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05/08/20

Ana Castela – desafio 214

Tinha seis anos quando descobri a força das letras. Não da letra, porque uma letra sozinha, é apenas uma letra, mas uma letra junta com outras letras, torna-se mágica. Quando se juntam letras e mais letras, passam a ter cor, cheiro, sabor; fazer chorar, rir, sonhar. As letras são tão poderosas, que, sem elas, o mundo, como o conhecemos, não existiria. Assim, decidi que iria tratar sempre bem cada letra que passeie entre os livros e nós.
Ana Castela, 41 anos, Mealhada
Desafio nº 214 – à volta da palavra letra»

30/07/20

Helena Rosinha – desafio 214

Pendendo sobre o peito, a LETRA inicial do seu nome. Era a única concessão que fazia. De resto, fugia de tudo que se relacionasse com LETRAS. Sem gosto pela leitura — que horror, tanta página de LETRA miudinha! — enveredar por Ciências foi a opção tomada. Mas, azar! Até nas fórmulas se utilizam LETRAS. Desistiu do curso, pediu dinheiro emprestado e montou um pequeno negócio. Feliz, a vida parecia finalmente encarreirar-se. Aí começaram a aparecer as LETRAS para pagar…
Helena Rosinha, 67 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 214 – à volta da palavra letra»

27/07/20

Elsa Alves – desafio 214

Com os meus quatro aninhos comecei a ir para casa da menina Adélia. Todas as tardes." Vais aprender as primeiras letras." Explicou-me a minha mãe. Não abri a boca. As primeiras letras? Mas... eu sabia-as já todas. Até conseguia juntar algumas. Todas não. Seria bom ir para casa da menina Adélia. Que ia muito lá a casa. Que eu adorava. Que contava histórias como ninguém. E que, sim, foi quem me iniciou no vício das letras. Abençoada!!!
Elsa Alves, 72 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 214 – à volta da palavra letra»

25/07/20

Toninho – desafio 214

Numa noite de Lua compôs a letra do samba enredo. Com uma letra de jornal escreveu no papel de enrolar pão.  Depois noites perdidas pela canção, que agitasse a Sapucaí. No Morro da Mangueira a velha guarda tira de letra um samba enredo bem ao pé da letra. Sonhou com Cartola cantarolando o samba. Sorriu ternamente, era o som.
letra, na boca do povo ecoou pela arquibancada. A escola desfilou cantando bonito no carnaval da vitória.
Toninho, 64 anos, Salvador-Bahia, Brasil
Desafio nº 214 – à volta da palavra letra»
Publicado aqui: Meu samba enredo

24/07/20

Helena Rosinha – desafio 214

— Faz as letras do meu nome!  Agora as letras do pai e da mãe!
Em cada folha um nome, um desenho para enfeitar as paredes do quarto.  São a sua paixão: letras e desenhos. 
— Mãe, o céu, tão grande, só tem estas letras??? E mar, que nome tão pequenino… depois, às vezes eles zangam-se!!!
— Pois zangam, revoltam-se com tanta barbaridade… olha, esta palavra tem muitas letras.  Já, “dor”, que pode ser enorme, também é pequenina… 
— E Amor?
Helena Rosinha, 67 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 214 – à volta da palavra letra»

22/07/20

Theo De Bakkere – desafio 214

O trauma
Detestou ler de voz alta, dava-lhe tonturas por reconhecer tantas minúsculas naquela cacofonia de letras.
Ao ler, os olhos fixavam as letras das sílabas, um dedo seguia lentamente para não perder nenhuma letra pronunciada.
Porém, tudo acabava mal, normalmente usou o pretexto que ninguém conseguirá decifrar um escrito em letra do médico. Desta vez o subterfúgio não ajudou, as letras estavam de letra redonda. Ainda bem, o professor entendeu o trauma, pois esse aluno sofria da alexia.
Theo De Bakkere, 69 anos, Antuérpia-Bélgica
Desafio nº 214 – à volta da palavra letra»

21/07/20

Natalina Marques – desafio 214

– Estás triste, Joana. Porquê?
– A minha professora disse que tenho que mudar a LETRA. Eu já mudei de LETRA montes de vezes,
– Mas diz para mudar de LETRA, ou mudar a LETRA? A tua LETRA é bonita.
– Mudar a LETRA.
– Então, alguma palavra que escreves tens que mudar alguma LETRA
– Já sei: é o meu nome, que em vez de escrever com a LETRA J, escrevo a LETRA G.
– Ó Joana, andas com a cabeça na Lua.
Natalina Marques, 61 anos, Palmela
Desafio nº 214 – à volta da palavra letra»

Verena Niederberger – desafio 214

Verbena sempre teve problema com letra do seu nome.
Desde sempre, era vítima de chacota.
As pessoas trocavam letra e a chamavam de Serena.
Sempre, alguns, teimavam em inventar letra diferente para seu nome.
Verbena era gerente de banco e lidava com letra de câmbio.
O seu trabalho tirava de letra.
Tempo foi passando.
O sonhado dia do seu casamento chegou.
Na hora de assinar sobrenome marido:
F I N C K E L S T E I N E R.
Parecia uma verdadeira sopa de letra.
Verbena ficou serena.
Verena Niederberger, 69 anos, Rio de Janeiro, Brasil
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Fernanda Malhão – desafio 214

– Que letra horrorosa! Os nomes devem começar sempre por letra maiúscula! Ainda estás aqui? Estás sempre atrasado pois estás sempre a dar a letra com os amigos!
O menino que levava tudo ao pé da letra, respondeu:
– Se estivesse sempre a dar a letra já estaria era mais adiantado! De letra em letra se vai ao longe!
Com aquela letra do menino, a professora sorriu e até cantarolou uma música cuja letra não lhe saía da cabeça.
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
Desafio nº 214 – à volta da palavra letra»

20/07/20

Carla Silva – desafio 206

Os Noivos 
Maia mordeu um pedaço de papaia e olhou a caixa que continha as recordações duma vida. 
Naquele momento os noivos bailavam abraçados enquanto ela tinha a sensação de assistir uma peça de teatro em que a qualquer momento alguém grita: "ParaiEstais a cometer um erro".
Depois o pano caía trazendo tudo ao normal.
Mas, aceitando ou não, o normal era seu pai refazer a sua vida, tal como fizera sua mãe há dez anos.
Carla Silva, 46 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 206 7 plvras com ditongo «ai»

Chica – desafio 214

Quando vemos uma tarefa, pensamos positivamente que iremos tirar de letra a execução.
Porém, na hora de a executar a pressa a faz escrever com garranchos, letra desajeitada e inelegível.
Cadê aquela letra caprichada que todas professoras gostavam tanto? Sumiu? Desapareceu?
Se elas vissem agora a letra escrita nas anotações rápidas ou rascunhos, ficariam desapontadas e recomendariam umas boas folhas de caligrafia.
Mas é certo: Aconteceu a transformação da letra idosa, ainda mais após anos apenas teclar...
Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
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Rosélia Bezerra – desafio 214

Era uma vez uma letra.
Letra de professora era. 
Desde pequenina, Mariana treinará a caligrafia para ter letra redondinha.
Nem professora nem madrasta davam moleza à sua letra na infância.
Cresceu com capricho na letra, recebia estrelinhas de louvor no caderno.
Quando maiorzinha, teve letra diminuída, mais tarde, aprendeu sobre relação com complexo de inferioridade.
Não se aborrecia com o fato. 
Na faculdade dedicou-se à Cadeira de Letras.
De todas letras do alfabeto, escreve letra A, sente Amor.
Rosélia Bezerra, 65 anos, ES, Brasil
Desafio nº 214 – à volta da palavra letra»

Desafio nº 214

Estão preparados? Neste desafio, vamos andar à volta de «LETRA».
Sim – há letras para escrever, letras de canções, letras para pagar, letras e mais letras.

A palavra vai aparecer, pelo menos, 5 vezes no vosso texto. Que tal?

Eu fiz assim:
Ele até nem era de levar à letra tudo o que via ou ouvia, mas com aquela letra a mensagem era bastante clara, não havia outra interpretação possível. Estranhou: um homem de letras como o seu ídolo escrever uma coisa assim tão, tão inqualificável. Ouviu uma, duas, três vezes e anotou tudo com letra de médico num papel que passou ao colega de café, esse com quem normalmente dava à letra horas a fio. A incompreensão multiplicou-se.
Paula Isidoro, 39 anos, Salamanca, Espanha
Desafio nº 214 – à volta da palavra letra»