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24/07/20

Elsa Alves – desafio 53

Incompreensível aquela obsessão com o basquetebol. Sem conversa sobre mais nenhum assunto, se esse desporto viesse à baila, era ver-lhe o entusiasmo. Sabia todas as regras, da sua história não lhe escapava um pormenor, se falavam da NBA ficava com os olhos em bico. Dribles, passes, arremessos, assistências, afundanços, pontes-aéreas, faziam parte do seu vocabulário quotidiano. As paredes do quarto cobertas com fotografias dos seus jogadores preferidos.  
Pena ser só jogador de sofá. Nunca pegara numa bola...
Elsa Alves, 72 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

10/07/20

Fernanda Malhão – desafio 53

Era um homem mesmo teimoso, mas não no bom sentido, quando queria uma coisa por mais fútil que fosse, batia insistentemente naquilo, como se estivesse a bater uma bola de basquete, mas sem sair do lugar. Mesmo diante várias alternativas, não queria saber, amuava e continuava a bater a sua bola, a nos massacrar com a sua insistência. Fartos daquela atitude, encolhíamos os ombros e dizíamos: Faz o que quiseres! Era a única maneira de termos paz!
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

07/08/17

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 53

O reitor do liceu organizou um torneio original de basquetebol, jogando rapazes contra raparigas. 
A minha equipa chegou à final e sou a capitã.
Faltam segundos para concluir a partida, o jogo está empatado e fiz um lançamento da linha de três pontos. A bola de basquetebol acerta no aro e depois entra... a minha equipa venceu!
Isto prova que não é apenas o porte atlético que importa no desporto, mas também a táctica e a atitude!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

13/04/16

Agora sim

Era o primeiro dia de escola, e entre eles,
nasceu uma amizade que, com o passar dos anos,
se transformou em amor que parecia duradouro.
Foram traídos pelo destino, e as juras de amor eterno
ficaram esquecidas no tempo.
Cada um seguiu, seu caminho, para se reencontrarem
muitos anos depois, num lar de idosos.
E aí concretizarem, as promessas que foram feitas
no passado, tão longínquo.
E agora sim, agora será até que a morte os separe.

Natalina Marques, 57 anos, Palmela

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

20/11/15

Unindo os destinos

Estava machucado pela sua última experiência. Nada faria supor que a sua relação terminasse daquela forma. O casamento estivera marcado e, de um momento para o outro, tudo acabou. Nunca compreendeu a razão da frase: “Não posso”… Mais tarde, Beatriz veio ao seu encontro. Estremeceu… como a amava. Lavada em lágrimas, confessou que desistira do seu amor, pois o médico tinha-lhe dado pouco tempo de vida. Afinal, o engano confirmou-se… Perdoaram-se… e finalmente uniram os seus destinos…

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

29/07/15

Na mira do coração

Alguns movimentos, do universo, nos deixam sem escapatórias.  Não adianta tentar burlar as leis naturais, querer desviar caminhos, fazer atalhos, se precipitar.
Só nos resta aceitar. Compreender, digerir, maturar, amadurecer. No mais é contemporizar. Deixa a “coisa” mais leve!
Certas paixões nos arrebatam, tiram do prumo, somos jogados fora do chão, e miramos um único alvo...
E desejamos invadir indefinidamente o amor. E por lá permanecer, pois que o mundo se torna algo à parte de tudo...

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

24/06/15

Uma questão de tamanho

Todos os sábados à tarde avô e neto iam às praias da Costa.
O neto refilava que queria a do "meio".
Um dia o avô perguntou-lhe o porquê da escolha, a resposta foi... 
Bolas de Berlim.
O  avô ficou pensativo... no sábado seguinte escolhe outra praia.
O neto refilava... quem perde sou eu !!
Perdes porquê?  As bolas são iguais.
Como menos um bocado...
As destas praias, são de futebol, as da praia do "meio" são de 
"basquetebol."

Maria Cabral,

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

08/10/14

Programa Rádio Sim 360 – 8 Outubro 2014

OUVIR o programa! 


No site da Rádio Sim

(Sobre) Viver
Ouço freneticamente o apito. Avanço, num ápice, julgando que alcanço o mundo, em cada toque. Acuso um cansaço, sôfrego, que me faz parar de correr, de exigir substituição. Mas… algo me impele para continuar. Desenho passos de gigante, tentando voar até ao cesto. Passou ao lado, mais uma vez. Caio no chão,  rasteira passada pela vida. Não quero substituição! Peço a Ele para continuar em jogo. Permissão cedida. Não marquei. Mas driblei. Não será isto a viver?

Carla Veríssimo, 33 anos, Torres Novas
Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

27/02/14

Programa Rádio Sim nº 205 – 27 Fevereiro 2014

OUVIR o programa! 
No site da Rádio Sim

Ups!
Nem queria acreditar: convidaram-me para entrar num torneio de basquetebol inter-turmas. Agora que ali estava, tinha de pegar na bola, desse por onde desse! Que é que eu fiz? Bancadas a abarrotar, a vedeta sai disparada às pernas do detentor da dita-cuja, e, zás, corre para o lado contrário em direção ao cesto. Entrou? Não sei. O árbitro apitou, chacota geral… Ah, pois, com o entusiasmo, esquecera-me de driblar. Desde aí, nunca mais tive medo de errar.

Paulina Salvador, 45 anos, Viana do Castelo
Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquete (literal ou metafórica)

11/12/13

Programa 153 – 11 Dezembro 2013

OUVIR o programa! 


No site da Rádio Sim

Certeiro!
A bola aos seus pés.
A bola quieta, expectante, aos seus pés.
Incomodava-o, era verdade. Estava em dívida para com ela.
O campo: vazio.
E a bola, maldita!, aos seus pés; tensa, à espera.
Olhou em volta, verificando: vazio. Baixou-se, agarrando-a. Aproximou-se do cesto em passos cada vez menos hesitantes e, após um último momento de dúvida, encestou.
Certeiro!
Subitamente, as bancadas ribombaram em palmas estrondosas, a equipa levava-o em ombros, e o fantasma, vencido pela confiança!

Marta Trindade, 15 anos, Lisboa
Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

22/11/13

Programa 140 – 22 Novembro 2013

OUVIR o programa! 

Ouvir no site da Rádio Sim


Driblar o destino
– Somos campeões! Somos campeões! – gritava ele entusiasmado, abraçando-se aos  espectadores vizinhos.
No seu coração de pai, o orgulho extravasava.
Lá em baixo, a sua menina, de braçadeira colorida, era a capitã da equipa vencedora.
Tocou o hino, subiu a bandeira… sem governantes, fotógrafos ou repórteres famosos.
Aliado à grandeza do feito, o sentimento de injustiça.
Aquelas atletas, presas às cadeiras de rodas, não tinham driblado só a bola mas todo o destino. E não há vitória maior!

Palmira Martins, 57 anos, V. N. de Gaia
Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquete (literal ou metafórica)

20/11/13

Deprimida

Anda assustada e deprimida. Devia descansar; voltar à terapia. Falta-lhe ânimo para se mover. De qualquer modo, não teria dinheiro para o tratamento. Quase já não dá para os medicamentos, que necessitava de ajustar, pois engordou tanto que parece uma bola. De basquetebol, pois, anafada, ao andar, saltita na marcha. Não se reconhece no corpo e foge da rua assim que termina o trabalho. Fecha-se no escuro em casa à espera de acordar magra, alegre e viva.


Isabel Pinto, 47 anos, Setúbal
Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

11/11/13

A bola de basquetebol

Num dia de sol, uma menina foi passear.
Quando estava a passar junto a um campo de jogos reparou numa linda bola de basquetebol.
A menina agarrou na bola, viu um rapaz atrás dela e disse:
– Olá! Esta bola é tua?
– É. Obrigado.
O menino levou a bola para o campo de basquetebol e começou a jogar.
A menina ficou fascinada com a habilidade do menino.
– Queres experimentar?
– Eu não sei jogar.
– Não faz mal, eu ensino-te…

Sara, Beatriz e Mariana, 2º/3º D, EB Coruche, Prof.ª Carmo Silva

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

08/11/13

O Peso

Disseram-lhe: comes ou morres! 
Sabia-se magríssima – podia servir de cobaia no estudo anatómico do esqueleto humano. Mas morrer?! Decidiu encetar uma dieta simultaneamente com medicamentos para engordar. De início, nada. Depois começou, lentamente, a ganhar peso. Agora está bem! Os nutrientes foram recuperados no seu corpo. Há apenas um senão: desconhece-se na nova imagem (sente-se uma bola de basquete; desporto praticado em miúda). Nunca tivera tal peso. Não olha o espelho; finta a balança. Segue em frente.

Isabel Pinto, 47 anos, Setúbal

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

05/11/13

Instantes sem fim

Mais uma vez! A bola voltou a bater no aro, e rola, rola, rola à volta do arco e não cai nem passa por dentro dele. Estou farta. Não suporto mais esta agonia. Esta espera de apenas alguns segundos mas que parece uma eternidade, estes instantes sem fim. E a bola continua a balançar. Para um e para outro lado numa dança agoniante. E eu a ver, com o olhar enfeitiçado.
Ah! Finalmente acabou. A bola entrou.

Sofia Aparício, 8.º A, Escola Básica de Aveiras de Cima, prof Isabel Palmela

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02/11/13

Missão cumprida

Fiquei sozinha, naquele espaço enorme. Até que chegou alguém, agarrou-me com as mãos pequenas e suaves e levou-me para casa.
Só podíamos brincar no quintal, mas dentro de casa tinha um cantinho bem confortável para descansar.
Certo dia, fui levada a um evento desportivo. As mãos pequenas e suaves entregaram-me a umas mãos grandes e musculadas. Escreveram-me o seu nome a preto e lançaram-me através do aro.
Missão cumprida. Foi o dia mais feliz da minha vida.

Vera Novais, 32 anos, Lisboa

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01/11/13

Redonda redondinha

Adoro comer. Gosto de tudo, bem, quase tudo. Posso dizer que sou um bom garfo. Quando penso nos cozinhados da minha avó: bacalhau espiritual, frango acerejado, feijão com couve na panela de barro, umh, tão bom! E o bolo de chocolate, o seu arroz doce! Tanta coisa boa. Pois é, depois lá diz meu marido: Maria, estás redonda. Olho-me no espelho e tem razão. Redonda como uma bola de basquete que as de ténis são pequenas demais.

Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

31/10/13

Doce Lar

Bola redonda, igual às demais. Sua cor azul a distingue.
Bola mágica, girando continuamente em movimentos desiguais, fazendo suceder dias e anos.
É a nossa “casa”, o solo que pisamos…
Porém, tantos são os maus tratos que lhe infligem!…
Queimando, roubando seus bens, e o ar que respira, esquecendo que um dia… talvez seja ela, que estropiada e cansada, se aquiete de vez, deixando de girar, acabando com a magia de vivermos dentro de uma “bola azul”.

Graça Pinto, 55 anos, Almada

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

28/10/13

Até que... esvaziou

Tocou, circulou, girou. Girou e enfrentou o rodopio vertiginoso. Ficou zonza de rebolar pelas mãos quentes que a envolviam. Foi bem alto dizer aos céus que seria sempre redonda e jurou que rodar e saltar seria sempre o seu principal alento. Sorriu mil vezes às paredes nuas e elas sentiram inveja. Ressentiram o seu toque forte, decidido, e imaginaram como seria maravilhoso circular livre no ar. Viveu solta e alegre até ao dia em que esvaziou, feliz.

Clara Lopes, 37 anos, Agualva, Sintra

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)

27/10/13

Catarse

Os algarismos – oito, zero –, repetidos nos dois lados da tabela, enervavam. Ela remexia-se no banco, amaldiçoando a lesão. Subitamente o treinador confrontou-a:
– Consegues jogar? Aquece!
Anuiu, aqueceu – rapidamente –, entrou. Recebeu a bola, driblou-a desalmadamente, sem oposição. Lançou. Soou um oh prolongado, desiludido. Agarrou de novo a bola: encestou. Virou-se. Colegas e treinador: estátuas! Ouviu o silêncio. Porque não se manifestavam? Ninguém conseguira marcá-la, acompanhá-la: estava em forma! Olhou o marcador. Percebeu. Visitante: oito, dois! Apito final.

Maria José Castro, 53 anos, Azeitão

Desafio nº 53 – uma imagem, bola de basquetebol (literal ou metafórica)