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14/10/19

Carla Silva ― desafio 177

A boa nova
Abrira a carta com algum receio temendo o conteúdo. 
Mas estava ali, preto no branco, sem lugar para dúvidas. Finalmente o seu grande sonho iria realizar-se. Por momentos sentiu as lágrimas nos olhos, enquanto um sorriso se formava nos seus lábios.
Parecia confuso mas sentia-se a viajar num carrossel de emoções.
Desejava correr estrada fora, saltar de alegria, contar a todos a notícia mas pensando bem iria ficar calado, não fosse o sonho desvanecer-se com inveja alheia.
Carla Silva, 45 anos, Barbacena
Desafio nº 177 ― imagem de Andrew Mathews

01/08/19

Paula Castanheira ― desafio 177


‘Não me encaixo e então?’
Um rapaz de sorriso contagiante parecia querer saltar do vídeowall.
Muitos olhos curiosos, outras tantas orelhas atentas, enchiam a Aula Magna.
― A sociedade dividiu a vida em caixas etiquetadas. Marginalizam-se os que lhes tentam escapar. Escolhem-nos amigos, profissão, atitudes e até amores. Tingem-nos de cinzento, roubam-nos gargalhadas…
― Condenados?
― Não meus senhores.
― Livres! Desencaixem-se. Sacudam preconceitos, soltem amarras, sorriam!
As palmas estremeceram as paredes do auditório. Em duas horas, Júlio Adagói conseguira abanar consciências.
Paula Castanheira, 55 anos, Massamá
Desafio nº 177 ― imagem de Andrew Mathews

11/07/19

Graça Pinto ― desafio 177


Minhas lágrimas desoladas vidraram meus olhos, onde escondidas secaram o choro que se emancipou, calei o soluço e jurei a mim mesmo que, a partir de agora e apesar dos doestos por vezes sentidos, continuaria a agir do modo que sempre me ensinaste.
Deixei-os para trás, pois na verdade nunca fizeram parte de mim, e num impulso decidi continuar a amar como sempre fizera até ali, sem ressentimentos.
Porque mãe é mesmo assim, ama sem condicionalismos.
Graça Pinto, 60 anos, Almada
Desafio nº 177 ― imagem de Andrew Mathews

10/07/19

Filomena Galvão ― desafio 177


Leonardo queria mudar. Estava farto da rotina. Arriscou, preencheu o formulário e entregou-o nos Recursos Humanos. Se fosse aceite iria embarcar numa vida nova num outro país, embora na mesma firma. Teria que lidar com novos colegas, costumes, uma cultura e hábitos diferentes. Era isso que o fascinava. Abrir horizontes, alargar conhecimentos. Passada uma semana deram-lhe a saber ― O pedido fora deferido. Explodiu de alegria, deu um salto. Sentiu-se leve e eufórico como se fosse uma criança.
Filomena Galvão, 57 anos, Corroios
Desafio nº 177 ― imagem de Andrew Mathews

09/07/19

Theo De Bakkere ― desafio 177

O sonho foi cumprido
João saltou, um pulo de alegria no ar. A cabra da universidade abalara pela última vez. A capa e batina desaparecerão num baú no sótão. O sonho foi cumprido, daqui em diante podia se chamar veterinário. Desde a juventude costumava passar as férias na quinta dos avós. Naquele tempo já profetizara a avó seu destino futuro, pois João preferia mais ordenhar as cabras e ir ao prado com elas do que jogar futebol com os outros netos.
Theo De Bakkere, 67 anos, Antuérpia, Bélgica
Desafio nº 177 ― imagem de Andrew Mathews

06/07/19

Margarida Leite ― desafio 16

Como é bom partilhar
Após o trabalho, esgotada, entra no supermercado. Pega no indispensável. Quer sair dali rapidamente. Vai para a fila. Enquanto espera, pensa no sofá, e numa sopa quentinha.
À sua frente está uma senhora com poucos artigos. Certamente, alimentos para o jantar. A menina da Caixa diz o valor a pagar. Embaraçada, a senhora não tem dinheiro suficiente. Entreolham-se. Sem hesitar, diz:
― Eu pago.
A senhora balbucia um “obrigada” envergonhado.
― De nada – responde.
Sorri. Adora a palavra partilhar.
Margarida Leite, 50 anos, Cucujães
Desafio nº 16 – uma palavra que define todo o texto

Maria José Castro ― desafio 177

Conquista
Foram anos de estudo e de esforços, de pequenos sucessos e, logo a seguir, retrocessos. 
Foram anos de angústias e de alegrias, de “não vou conseguir” e de “continua a trabalhar, vais chegar lá”. 
O amanhã tão longe e aqui tão perto. A dualidade entre os desejos e as obrigações: quero-me divertir / não posso perder tempo. 
O amanhã chegou hoje como o primeiro rebento numa árvore pronta para dar muitos frutos. Acabei o meu curso. Sou enfermeira! 
Maria José Castro, 59 anos, Azeitão
Desafio nº 177 ― imagem de Andrew Mathews

03/07/19

Helena Rosinha ― desafio 177

Hora de dormir, Lucas. 
― Falta a história... conta a do menino triste.
― Outra vez?
― Sim, eu gosto.
― Então, “Era um menino que vivia numa casa grande com muitas crianças, mas estava sempre sozinho, não falava, não brincava. Um dia, foi lá um casal que vivia infeliz, sem filhos. A diretora chamou o menino para o conhecerem; depois, levaram-no a passear, viu o mar, fizeram jogos. Feliz, o menino ria, saltava (…)
― Mãe Rosa, Lucas é o menino triste?
Helena Rosinha, 66 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 177 ― imagem de Andrew Mathews

Francisca Reis ― desafio 177

A janela era agora uma barreira de segurança. Separava o seguro do abismo e do medo que sentia quando não a respeitava.
Lá fora além do medo estava uma criança a brincar. Sem barreiras que a limitassem, sorria ingenuamente. Também ele já fora assim, livre. Agora escondia-se em casa, no seu porto de abrigo. Era apenas um mero espectador do mundo. Ali ninguém o podia perturbar ou magoar. Estava seguro e… oh… como a felicidade daquela criança o contagiava!
Francisca Reis, 18 anos, Cantanhede
Desafio nº 177 ― imagem de Andrew Mathews

Natalina Marques ― desafio 177

O pai quando chegou
perguntou pelo Tibérinho,
a mãe disse que chorava
no quarto escondidinho.

Disse então a soluçar
que lá na escola
não o deixavam brincar
nem sequer jogar a bola.

Um dia, chegou da escola,
encontrou no seu quarto
a tão desejada bola
pulou, correu de alegria,
pelo precioso achado...
Foi trazida pelo pai,
com o primeiro ordenado
Natalina Marques, 60 anos, Palmela
Desafio nº 177 ― imagem de Andrew Mathews

02/07/19

Elsa Alves ― desafio 177

Muito gostava o Zé de correr! Às vezes, até achava que era a melhor coisa do mundo... Naquele dia, a mãe encomendou-lhe um recado mas, na corrida, ele esqueceu-o. Seria o quê? Cabisbaixo, voltou a casa. Lentamente. Arrastando os pés. "Trouxeste a canela, filho?" Era isso! A canela para o arroz-doce! "E agora, mãe?" "Não faz mal. Ainda tenho um bocadinho. Senta-te e rapa o tacho..." Rapar o tacho do arroz-doce: a única coisa melhor que correr...
Elsa Alves, 70 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 177 ― imagem de Andrew Mathews

30/06/19

Desafio nº 177

Não peço mais nada… Só que escrevam a partir desta fantástica imagem retirada do livro «Being Happy», de Andrew Mathews













Eu escrevi assim:
Era o primeiro dia de uma vida diferente. Para trás, muitas alegrias, algumas tristezas, desilusões, talvez arrependimentos. Para a frente, uma incógnita, com um forte desejo de ser capaz, de poder fazer a diferença, de acompanhar as dificuldades de quem aprende a ler, a escrever, a ler o seu mundo e o dos outros para poder escrever o seu e o dos outros. Preparou-se. Sentiu a esperança nos rostos que a ouviam. Sentiu-se capaz. Só não saltou…
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa

Desafio nº 177 ― imagem de Andrew Mathews



Chica ― desafio 177


A vida é uma caixinha de surpresas e a cada dia pode nos provocar reações que passam pelos mais diversos tipos de sentimentos. Passamos todos por momentos angustiantes, dores, alegrias e emoções.
Podemos acordar dispostos, alegres, de repente uma notícia ou acontecimento pode quase no chão nos colocar, derrubar literalmente.
Por isso, frente de cada dia novo que diante de nós surge, que possamos sempre lembrar de VIBRAR, até saltar de alegria pelos bons momentos que recebemos!
Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nº 177 ― imagem de Andrew Mathews

Roselia Bezerra ― desafio 177


Este é meu mês...
Viva! Oba! Aleluia!
A vida me impulsiona
Com largueza e sensatez.
A cada ano ganho ânimo,
Maior desprendimento,
Capacidade de generosidade.
Dou saltos, com grande alegia,
Nada nem ninguem me pressiona,
Vivo, finalmente, sem algum desânimo,
Também não carrego arrependimento,
Vida nova requer paz na alma e lealdade.
Daqui para frente vou correr rumo
A felicidade. Não quero ter só razão,
Vivo com muito mais emocão!
Vida que segue com gratidão.
Obrigada, Senhor.
Roselia Bezerra, 64 anos, ES, Brasil
Desafio nº 177 ― imagem de Andrew Mathews