22 fevereiro 2016

Talvez…

– Sinto muito, sinto muito – disse a sobrinha, descendo do comboio.
Partira, havia demasiado tempo, mantendo-se longe daquela terra que nada lhe dera a não ser a ausência de oportunidades.
Pesarosa, olhou a tia vestida de preto, com a tristeza a marcar-lhe a alma, e lamentou ter regressado. Com passadas pesadas seguiu o enterro e, do interior do cemitério, deslumbrou-se com o mar que abraçava a vila. Como pudera esquecer aquela paisagem? Talvez por ela decidisse ficar. Talvez…

Quita Miguel, 56 anos, Cascais


Desafio Escritiva nº 5 – cruzar comboios
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