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05/04/17

Carla Augusto ― desafio nº 117

Hoje mudei. Não por acaso, mas porque ganhei forças. Amedrontada, com comichão, mas fui!
A mãe nem percebia o que se passava. Horas a preparar-me…
Dissera-lhe que não jantaria em casa. Nem se atreveu a perguntar nada, há muito que me via isolada.

02/04/17

Ana Paula Fernandes ― desafio nº 117

O corpo comunica connosco. Os sinais que nos envia são sempre mensagens. Importa saber se o conseguimos entender.
Assim foi com Rosalina. As marcas há muito presentes em diferentes partes da sua pele apenas lhe

Maria José Vitorino ― desafio nº 117

Desenham-se-me na pele mapas como protestos que o sangue transporta pela calada. Sem que saiba porquê, e dói-me.
Dizem-me que estes gritos respondem por uma palavra antiga, aqui chegada dos confins do oriente. 

31/03/17

Sérgio Quitério ― desafio nº 117

Hoje, quando acordei, fui ao espelho e estava como no dia anterior, e no anterior, e no anterior... Eu tenho a pele toda manchada e feia. Nunca falei com os meus pais sobre isto. Para não variar, quando cheguei à escola, os meus colegas não se queriam aproximar de mim, nem sequer falaram comigo,

Theo de Bakkere ― desafio nº 117

O preconceito é filho de ignorância
Entrando na aldeia, o rapaz foi quase apedrejado pelos aldeões, porém avisara-os com uma matraca barulhenta. Quem lhe ofereceu um lugar quente no curral foi o ferreiro. Esse antigo cruzado

Isabel Lopo ― desafio nº 117

Nem coragem tinha para encarar o espelho. Seus olhos transparentes não disfarçavam a doença que trazia na pele e no coração. Desanimada, deixara de sorrir. Aconselharam-lhe um velho médico capaz de milagrar. Pouco crédula, foi conhecer o sábio. A luz suave, o som do silêncio, a voz do velho,

Emília Simões ― desafio nº 117

Sou ainda tão jovem e logo a Psoríase havia de vir ao meu encontro.  Sei que os gémeos verdadeiros têm mais probabilidades de apanhar esta doença autoimune, mas eu até sou filha única! Há dias em que não me apetece nada ir à escola, só porque desde que o meu corpo ficou cheio de manchas

30/03/17

Natalina Marques ― desafio nº 117

― Estás triste, não vais brincar com os outros meninos?
― Eles não querem brincar comigo.
― Porquê?

Fernando Guerreiro ― desafio nº 117

Sempre aquela palavra: psoríase. Oito letras cravadas no dia-a-dia. Desde que o médico confirmou o pior cenário, a tragédia estreou. Pensava sempre que risos e sussurros alheios eram escárnio ou desdém. Foi assim até ao dia em que o seu olhar se emaranhou nuns olhos que viam para lá da pele.

Marlene Silva ― desafio nº 117

Amanhã começo uma nova etapa: o meu primeiro emprego. Não foi fácil a entrevista. Um pesadelo atrair a atenção do meu agora chefe para o que dizia e não para o que aparentava. Sim, as manchas estavam lá. Cansei-me de disfarçar, de esconder. Aceitar a doença passou por aceitar as suas

Chica ― desafio nº 117

Olhares de amor
Na sala de aula pequeninos atentos
A professora pediu que desenhassem a pessoa mais bonita para eles. 
Apareceram mães brancas, negras, gordas, magrinhas, acompanhadas de uma palavra de carinho,

Desafio nº 117

O desafio de hoje pretende dar visibilidade à Psoríase, uma doença que afecta 150 a 200 mil pessoas em Portugal. Quem padece desta doença confronta-se diariamente com situações de preconceito e estigma em contextos sociais e profissionais. Nos jovens, a Psoríase poderá condicionar, e muito, esta fase importante da vida.
O lançamento da campanha “Catarinalândia: uma miúda cheia de vida e alguma psoríase” pela Associação Portuguesa da Psoríase é o mote para este desafio de histórias em 77 palavras.
Vamos dar espaço a quem sofre desta doença para que nos conte a sua história, mas vamos igualmente «calçar os sapatos do outro», ajudando a compreender e querer saber mais quem precisa. Preparados?

A minha história é esta:
Olho-me ao espelho. Sinto-me a falhar, esta intromissão parece-me uma injustiça capaz de me estilhaçar os dias. Baixo a cabeça, evito cruzar-me com indiferenças e espantos. Prefiro não existir para eles!
Mas tu chegaste e levaste a mão ao meu queixo, obrigando-me a ver-te. Sorriste-me, retiraste os cabelos, prontos a disfarçar tudo, do meu rosto. Pegaste na minha mão e mostraste-me como o caminho é de esperança. Para ti, a psoríase é um detalhe numa amizade genuína.
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa
Desafio nº 117 – uma história para ajudar a combater a psoríase
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