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06/07/19

Maria José Castro ― desafio 136

Recordação
Lembrei o que há muito havia esquecido. Aflorou-me à epiderme, um conceito escondido por preconceitos dos tempos.
Não fiquei 
feliz nem infeliz… relembrei, naturalmente.
O cheiro das calçadas lavadas, a floreira da janela 
lateral, o som do silêncio das tardes de canícula, aquele lugar entranhado até à derme.
Por onde me tinha perdido, na complexidade 
bilateral do meu cérebro, que tinha conseguido afastar esse refúgio dos meus profundos desejos? Ou teria perdido os desejos? Ou as memórias?
Maria José Castro, 59 anos, Azeitão
Desafio nº 136 – 5 pares de palavras, sem e com prefixo

18/06/19

Assunção Novais ― desafio 136


O inspetor, de sobrenome Antunes, tinha muitos anos de experiência como polícia criminal e estava treinado para descodificar enigmas, por mais extraordinários que parecessem.
Neste caso considerou insuspeito, o nome, escrito a canivete na porta do escritório…
Explicou que o suspeito que se dedicou a codificar a mensagem ou era caloiro ou estava destreinado, pois de acordo com os manuais de procedimentos, tal não faria qualquer sentido.  
Mas, será que a vítima esteve nas últimas reuniões ordinárias?   
Assunção Novais, 54 anos, Vila Nova de Gaia
Desafio nº 136 – 5 pares de palavras, sem e com prefixo

16/06/19

Luz Câmara ― desafio 136

Era uma vez um arco-íris descolorido. Nascera da briga entre o sol e a chuva e vivia infeliz devido à palidez das suas cores.  
― Se pudesse renascer e ver-me colorido como todos os outros, seria o mais feliz dos arco-íris – pensava e repensava o sete cores celestial, sentindo-se impotente na sua infelicidade.
― E se… – sorria o arco desmaiado à ideia que lhe surgia.
E num dia de sol potente, estendeu-se numa nuvem e concretizou o seu sonho.
Luz Câmara, 58 anos, Coimbra
Desafio nº 136 – 5 pares de palavras, sem e com prefixo

20/10/18

Elisabete Anastácio ― desafio 136


O cosmos é infinito, mas isto é um tolo microcosmos!”, contra-atacou de cabeça quente. “Não precisas de atacar assim!”, ripostou. “Ora! Ele é os supostos produtos antienvelhecimento, quando o envelhecimento é a coisa mais natural, ele é cremes protetores disto e daquilo, ele é dietas prometendo a vitalidade eterna… Isto ultrapassa os limites do razoável e pressupostos éticos de base. Não é preciso ser-se sobretodado ou dotado de um 6.º sentido para ver e perceber logo tudo.
Elisabete Anastácio, 56 anos, Setúbal
Desafio nº 136 – 5 pares de palavras, sem e com prefixo

17/08/18

Isabel Sousa ― desafio 136

O senhor Joaquim detesta anti-inflamatórios e é contra o uso de remédios. Considera ser esta a melhor forma de vencer o poder inflamatório dos micro-organismos patogénicos. Este modo de ver permite-lhe, não só, prever e vencer doenças, como acabar com as contraindicações dos medicamentos. Traçou, por isso, um plano extraordinário que consegue matar todos os micróbios mesmo os mais ordinários. A sua melhor indicação para a saúde do organismo é beber um garrafão de tinto, por dia.
Isabel Sousa, 66 anos, Lisboa

Desafio nº 136 – 5 pares de palavras, sem e com prefixo

28/07/18

Maria Loureiro ― desafio 136


Luísa é gestora do sistema informático da empresa. Anda preocupada com um ataque de vírus. A Microsoft não resolve e ela discorda da sobretaxa nos serviços prestados. Leu preconceito no olhar dos colegas… se fosse um engenheiro… Disseram-lhe: negoceie de modo mais soft! Pensou: não ajudam e põem-se com anglicismos… Com trabalho extraordinário da sua equipa, encontraram solução. Na reunião de balanço contra-atacou e foi taxativa: afinal qual o nosso conceito de tarefas ordinárias do contrato? A equipa apoiou-a.
Maria Loureiro, 63 anos, Lisboa
Desafio nº 136 – 5 pares de palavras, sem e com prefixo

07/05/18

Beatriz Reis ― desafio 136

Certo dia, um casal excêntrico um micro-ondas foi comprar.
Como era de prever, na loja fez muitas ondas, não sabendo o que levar.
O empregado, simpático e sempre disposto a agradar, para contradizer, o último modelo quis apresentar.
O casal, vendo tanto branco, teve algo a acrescentar: queremos um modelo colorido para no móvel central se notar.
Felizes com a compra, o casal a casa chegou. Na hora de o pôr a cozinhar, o micro-ondas não funcionou!!!
Beatriz Reis, 13 anos, Agrupamento de Escolas João da Silva Correia, S. João da Madeira, prof Ana Paula Oliveira
Desafio nº 136 – 5 pares de palavras, sem e com prefixo

03/05/18

Fátima Fradique ― desafio 136


Gastão não aprendia! Ex-presidiário! Só conhecia presidiários! Sem dinheiro, precisava de se amanhar. Procurou antigos companheiros. Queria material contrafeito, feito em fibra e microfibra para vender ao pessoal fino sem dinheiro que gosta de vestir bem e pagar pouco. Entrou no armazém, cumprimentou os camaradas. Inspecionou a mercadoria. Escolhia casacos, sobretudos, de tudo um pouco e… ouviu as sirenes e tremeu. Já estava a prever o desenrolar da situação. Ver para crer não era solução! Fugiu!
Fátima Fradique, Fundão
Desafio nº 136 – 5 pares de palavras, sem e com prefixo

08/04/18

Ana Pegado ― desafio 136


Planeara um roubo extraordinário. Estava predestinado a ter aquele microcarro que viaja pelo tempo. Não era como o seu ex-colega Joaquim, aquele ordinário que fez o desfalque! Mas sobretudo não estava destinado a ser um falhado como o seu pai. Faria tudo para ser melhor. Caminhava sozinho pelos corredores, já não estava lá nenhum colega. Chegando à sala para reclamar o seu prémio, não imaginava o contratempo. Assim que toca no carro soa um alarme antirroubo ensurdecedor.  
Ana Pegado, 31 anos, Lisboa
Desafio nº 136 – 5 pares de palavras, sem e com prefixo


24/03/18

Celeste Bexiga ― desafio 136


Sonho
João tinha um sonho. Ser actor.
No entanto era muito anti-social.
Conheceu um amigo, que ao contrário era muito social.
Lutava todos os dias para se sobrepor ao problema.
Esse amigo, ia ajudá-lo a pôr o sonho no caminho certo.
O amor pelo teatro dava-lhe predisposição para conseguir, mas por vezes fugia a disposição.
Não queria de modo nenhum ser um microactor, mas grande actor.
Não trair o grande sonho pela timidez, mas extrair de si o medo.
Celeste Bexiga, 68 anos, Alhandra
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18/03/18

Carla Silva ― desafio 136


O divórcio 
― Isso é anticonstitucional!
Gritaste e olhei para ti sem qualquer 
expressão ou micro-expressão que fosse. Naquele momento, se te pudesse extraditar, seria a coisa mais constitucional do mundo. Recordavas-me um produto contrafeito, adquirido por engano.
Não foi à falta de 
aviso ou sobreaviso! Todos tentaram dizer como eras, mas preferi ignorá-los.
Quem podia
 predizer?!
O mal estava 
feito, apenas restava esperar as palavras do juiz a ditar o fim,  anunciando que finalmente passavas de marido a ex-marido. 
Carla Silva, 44 anos, Barbacena, Elvas
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Elsa Alves ― desafio 136


Sempre gostei de DIZER aquilo que sinto. Não sou DESLEAL com os meus pensamentos: para o que penso uso palavras ADEQUADAS. Claro que há gente que prefere mentiras AGRADÁVEIS. Eu não. Mentirosos, DESAPAREÇAM da minha frente! Uma vez APARECEU um tipo na minha vida que nunca DESDIZIA das minhas palavras, que nunca as achava DESADEQUADAS ao contexto e afirmava, veementemente, seria,sempre, o mais LEAL dos companheiros. Tanta concordância tornou-se, absolutamente, DESAGRADÁVEL.. Não demorei a livrar-me dele!
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira
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09/03/18

Glória Vilbro ― desafio 136


Era um ex-presidiário. Todos o conheciam. Acusavam-no de ser anti-social, mas a verdade é que parecia invisível aos olhos da sociedade. Para resistir à solidão criara um micro-universo seu, aonde existiam apenas ele, a mãe, a irmã. Usava a ironia para contra-atacar quem se ria dele, e pré-avaliava os outros antes de ousar falar-lhes. E tinha apenas 20 anos!... Quando saíra da cadeia haviam-lhe desejado que não voltasse. Tinha jurado que não, mas… Tanta desolação cá fora!
Glória Vilbro, 50 anos, Negrais, Almargem do Bispo - Sintra
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07/03/18

Helena Rosinha ― desafio 136


A informação de frio polar a aproximar-se fez-me retirar o velho sobretudo do baú. Agasalhado, mergulhado num intenso odor antitraça, saí para a rua.
“Que tudo vá para o inferno!”, vociferei, sentindo o olhar trocista dos passantes.
No quiosque, percorri as manchetes dos jornais: “O Melhor do Cosmos”; “Extrapolar regras europeias dá multa”; “Guerrilheiros…”
Balelas! Contra-informação!
Sarcástico, o vendedor ia discorrendo acerca do microcosmos da traça. Subi a um banco, mãos em concha, gritei: “Abaixo a intolerância!”
Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca de Xira
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Paula Castanheira ― desafio 136


O barulho do micro-ondas embalava-lhe o pensamento, enquanto o olhar se perdia no rodopiar da caneca de leite.
Tinham feito antijogo. Logo a ele, um funcionário tão dedicado. Joaquim sentia-se a circular em contramão, pela vida. Não estava preparado. Nunca estamos!
Era agora um ex-funcionário, quase na reforma.
Só tinha um caminho, aproveitar a pré-reforma, desfrutar da liberdade, sem reuniões, sem horários.
Estava decidido, iria a jogo!
De prancha na mão, saiu disposto a apanhar umas ondas.
Paula Castanheira, 53 anos, Massamá
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06/03/18

Filomena Galvão ― desafio 136


Saltou da cama energicamente. Feriado, dia extra para surfar, apanhar umas ondas. O pequeno-almoço estava preparado sobre a mesa, apenas aqueceu o leite no microondas.
Marcou  o número da ex-namorada para a parabenizar. Não queria ser antissocial. A antiga namorada trabalhava na Segurança Social, os seus serviços podiam ainda vir a ser úteis. Era de sobremaneira uma forma de oportunismo. Já o tinham acusado mais vezes de extraordinário “chico-espertismo”. No entanto, seguia o lema: “Viver não custa…”
Filomena Galvão, 57 anos, Corroios
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Natalina Marques ― desafio 136


ADERENTE às irresponsabilidades, o pai pergunta:
― Vais seguir BIOLOGIA?
― Não, MICROBIOLOGIA.
― Vai dar no mesmo.
― Eu sei, é para CONTRADIZER.
Riu-se deixando SOBRESSAIR a satisfação. PREPOTENTE, disse que ia SAIR.
Dava-lhe um EXTRAORDENADO julgando que o compensava pela falta da mãe.
Mas não lhe queria DIZER.
Lavrador, POTENTE e ORDENADO, esforçava-se para SOBREVIVER.
O filho, desnaturado ANTIADERENTE ao trabalho, culpa-o da morte dela.
Outra MULHER arranjou, com ela, não soube VIVER. Triste, o abandonou, é agora, EX-MULHER.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela
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Liliana Elsig ― desafio 136


Olho para o relógio e, num pensamento extraordinário, percebo quão adulta se torna a imaginação.
Serei sobrenatural ao contar que conheci um rinoceronte de guarda-chuva…
“Impossível! Teríamos logo reparado nele!”
E se disser que era um microrrinoceronte com um antiguarda-chuva, a regar plantas murchas? Anda em contrarrelógio, a salvar vidas!
 Óh! É natural questionarem o animal, em vez da seca que atravessa o País…
Conheci um esquilo. Vendia um ordinário elixir com efeito elástico, para a imaginação.
Liliana Elsig, 37 anos, Ovar
Desafio nº 136 – 5 pares de palavras, sem e com prefixo


Alda Gonçalves ― desafio 136


Luísa exclama: que ato de sorte!
Não estava previsto fazer um contrato com uma editora estrangeira. Sobretudo agora que havia uma possibilidade extra de tempo para a escrita, nem que fosse criativa. Tudo vem no tempo certo, clama a sua avó.
Mas voltando ao presente, cada conto tem um ponto até que a imaginação desapareça. Uma historia é melhor que extrato de própolis para cicatrizar feridas no coração. Está visto!
Alda Gonçalves, 49 anos, Porto
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