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16/06/19

Luz Câmara ― desafio 134

Chegou demasiado tarde. O espetáculo não esperara por si e já começara quando se sentou no luxuoso camarote, reservado antecipadamente. Fora a única culpada do atraso. “É o que dá enfiar-me no trânsito mais que caótico numa sexta à noite!”, pensava ela, completamente distraída, alheada de tudo.
De súbito, um barulho ensurdecedor despertou-a: parte do teto acabara de cair estrondosamente, consequência da forte intempérie que assolara a cidade.
O espetáculo foi suspenso.
Da próxima, não se atrasaria!
Luz Câmara, 58 anos, Coimbra
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

20/05/19

Tomás S ― desafio 134

Chegou demasiado tarde. A Esperança não esperara por si. Iam a caminho do hospital, de carro, ultrapassando o limite de velocidade, mas antes de chegarem... aconteceu, a bebé nasceu no caminho. Os pais nem podiam acreditar! Entre maravilhados e  extremamente stressados com a pressão de chegar depressa… Até se esqueceram de avisar a parteira. Entretanto, a bebé nasceu em segurança. Que dia tão marcante! Daí em diante, celebrou-se sempre o seu aniversário no trajeto para o hospital. 
Tomás Salgueiro, 13 anos, Colégio Paulo VI, Gondomar, prof Raquel Almeida Silva
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

05/12/18

Albertina Albuquerque ― desafio 134

Chegou demasiado tarde. A vida não esperara por si. E chegou naquele preciso momento em que já nada contava. Os soluços afogaram-se na garganta, as lágrimas secaram na cara e aos mãos, crispadas, relaxaram… E, num último olhar, tudo foi dito, todas as palavras de amor sussurradas, todos os beijos sonhados, todas as carícias desejadas…  e valeu a pena aquele momento, pois um leve sorriso, dotado de uma força gigante, iluminou-lhe o rosto antes do suspiro final.
Albertina Albuquerque, 56 anos, Coimbra
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

30/10/18

Jorge Manuel Rodrigues ― desafio 134


Chegou demasiado tarde. O amor não esperara por si. Ia ter uma vida desgraçada, cheia de solidão. Para onde partira ele? Poderia ainda encontrá-lo? Viveria em alguma mulher que encontraria ao longo da vida? Viveria em algum recanto da natureza? Ou em algum livro que viesse a ler?  Pensou: «Em jovens, negligenciamos o amor, por isso dificilmente somos pontuais.» Precisava de crescer, para que o amor esperasse por si – a vida é uma eterna aprendizagem do amor. 
Jorge Manuel Rodrigues, 60 anos, Santo Amaro de Oeiras
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

20/10/18

Helena Rosinha ― desafio 98


Refugiaste-te num local de podridão. Foi aí que te conheci, entre destroços, sujidade, janelas e portas vandalizadas. O cheiro que emanava do recinto afastava qualquer um que não roedor, réptil ou humano à beira do abismo. Entrei para fotografar a realidade; hesitei, vendo-te enrolada num canto, andrajosa e trémula. Fitaste-me em pânico. Paralisado, foi o teu grito que me moveu: “Ajuda-me!”
Hoje, vendo-te renascida, feliz, celebro ― sem perguntas, sem conselhos, sem juízos ― a amizade que nos une.
Helena Rosinha, 66 anos, VFX
Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

Sandra Nunes ― desafio 134


Chegou demasiado tarde. O técnico não esperara por si.
Entrou em casa, desanimado. Mais um dia sem net, sem televisão… Que aborrecimento. Esperavam-no mais umas horas a ouvir a mesma música vezes sem conta.
Largou o telemóvel na mesa da cozinha e abriu o frigorífico. Tirou uma cerveja e avançou para a sala. Que silêncio. Faltava-lhe o ruído de fundo da SIC notícias. Olhou a estante repleta de livros, hesitou alguns segundos, e foi buscar o telemóvel.
Sandra Nunes, 46 anos, Loures
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

13/10/18

Elisabete Anastásio ― desafio 134


Chegou demasiado tarde. A boa da Clô não esperara por si. Claro, já se sabia! Ai, Clô! Sempre a mesma coisa! Não fosse ela a Clô! Um dia ainda há uma coisa séria e… Esta vida! Tinha sempre “mais que fazer para poder perder tempo”. Pronto, nem havia hipótese. Atender-lhe os telefonemas, nada. Responder a uma simples mensagem, a mesma história. “Não há dúvida. Ela sabe o que e como quer. E andamos todos na linha ou…”
Elisabete Anastásio, 56 anos, Setúbal
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

17/09/18

Rosário Oliveira ― desafio 134


Chegou demasiado tarde. O medo não esperara por si. Tinha subido todas as escadas sem olhar para trás nem para baixo, com os olhos virados ao alto, o coração aos pulos e o suor a pingar pelas virilhas, descontroladamente. Quase que se pôs de gatas no último lance mesmo antes de o ver, ali, à sua espera, pronto para lhe pisar as mãos. Levantou-se e correu com a força toda que tinha e, da varanda, gritou: consegui!
Rosário Oliveira, 52 anos, Amor, Leiria
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

16/06/18

Mafalda Domingues ― desafio 134


Chegou demasiado tarde.
O dia não esperara por si.
Tinha uma ferida que arde
Muito correu até ali.

As horas, os minutos e os segundos
Não esperam por ninguém,
Nós pessoas de mundos 
Temos de nos despachar para chegar além.

Onde será que chegou atrasada?
À escola, ao comboio, ao avião...
Será que antes estava muito atarefada?
Que grande frustração!

Eu acho que aquela ferida
Também a prejudicou,
Ficou bastante perdida
Perdidamente ficou.
Assim o dia acabou!
Mafalda Domingues, 6º A, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

12/06/18

Zé Maria ― desafio 134


Cheguei demasiado tarde, o TEMPO não espera por mim. Mas estou...
Tudo aquilo era estranho, não existia passado, nem presente, nem futuro, era difícil pensar, viver era impossível sem pensar, sem tempo.
'Esperar implicava tempo!!!', pensei.
A própria frase sugeria um fazer de conta para o qual não estava preparado.
Implicava viver fora do espaço mundo, sem ter em comum com os outros, sem verbos, viver sem tempo é por um lado lírico mas por outro assustador.
Zé Maria, 37 anos, Sintra
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

05/06/18

Samuel Cunha ― desafio 134


Chegou demasiado tarde. A abelha não esperara por si. Foi passear mas a Rainha mal humorada, disse:
― Estás atrasado para as tuas tarefas.
― Desculpe!
― Eu perdoo-te, mas é a tua última oportunidade.
A abelha ficou muito triste, porque todas as abelhas não tinham liberdade. Ainda pensou em fazer uma revolução e foi conversar com os militares, mas estes não aconselharam a revolução, pois ficariam sem produzir mel, e a colmeia inteira morreria!
A liberdade está no coração!
Samuel Cunha, 6º A, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

28/05/18

Gonçalo ― desafio 134


Chegou demasiado tarde. O comboio não esperara por si.
― Como é que vou chegar ao casamento da minha irmã?! ― interrogava-se Tesla desesperadamente.
― Podes ir no próximo ― dizia Einstein tentando ajudar.
Nunca iria chegar a tempo do casamento, o próximo comboio só partia às 10:00 e eram 08:30.
Passada meia hora, Tesla teve uma ideia.
― Posso ir no comboio do Nicholas! ― dizia, entusiasmado por ter encontrado uma solução. ― Ele roubou-te uma ideia e tu roubas-lhe aquela lata velha. 
Gonçalo, 6º A, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

Rafael ― desafio 134


Chegou demasiado tarde. Rafael vai levar falta. Não vai esperar para lhe dizerem o que é o trabalho. Saiu foi para o recreio e brincou.
Regressou à sala e começou a retirar os livros. Mais tarde, a professora iniciou a marcação dos trabalhos de casa. Apeteceu-lhe voltar a jogar futebol com seus amigos. E foi, sem se esquecer da senha para almoçar. O dia parecia nunca terminar decidiu entrar, abrir os livros e procurar o que trabalhar.
Rafael, 6º M Casa Pia de Lisboa – CED Nuno Álvares Pereira – prof. Teresa Monteiro
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

22/05/18

Íris ― desafio 134


“Chegou demasiado tarde. O tempo não esperara por si.”, foram as únicas palavras que o meu patrão me dirigiu quando cheguei atrasada à reunião. Esta coisa do tempo é difícil, temos muito, mas quando reparamos, já acabou. A preguiça é a maior inimiga do tempo. “Amanhã eu faço isso” é uma frase comum, mas raramente resulta. “Senhora! Preste atenção ao que eu digo!” Pois é, já me tinha esquecido da reunião. Amanhã pergunto do que estiveram a falar.
Íris, 6º, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

Domingos Correia ― desafio 134


Um sonho de vida
Chegou demasiado tarde. O comboio não esperara por si. Talvez tenha perdido o sonho de uma vida…
Pensativo, atravessou a rua. Um carro desgovernado deixou-o inconsciente.
Acordou no hospital. A seu lado, a meiga enfermeira segurava-lhe as mãos.
E, assim, um romance nasceu, naturalmente, como rosas desabrochando em tempo de primavera.
São curiosas as malhas do destino!... perdeu o sonho de uma vida, talvez… mas acabou ganhando um sonho de vida: Casaram e viveram felizes para sempre!
Domingos Correia, 60 anos, Amarante
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

Joana ― desafio 134


Chegou demasiado tarde.
A semínima não esperara por si,
Pois perdeu muito tempo
A passear por aqui e ali!

Primeiro, apareceu um cão
Que lhe mordeu a perna.
Teve de ir ao Hospital
Colocar outra, moderna!

Depois de estar curada,
Foi almoçar.
Porque com a barriga vazia
Não se consegue cantar,
Fica-se com azia!

Quando pensou que já estava livre,
Aconteceu um imprevisto:
O cão voltou;
A semínima vomitou;
E o espetáculo arruinou!

Que semínima tão azarada!!!
Joana, 6º, Escola Dr. Costa Matos, Gaia, prof Cristina Félix
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

17/05/18

Maria João Barradas ― desafio 134

Chegou demasiado tarde. Ele não esperara por si. Nascera dez anos antes dela, acabara a faculdade no ano em que ela começava o curso, casara e tivera as filhas ainda ela nem namorava.
Quando o conheceu, sentiu que sempre o tinha conhecido. Ele já tinha a caminho o primeiro neto, o primeiro de seis. Entrou apaixonadamente naquela história tão preenchida, com tão pouco espaço para ela, e não ficou.
– Promete-me que numa outra vida, esperas por mim!
Maria João Barradas, Faro
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

13/05/18

Francisco Oliveira ― desafio 134

Chegou demasiado tarde. A oportunidade não esperara por si. Teve todo o tempo de que necessitara, mas não o aproveitou. Sempre soube que aquilo aconteceria.                 
Desde pequeno que, por timidez e alguma preguiça, não aceitara participar em algumas atividades: não praticou desportos, perdeu amizades e nem sequer escreveu desafios de 77 palavras propostos pela simpática professora de Português.  
Hoje, tudo mudou… Está mais crescido, mais maduro, motivado e desperto para os encantamentos do mundo que o rodeia!   
Francisco Oliveira, 11 anos, Colégio Paulo VI, Gondomar, prof.ª Raquel Almeida Silva 
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

10/05/18

Tiago Vaz ― desafio 134


Chegámos demasiado tarde. O cinema não esperara por nós. Íamos ver um filme premiado, que só tinha estreado há uns dias.
Mundialmente, aquela película era um sucesso de bilheteira, tendo arrecadado duzentos e noventa e sete milhões de dólares, pelo mundo.
Excecionalmente, deixaram-nos entrar e, na escuridão, lá nos conseguimos sentar.
O filme durou duas horas e dezassete minutos e, finalmente, depois de tanta corrida e expectativas, não valeu a pena! Não passava de uma longa-metragem mediana!
Tiago Vaz, 12 anos – Colégio Paulo VI, Gondomar, Prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

27/04/18

Ana Paula Paiva ― desafio 134


― Chegou demasiado tarde, a Morte não esperou por si!
Acordou meio atordoada: outro ataque.
O médico sempre brincara com ela, dizendo que as suas recaídas eram frequentes, assustadoras, mas pouco graves, de tal modo que até a Morte já desistira de esperar, sabendo que recuperava. Pensava sempre que um dia ela esperaria com muita paciência, pois, afinal, quem tem mais tempo que a Morte? Até tem mais tempo que a Vida.
Mas ainda não fora desta…
Ana Paula Paiva, 52 anos, Porto
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»