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10/07/20

Desafio nº 213

Gosto muito desta imagem...

Se vos desse esta imagem como sugestão para o novo desafio?

Eu escrevi assim:
Olá, sou eu, a alma da madeira do chão do teu quarto. Teu quarto, que tontice, nunca foi teu, mas sim meu. Podes andar por aí, decidir onde pôr os móveis, convidar outros para entrar no meu terreno. Contudo, no dia em que te quiser expulsar, nem vais hesitar. Sim, sou uma alma penada, dizemos que somos almas empenadas, mas podes chamar-se assim. Serei a tua cruz!, não em sentido literal, entenda-se, não me desperdiçarei em ti.
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 213 – imagem de madeira

30/05/20

Desafio nº 209


Trabalharemos hoje o ritmo do texto.

As frases que escreverem terão de usar, logo no início (na pessoa e tempo verbal que quiserem e pela ordem que preferirem):

Sei… Não sei… Nem sei… 

Só sei… Também sei… Nunca sei…

Experimentei assim:
Sei que podia ter feito melhor, mais depressa, com maior eficácia. Não sei se isso mudaria o que pensas de mim. Nem sei se mudaria a forma como me vejo a mim mesma. Só sei que não me envolvi demasiado, deitei tudo a perder. Também sei que faço isto por sistema, repetindo, ano após ano, os mesmos erros. Nunca sei o que fazer no momento exato, só muito depois, ruminando ideias brilhantes, fingindo que sei alguma coisa… Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 209 – ritmo do texto SEI

05/04/20

Razões para Ler

«Razões para Ler» (1 e 2)

Projeto Re-Word-It da Associação Cultural Trilhos das Palavras. Comigo estão duas grandes mulheres, Isabel Peixeiro e Rosário Padinha Ribeiro.

São histórias metafóricas para o ensino, a terapia, os serões de histórias.

As histórias metafóricas tocam-nos no consciente e no inconsciente, produzem efeitos a nível emocional. Porquê? Porque trabalham a empatia. Porque estimulam a curiosidade e a criatividade. Porque se prestam a muitas interpretações, sempre as de que precisamos ao ouvi-las. Porque nos levam a entender o outro e, assim, a entender quem somos. E isso é aprender. É crescer. Precisa de mais razões para ler?

Podem encontrá-las aqui.

Ilustração e design de Carla Nazareth, edição de Nós na Linha.

30/03/20

Desafio nº 203


Vamos encontrar um universo de 6 palavras que gravitam
em significado e para cada um de nós, 
à volta da ideia de RISCO
Há várias interpretações.

O texto em 77 palavras nasce dessas 7 palavras (incluindo risco), 
que podem ser adaptadas.

Escrevi assim:
Dessas 7 palavras (6+RISCO) sairá o nosso texto.
Vazio altura coragem lápis desenho ponderado
Acordei alagada em suor. Ao meu medo das alturas, somara-se outro, o do vazio. Acordei quando a coragem fugiu. Sem fazer barulho, levantei-me e fui até à cozinha. Agarrei num lápis, ali deixado pelos meus filhos, e tentei fazer um desenho que representasse os meus medos. O resultado foi tão extraordinário que ponderei fazer um curso de desenho. Senti que tinha talento. Mas o mais novo apareceu e comentou: «Foste tu que desenhaste esses riscos? Está horrível!»
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 203 risco + 6 palavras

20/11/19

Desafio nº 191


Há frases com números que são mesmo muito engraçadas. Vamos usar uma delas.

Escrevam o vosso texto em 77 palavras, sabendo que, lá para o fim, irá aparecer:
«Perdido por cem, perdido por mil!»

E já experimentei:
Uma bonita jarra, dizia a mãe. Para si, que limpava o pó à casa, era irritante. Cheia de relevos pirosos, dourados estimadíssimos, gosto muito duvidoso, trazia-lhe uma memória: fora oferecida por dona Jacinta, mulher de bigode e, por isso, beijos picantes. A jarra no chão, partida em cem pedaços (era dado a exageros, só tinha nove anos). Colá-los? Tarefa impossível. Varreu a jarra da sua frente. «Perdido por cem, perdido por mil!», pensou, do cinto não escaparia…
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 191 ― perdido por cem, perdido por mil

10/11/19

Desafio nº 190


Vamos lá dar a primazia a duas letras: o J e o B.
Tem de aparecer alternadas e sempre com 3 palavras pelo meio:

Belmira não queria mesmo jantar, detestava caldo de beterraba e mesmo que juntasse cenoura………
É divertido, a sério que é!


O meu texto ficou assim:
A miúda, ainda jovem, nunca fora bonita. Para o Manuel Joaquim, era detentora de beleza incomparável. Por isso, jazia agora no chão bendizendo-a e pedindo até juras amorosas, de anel bexigoso na mão e jarros pouco frescos num atrofiado ramo. Ela benzeu-se, comovida. Aceitaria? Ninguém jamais o soube. O avião B27 esmagou-os na queda. Bem diziam que os jatos passavam a rasar, beliscando os telhados. Aquele jorrava fogo, interrompendo o bonito gesto. Lá ficaram juntos, pronto…
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa  

Desafio nº 190 ― de 3 em 3, B ou J

30/10/19

Desafio nº 189

Que tal trabalhar hoje o ritmo do texto?
Vamos escrever um texto onde a palavra «medo» aparece a cada quatro, cinco ou seis palavras ― vamos fazê-lo num texto que, ao ser lido, demonstra uma pressa amedrontada, ou um medo cómico, ou até um medo sublimado!

Eu diverti-me imenso:
Os vestidos brilhantes metiam medo ao susto, não que fosse um medo irracional, era um razoável medo de cegar com tanta cintilância, medo de absorção de foleirice naftalínica, medo de cair na esparrela e, que medo!, vestir-se também assim, o medo real de ser contagiada, um medo de trazer um vestido de meter medo aos sustos dos outros, um medo de cegar com o brilho do medo dos outros, sendo pirosa, sem medo do ridículo, cintilando naftalina.
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 189 ― muito medo…

20/10/19

Desafio nº 188

Vamos construir um texto em 77 palavras com a seguinte regra: 

As palavras obrigatórias (devem ser 6) têm uma sílaba em comum com a palavra ESTREMECIMENTO! E esta palavra entra no texto.

ES  TRE  ME  CI  MEN  TO

O meu ficou assim:
Atreve-te! ― gritaste como se eu fosse culpada pela nódoa negra que tens na cara. ― Mentiste-me!!!
Nem um estremecimento senti. A velocidade do meu cérebro deixava os olhos a vaguear. Isso assustou-te, bem sei, ficaste atolado no teu próprio descalabro. Procurei a saída. Mentalizara-me para o fim do namoro. Vacilavas entre a bancada e a garrafa quase vazia. Desequilibraste-te, contornei-te e abri a porta. Fugi. Só estranhei a ausência de remorsos, mas agora era tempo de recomeçar.
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

19/10/19

Apoio às escolas: set/out 2019

É verdade, já existe material para ir preparando o arranque do ano.

Está AQUI, na Página de Apoio às Escolas, das Histórias em 77 Palavras, para os professores que queriam usar esta ferramenta - vale a pena!

10/10/19

Desafio nº 187

Num texto com, imagine-se!, 77 palavras, vamos tentar convencer 
o nosso amigo e pastor Joselino a comprar algo absurdo, 
como um telemóvel, ou um acordeão, ou uma máquina de panquecas, inventem!

Será em diálogo, entre nós e Joselino, sem intervenções do narrador.

(cuidado nas contagens: um hífen/travessão pode baralhar as contagens, usem o dedo!)

Eu diverti-me com isto…
― Amigo, isso é um disparate!
― Como assim, Joselino?! Passava mais depressa o tempo.
― Mas quem é que lhe disse, hã, que o meu tempo custa a passar?
― Ó homem, deve ser uma seca estar aqui a olhar para as ovelhas.
― Pois está vossemecê muito enganado. Gosto muito de ser pastor. Pergunte-lhes.
― Como se as ovelhas falassem…
― Falam, pois. E um acordeão faz muito barulho, dava-me cabo do rebanho… Tenha juízo. E cale-se, que me cansa as ovelhas.
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 187 ― Joselino e a proposta

30/09/19

Desafio nº 186

Vamos procurar que contenham estas letras seguidas:
LD (como maLDita)
ou
NG (como fuNGo).

Precisaremos de 6 de cada. O texto será o resultado destas 12 palavras.

Ora eu fiz assim:
Ui! Começa a maldita época dos congressos e estou sempre a vê-la. Não é uma beldade, é só uma mulher interessante, dengosa e esperta. Põe-me doido. Pudesse eu cingi-la num abraço, num toldo na praia… Que angústia! Que penso eu! A minha mulher só veria isto de um ângulo: a infidelidade. E rebelde como é, bingo, ficava de malas à porta. Tenho de me moldar à evidência, seria sempre saldo negativo para mim. Maldita época dos congressos!
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa

Desafio nº 186 ― 12 palavras com LD e NG

20/09/19

Desafio nº 185


Vamos divertir-nos? Espero que sim!

A ideia é escrever um texto em que, a cada uma, duas ou três palavras, apareça uma começada por i.
Isso mesmo, hahahah.

Parti-me a rir com a minha tentativa:
Inês era tão irritante! Imensos colegas consideravam-na insuportável. Era mesmo. Inventava tantas intrigas! O chefe imediatamente acima dela ia para casa intrigado, ou pior, inaturável (a mulher ia-lhe batendo…). Imaginem que a Inês insinuou que o incrível colega do armazém iniciara uma greve às imensas encomendas para a Índia. Tudo falso, para impedir que o considerassem insubstituível. Informou depois a direção, imitando trejeitos de diva: iria procurar outro trabalho. Ia?!, pensaram todos. Que ignorante! Gritaram de felicidade.
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 185 ― palavras com i


10/09/19

Desafio nº 184




O que vos peço hoje é isto:
Que monólogo se ouve, à noite, neste monte de lena?
Quem fala é o toro assinalado a amarelo.
Deixem-me «ouvir» os vossos monólogos!




O meu saiu assim:
És muito engraçadinho, és, só porque vieste de um terreno fino de árvores alinhadas. Cai na real! O temporal atirou-vos todos ao chão, ninguém escolheu o destino. Fosses como eu, um mísero arbusto de fraca linhagem a tentar chegar ao sol no meio de eucaliptos, uns peneirentos que crescem mais depressa que os outros. Sufoquei, ouviste? Anos a fio. E tira essa farpa da minha casca, que me magoas. Sim, estou a falar contigo, burro! Anda, desvia-te!
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa

Desafio nº 184 ― monólogo de lenha

30/07/19

Desafio nº 180

Vamos lá falar de leituras de verão.

Peguem no livro que estão a ler. Sigam a marca que vos diz onde vão na leitura. 
Agora, copiem as 10 primeiras palavras dessa página
Elas estarão, em algum momento, dentro do vosso texto.
Digam-nos que livro é, para partilharmos leituras!

Do livro que estou a ler, copiei isto:
«A noite estava escura e fria. Maria já sentia as», Até que a violência nos separe, de Malvina Sousa (um retrato bem traçado sobre a violência doméstica).

Caminhou durante muito mais quilómetros do que as pernas aguentariam. Com a vida na mochila, afastava-se da casa, da dor, esperando desligar-se das memórias. A noite estava escura e fria. Maria já sentia as forças fugirem-lhe. Sentou-se no chão, encostando-se numa pedra. Não, não uma pedra, uma tartaruga. Sorriu-lhe. Podia repousar, aninhada na sua sabedoria. Quando acordou, só viu a pedra. Na sua cabeça, uma voz dava-lhe força. Levantou-se, acariciou a pedra-tartaruga e avançou para a liberdade.
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 180 ― 10 palavras do livro que estamos a ler

20/07/19

Desafio nº 179

SÃO SETENTA E SETE PALAVRAS!

Sim, é isso. Estas letras, baralhadas e construindo uma nova frase, dará o mote ao vosso texto. Estaremos a trabalhar os anagramas do que nos move, aqui no blogue:
SÃO SETENTA E SETE PALAVRAS.
A nova frase aparecerá onde quiserem no texto, pode ser parte de uma frase maior, ou de duas, o que fizer sentido.

Ajuda muito se escreverem a frase em maiúsculas e a tinta; depois, com um lápis, vão encontrando as palavras para a nova frase, riscando na frase a tinta as letras que já usaram. Não percam a paciência: isto faz-nos muito bem e é divertido.

Eu já fiz cinco diferentes, vou escolher a minha preferida:
Vês esta tela, então paras, és...

Podes andar pelo museu sem nada pensar, sem nada apreciar, irritado por ter-te trazido comigo, podes até achar que não vale a pena visitar museus, o que é uma pena, mas depois, vês esta tela, então paras, és levado a mergulhar profundamente no trabalho do pintor e no impacto que está a ter em ti, e aí, sim, começas a entender a arte e a emoção que ela nos traz e poderás, por fim, compreender esta visita.
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 179 ― anagramas das setenta e sete palavras

10/07/19

Desafio nº 178

Desta vez, teremos três frases que deverão aparecer obrigatoriamente dentro do vossos texto. A ordem porque aparecem é livre. São elas:

Era a quarta vez que ouvia aquilo.
Esboçou uma frase, mas não chegou a dizê-la.
Guardou rapidamente o papel no bolso.

Já fiz a minha:
Voltou a alinhar o cabelo, não havia meio de prendê-lo no ponto certo. Mas, caramba, era a quarta vez que ouvia aquilo. Invejas, pensava. Concentrou-se de novo: prometia-se ali riqueza e amor, mas o ar barbudo do bruxo arrepiava-a. Vinha lá o chefe, guardou rapidamente o papel no bolso. Perguntava-lhe se já fizera alguma coisa hoje, o verme. Tinha mais que fazer! Ainda esboçou uma frase, mas não chegou a dizê-la. Talvez o bruxo soubesse deitar mau-olhado…
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa

Desafio nº 178 ― 3 frases para usar no texto

20/06/19

Desafio nº 176

Prontos para um desafio daqueles intrigantes? Vamos a isso.
Sabendo que esta sequência é obrigatória, como fica o vosso texto em 77 palavras? Atenção, as palavras podem ser adaptadas.
BURRO ― CROQUETE ― BÚZIO ― REPARAR 
― LIMAR ― QUADRADO ― FITA ― PRINCÍPIO

Eu já sofri para chegar aqui:
Só um burro como tu comeria tanto croquete numa única refeição. És mesmo estúpido! Agora queixas-te de que ouves o mar na cabeça, armado em búzio, nem percebes que é enfartamento. Nem reparas no ridículo da cena. Pudesse eu agarrar numa lima e arredondar as arestas desse teu espírito quadrado e já não fazias fitas. Explico-te que é tudo uma questão de princípio: não se come alarvemente, ponto final. Não me ouves, roncas dentro da digestão. Burro!
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa

Desafio nº 176 ― 8 palavras em sequência

10/06/19

Desafio nº 175

Hoje, iremos trabalhar o ritmo do texto. Como? Assim:

Vamos ter uma imposição de palavras a inserir no início de frases com 8 palavras (a obrigatória mais 7). Faremos esta sequência por duas vezes. No fim, sobram 13 palavras livres, para terminarem o texto.

Aqui ficam as que iniciam cada frase:
PODIA    AFINAL    SERIA    DEPOIS
PODIA    AFINAL    SERIA    DEPOIS
+ 13 palavras livres

Eu escrevi assim:
Podia ter sido diferente, se não tivesse visto. Afinal, éramos amigos, acreditaria no que me contasse. Seria estranho, mas eu aceitaria tudo sem zangas. Depois de o ver pagar ao homem, não. Podia vir-me dizer que eu estava enganada, podia. Afinal, eu até nem conhecia o homem, gritou. Seria talvez um chantagista, temi, enfurecendo-o ainda mais. Depois de tantos gritos, ainda me pareceu pior. Pagar-lhe para quê? Trazia-lhe droga? Não. Era o seu padeiro, pagava-lhe o pão…
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 175 ― ritmo do texto predefinido