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04/02/20

Carla Silva ― desafio 188

Solidão
Fechei a porta e sentei-me no chão, esperando algo que me indicasse que era tudo um sonho. 
Mas nada de novo acontecia. Apenas um estremecimento percorria o meu corpo, recordando-me que precisava sair dali. Sair... Para quê?
Independentemente do local a dor permanecia bem viva no meu peito
Às vezes penso que era melhor deixar-me ficar ali no chão gelado até perder a razão e deixar-me envolver pelas trevas que lentamente me abraçam ao cair da noite.
Carla Silva, 45 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

19/12/19

Maria João Cortês ― desafio 188


NESte último mês de Outubro, a chuva teimava em cair, por vezes com tanta força que fazia TREmer as vitrines e as janelas de vidro.
O MEtro tinha ficado alagado e o CImo das árvores, já sem folhas apresentava-se quebrado.
MENtalmente relembrei aquele dia tenebroso de há uns anos, em que a tempestade, com chuva intensa, provocou derrocadas arrastando tudo e TOdos os que se apresentavam à frente.
Ao relembrar esse dia tive um ESTREMECIMENTO de horror.
Maria João Cortês, 77 anos, Lisboa
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

13/11/19

Rosa dos Santos Alves ― desafio 188

― Diz-me, que pensamentos tremendos ou acima das tuas forças estás a ter, que até tiveste um estremecimento, como de susto ou de aflição ou de padecimento.
― Nada. ― Encolheu os ombros em silêncio e pensou: «A medicação é necessária, para lhe controlar a doença mas, por outro lado, tem os efeitos secundários, o ‘mal menor’: sentir uma lentificação é um deles, os movimentos, a fala, incluindo a mente. Já não consegue escrever como antes o fazia com naturalidade.
Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 56 anos, Ovar
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

10/11/19

Mónica Marcos Celestino ― desafio 188

ESTREMECIMENTO
Um trepidante lamento estrondou
na imensidão do firmamento enegrecido
esfumando-se em trémulo cio
com uma melancólica toada.

A melodiosa e mensurada cítara
estragou o adormecido sentimento
cicatrizando o esgotado espírito
com menosprezo pelo tremor ameaçante.

Neste momento não amedronta
nem o indómito ciclão
que, qual matreiro espectro,
a espaventar se atrevia,

nem a temível escuridão
que tolhe acima das estrelas,
nem o exército inexperiente
a quem sempre esquivou a vitória.

Só a esperanza reprime
o seu estremecimento.
Mónica Marcos Celestino, 47 anos, Salamanca (Espanha)
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

03/11/19

Paula Castanheira ― desafio 188


Um barulho ensurdecedor persistente.
Um novo silêncio!
Um desprezo sem tréguas.
Uma nova esperança!
Não sei ser Eu, sem ti.
Quero de novo o estremecimento que me provocas,
no  corpo,          
nos dias.
Se soubesses!
Beijava-te hoje,
como se amanhã se me fossem acabar os beijos.
Procurei-te sem descanso por toda a parte,
mãos, pernas, boca, cabelo…
Fui encontrar-te acorrentado ao coração.
Libertei-te!
Sim, libertei-te… pra voltares.
Porque tardas?
Vamos emendar o ontem,
sintonizar, de novo, o respirar!
Paula Castanheira, 55 anos Massamá
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

02/11/19

Zelinda Baião ― desafio 188


O momento era mágico: a claridade empurrava as últimas estrelas e estas, obedientes, recolhiam-se; o dia nascia, total e límpido; o sol, ainda tímido, emergia docemente e coloria a quietude do lugar; a brisa, no seu estremecimento, acariciava as ondas e o marulhar era uma melopeia antiga que ficava a ecoar à passagem dos dois; a areia era uma longa estrada agora marcada pelas suas peugadas. Na praia, seguros, o homem e o cão, caminhavam. Como iguais.
Zelinda Baião, 55 anos, Linda-a-Velha
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

30/10/19

Helena Rosinha ― desafio 188


Final do terceiro ato.  Ele impassível, pregado à cadeira; ela exultante, entre aplausos e bravos: “Uma codia fantástica! Argumento, actores, tudo cinco estrelas! Anda, Dionísio, estás à espera de quê? E o burlão, tão bem apanhado… Há pessoas assim, enganam meio mundo, o drama é quando a máscara cai e a justiça entra em cena.“ 
Às palavras da mulher, reage com um estremecimento, olhar alucinado, prenunciando tragédia iminente.  A máscara! Era isso. A dele começava a descolar. 
Helena Rosinha, 67 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

29/10/19

Maria C ― desafio 188


Uma vez por ano, a minha família reúne-se para observar as esTRElas cadentes. Organizamos um jantar em casa dos meus avós e, curiosaMENte, comemos sempre arroz de paTO. Ao anoitecer, deitamo-nos na relva a contemplar a exceCIonal paisagem e nunca ME ESqueço das magníficas sensações da brisa noturna, que cria um ESTREMECIMENTO no corpo inteiro. É formidável a maneira como ninguém se cansa e ficamos ali juntos até alta madrugada.Nunca olvidarei estes dias mágicos em família!
Maria C, 9.º ano, Colégio Paulo VI, Gondomar, Prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

28/10/19

Filomena Galvão ― desafio 188


Abriu o jornal, viu em parangonas: «Tremor de terra abala o país!»
Esta não era totalmente uma notícia falsa, mas reportava ao século passado. Assinalava-se o cinquentenário do sismo que teve epicentro no Atlântico a sudoeste do Cabo de São Vicente, com magnitude de 7,9. Tinha oito anos. Tivera um enorme susto. Não lhe caiu um piano de brincar em cima, por sorte. Mas a cama fora uma autêntica bailarina. Ainda tem um estremecimento só de lembrar.
Filomena Galvão, 58 anos, Corroios
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

25/10/19

Elsa Maria ― desafio 188

Um estremecimento apoderou-se do seu corpo. O canto dos pássaros trouxe-lhe à memória o relacionamento do seu pai com estas frágeis criaturas. A ternura com que lhes pegava e a maneira como comunicava com eles deixava-a embevecida. Um ritual diário que lhe dava alguma paz interior.
O contacto com a natureza sempre o fascinara.
No dia da sua partida, fizeram uma tremenda algazarra. Por certo sentiram que o seu cuidador não mais lhes proporcionaria tão belos momentos.
Elsa Maria, 55 anos, Lisboa
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

22/10/19

Maria Santos ― desafio 188

Em estremecimento, acordei a pensar no meu futuro. Vieram à minha mente pensamentos sobre a forma como irei viver a minha vida ― que amizades farei, onde viverei, qual será o meu trabalho? Todos eram sonhos realizáveis. Tive medo de pensar em acontecimentos negativos, tremi, não vá eles acontecerem.
De repente, tocou o despertador a chamar-me para a vida. Lembrei-me que hoje era um dia especial – eu ia ao cinema, pela primeira vez, com o meu namorado, Vítor.
Maria Santos, 17 anos, Alcobaça
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

Theo De Bakkere ― desafio 188


O anel de duendes
De repente ouviu-se uma ululação demorada. Avó espreitava com medo através das cortinas nas trevas. Não era a única com angústia. O gato escondera-se, e a cadelinha começava a uivar junto com esses seres mortos na mata. Embora avó quase morresse de pavor, não falaria a ninguém sobre o acontecimento atroz.
Também guardava silêncio quando os netos, sem estremecimento, zombaram de bruxas e do anel de duendes que viram na clareira. Porém, avó sabia efetivamente: fantasmas existem.
Theo De Bakkere, 67 anos, Antuérpia Bélgica
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

Graça Pinto ― desafio 188

Hoje uma das redes sociais postou uma foto fazendo-me reviver um momento que jamais esquecerei.
O primeiro impacto, num estremecimento, fez-me chorar.
Chorei de saudade, da falta de TI, desta dor tremenda que dói, dói tanto, cá dentro…, num coração cioso do teu carinho.
Sabes que sempre te amei, disse-to tantas vezes, mas hoje ao ver a tua foto de sorriso rasgado como eu  tão bem conhecia, desejei como nunca poder reviver nossos momentos únicos.
Amo-te “MÃE”
Graça Pinto, 61 anos, Almada
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

21/10/19

Natalina Marques ― desafio 188


― Mãe, a Margarida, EScondeu o meu caderno, já procurei enTRE as coisas dela, mas não encontro.
Um ESTREMECIMENTO esquesito apoderou-se dela.
― Não tenhas MEdo, tem que aparecer, vai lá aCIma ao escritório do pai, na secretária há um compartiMENto, onde costuma pôr os brinquedos.
― O caderno não encontrei, só esta foTOgrafia de uma mulher que não conheço.
― Já te apanhei...!
― O que foi mamã?
― Nada, mas não te admires, se o teu pai amanhã estiver no hospital.
Natalina Marques, 60 anos, Palmela
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

Verena Niederberger ― desafio 188

Joana ainda não estava livre da virose.
Seu corpo tremia, tosse não tinha fim.
Chupava pastilhas de menta precisava urgentemente sarar.
Tomava chá de camomila, efeito não fazia.
Rouquidão foi tomando conta, não conseguia falar.
Menina foi ficando intedeada marcou uma balada.
Namoradinho aflito precisava muito ver a amada.
Mãe ficou irritada, como iria a balada?!
Joana bateu a porta, foi ao cinema
Mãe e filha ficaram sem se falar...
Entre as duas era visível o
ESTREMECIMENTO.
Verena Niederberger, 68 anos, Rio de Janeiro - Brasil
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

Roselia Bezerra ― desfio 188


Um sonho da espera da casa própria tão necessária incentivou a várias famílias. Mentalizado os proventos, toda família começa a economizar com consciência do progresso financeiro que mereciam.
Sonho realizado com sacrifícios de todos, mas um estremecimento no prédio por reformas mal estruturadas, quebrando os pedreiros os cimentos das vigas de sustentação, fez o sonho da casa própria se desmoronar.
Resultou em vidas ceifadas, futuros destruídos e trevas eternas talvez...
Quiçá possam novamente se reerguerem?
Oxalá aconteça!
Roselia Bezerra, 65 anos, ES, Brasil
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

Rosário Oliveira ― desafio 188


Olhou para ela nos olhos e o estremecimento foi grande e tremeu todo. Sabia que o que tinha feito merecia castigo. Partira o retrato da avó Estrela que estava na cómoda antiga virada para a sacada onde ela costumava olhar a rua e os transeuntes domingueiros que passavam debaixo das escadas. Na cidade não havia outra vista assim e o sentimento de vazio encheu-lhe os olhos enquanto pegava na folha a preto e branco e a beijava. 
Rosário Oliveira, 53 anos, Leiria
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

Toninho ― desafio 188

Manchas assassinas
Estado de alerta pelo Nordeste.
Manchas pegajosas invadem praias, mangues disseminando fauna, flora pelos trechos atingidos. Marisqueiros, pescadores desesperados sem metodologia para estancar a contaminação.
Perde-se tempo precioso sobre origem do petróleo, enquanto a mancha avança. O Brasil tem estranho comportamento diante catástrofes, não se entende, inercia total dos responsáveis pela navegação e meio ambiente. Pela inerte ação presidencial especula-se, em origem no estremecimento com os governadores nordestinos. Seria ridículo e inaceitável. As praias são de todos.
Toninho, 63 anos, Salvador-Bahia-Brasil
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento

Maria Silvéria dos Mártires ― desafio 188


EScolhas que vou fazendo
E enTRElaçando no meu coração
Enchem-Me de espanTO e alegria
As quais transformo em poesia.
Por vezes provocam estremecimento
Todo meu ser, meu espírito, meu corpo se arrepia.
São poemas da natureza cuja beleza extasia.
Cheiram a mel, a esteva e rosmaninho.
A uvas, vindimas de setembro e outubro
E recordo com amor carinho e deliciosaMENte
Assim como lembro o Natal e dezembro
O Deus menino, José e Maria que minha alma acariCIA.
Maria Silvéria dos Mártires, 72 anos Lisboa
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento


20/10/19

Isabel Sousa ― desafio 188

A cabeça de Ricardo tremia, ao lembrar-se de tantas injustiças. Cada passo, cada palavra, ou cada pensamento, faziam-no relembrar os pavorosos acontecimentos. Era algo que jamais poderia esquecer – coração filial, dilacerado pela espada da separação.
estremecimento da culpa era inquestionável, fora mandatado. Contudo, o arrependimento dominava-lhe a existência. Todos os seus movimentos eram geometricamente controlados – o medo dominava-o.
Quando sentia a esperança do regresso, os olhos agigantavam-se, o pensamento equilibrava-se, doando um largo sorriso ao mundo.
Isabel Sousa, 38 anos, Lisboa 
Desafio nº 188 ― sílabas de estremecimento