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28/01/18

Ana Pegado ― desafio 119

Olhava os crisântemos pela janela enquanto fazia uma pausa na bainha dos cortinados. Os olhos cansados pediam que olhasse mais para longe e os crisântemos estavam à distância ideal. Ali fora, no jardim, estavam tão bonitos. E vivos. Mas serenos. Imperturbáveis pela tempestade que se ia desenrolando na sua cabeça. Os pensamentos emaranharam-se e de súbito a realidade bateu-lhe à porta. “De volta ao trabalho”, pensou. Agarrou no alfinete e continuou a fazer as marcações na bainha. 
Ana Pegado, 31 anos, Lisboa
Desafio nº 119 ― crisântemo + alfinete


14/09/17

Fernanda Botelho - desafio nº 119

Alfinetes e crisântemos
No silêncio da lapela de dona Luísa, o alfinete observa o corpo morto no caixão. Don Tenório nunca gostara de alfinetes, deixara escrito ― quando morresse queria crisântemos brancos a iluminar-lhe o caminho para o além, mas também margaridas, jarros, rosas, uma festa cintilante a enfeitar a estrada dos céus. O branco era a cor dos anjos e o vermelho a do diabo.
Solta-se o alfinete da lapela, cai sobre a mão do morto. Pingos de sangue… vermelho.
Fernanda Botelho, 58 anos, Sintra 

Desafio nº 119 ― crisântemo + alfinete

Susana Sofia Miranda Santos - desafio nº 119

A planta é belíssima, adoro teatro, por isso assenti imediatamente.
Depois, comentei o facto com outra colega que considera este convite nada ter de peculiar... somos amigos, partilhamos um interesse comum.
Hoje vamos ao teatro, mas devíamos ter optado pelo cinema, pois eu só faço filmes na cabeça!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 119 ― crisântemo + alfinete

30/08/17

Quita Miguel ― desafio nº 119

Lambe-botas
Porque agora tinha mais informações sobre a nova chefe, tornava-se mais fácil escolher uma prenda de aniversário.
Pouco lhe importava ser apelidado de lambe-botas.
Escolheu os crisântemos mais belos que a florista tinha e entregou o ramo à secretária, já que a chefe estava em reunião.
Assim que ele virou costas, a secretária iluminou a face com um sorriso e escondeu no ramo um alfinete. Era a sua vingança para com o lambe-botas e a nova chefe.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais
Desafio nº 119 ― crisântemo + alfinete

Faça aqui o download do conto «Sonho Esventrado» https://www.smashwords.com/books/view/595005

07/08/17

Maria Silvéria dos Mártires ― desafio nº 119

O meu crisântemo
Hoje é o teu aniversário, não tenho nada para te oferecer. Sei que não são as prendas que contam, o nosso amor não tem mais valor por isso. Essas coisas são secundárias. Para não perder tempo, num prado coberto de flores, deslumbrei-me com um crisântemo, bonito como o teu rosto. Prendi-o à lapela do teu casaco com um alfinete de marfim, fiz-te a surpresa no jardim dando-te os parabéns neste cinco agosto. Amo-te, de ti muito gosto.
Maria Silvéria dos Mártires, 70 anos, Lisboa

Desafio nº 119 ― crisântemo + alfinete

12/06/17

Amélia Meireles ― desafio nº 119

Naquele dia, percebeu a razão da paixão da mãe pelo alfinete colocado no casaco, fosse verão ou inverno. O pé do crisântemo era cravado de diamantes. As safiras amarelas douravam as pétalas. A revelação não podia ter maior sentido. Amargurada com morte prematura do seu amado, a mãe agarrava-se ao alfinete, oferta da viagem de núpcias ao Japão. A conhecida flor de ouro, ícone do Japão, era também símbolo do reduto da sua maior e única paixão.
Amélia Meireles, 64 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 119 ― crisântemo + alfinete

11/06/17

Domingos Correia ― desafio nº 119

Fantástica história do alfinete de rubis
Esquecido num jardim, o alfinete de rubis, fascinado pela azáfama dos insetos visitando as flores, pelos esgares de prazer das crianças ao cheirarem os seus perfumes… pelas cores, pelo abanar das pétalas ao vento, desejou também ele, ardentemente, ser uma flor… então, algo mágico aconteceu… tocado pela fada da vida, transformou-se num belo crisântemo. Sabia que agora iria morrer um dia… e depois? Que importância tinha isso?
Entretanto, iria amar, ser amado, oferecer, receber… e… isso bastava!
Domingos Correia, 59 anos, Amarante

Desafio nº 119 ― crisântemo + alfinete

Carla Silva ― desafio nº 119

O livro esquecido
O livro ainda estava no mesmo sítio. Abri-o com cuidado e passei a mão pelo crisântemo seco que permanecia preso por um alfinete, como se assim estivesse mais perto de ti.
Retirei-o com cuidado. Na folha amarelecida, aparecia outro crisântemo que o tempo se encarregara de pintar. 
Deixara aquele livro propositadamente esquecido, para ter uma desculpa para voltar.
Mas assim como o tempo secara aquele crisântemo, também ele se encarregara de secar os teus sentimentos por mim.
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 119 ― crisântemo + alfinete

05/06/17

Celina Silva Pereira ― desafio nº 119

Quero ir ao baile
― Fada madrinha amada, quero ir ao baile do príncipe. Cansei dessa vida de limpeza pesada todos os dias servindo à madrasta e tolerando minhas irmãs.
― Vou providenciar; consultei meus livros e aqui tem carruagem elegante, cocheiro uniformizado, lindos cavalos.
― Preciso também de um vestido.
― Aqui está: um vestido azul, bordado, rodado, de corte perfeito. Com sapatos de cristal.
― Só assim?
― Vamos dar um toque final: dando graça ao cinto, um crisântemo preso por um discreto alfinete azul-marinho.
Celina Silva Pereira, 66 anos, Brasília, Brasil

Desafio nº 119 ― crisântemo + alfinete

Theo De Bakkere ― desafio nº 119

Confeitos de açúcar
O divino soberano nipónico sentado no trono do Crisântemo observava chateado as preciosidades trazidas por aqueles estrangeiros de narizes salientes. Apenas a caixinha com confeitos de açúcar tirou o interesse imperial. Uma das suas concubinas preferidas gostava de prová-los. Hesitando, meteu uma guloseima na boca e com uma olhada surpreendida deixou um gritinho de êxtase. Era tão saborosa!
Precisamente esta doçura que não vale um alfinete abrirá as portas do país do sol nascente para os Lusos…
Theo De Bakkere, 64 anos, Antuérpia, Bélgica

Desafio nº 119 ― crisântemo + alfinete

Ana Paula Oliveira ― desafio nº 119

Balouço no bolso do avental de Odete que caminha apressada, abraçada ao molho de flores acabadas de colher. Crisântemos. Não sabe porquê, mas sempre foi apaixonada por eles. Coloca-os na jarra e guarda apenas um, vermelho, para pô-lo ao peito. O jantar vai ser de cerimónia, quer estar bonita. Eu ajudarei, prendendo o crisântemo. Eu, um alfinete inútil! A flor fará sobressair o decote. O decote fará entrever uns seios de seda. Ele declarar-se-á, finalmente. Espera ela!
Ana Paula Oliveira, 56 anos, S. João da Madeira

Desafio nº 119 ― crisântemo + alfinete

30/05/17

Natalina Marques ― desafio nº 119

― Que linda almofada, e que bela ideia bordares um CRISÂNTEMO no meio, ficou espectacular.
― Ai sim, mas aviso já que não quero ninguém sentado em cima dela.
― Porquê?
― Porque tem uma surpresa.
― E qual é a surpresa?
― Isso só quando alguém se sentar nela.
Ficou mais intrigado ainda, mas que surpresa poderia ter uma simples almofada, pensou...! Tretas, eu vou sentar-me e pronto.
Dei uma bela gargalhada, quando ouvi um grito. 
(Tinha-se espetado no ALFINETE esquecido propositadamente)
Natalina Marques, 58 anos, Palmela
Desafio nº 119 ― crisântemo + alfinete

Emília Simões ― desafio nº 119

A tia Matilde era uma pessoa idosa dotada de um excelente bom humor. Gostava de se levantar cedo e logo pela manhã descia ao jardim para regar as flores já toda aperaltada, de alfinete ao peito. A sua
flor preferida era o crisântemo que brilhava num canteiro ao fundo do jardim, junto ao muro.
Ali gostava de sentir o cheiro do orvalho e os primeiros raios de sol que a faziam sorrir. Não podia ser mais feliz.
Emília Simões, 65 anos, Algueirão, Mem-Martins
Desafio nº 119 ― crisântemo + alfinete

Chica ― desafio nº 119

Descontrole
Chegara o grande dia.
Maria, costureira responsável pelo figurino do noivo.
Um detalhe: era apaixonada por Rui, o noivo de Maria. 
Ele nem sonhava com isso. 
Era apaixonado pela noiva.
Ao colocar um crisântemo na lapela do terno, sentiu uma raiva por perder o amado para sempre.
Pega um alfinete e quando prende, dá uma grande fincada no peito de Rui que grita.
Nessa hora, aproveita para deixar cravado no peito, também o seu amor!
Assim fez!
Chica, 67 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nº 119 ― crisântemo + alfinete

Desafio nº 119

Hoje, vamos ter uma tarefa bem facilitada.
Só vos peço que encontrem uma história que ligue estas duas coisas:

CRISÂNTEMO + ALFINETE

Fácil, não?

Eu fiz a minha assim:
Dar-te um crisântemo? És alérgica a flores. A tua mãe sugeriu um bonito alfinete. E dinheiro para isso? Sou um pelintra.
Contudo, podia inventar, faltava saber se irias gostar.
Comprei um manhoso, arranquei-lhe a pirosice e meti mãos à obra. Com um clip, fiz uma espiral à volta do alfinete e enrolei fios de cor. Ficou espetacular!
Fizeste um esgar. Azar! Sou agora sócio da tua mãe, numa cadeia de bijuteria, e, quando muito, herdarás qualquer coisa…
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa
Desafio nº 119 ― crisântemo + alfinete
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