21 fevereiro 2016

Amanhãs

O olhar perdeu-se no horizonte roçando o cruzado dos carris. Sentiu-se distanciando-se do seu mundo. O som que embalava o comboio esmorecia à medida que se percebia rasgada pela saudade. Ele apenas deixara a promessa de regresso, agarrada ao último abraço dado. No derradeiro olhar, deixou-o descobrir a dor imensa daquele afastamento. Permitiu-se consumir no tempo. Inesperadamente, percebeu-o apeado de mala na mão… Há amanhãs, tão belos, desenhados por outros… E há amores que nunca se desprendem…

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada
Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios


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