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08/01/20

Ana Maria Monteiro ― desafio 191


Mais vale um pássaro na mão que dois a voar, dizem. Mas se um é pouco, dois é bom e três é demais, então por que devo contentar-me com pouco? Também dizem que um burro carregado de livros é um doutor, acredito que tenha sido um desses burros a criar boa parte destes provérbios. Mas certo, certo é que perdido por cem, perdido por mil! Assim sendo, mato dois coelhos duma cajadada: devolvo os pássaros à liberdade.
Ana Maria Monteiro, 59 anos, Braga
Desafio nº 191 ― perdido por cem, perdido por mil

01/01/20

Ana Paula Oliveira ― desafio 191


Sentada frente ao espelho, antes de tomar a decisão, Elsa travou um diálogo com a sua imagem.
― Corto?
― Não sei! Sempre me habituei aos cabelos compridos.
― Cabelo comprido, tão branco, não combina. A juventude é tempo passado!
― Mesmo assim. São muitos anos a refletir a mesma imagem. Não sei se me habituo à mudança!
― Paciência! Perdido por cem, perdido por mil. Corto. E bem curtinho!
Cortou. E saiu do cabeleireiro mais leve e com menos dez anos.
Ana Paula Oliveira, 59 anos, S. João da Madeira
Desafio nº 191 ― perdido por cem, perdido por mil

19/12/19

Carla Silva ― desafio 191

Deliciosa Paixão
Teolinda olhou para ele suspirando, era tão lindo... E parecia chamar por ela. Era impossível, sabia-o bem, mas a cada olhar essa sensação aumentava. 
Por vezes, e por breves instantes, a dona da pastelaria colocava-se entre eles impedindo o contacto visual. Instantes que apenas serviam para aumentar a sua fixação por ele. 
Num novo olhar recordou o ditado: "Perdido por cem perdido por mil".
Decidida caminhou até lá e sorrindo pediu o último brigadeiro exposto na vitrina.
Carla Silva, 45 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 191 ― perdido por cem, perdido por mil

01/12/19

Alexandra T ― desafio 191


Subitamente, uma ideia surgiu, daquelas atípicas e raramente preciosas que, no seu expoente máximo, emocionam quem as escuta.
Outra? Uma nova criação nascia. A minha mente, inundada de criatividade, deixou-se afogar entre os seus pensamentos. Precisava de registar as ideias em papel, caso contrário, perder-se-iam em tal anarquia. Mas… Usar ambas soava demasiado ambicioso, teria de optar pela melhor.
Tal indecisão acabara por sufocar a minha imaginação, era tarde demais. Agora, perdido por cem, perdido por mil...
Alexandra T., 13 anos, Gondomar – prof.ª Raquel Almeida Silva
Desafio nº 191 ― perdido por cem, perdido por mil

26/11/19

Filomena Galvão ― desafio 191


Joana é muito gulosa, e por isso mesmo é muito redondinha. Ela bem tenta fazer dieta, mas é incapaz de resistir a uma guloseima. Sempre que passa à porta da pastelaria, os bolos riem-se para ela. Primeiro, ela só pede um café. No entanto, há uma voz interior que lhe azucrina a cabeça e lhe sussurra: é só um docinho, vá lá. E ela cede e murmura: mais quilo, menos quilo. Perdido por cem, perdido por mil!
Filomena Galvão, 58 anos, Corroios
Desafio nº 191 ― perdido por cem, perdido por mil

Odília Baleiro ― desafio 191


Acordou surpreendida pela chuva que continuava a cair. A seca era extrema a sul! As paisagens moribundas, incapazes de sustentarem os animais, faziam dó. Na memória dos tempos de moça do Alentejo, só de galochas se podia andar, porque as ruas eram riachos largos. Levantou-se, abriu a janela e foi fustigada por enorme bátega de água… Saiu para a rua, ia sem guarda chuva. "Perdido por cem, perdido por mil", pensou. Que gozo encharcar-se até aos ossos!
Odília Baleiro, 64 anos, Lisboa
Desafio nº 191 ― perdido por cem, perdido por mil

Paula Castanheira ― desafio 191

― Vamos tomar um copo?
― Humm. Um copo, ou dois dedos de conversa?
― Tu sabes!
― Precisas desabafar, tão certo, como dois e dois serem quatro.
― Vou desistir!
― De publicar o livro?
― Sou um zero à esquerda! Nenhuma editora acredita nele.
― O romance é viciante e tem grande qualidade literária.
― Eles não pensam assim.
― Só tentaste em duas. Não há duas sem três! Vais desistir do teu sonho?
― Perdido por cem, perdido por mil.
― Vou ajudar-te. Vais ser famoso!
Paula Castanheira, 55 anos, Massamá
Desafio nº 191 ― perdido por cem, perdido por mil

23/11/19

Theo De Bakkere ― desafio 191

Pedalar com um louco
Com a subida a pique que foi feita debaixo duma tromba de água gelada começava o sofrimento. O trilho irregular tornou-se um lamaçal em que as pernas já doíam de tanto esforço físico e a cara pintava-se de castanho. Foi quiçá a mais difícil volta que empreendera. Com sempre o vento de frente, devia pedalar com um louco. «Perdido por cem, perdido por mil!» No entanto, havia momentos… já não dava mais e queria ir a pé.
Theo De Bakkere, 67 anos, Antuérpia, Bélgica
Desafio nº 191 ― perdido por cem, perdido por mil

22/11/19

Toninho ― desafio 191


Momento de fúria
João para tudo tem um ditado, grande romântico da paz. Mestre charadista pelos botecos da vila. Dizia que “dava um boi para não brigar, mas daria uma boiada para não sair”. Assim naquela noite cinco rapazes embriagados começaram uma briga no boteco. Quieto no seu canto assistia, quando levou um tapa no ouvido. Possesso e surdo sacou um facão e colocou a turma em fuga desesperada, enfrentou a gang gritando, que “perdido por cem, perdido por mil”.
Toninho, 63 anos, Salvador-Bahia, Brasil
Desafio nº 191 ― perdido por cem, perdido por mil

Fernando Morgado ― desafio 191

Passo por ela e sinto vergonha em lhe dizer olá. Talvez ela me julgue um dos tarados que a bajulam.
Encontro-a sempre que, “por acaso”, vou ao shopping onde ela trabalha. Olho-a como se não olhasse, sinto um rubor quando ela me oferece um sorriso. Um dia… nem uma palavra sai.
Acordo num pesadelo em que a vejo de abraço com outro.
Hoje, vou passar na rua dela. Perdido por cem, perdido por mil, escrevo no muro: AMO-TE.
Fernando Morgado, 64 anos, Porto
Desafio nº 191 ― perdido por cem, perdido por mil

Natalina Marques ― desafio 191

Concluíram as apostas, mas Maria, em segredo, já tinha o coração ocupado, e não era nenhum dos dois.
Entre os quatro, havia uma amizade saudável, qualquer que ela escolhesse, seriam amigos para sempre. O tempo passava, e a decisão dela tardava, até que Bernardo e João presenciaram o beijo trocado entre ela e o Manel que os desafiara para fazer as apostas.
― Paciência.. PERDIDO POR CEM, PERDIDO POR MIL.
― O pior é que foi mesmo por mil.
Natalina Marques, 60 anos, Palmela
Desafio nº 191 ― perdido por cem, perdido por mil

20/11/19

Chica ― desafio 191


Valério estava com excesso de peso, com sérios problemas de saúde. Um dia, encontrado quase morto! SAMU foi chamado, providências tomadas e daquela ele escapou bem, sem sequelas. Porém a temida dieta era necessária. O filho cuidava cada deslize do pai, reprovava e prometia não mais o ajudar! Ameaçava dele desistir!
Porém, ele não se corrigia e cada vez que extrapolava, comia um doce, outro, outro, pois era da ideia que perdido por cem, perdido por mil...
Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nº 191 ― perdido por cem, perdido por mil

Roselia Bezerra ― desafio 191


Mariana era uma moça que gostava de ajudar.
Entrou num projeto de alfabetização de adultos.
Tinha tarefas a cumprir, mesmo assim dava um jeito de aceitar cada um que chegava.
A sala estava repleta, ela bem cansada da labuta. Dando a Hora da Ave Maria, chegava pontualmente.
Não tinha carteira vaga e mais uma pessoa a lhe esperar. Ao invés de lhe negar a vaga, lhe disse com um sorriso largo: perdido por cem, perdido por mil.
Roselia Bezerra, 65 anos, ES, Brasil
Desafio nº 191 ― perdido por cem, perdido por mil

Desafio nº 191


Há frases com números que são mesmo muito engraçadas. Vamos usar uma delas.

Escrevam o vosso texto em 77 palavras, sabendo que, lá para o fim, irá aparecer:
«Perdido por cem, perdido por mil!»

E já experimentei:
Uma bonita jarra, dizia a mãe. Para si, que limpava o pó à casa, era irritante. Cheia de relevos pirosos, dourados estimadíssimos, gosto muito duvidoso, trazia-lhe uma memória: fora oferecida por dona Jacinta, mulher de bigode e, por isso, beijos picantes. A jarra no chão, partida em cem pedaços (era dado a exageros, só tinha nove anos). Colá-los? Tarefa impossível. Varreu a jarra da sua frente. «Perdido por cem, perdido por mil!», pensou, do cinto não escaparia…
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 191 ― perdido por cem, perdido por mil