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09/12/17

Susana Sofia Miranda Santos ― escritiva 5

Svetlana tinha uma vida triste.
Abandonara as raízes eslavas em nome do amor, mas tudo fracassara.
Vivia sozinha no Porto, sem família, amigos e o marido traidor trocara-a pela amante.
Para que a depressão não a subjugasse, decidiu dedicar-se plenamente à vida profissional.
Ela trabalhava como enfermeira no Hospital de Espinho e, durante as viagens de comboio, vislumbrava constantemente as mesmas caras.
A regularidade dos contactos motivou a partilha de histórias... alguém isolado encontrou uma família especial!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios


29/04/17

Sabrina Pereira ― desafio escritiva nº 5

Cruzar comboios
Eu pensei que fosse uma boa ideia ir visitar um sítio mais calmo, talvez nos campos, na Austrália.
Dois dias depois, perguntei a alguém de onde partia o comboio mais próximo. Mas quando cheguei

18/04/17

Isabel Pinto ― desafio escritiva nº 5

Magreza Extrema
A anorexia assombrou-lhe a vida numa idade inesperada; quando o risco da manifestação é pequeno. O sofrimento vivenciado mentalmente, a superação dos seus limites, em prole da luta pela

06/09/16

Linhas paralelas

Sentaram-se naquele canto do café. Observei-os. Ela tinha um rosto triste, distante. Ele, indiferente, lia o jornal esquecido. Identifiquei-me com eles. Imaginei as nossas vidas como linhas paralelas. Talvez ela, como eu, sonhasse aquele ponto, no horizonte, onde as linhas se encontrassem. Desenhei, num papel, uma escada. Compreendi: duas linhas paralelas não se encontram, apenas no infinito, nunca em tão curtas vidas. Por isso, a única forma de as unir são as pontes que por elas atravessam.
Isabel Sousa, 64 anos, Lisboa.

Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios

10/08/16

Programa Rádio Miúdos 87 – 10 agosto 2016

Esta foi a história que lemos na Rádio Miúdos neste dia!
É a rádio mais fantástica que há!

Outro caminho
Como todos os dias, eu fui apanhar o comboio para ir para as aulas. Não imaginava o que ia acontecer, mas o meu corpo pressentia-o. Nesse dia não apanhei o comboio devido, apanhei outro, não sabia onde me levaria esse comboio, mas também não me importava. O caminho seria longo, sabia que as pessoas não seriam tão amáveis quanto gostaria, mas devia fazê-lo, devia quebrar a cadeia. Eu devia apanhar outro comboio, eu devia trocar de vida.
Luis Zambrano Cuesta, 18 anos, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro
Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios

18/07/16

Programa Rádio Miúdos 77 – 18 Julho 2016

Esta foi a história que lemos na Rádio Miúdos neste dia!

É a rádio mais fantástica que há!

Senta-te aqui
Naquele dia apanhei o autocarro por milagre. O meu voo tinha chegado muito atrasado e ainda agora não sei como fiz para pegar nas malas e apanhar o último autocarro que havia para a cidade. Quando eu entrei, os outros passageiros viraram-se e puseram-se a olhar para mim. Tu estavas a ler o jornal em italiano. Lembro-me do teu sorriso cúmplice.
– Vem cá, senta-te comigo. Eu também cheguei a Genebra tão perdido quanto tu há um ano...
Lara Lagoa, 21 anos, Vigo, prof Paula Pessanha Isidoro
Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios

01/07/16

Programa Rádio Miúdos 67 – 1 Julho 2016

Esta foi a história que lemos na Rádio Miúdos neste dia!
É a rádio mais fantástica que há!
OUVIR

O grande dia
Não me lembro como começou, mas sim como aconteceu. Todas as manhãs eu saía de casa para ir de comboio ao trabalho. Mas aquele dia não ia ser normal. Quando a vi, pressenti que ia ser o grande dia. Nesse dia pediria a sua mão. Um bonito sorriso apareceu na minha cara. Nesse momento ela viu-me. Aproximei-me dela para fazer a grande pergunta. Pela janela vi um comboio que se aproximava velozmente. Nesse momento ficou tudo preto.
Marta, Carmen e Andrea, de 3º de ESO (9º ano) do IES Bioclimático de Badajoz, professoras María José López e Paula Fialho Silva, no âmbito da celebração do "Dia da Língua Portuguesa" que se realizará no dia 5 de maio no CPR de Badajoz
Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios

28/06/16

Programa Rádio Sim 785 – 28 Junho 2016

o programa em podcast na Rádio Sim

Linhas cruzadas
Pelas seis e meia da manhã, silvava o comboio ao entrar na estação. Passageiros habituais, tanto os que vinham, como os que entravam.
Os lugares pareciam reservados e assim se fizeram amizades. Bem, no meu caso foi algo mais.
Nessas viagens diárias a caminho do emprego conheci o meu marido.
Passamos a ver nos carris as linhas paralelas que transformaram nossos destinos.
Hoje agradecemos na cumplicidade do nosso olhar e no silêncio da ternura que nos une.   
Rosélia Palminha, 68 anos, Pinhal Novo
Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios

07/06/16

Cruzar comboios

Quisera estar num comboio e apreciar, lentamente, tudo de belo que a natureza nos oferta...
Já fiz várias viagens de trem e, em todas, delicio-me com cachoeiras, árvores exuberantes, flores nas quaresmeiras tão lindas...
Em breve, cruzarei comboios e meu coração saltitante estará... 
Numa terra majestosa onde poderei esbladar-me...
Já viajei com amigas ou com netinho e filha mas, em todas ocasiões, fui imensamente feliz e a alegria tomou conta do meu ser.
Cruzar comboio alimenta-me alegrando-me.

Rosélia Bezerra, 61 anos, Rio de Janeiro, Brasil

Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios

06/06/16

Programa Rádio Miúdos 60 – 6 Junho 2016

Esta foi a história que lemos na Rádio Miúdos neste dia!
É a rádio mais fantástica que há!
OUVIR

Todas as manhãs eu apanhava o mesmo comboio. E todas as manhãs eu observava o cachorrinho magro. Ele tinha uns olhos tão negros como a noite.  Ele movia sempre o rabo quando alguém se aproximava. Mas quando ele me viu, os olhos dele brilharam. Na minha mochila tinha sempre umas bolachas para ele. Deu-me tanto amor pelas manhãs… Um dia, eu tomei uma decisão importante… O nome dele é Thor, e agora está dormindo aos meus pés.
Ana Belén, 19 anos, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro
Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios

22/05/16

Ninguém, só eu

Ninguém tinha pensado no que se passou. Ninguém tinha pensado no que eu senti quando estavas no cais número vinte e um, esperando, vendo a vida passar. Ninguém tinha pensado que eu perderia o meu comboio, ninguém tinha pensado que tu irias fazer aquilo, ninguém tinha pensado que o teu assento estava ao meu lado. Ninguém tinha pensado que tu morarias na mesma rua que eu. Ninguém tinha pensado que nada daquilo ia passar, ninguém menos eu.

Rocío Antonio Núñez, 18 anos, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios

Natália

Era uma vez um comboio chamado Nicolas, tinha 150 anos e ele fazia todos os dias a mesma viagem: Coimbra – Salamanca de ida e volta. Um dia uma jovem rapariga apanhou o comboio de ida Coimbra – Salamanca e no fim da viagem ela perdeu um caderno onde ela escrevia os seus poemas. Nicolas encontrou o caderno e leu os belos poemas de Natália. Então, Nicolas procurou e procurou a jovem rapariga…  mas não nunca encontrou a Natália.

Ignacio Fernández González, 20 anos, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios

A Besta

Lembro-me da primeira vez que o vi. Estava na Veracruz, ajudava um grupo de Jesuítas que acolhiam migrantes. Estava a preparar comida quando alguém gritou: “Estão aqui”. Deixei o que estava a fazer, batimento rápido do coração. Corri pelas vias, então entendi porque se chamava a Besta, o imponente ferro fazia o seu caminho sem se importar com nada, no entanto as pessoas tinham fé de chegar depois do rio Bravo, era o que restava para eles.

Camila Martínez, 19 anos, Cidade do México, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios

Desculpe, desculpe

Era uma nova manhã. Outro novo dia. Mas a mesma rotina. Ou pelo menos isso pensava o Alex, enquanto ouvia música tranquilamente no seu mp3, olhando pela janela desse velho comboio de madeira dos anos 50. Tranquilidade interrompida pela queda dos livros duma rapariga desajeitada. Ou assim parecia.
– Desculpe-me, desculpe-me! – disse ela apressadamente.
– Importa-se se eu colocar isto aqui?
Alex assentiu. Então, depois de ela se sentar, Alex observou-a cuidadosamente.
Ela era uma moça bonita de cabelos…

Ana Carmen García Hernández, 18 anos, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro
Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios


O revisor

Como todos os dias de manhã, Laura apanhava o metro para o trabalho e o revisor pedia os bilhetes a toda a gente, mas ele nunca lhe pedia o bilhete. Ela estava muito surpreendida e queria mesmo mostrar o bilhete, mas ele não a deixava. Num desses dias houve uma conversa. Ele revelou que estava enamorado dela, que o seu rosto era puro e confiável que não necessitava ver o seu bilhete. Ele estava loucamente enamorado dela.

María Rodríguez Moríñigo, 19 años, Salamanca, prof Paula Pessanha Isidoro

Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios

28/04/16

De Sintra a Lisboa, durante a semana

Não precisava ir cedo. Mas sabia que ele ia naquele comboio. Via-o à espera na estação e entrava na mesma carruagem. Sentava-se de frente, longe. Ele lia o tempo todo. Ficava a olhá-lo. Se ele tirava os olhos do livro ela desviava o olhar. Coração aos pulos.
Nunca falaram. Nunca cruzaram os olhos. Nunca soube o nome dele. Vê-lo dava-lhe um conforto para o resto do dia.
Mudou de cidade, nunca mais o viu. Ainda pensa nele.

Marina Delgado, 51 anos, Pucariça, Abrantes
Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios


01/04/16

Dignidad

La locomotora pitó insistentemente al entrar en la estación. Apartaban la nieve caída en la madrugada. El maquinista conversó con un operario. Esperaban noticias. El puerto podría cerrarse. La mujer sentada al otro lado del pasillo, tembló, arropó con la toquilla la cabeza del niño que llevaba en brazos, y se santiguó. Tú no bajarás a la mina con tu padre; primero tendría que matarme; emigraremos. Del pañuelo atado a la nuca, le sangraba el oído. Permítame.

José Ignacio Martínez Gutiérrez, Valencia de Alcántara, Cáceres, Espanha

Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios

21/03/16

Programa Rádio Sim 726 – 21 Março 2016


o programa em podcast na Rádio Sim
  
P 726 – 21 Março 2016 

Destino
Bastas vezes a ousadia faz caminho.  Foi isso que faltou àquele provável par.
Ele dum lado do cais, ela do outro. Todos os dias, à mesma hora, os seus olhares despediam dardos de enlevo.  Gostaram-se. À distância.
A terra girou. Os anos rolaram. As cãs apareceram. 
Um dia ele ousou mudar de plataforma. A timidez não ajudou.  Não se falaram. 
Habituaram-se àquela bizarra forma de amar e, como as duas linhas paralelas dos carris, nunca se encontraram.

Elisabeth Oliveira Janeiro,  71 anos, Lisboa
Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios

18/03/16

Programa Rádio Sim 725 – 18 Março 2016

Ouvir o programa em podcast na Rádio Sim


Talvez acordar mais cedo...
Coletivo, sempre o coletivo. Necessário mas arrepiante.
No metro, passar cartão, descer escadas, deixar-se subir por outras, de qualquer modo é um túnel e nele se viaja, com outros, mudos, olhando, desviando olhares.
Os cheiros, humidade de construção que invadiu terra, de gente que acordou à pressa com odores velhos, dos que demoraram no banho e provocam narinas com perfumes de enjoo.
Meia hora, basta meia hora, e respirarei o ar das manhãs.
Vou acordar mais cedo!

Celeste Gregório Lopes, 54 anos, Santarém
Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios

11/03/16

Gentes

O comboio, que aqui passava, deixou saudades.
Outrora, levava gente e trazia gente.
Que acenavam uns aos outros, quando se cruzava com outro,
que vinha em sentido contrário.
Quando passava por cima de uma das várias pontes,
via-se o rio lá em baixo e, a beleza que nos rodeava,
era estonteante, com vinhas aprumadas entre olivais,
amendoeiras em flor.
Agora, são outras gentes que por ela passam,
vão contando as histórias do passado,
um passado, tão distante.

Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios