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10/06/20

Amália da Mata e Silva ― desafio 209

Sei que não me habituei. Não sei se será sempre assim, mas sei que por muito tempo, teremos de conviver deste modo Nem sei se quero que assim seja. Só sei que me cansa pensar que me cortas a liberdade com que sonhei. Também sei que a aproximação aos outros me assusta e não quero isso. A partilha de afetos é-me muito querida...63
Nunca sei dar um carinho, compartilhar uma dor ou uma alegria sem contacto físico.
Amália da Mata e Silva, 65 anos Vila Franca de Xira
Desafio nó 209 – ritmo do texto SEI

06/06/20

Alda Gonçalves ― desafio 209


Saberás porque escreves
Saberás tu o que escreves? Um atrevimento, diria. 
Não saberás certamente o caminho a que te leva a magia das palavras. 
Nem saberás da alegria nem da esperança que te dará o terminar um novo escrito. 
Só saberás que muitas vezes serás criticado injustamente, e muitas outras esquecido, e, 
Também saberás que por vezes, alguém guardará estas palavras. 
Nunca saberás quantas vidas podes salvar da solidão e do isolamento. 
Serás o sol e calor em muitas mãos. 
Alda Gonçalves, 50 anos, Porto
Desafio nó 209 – ritmo do texto SEI

03/06/20

Paula Castanheira ― desafio 209

Nem sei se ainda existo nesses teus dias de desnorte e perdição.
Sei que me estás cravado em cada respirar, em cada pedaço de corpo.
Não sei porque insisto neste amor que me acorrenta e me tolda cada tentativa de normalidade.
Nunca sei se te quero perto ou longe, porque corro para ti na esperança de te fugir.
Só sei que és oxigénio, mar, terra, céu…
Também sei que este desejo que queima, me prende à vida!
Paula Castanheira, Massamá
Desafio nó 209 – ritmo do texto SEI

Helena Rosinha ― desafio 209

(Monólogo de um espelho)
Nunca sei o que esperar de ti.
Sei que te devolvo uma imagem desvirtuada. Também sei, ou julgo saber, das exigências, pressões, do esforço que fazes para a manter.  Não sei é por quanto tempo mais conseguirás iludir os outros (a ti mesma?).  Nem sei se, no final, o investimento te favorece. Só sei é que se tornou insuportável reflectir tanta intervenção numa só pessoa: colorações, maquilhagens, implantes! Qualquer dia apareces-me à frente e estilhaço-me… de espanto. 
Helena Rosinha, 67 anos, Vila franca de Xira
Desafio nó 209 – ritmo do texto SEI

Toninho ― desafio 209

Sei das pedras do caminho, as coleciono.
Não sei o que farei delas, já tenho meu castelo. Drummond incomodado fez um poema.
Nem sei se abrigará a tal princesa dos meus sonhos juvenis.
Só sei que vou pelo caminho como peregrino até uma gruta milagrosa. Também sei das dificuldades desta travessia pela vida, mas não desanimo. Nunca sei dizer para mim, que basta, desiste. Sigo em frente atrás de meus sonhos e quimeras, assim que sou feliz.
Toninho, 64 anos, Salvador-Bahia-Brasil
Desafio nó 209 – ritmo do texto SEI
Publicado aqui: desafio 209

02/06/20

Theo De Bakkere ― desafio 209

Prometo
Sei que não telefonei a nenhum, mas talvez tenha falado com alguém do telejornal. Embora não relembre.
Nem sei se seria capaz de saber distinguir alguém com quem tive esta conversa.
Não sei mais o que tenho pensado. Não o posso explicar. Nunca sei porquê. Só sei que para tudo existe um motivo.
Também sei que de boas intenções está o inferno cheio.
Mas agora prometo solene, nunca mais me vou fazer passar pelo presidente da república
Theo De Bakkere, 68 anos, Antuérpia Bélgica
Desafio nó 209 – ritmo do texto SEI

Paula Isidoro ― desafio 209

Sei muito, sobre tudo e mais alguma coisa, nisso tem razão. Não sei, no entanto, se poderei responder a essa pergunta. Nem sei por onde começar, na verdade. Só sei que me parece estranho que me pergunte isso a mim, mas bom. Também sei que este momento é de maior introspeção, pelo isolamento, e isso pode dar para refletir um pouco mais sobre este tipo de questões. Nunca sei como começar, mas recapitulemos. Qual era a pergunta?
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 39 anos, Salamanca
Desafio nº 209 – ritmo do texto SEI

01/06/20

Alex Santi ― desafio 209

Sei que existo para espraiar o meu olhar. Nunca sei o instante em que as luzes da cidade começam a iluminar. Nem sei quantas frustrações, angústias e desconcertos sinto quando não é claro o meu lugar no mundo. Também sei, porém, que o mundo são muitos mundos, um autêntico caleidoscópio. Não sei moldar: verbo adequado ao artesão e ao espírito em construção. Só sei, afinal, que a incoerência está para ideia, a dissonância está para o som.
Alex Santi, 28 anos, Ericeira
Desafio nó 209 – ritmo do texto SEI

Fernanda Malhão ― desafio 209

As sextas-feiras 13 amedrontam muitas pessoas, como sendo dias de azar. Elas e os gatos pretos partilham os mesmos sentimentos de preconceito, apenas porque alguém se lembrou de espalhar tal boato. Naquela cozinha estava a aldeã a cozinhar o caldo, e o Tobias, o gato preto, perseguia atentamente aquele ser rastejante e crocante, até que numa investida: Zupa! Deu uma patada firme e certeira e ela foi-se.
Que mais poderia esperar de uma sexta-feira 13? Era barata...!
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
Desafio nó 209 – ritmo do texto SEI

Filomena Galvão ― desafio 209

Sei perfeitamente o que quero.
Não sei quanto tempo demorarei.
Nem sei se a vida me proporcionará colher aquilo que pretendo “semear”.
Seja como for, os objetivos estão em mente e isso é razão suficiente.
Só sei que nunca virei as costas a um bom desafio.
Também sei que nem sempre é fácil, mas desistir não é opção.
Nunca sei de antemão o que a vida me reserva, sei porém que o lema é:
batalhar sempre!
Filomena Galvão, 59 anos, Corroios
Desafio nó 209 – ritmo do texto SEI

Natalina Marques ― desafio 209


SEI que um dia voltarás
daqui a muito tempo,
ou talvez pouco, NÃO SEI,
só o meu triste lamento
foi nos sonhos que sonhei.

Já NEM SEI contar os dias,
as horas e os minutos
porque as minhas alegrias
foram-se como defuntos.

SÓ SEI, que no coração
confuso e dilacerado
ficou uma ferida aberta
por me teres abandonado.

TAMBÉM SEI que o amor
nasce sem ser esperado
mas NUNCA SEI se esta dor
resultou do beijo desejado.
Natalina Marques, 61 anos, Palmela
Desafio nó 209 – ritmo do texto SEI

31/05/20

Paula Isidoro - desafio 209

Sei muito, sobre tudo e mais alguma coisa, nisso tem razão. Não sei, no entanto, se poderei responder a essa pergunta. Nem sei por onde começar, na verdade. Só sei que me parece estranho que me pergunte isso a mim, mas bom. Também sei que este momento é de maior introspeção, pelo isolamento, e isso pode dar para refletir um pouco mais sobre este tipo de questões. Nunca sei como começar, mas recapitulemos. Qual era a pergunta?
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 39 anos, Salamanca
Desafio nó 209 – ritmo do texto SEI

Fernanda Malhão ― desafio 209

Sei que hoje não sou a mesma pessoa que era o ano passado, ou a semana passada, ou se calhar ontem. Não sei muito bem como isso acontece e nem sei em que momento as coisas mudam. Mas só sei que mudança é inevitável, que as histórias que vivemos nos modificam. Também sei que ficar presa ao passado é inútil. Nunca saberemos para onde as mudanças nos levam, mas temos de tentar direcioná-las para um futuro melhor!
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar 
Desafio nó 209 – ritmo do texto SEI

Verena Niederberger ― desafio 209

Sei que o vírus de mansinho chegou.
Pouco a pouco se instalou.
Nem sei direito como tudo começou.
Não sei como me contaminei.
Prostração, mal estar senti.
Também sei que a febre e tosse teimavam em permanecer.
Médica, desde o início, me acalmou
Era necessário repouso fazer.
A calma era, fundamental, manter.
Fui me recuperando devagar.
Só sei que, depois de um tempo, me curei.
Nunca sei o que para pessoas dizer.
Que não querem isolamento fazer.
Verena Niederberger, 69 anos, Rio de Janeiro - Brasil
Desafio nó 209 – ritmo do texto SEI

Chica ― desafio 209

Nem sei como começar a falar o que está acontecendo com as pessoas no mundo.
Não sei se todos têm o mesmo sentir diante do que temos visto.
 sei que aquela cena do policial sufocando o homem não saiu de minha mente.
Também sei que já aconteceu aqui no Brasil, mas fiquei impressionada demais.
Nunca sei, não consigo entender esse racismo.
Sei que gostaria nunca mais dele precisar ver nem ouvir falar! Seja a justiça feita!
Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nó 209 – ritmo do texto SEI

Rosélia Bezerra ― desafio 209


Sei de muitas coisas que fui vivendo ao longo da vida, entretanto não sei de tantas outras.
Nem sei o tanto que aprendi, me enriqueci.
 sei que um pouco apreendi, pois tem certos momentos que também sei aplicar meu potencial aos que tanto quero bem .
Nunca sei como fazer o bem para quem não é agradecido. Tudo que faço nada lhe convém. 
Entretanto de uma coisa sei bem: farei o bem ilimitadamente, dentro das minhas parcas possibilidades
Rosélia Bezerra, 65 anos, ES, Brasil
Desafio nó 209 – ritmo do texto SEI

30/05/20

Desafio nº 209


Trabalharemos hoje o ritmo do texto.

As frases que escreverem terão de usar, logo no início (na pessoa e tempo verbal que quiserem e pela ordem que preferirem):

Sei… Não sei… Nem sei… 

Só sei… Também sei… Nunca sei…

Experimentei assim:
Sei que podia ter feito melhor, mais depressa, com maior eficácia. Não sei se isso mudaria o que pensas de mim. Nem sei se mudaria a forma como me vejo a mim mesma. Só sei que não me envolvi demasiado, deitei tudo a perder. Também sei que faço isto por sistema, repetindo, ano após ano, os mesmos erros. Nunca sei o que fazer no momento exato, só muito depois, ruminando ideias brilhantes, fingindo que sei alguma coisa… Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 209 – ritmo do texto SEI