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14/03/20
06/07/19
Maria José Castro ― desafio 136
Recordação
Lembrei o
que há muito havia esquecido. Aflorou-me à epiderme, um conceito escondido por preconceitos dos tempos.
Não fiquei feliz nem infeliz… relembrei, naturalmente.
O cheiro das calçadas lavadas, a floreira da janela lateral, o som do silêncio das tardes de canícula, aquele lugar entranhado até à derme.
Por onde me tinha perdido, na complexidade bilateral do meu cérebro, que tinha conseguido afastar esse refúgio dos meus profundos desejos? Ou teria perdido os desejos? Ou as memórias?
Maria José Castro, 59 anos, Azeitão
Não fiquei feliz nem infeliz… relembrei, naturalmente.
O cheiro das calçadas lavadas, a floreira da janela lateral, o som do silêncio das tardes de canícula, aquele lugar entranhado até à derme.
Por onde me tinha perdido, na complexidade bilateral do meu cérebro, que tinha conseguido afastar esse refúgio dos meus profundos desejos? Ou teria perdido os desejos? Ou as memórias?
Maria José Castro, 59 anos, Azeitão
Desafio
nº 136 – 5 pares de palavras, sem e com prefixo
18/06/19
Assunção Novais ― desafio 136
O
inspetor, de sobrenome Antunes, tinha muitos anos de experiência como
polícia criminal e estava treinado para descodificar enigmas, por
mais extraordinários que parecessem.
Neste
caso considerou insuspeito, o nome, escrito a canivete na porta
do escritório…
Explicou
que o suspeito que se dedicou a codificar a mensagem ou era
caloiro ou estava destreinado, pois de acordo com os manuais de
procedimentos, tal não faria qualquer sentido.
Mas,
será que a vítima esteve nas últimas reuniões ordinárias?
Assunção
Novais,
54 anos, Vila Nova de Gaia
Desafio
nº 136 – 5 pares de palavras, sem e com prefixo
16/06/19
Luz Câmara ― desafio 136
Era uma vez um
arco-íris descolorido. Nascera da briga entre o sol e a chuva
e vivia infeliz devido à palidez das
suas cores.
― Se pudesse renascer e ver-me colorido como todos os outros, seria o mais feliz dos arco-íris – pensava
e repensava o sete cores celestial,
sentindo-se impotente na sua
infelicidade.
― E se… – sorria o
arco desmaiado à ideia que lhe surgia.
E num dia de sol potente, estendeu-se numa nuvem e
concretizou o seu sonho.
Luz Câmara, 58 anos, Coimbra
Desafio
nº 136 – 5 pares de palavras, sem e com prefixo
20/10/18
Elisabete Anastácio ― desafio 136
O cosmos é infinito, mas isto é um
tolo microcosmos!”, contra-atacou de cabeça
quente. “Não precisas de atacar assim!”, ripostou. “Ora! Ele é
os supostos produtos antienvelhecimento, quando
o envelhecimento é a coisa mais natural, ele é cremes
protetores disto e daquilo, ele é dietas prometendo a vitalidade eterna… Isto
ultrapassa os limites do razoável e pressupostos éticos de
base. Não é preciso ser-se sobretodado ou dotado de
um 6.º sentido para ver e perceber logo tudo.
Elisabete Anastácio, 56 anos, Setúbal
Desafio nº 136 – 5 pares de
palavras, sem e com prefixo
17/08/18
Isabel Sousa ― desafio 136
O senhor Joaquim detesta anti-inflamatórios
e é contra o uso de remédios. Considera ser esta a melhor forma de vencer o
poder inflamatório dos micro-organismos patogénicos.
Este modo de ver permite-lhe, não só, prever e
vencer doenças, como acabar com as contraindicações dos
medicamentos. Traçou, por isso, um plano extraordinário que
consegue matar todos os micróbios mesmo os mais ordinários. A sua
melhor indicação para a saúde do organismo é
beber um garrafão de tinto, por dia.
Isabel Sousa, 66
anos, Lisboa
28/07/18
Maria Loureiro ― desafio 136
Luísa é gestora do sistema informático da empresa.
Anda preocupada com um ataque de vírus.
A Microsoft não resolve e
ela discorda da sobretaxa nos serviços prestados.
Leu preconceito no olhar dos
colegas… se fosse um engenheiro… Disseram-lhe: negoceie de modo mais soft! Pensou: não
ajudam e põem-se com anglicismos… Com trabalho extraordinário da sua equipa,
encontraram solução. Na reunião de balanço contra-atacou e foi taxativa: afinal qual o
nosso conceito
de tarefas ordinárias do contrato? A equipa apoiou-a.
Maria Loureiro, 63 anos, Lisboa
Desafio nº 136 – 5 pares de
palavras, sem e com prefixo
07/05/18
Beatriz Reis ― desafio 136
Certo dia, um casal excêntrico um
micro-ondas foi comprar.
Como era de prever, na loja fez muitas
ondas, não sabendo o que levar.
O empregado, simpático e sempre disposto
a agradar, para contradizer, o último modelo quis apresentar.
O casal, vendo tanto branco, teve algo a
acrescentar: queremos um modelo colorido para no móvel central se notar.
Felizes com a compra, o casal a casa chegou.
Na hora de o pôr a cozinhar, o micro-ondas não funcionou!!!
Beatriz Reis, 13 anos, Agrupamento de Escolas João da Silva Correia, S. João da Madeira,
prof Ana Paula Oliveira
Desafio nº 136 –
5 pares de palavras, sem e com prefixo
03/05/18
Fátima Fradique ― desafio 136
Gastão não aprendia! Ex-presidiário! Só conhecia presidiários!
Sem dinheiro, precisava de se amanhar. Procurou antigos companheiros. Queria
material contrafeito, feito em fibra e microfibra para
vender ao pessoal fino sem dinheiro que gosta de vestir bem e pagar pouco.
Entrou no armazém, cumprimentou os camaradas. Inspecionou a mercadoria.
Escolhia casacos, sobretudos, de tudo um pouco e…
ouviu as sirenes e tremeu. Já estava a prever o desenrolar da
situação. Ver para crer não era solução! Fugiu!
Fátima Fradique, Fundão
Desafio nº 136 – 5 pares de
palavras, sem e com prefixo
08/04/18
Ana Pegado ― desafio 136
Planeara um roubo extraordinário. Estava predestinado a ter aquele microcarro que viaja pelo tempo. Não era como o seu ex-colega Joaquim, aquele ordinário que fez o desfalque! Mas sobretudo não estava destinado a ser um
falhado como o seu pai. Faria tudo para ser melhor. Caminhava sozinho pelos corredores, já
não estava lá nenhum colega. Chegando à sala para reclamar o seu prémio, não imaginava o contratempo. Assim que toca no carro soa um alarme antirroubo ensurdecedor.
Ana Pegado, 31 anos,
Lisboa
Desafio nº 136 – 5 pares de
palavras, sem e com prefixo
24/03/18
Celeste Bexiga ― desafio 136
Sonho
João tinha um sonho. Ser actor.
No entanto era muito anti-social.
Conheceu um amigo, que ao contrário era muito social.
Lutava todos os dias para se sobrepor
ao problema.
Esse amigo, ia ajudá-lo a pôr o
sonho no caminho certo.
O amor pelo teatro dava-lhe predisposição
para conseguir, mas por vezes fugia a disposição.
Não queria de modo nenhum ser um microactor,
mas grande actor.
Não trair o grande sonho pela
timidez, mas extrair de si o medo.
Celeste Bexiga, 68 anos,
Alhandra
Desafio nº 136 – 5 pares de
palavras, sem e com prefixo
18/03/18
Carla Silva ― desafio 136
O
divórcio
― Isso é anticonstitucional!
Gritaste e olhei para ti sem qualquer expressão ou micro-expressão que fosse. Naquele momento, se te pudesse extraditar, seria a coisa mais constitucional do mundo. Recordavas-me um produto contrafeito, adquirido por engano.
Não foi à falta de aviso ou sobreaviso! Todos tentaram dizer como eras, mas preferi ignorá-los.
Quem podia predizer?!
O mal estava feito, apenas restava esperar as palavras do juiz a ditar o fim, anunciando que finalmente passavas de marido a ex-marido.
― Isso é anticonstitucional!
Gritaste e olhei para ti sem qualquer expressão ou micro-expressão que fosse. Naquele momento, se te pudesse extraditar, seria a coisa mais constitucional do mundo. Recordavas-me um produto contrafeito, adquirido por engano.
Não foi à falta de aviso ou sobreaviso! Todos tentaram dizer como eras, mas preferi ignorá-los.
Quem podia predizer?!
O mal estava feito, apenas restava esperar as palavras do juiz a ditar o fim, anunciando que finalmente passavas de marido a ex-marido.
Carla Silva, 44 anos,
Barbacena, Elvas
Desafio nº 136 – 5 pares de
palavras, sem e com prefixo
Elsa Alves ― desafio 136
Sempre gostei de DIZER aquilo que sinto. Não
sou DESLEAL com os meus pensamentos: para o que penso uso palavras ADEQUADAS.
Claro que há gente que prefere mentiras AGRADÁVEIS. Eu não. Mentirosos,
DESAPAREÇAM da minha frente! Uma vez APARECEU um tipo na minha vida que nunca
DESDIZIA das minhas palavras, que nunca as achava DESADEQUADAS ao contexto e
afirmava, veementemente, seria,sempre, o mais LEAL dos companheiros. Tanta
concordância tornou-se, absolutamente, DESAGRADÁVEL.. Não demorei a livrar-me
dele!
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 136 – 5 pares de
palavras, sem e com prefixo
09/03/18
Glória Vilbro ― desafio 136
Era um ex-presidiário. Todos o conheciam.
Acusavam-no de ser anti-social, mas a verdade é que parecia invisível aos olhos
da sociedade. Para resistir à solidão criara um micro-universo seu, aonde
existiam apenas ele, a mãe, a irmã. Usava a ironia para contra-atacar quem se
ria dele, e pré-avaliava os outros antes de ousar falar-lhes. E tinha apenas 20
anos!... Quando saíra da cadeia haviam-lhe desejado que não voltasse. Tinha
jurado que não, mas… Tanta desolação cá fora!
Glória
Vilbro, 50 anos, Negrais, Almargem do Bispo - Sintra
Desafio nº 136 – 5 pares de
palavras, sem e com prefixo
07/03/18
Helena Rosinha ― desafio 136
A informação de frio polar a aproximar-se
fez-me retirar o velho sobretudo do baú. Agasalhado,
mergulhado num intenso odor antitraça, saí para a rua.
“Que tudo vá para o inferno!”, vociferei, sentindo o olhar
trocista dos passantes.
No quiosque, percorri as manchetes dos jornais: “O Melhor do Cosmos”;
“Extrapolar regras europeias dá multa”; “Guerrilheiros…”
Balelas! Contra-informação!
Sarcástico, o vendedor ia discorrendo acerca do microcosmos da traça.
Subi a um banco, mãos em concha, gritei: “Abaixo a intolerância!”
Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca
de Xira
Desafio nº 136 – 5 pares de
palavras, sem e com prefixo
Paula Castanheira ― desafio 136
O barulho do micro-ondas embalava-lhe o pensamento,
enquanto o olhar se perdia no rodopiar da caneca de leite.
Tinham feito antijogo. Logo a ele, um funcionário tão
dedicado. Joaquim sentia-se a circular em contramão, pela vida. Não
estava preparado. Nunca estamos!
Era agora um ex-funcionário, quase na reforma.
Só tinha um caminho, aproveitar a pré-reforma, desfrutar da
liberdade, sem reuniões, sem horários.
Estava decidido, iria a jogo!
De prancha na mão, saiu disposto a apanhar umas ondas.
Paula Castanheira, 53 anos, Massamá
Desafio nº 136 – 5 pares de
palavras, sem e com prefixo
06/03/18
Filomena Galvão ― desafio 136
Saltou da cama energicamente. Feriado, dia extra para
surfar, apanhar umas ondas. O pequeno-almoço estava
preparado sobre a mesa, apenas aqueceu o leite no microondas.
Marcou o número da ex-namorada para a
parabenizar. Não queria ser antissocial. A antiga namorada trabalhava
na Segurança Social, os seus serviços podiam ainda vir a ser
úteis. Era de sobremaneira uma forma de
oportunismo. Já o tinham acusado mais vezes de extraordinário “chico-espertismo”.
No entanto, seguia o lema: “Viver não custa…”
Filomena Galvão, 57 anos, Corroios
Desafio nº 136 – 5 pares de
palavras, sem e com prefixo
Natalina Marques ― desafio 136
ADERENTE às irresponsabilidades, o pai pergunta:
― Vais seguir BIOLOGIA?
― Não, MICROBIOLOGIA.
― Vai dar no mesmo.
― Eu sei, é para CONTRADIZER.
Riu-se deixando SOBRESSAIR a satisfação. PREPOTENTE, disse que ia SAIR.
Dava-lhe um EXTRAORDENADO julgando que o compensava pela falta da mãe.
Mas não lhe queria DIZER.
Lavrador, POTENTE e ORDENADO, esforçava-se para SOBREVIVER.
O filho, desnaturado ANTIADERENTE ao trabalho, culpa-o da morte dela.
Outra MULHER arranjou,
com ela, não soube VIVER. Triste, o abandonou, é agora, EX-MULHER.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela
Desafio nº 136 – 5 pares de
palavras, sem e com prefixo
Liliana Elsig ― desafio 136
Olho para o relógio e, num
pensamento extraordinário, percebo quão adulta se torna a
imaginação.
Serei sobrenatural ao contar
que conheci um rinoceronte de guarda-chuva…
“Impossível! Teríamos logo reparado nele!”
E se disser que era um microrrinoceronte com
um antiguarda-chuva, a regar plantas murchas? Anda em contrarrelógio, a
salvar vidas!
Óh! É natural questionarem o animal,
em vez da seca que atravessa o País…
Conheci um esquilo. Vendia um ordinário elixir
com efeito elástico, para a imaginação.
Liliana Elsig, 37 anos, Ovar
Desafio nº 136 – 5 pares de
palavras, sem e com prefixo
Alda Gonçalves ― desafio 136
Luísa exclama: que ato de sorte!
Não estava previsto fazer um contrato com
uma editora estrangeira. Sobretudo agora que havia uma
possibilidade extra de tempo para a escrita, nem que fosse
criativa. Tudo vem no tempo certo, clama a
sua avó.
Mas voltando ao presente, cada conto tem um ponto até que a imaginação
desapareça. Uma historia é melhor que extrato de própolis para
cicatrizar feridas no coração. Está visto!
Alda Gonçalves, 49 anos, Porto
Desafio nº 136 – 5 pares de
palavras, sem e com prefixo
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