Mostrar mensagens com a etiqueta desafio nº 109. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta desafio nº 109. Mostrar todas as mensagens

07/03/18

Martim ― desafio 109


Sinto-me perdido,
sem caminho ou destino
É como se algo me colocasse num profundo vazio,
sem que nada possa fazer
sinto-me só
parece que isto será eterno
mas espero que não
esperei anos,
mas a solidão ainda estava junto a mim
pensei que estava tudo acabado
que ficaria só para toda a eternidade
mas algo mudou
não sei explicar o quê
mas uma luz mudou isso,
lembrei-me de algo que não me lembrava há anos:
o amor
Martim, 6º M Casa Pia de Lisboa – CED Nuno Álvares Pereira – prof. Teresa Monteiro
Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

06/03/18

Elsa Alves ― desafio 109


Digo bom-dia a todos. Sento-me. Ligo o computador. Passo os olhos pelos mails que, entretanto, chegaram. Os outros fazem mais ou menos o mesmo. Trocam olhares. Já não se interrogam sobre o meu habitual silêncio. Não sabem mas hoje é um dia diferente. Sinto que se iniciou o teu ir para fora do meu eu.
― Aurora, vens almoçar connosco?
Dou por mim a responder-lhes:
― Claro, já estou cheia de fome!
Engraçado... Para onde terá ido a solidão?
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

07/12/17

Elsa Alves ― desafio 109

Às vezes, consigo ouvir as vozes secretas do mundo. De olhos estáticos, observo a vida, mas não esta: a do Além. Concentro-me no acaso e no descanso desse tempo no qual insisto em permanecer. Vivo de lamentações, da abstração de tudo aquilo que me rodeia. A mente vagueia-me, solitária, por esse espaço indefinido e monocromático. Abstraída de tudo torno-me húmus do pensamento, variante errante de mim mesma e tento encontrar a resposta à pergunta: "Quem sou eu?"
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira

Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

09/10/17

Matilde Faria - desafio nº 109

Entro num sítio enorme, repleto de pessoas a mirarem-me de alto a baixo. E porquê? Simplesmente por ter um pai e uma mãe famosos! Observam-me como se fosse um deles… Percebo que só querem estar comigo por uma razão, a FAMA! Será que vou arranjar um amigo que goste verdadeiramente de mim? Sinto-me sozinha no meio de tanta gente…  Sinto-me um corpo a quem roubaram a alma. Eu NÃO sou os meus pais! Eu SOU eu, só!
Matilde Faria, 13 anos, Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva

Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

André Moreira - desafio nº 109

Numa festa lotada, conto, sozinho, todas as pessoas que vagueiam pelo caminho.
Questiono várias vezes a minha existência: porquê estar a habitar um mundo apenas dominado pela melancolia e pela tristeza?
Os vultos passam e eu ouço-os a falarem enquanto me imagino a viver as suas vidas e me interrogo sobre o motivo da minha solidão.
Outrora, tudo havia sido diferente… Também eu tivera companheiros, porém, tudo mudou com aquele trágico acontecimento que me arruinou a vida...
André Moreira, 13 anos, Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

06/10/17

Joana Silva - desafio nº 109

Sentada num banco da escola, observo quem passa. 
Os auxiliares na sua correria habitual. Alunos e as suas vozes misturadas. A solidão que me atravessa e consome... Será que todos se sentem como eu? Sozinhos no seu mundo em conversas sem significado? A rapariga ao meu lado sorri para o seu livro. Está tão concentrada que se sente acompanhada pelas personagens. 
Um dia, serei escritora... Um dia, farei com que a minha solidão acompanhe a dos outros.
Joana Silva, 13 anos, Colégio Paulo VI – Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

27/09/17

Susana Sofia Miranda Santos - desafio nº 109

Esta era uma tarde outonal, vulgar e singela, como tantas outras.
Após o término da aula de Ciências, o Ricardo estava sentado num banco do recreio, observando os colegas a jogar futebol.
Ele era um aluno brilhante, mas a sua obesidade impedia-o de correr como os colegas, sendo ainda vítima de bullying por parte destes.
Enquanto uma lágrima lhe escorria pela face, olhando para os outros, estava cercado por um mar de folhas amarelas... elas far-lhe-iam companhia!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

18/04/17

Mariana Garcez ― desafio nº 109

Na aldeia, atapetaram de flores aquele caminho que ia dar à igreja, só para tu passares.
Levitei por entre um nevoeiro de Outubro que descia às ruas e se derretia nos becos. Ar não havia

15/04/17

Mónica Marcos Celestino ― desafio nº 93

Canto das sereias
Entre as salgadas vagas bravias
as sereias afinavam as gargantas
para, matreiras, cantar tristes cantigas.

Isabel Pinto - desafio nº 109

Solidão
O dia estava quente para a época. Encontrava-se na praia repleta de gente, mas o sentimento de solidão não a abandonava. Onde antes se sentia acompanhada agora sentia um nada. A angústia.

10/04/17

Isabel Pinto ― desafio nº 109

Solidão
O dia estava quente para a época. Encontrava-se na praia repleta de gente, mas o sentimento de solidão não a abandonava. Onde antes se sentia acompanhada agora sentia um nada. A angústia.

26/02/17

Solidão perfumada

Nos passeios matinais, Justina encontra os estropiados que pedem auxílio. Anseiam o seu toque, fica insegura, remete-os para a intervenção divina.
Os convencidos expressam sentimentos turvos, deixando-a pensativa. Os fanfarrões nem se apercebem de Justina, mesmo em frente deles.
Os passeios prolongam-se, a diversidade dos estados de alma também. Os ressuscitados deixam-na prostrada, foram crucificados, mas inventam e declamam poemas ― fica estupefacta.
No final da caminhada, o perfume das flores acalma-a, acompanhando-a até ao final do dia.  
Fernanda Costa, 55 anos, Alcobaça
Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

30/09/16

Programa Rádio Sim 851 – 30 Setembro 2016

o programa em podcast na Rádio Sim

Gosto
Não estar na rede é complicado, melhor é estar sempre online para estar em todo o lado. Facebook, Twitter, Instagram, Whatsapp, Tinder… é preciso comunicar sem estar lá.
O não sei quantos de tal é viral. A não sei quantas de tal é fatal. Eu sou actual, tu és banal.
O real é virtual. Teclar é falar.
Eu sou um écran, tu estás na rede.
Mensagem recebida e visualizada. Resposta dada. Mais nada.
Mete um like. Gosto.
João Luís Silva, 55 anos, Peral-Cadaval
Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

26/09/16

Programa Rádio Sim 847 – 26 Setembro 2016

o programa em podcast na Rádio Sim

Quantas vezes? 
Mas quantas vezes só, quer sozinho, quer no meio da multidão?
Mas quantas vezes só no meio de pensamentos que, por estar só, se tornaram turvos?
Mas quantas vezes só, verificando centenas de contactos telefónicos?
Mas quantas vezes só, apenas por não ir atrás das modas? Por pensar por si?

Até quando tantas vezes só?
Porquê tantas vezes só?

Alternativas?
Sim, há: ilusões!

Mas no fim… acaba por estar só, por ir só, por ficar só. Somente!
João Almeida, Saurimo (Angola), 47 anos 
Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

20/09/16

Solidão

Apanhei um! Apanhei um! Exclamavam, movimentando-se em várias direcções.
E eu na janela......
Gritei, o que se passa aí? 
É a caça aos pokémon!
Responderam, rindo. Talvez, da minha ignorância ou da minha solidão.

Valha-me o agitar do vento e o chilrear do passaredo que, na esplanada do café, me ajudam a quebrar o silêncio dos Tablets fixados no Facebook e Twitter. E eu na esplanada.......

Ao lado, bebem, cantam e dançam. Mas ninguém fala de Amor.
Júlia Braga, 59 anos, Oeiras
Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

17/09/16

Vida queimada

1 homem desconhecido, 1 floresta, 1 isqueiro, 1 vida apagada para sempre nas chamas que ele nunca quisera atear.
Traíra-o o excesso de zelo e a natureza da fisiologia humana.
Traíra-o a consciência, a responsabilidade.
Nada havia a fazer, não podia apagar o fogo, nem salvar aquela vida. Restava-lhe entregar-se.
O fim? Foi o esperado: queimaram-no na praça pública para exemplo das gerações vindouras que não conheceriam a floresta.
Sem querer, encontrara uma saída fatal do anonimato.
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 35 anos, Salamanca

Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

O segredo

A notícia foi recebida com agrado e sem surpresa. Diria até que, para alguns, aquela boa nova chegava com algum atraso.
Anos a esconder os truques, que a levaram a conseguir tamanha façanha, só podiam ter aquele resultado: inveja e regozijo. É certo que jamais estava sozinha, mas o que ela não sabia é que, por trás daquelas caras de compaixão, havia sorrisos interiores de: “Quiseste guardar o segredo da tua solitária perda de peso? Agora paga!”
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 35 anos, Salamanca

Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

07/09/16

Lembranças

Ouvira os sinos da igreja. Começara a festa na aldeia. O som das guitarras e dos acordeões chegava até ao final da floresta. Passou pelas ruas vestidas de luzes coloridas até chegar ao coreto. Sentou-se num banco de jardim e observou as crianças que dançavam e soltavam gargalhadas. Apreciou o grupo de rapazes que se lambuzavam em cervejas enquanto trocavam dois dedos de conversa. Lembrou-se do tempo em que fazia o mesmo. Lembrou-se de quando era feliz.
Carolina Constância,
23 anos, S. Miguel – Açores
Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

26/08/16

Tua ausência

Insisto em beber café na mesma pastelaria.
Sento-me e a empregada traz o café com o pastel de nata, costume duma vida!
Vida que durou dez anos, pois foi o tempo que senti que realmente vivia.
Olho a chávena, faz dois anos que partiste e ainda dói ver apenas uma chávena na mesa.
Levanto a vista húmida pelas lágrimas, a pastelaria está cheia, mas o facto de não estares deixa um sentimento de solidão que corrói por dentro.
Carla Silva, 42 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

22/08/16

Sentimentos

Véspera de Natal. Na imensa fila do supermercado, eu, velhinha, sentia-me só. Segurava um queijo. Na caixa, olhando o somatório das compras, resignada à minha condição económica, vi-me obrigada a rejeitá-lo… paguei e saí entristecida…
Subitamente, quando seguia, inundada de solidão, pela rua apinhada de gente, um homem veio ter comigo:
– Esqueceu-se deste queijo na caixa. Queria oferecer-lho… Feliz Natal…
Olheio-o, incrédula… boquiaberta…
Depois, recomposta, sorri e agradeci:
– Obrigada… feliz Natal…
E, por momentos, senti-me menos só… 
Domingos Correia, 58 anos, Amarante
Desafio nº 109 – solidão no meio de gente