na escuridão para veres a imagem de mais estrelas,

Consegues perceber a direção para onde podes vê-las.

Para glorificar esta bonita ilustração,

Compro um cinto brilhante de paixão.

Não tenho roupa a condizer, mas quem me conhece

Não pode ficar espantado pois bonito me parece

José Pinto, 56 anos, Oeiras

272 – palavras encadeadas, com palmeira

José Pinto – desafio 1

Não acreditava no que ouvia, não acreditava.

Numa tarde, que parecia um dia primaveril

As árvores, os frutos e as flores

Estavam cobertas de insetos e pássaros cantores.

Os pássaros cantam uma ode ao sol

No jardim, chilrear e crianças a brincar

Estava eu a ler e a estudar

E um gato se aproxima a ronronar.

Desperta o meu interesse, pelo belo felino 

Que decidi batizar o dito de Avelino

Saltou entretanto noutra direção, dizendo que não.

José Pinto, 56 anos, Oeiras

273 – 11x7 com frase inicial dada

José Pinto – desafio 1

Tenho o meu corpo a arder de FOGO frio.

São sentimentos e pulsações que me avariam.

O afastamento é uma consequência de uma longa dormência.

É provável que não exista alegria, que não esboce um SORRISO, mas o que ainda me move é um qualquer desafio.

A comunicação é pobre, a leitura rica é, encher uma folha de letras, partilhar e tomar café.

Escrever uma frase ou cantilena é como vencer uma barreira, mas não tenham PENA.

José Pinto, 56 anos, Oeiras

1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

28/09/22

Sérgio – desafio 1

Por onde começar? Perante si apenas uma folha em branco e uma pena para escrever. Voavam palavras dentro da sua cabeça, vários sentidos e sentimentos que queria expressar, mas um vento interno insistia em manter as ideias baralhadas. Debatia-se com o desafio, poderoso e ilimitado, como um fogo difícil de pegar apenas com um fósforo, mas que depois consegue aquecer uma multidão. Precisava de libertar o pensamento. E assim fez, prosseguiu escrevendo sem parar, esboçando um sorriso.

Sérgio, 46 anos, Azeitão 

1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

26/09/22

Carla Silva – desafio 253

A surpresa 

alegria de receber a prima, que dissera ter uma surpresa para ela, desapareceu quando viu quem a acompanhava. Perante aquela visão sentiu o corpo estremecer. 
Nunca imaginara que
 gelaria com tal rapidez! Também não imaginara reencontrar o rapaz que conhecera, e partira sem se despedir dela, deixando-a de rastos, numa galeria na Argélia e, no entanto, ali estava ele caminhando para ela. Podia perceber que tinha o nariz vermelho. Seria mais um ataque de alergia?

Carla Silva, 48 anos, Barbacena, Elvas

253 – anagramas de ALEGRIA