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09/01/19

Ana Silva ― desafio 117

Tinha 17 anos, olhos azuis e fartos cabelos louros.
Corria, livre, pelas searas e colecionava olhares, ávidos, dos rapazes.
Naquele dia algo estava diferente: sentia-se exposta. Aquela caspeira alastrava-se dos cotovelos para todo o corpo.
Ainda assim, ele amou-a ― ali mesmo ― no meio do trigo. Foi um amor rápido e ele deixou-a, não sozinha, com um bebé no ventre.
Nasceu, cresceu, deu-lhe netos e agora ela é a minha eterna avó: bela de cabelos brancos e inesquecível.
Ana Silva, 45 anos, Nelas
Desafio nº 117 – uma história para ajudar a combater a psoríase

30/11/18

Helena Rosinha ― desafio 117

Ângela, a nova aluna, sentava-se ao meu lado. Eu afastava-me quanto podia. Afastávamo-nos todas. Até a excluímos da festa anual; assistia apenas aos ensaios. Quando Carlota adoeceu, impedida de cantar, Ângela ofereceu-se para a substituir. Rimos, tão ridículo era! Mas a professora escutou-a. Escutámos todas, sentido-nos pequeninas perante a generosidade, a grandiosidade de Ângela, “aquela, com psoríase!” Envergonhadas do comportamento injustificável, cruel, rodeámo-la num abraço que, não nos redimindo, expressava aceitação, quebrava o preconceito.
Mais abraços precisam-se.
Helena Rosinha, 66 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 117 – uma história para ajudar a combater a psoríase

27/02/18

Teresa Silva Isabel ― desafio 117

Tenho sessenta anos de psoríase. Nunca lhe dei muita confiança. Da praia, dirigi-me à entrada. Queria gelados. Vinha muita gente. Todos me olhavam. É por causa do biquíni novo de licra, brilhante, cores suaves. Era lindo! Todos me olhavam. Eu inchei, cresci, fiquei contente. Só pensava. É mesmo giro! Muito giro. De repente reparei. Olha?! Não é o biquíni que vêem. Fiquei a gostar ainda mais do meu biquíni que me fez sentir tão bem. Sobrevivi.
Teresa Silva Isabel, 70 anos, Caldas da Rainha
Desafio nº 117 – uma história para ajudar a combater a psoríase


03/10/17

Susana Sofia Miranda Santos - desafio nº 117

Desde criança que não conseguia olhar-me ao espelho... sempre me senti um ser estranho, diferente dos demais.
A psoríase fazia-me sentir deformada, era objecto de olhares piedosos ou chacota cruel.
Pensei que ninguém conseguiria amar-me como sou... até que te conheci.
Tu ensinaste-me que a beleza física é algo fútil; devemos valorizar os sentimentos puros que o coração alberga e a inteligência fomentada mentalmente.
Vermelho ― a cor das manchas da minha pele caracteriza também a nossa paixão!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 117 – uma história para ajudar a combater a psoríase

20/09/17

Bruna Gomes - desafio nº 117

― Fonte dos desejos, fica com a minha moeda e realiza o meu sonho!
Sabes, a minha infância foi um horror! Marginalizavam-me e nem percebia porquê.
Agora, tudo é diferente! Tudo se tornou claro!
Tenho psoríase. Sei que não encaixo nesta sociedade preconceituosa. Sei que pareço um monstro.
A minha doença não é contagiosa, mas o julgamento continua, diariamente.
Acabei de ser mãe! Só peço que a minha filha seja julgada pela sua personalidade, não pela sua doença!
Bruna Gomes, 15 anos, Agrupamento de Escolas João da Silva Correia, S. João da Madeira
Desafio nº 117 – uma história para ajudar a combater a psoríase


17/07/17

Vera Saraiva ― desafio nº 117

Acordei e olho-me no espelho: voltaram as lesões avermelhadas no pescoço e no peito. Sinto os braços envolventes da minha esposa que me abraça e beija levemente nos lábios. Tento esconder, como sempre o fiz, mas ela abre cuidadosamente a camisa e diz:
― Voltamos a ter de fazer fototerapia. Logo telefono e faço a marcação, não precisas de te preocupar mais. Quando te dá mais jeito?
Antes de responder, agradeci a Deus, por ter este apoio incondicional! 
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

Desafio nº 117 – uma história para ajudar a combater a psoríase

09/07/17

Quita Miguel ― desafio nº 117

Aceito-me
– Acabaram-se as desculpas. Não é assim que se vencem as dificuldades. Hoje vais à aula de ginástica.
– Mas…
– Sim, tens psoríase. E então? Por acaso é contagioso?
– Não.
Erlandina encolheu os ombros e seguiu-a. Não havia como vencer Domingas em questões de argumentação.
Chegou o momento mais temido por Erlandina: a escolha das equipas de basquete. Dirigia-se já para o banco quando ouviu chamar o seu nome. Percebeu então que não tinha direito de não se aceitar.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais
Desafio nº 117 – uma história para ajudar a combater a psoríase
Faça aqui o download do conto «Sonho Esventrado» 

01/06/17

Carla Silva ― desafio nº 117

O médico falava, mas eu não ouvia, apenas fixei uma palavra: Psoríase. Recebi a noticia como uma bomba.
Aquelas manchas fariam parte da minha vida, assim como os cremes e pomadas.
Mas não é o lado clínico que mais me assusta, é o social!
Mesmo não sendo contagioso, tenho de conviver com os olhares dos demais. Tento iludir-me, dizendo-me que tudo vai correr bem, mas sei que não estou preparada para lidar com aqueles olhares de dó.
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 117 – uma história para ajudar a combater a psoríase

12/04/17

Amélia Meireles ― desafio nº 117

Sempre se conhecera com aquelas manchas estranhas. Iguais às da mãe, cuja generosidade e capacidade de amar nunca se esconderam sob as crostas brancas que se estendiam pelo corpo. Era

10/04/17

Elisabeth Oliveira Janeiro ― desafio nº 117

Laura Laborinho
A manhã, fria e nebulosa, conferia na iniciação do dia, com a disposição de Laura Laborinho.  Vinte anos de existência, muitos passados em angústias, tristezas, receios, dúvidas. Uma injustiça.  Aquelas

Prazeres Sousa ― desafio nº 117

A caminho da farmácia, cruzo-me com Anita, uma amiga de criação.
Abraçamo-nos saudosamente.
― Como estás, Anita? ― Sentia-a em baixo.

05/04/17

Carla Augusto ― desafio nº 117

Hoje mudei. Não por acaso, mas porque ganhei forças. Amedrontada, com comichão, mas fui!
A mãe nem percebia o que se passava. Horas a preparar-me…
Dissera-lhe que não jantaria em casa. Nem se atreveu a perguntar nada, há muito que me via isolada.

02/04/17

Ana Paula Fernandes ― desafio nº 117

O corpo comunica connosco. Os sinais que nos envia são sempre mensagens. Importa saber se o conseguimos entender.
Assim foi com Rosalina. As marcas há muito presentes em diferentes partes da sua pele apenas lhe

Maria José Vitorino ― desafio nº 117

Desenham-se-me na pele mapas como protestos que o sangue transporta pela calada. Sem que saiba porquê, e dói-me.
Dizem-me que estes gritos respondem por uma palavra antiga, aqui chegada dos confins do oriente. 

31/03/17

Sérgio Quitério ― desafio nº 117

Hoje, quando acordei, fui ao espelho e estava como no dia anterior, e no anterior, e no anterior... Eu tenho a pele toda manchada e feia. Nunca falei com os meus pais sobre isto. Para não variar, quando cheguei à escola, os meus colegas não se queriam aproximar de mim, nem sequer falaram comigo,

Theo de Bakkere ― desafio nº 117

O preconceito é filho de ignorância
Entrando na aldeia, o rapaz foi quase apedrejado pelos aldeões, porém avisara-os com uma matraca barulhenta. Quem lhe ofereceu um lugar quente no curral foi o ferreiro. Esse antigo cruzado

Isabel Lopo ― desafio nº 117

Nem coragem tinha para encarar o espelho. Seus olhos transparentes não disfarçavam a doença que trazia na pele e no coração. Desanimada, deixara de sorrir. Aconselharam-lhe um velho médico capaz de milagrar. Pouco crédula, foi conhecer o sábio. A luz suave, o som do silêncio, a voz do velho,

Emília Simões ― desafio nº 117

Sou ainda tão jovem e logo a Psoríase havia de vir ao meu encontro.  Sei que os gémeos verdadeiros têm mais probabilidades de apanhar esta doença autoimune, mas eu até sou filha única! Há dias em que não me apetece nada ir à escola, só porque desde que o meu corpo ficou cheio de manchas

30/03/17

Natalina Marques ― desafio nº 117

― Estás triste, não vais brincar com os outros meninos?
― Eles não querem brincar comigo.
― Porquê?

Fernando Guerreiro ― desafio nº 117

Sempre aquela palavra: psoríase. Oito letras cravadas no dia-a-dia. Desde que o médico confirmou o pior cenário, a tragédia estreou. Pensava sempre que risos e sussurros alheios eram escárnio ou desdém. Foi assim até ao dia em que o seu olhar se emaranhou nuns olhos que viam para lá da pele.