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04/08/20

“Avó é mãe a dobrar”, veraz afirmação. Alguma vez eu diria que a minha mãe faria enorme diferença? Ainda bem que moro ao lado dela. Logo que o bebé veio ao mundo, minha vida mudou. Não dormia nada, o miúdo era danado: gemeria de dor, de fome ou era manha? Fiz a mezinha, rezei e nada. Minha mãe fazia o horário da manhã e eu me virava no breu. Fiquei doida e exaurida, uma verdadeira mulher zombi. Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar Desafio nº 78 – escrever sem C P S T Fernanda Malhão – desafio 78

Avó é mãe a dobrar”, veraz afirmação. Alguma vez eu diria que a minha mãe faria enorme diferença? Ainda bem que moro ao lado dela. Logo que o bebé veio ao mundo, minha vida mudou. Não dormia nada, o miúdo era danado: gemeria de dor, de fome ou era manha? Fiz a mezinha, rezei e nada. Minha mãe fazia o horário da manhã e eu me virava no breu. Fiquei doida e exaurida, uma verdadeira mulher zombi.
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
Desafio nº 78 – escrever sem C P S T
Fernanda Malhão – desafio 78

04/07/17

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 78

Um dia qualquer, ao olhar o brilho do luar, irei ver a imagem do homem que amo.
Ao mirar o fundo da água do mar, irei ver o reflexo do meu amor.
Amanhã de manhã, quando vier admirar a beleza do mar, vou levar um búzio, uma vez que quero ouvir nele a voz meiga do rei leal que governa a minha alma e a minha vida.
Irei viajar num navio enorme e levarei o meu herói.
Susana Sofia Miranda Santos, 37 anos, Porto

Desafio nº 78 – escrever sem C P S T

21/03/16

Um mundo diferente

Joana não duvidava da amiga.
Vivia daquele modo, fiada no que a vida lhe daria,
envolvida, num mundo que ela imaginava.
Um mundo de amor, onde a amizade é leal.
No jardim do mundo dela, havia a flor da harmonia.
Nadava num mar azul, onde um golfinho,
era o amigo imaginário.
Joana, já era mulher madura, vivendo longe da realidade.
Na verdade, vivia o mundo que ela imaginava.
Um mundo em que a humanidade, ainda não exibira.

Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Desafio nº 78 – escrever sem C P S T

28/09/15

Viver o vazio

Belo, era belo aquele mar… Adorava ninar ouvindo o marulhar. Olhá-lo era banhar a alma lavando-lhe a mágoa que a devorava. O mar que amava aboliu o bem maior que havia ganho da vida: o amado filho, Amadeu. Viver o vazio deixado era difícil. O mar guardava agora o derradeiro gemido de Amadeu. Mergulhar nele era agarrar o resquício deixado. O resquício do filho amado. Belo aquele mar e enorme a dor lembrada… a dor do vazio.

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio nº78 – escrever sem C P S T

03/07/15

Programa Rádio Sim 545 – 3 Julho 2015

OUVIR o programa! 
No site da Rádio Sim



Queria falar, envolver-me no enredo que imaginei no meu mundo, revelando o que me faria rir. Nada fiz.
Queria bradar ao mar, envolver-me na alhada que me levaria a elevá-lo a herói. Nada fiz.
Queria, queria, nada fiz, nada.
Deixei-me abrandar na vida, e ele adquiriu a energia e o vigor que o levariam ao fim do meu mundo. Nada fiz.
A vida foi e veio, ele fora dela e de mim. Agora, anulada, imagino-me uma foragida.

Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa
Desafio nº 78 – escrever sem C P S T

26/02/15

Programa Rádio Sim 456 – 26 Fevereiro 2015

OUVIR o programa! 

No site da Rádio Sim

Liberdade e alegria 
Um dia de inverno, madrugou. Queria, já não dormia. Que fazer a rolar de lado a lado na enxerga? Olhar o vazio negro? De roldão, jogou o edredom ao fundo, fugiu do ninho e lavou o nariz, e a alma, à malandra; enfiou a malha fofinha e alva e o algodão azul. Meia negra a guardar do frio. Anoraque enfiado e faixa vermelha, a envolver. Já na rua, o aroma da erva húmida inebria-a. Liberdade e alegria.

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 51 anos, Coimbra
Desafio nº 78 – escrever sem C P S T

15/01/15

Programa Rádio Sim 426 – 15 Janeiro 2015

OUVIR o programa! 

No site da Rádio Sim



Fiz-me bruxa
Não digo? Ai digo, digo! E brado ao mundo em grande alarido!
Digo que me induzi em erro, digo que me lixei, me arruinei, me modifiquei. Deixei o meu eu fugir. Razão? Adorei-o, qual anjo azul. Guardei-o no fundo de mim. Fiz-me menina, fiz-me mulher, fiz-me diva, fiz-me fada. E ele faz-me aquela borrada?
Não digo? Ai digo, digo! A vida é lixada!!!
E digo ainda: fim da união. Folha virada, novela finalizada!
Agora, fiz-me bruxa. Vou.

Ana Paula Oliveira, 54 anos, S. João da Madeira
Desafio nº 78 – escrever sem C P S T

12/12/14

Programa Rádio Sim 406 – 12 Dezembro 2014

OUVIR o programa! 
No site da Rádio Sim



Não dá!
Não dá! Vou dizer uma vogal, anexo-a a uma qualquer, não é uma narração nem falha, é um barulho mordaz que não me deixa andar leve. Na verdade falo um barulho ou digo um ruído que é igual à razão do nada. O barulho mudo que me deixa a imaginação anulada. O ruído aflige a junção de uma vogal no meu miolo. A minha reflexão agonia-me quando não ouço o barulho da vogal, afinal ela é nula.

Isabel Pinela Fortunato, 41 anos, Amadora
Desafio nº 78 – escrever sem C P S T

08/12/14

Programa Rádio Sim 402 – 8 Dezembro 2014

OUVIR o programa! 
No site da Rádio Sim


Uma nuvem não faz o inverno
A flor abriu. Amélia, alegre, via o dia. Deambulando na rua, ganhava em alegria. A velha má memória finava.
– Uma nuvem não faz o inverno! Quem melhor do que eu faz mudar a minha dor?
Manejava de novo a vida.
Agora ela envergava o vigor e a firmeza de uma árvore, a leveza da bela lua brilhava na negrura do dia. Do que foi dor agora nada havia.
– Não há final de mim, há um enorme amanhã.

Constantino Mendes Alves, 56 anos, Leiria
Desafio nº 78 – escrever sem C P S T

A boda

A manhã era o grande dia, a boda da Joaquina. Maria, a irmã, é a madrinha, a mãe anda em grande azafama, bolo, buquê de noiva, a viagem de lua de mel a Veneza...
A avó, ao ver a noiva, dá-lhe um baque e diz que não é adequado na idade dela levar ramo de laranjeira... e já de barriga, que vergonha! Quando ela era nova...
Deixam-na a falar.
Júlio, o noivo, alheio ao arrufo olha-a enamorado.

Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 78 – escrever sem C P S T

30/11/14

Anda um beijo a voar

Olha, falo duma original ideia, meu amor: logo, à hora da novela, vou à janela e dou um beijo no ar. É bom que ninguém me veja, querido. Adoro o enigma!
Ignora quem olhar. Finge olhar a lua ou alguma flor. É bom mandar um beijo na doçura morna daquela hora do fim do dia. Quando o dia é lugar de luz e vigília, o fim dele é ainda melhor quando dá lugar ao verdadeiro amor.

Fernanda Ruaz, 66 anos, Lisboa

Desafio nº 78 – escrever sem C P S T

Aqui e agora

Aquele homem não vê
Aquele azul, aquela luz que brilha
Ainda que em breve um novo dia venha
Em ele, nada remexe
nele não há fé na humanidade
Homem que dorme, 
não vê nem quer ver 
Homem, larga o medo!
Ruiu, logo me ergo!
Ruge à dor e voa
O que há é o aqui e o agora
Abraça a roda da vida e vive
deixar ao amanhã o dia de hoje
é dia que já foi!

Sara Pereira, 20 anos, Braga

Desafio nº 78 – escrever sem C P S T

Querido amigo

Querido amigo, murmuro eu
de mim a ele!
Faz quando que não o vejo?
Não me lembro! Minha memória, não me deixa, já me falha!
Não o verei eu? 
Irá a vida boa? 
Amigo a minha flui, obrigado!
Amigo, aqui e agora é novidade
É modernidade
Não há meio
Ninguém falha de admirar-me!
Querido amigo, amaria revê-lo de novo
Meu amigo imaginário,
Viverá ele na minha alma,
raiz de origem?
De amigo a um amigo
Um beijo!

Sara Pereira, 20 anos, Braga

Desafio nº 78 – escrever sem C P S T

28/11/14

Domingo

Helena morava em Almada. Naquela manhã de Domingo, foi andar na rua que havia em redor do jardim da moradia onde morava.
No meio do jardim havia um grande lago. Nele havia um nenúfar em flor e uma rã. Helena deu-lhe uma migalha de bolo, que levava na algibeira.
Quando olhou o relógio viu que devia ir embora. A mãe ia a uma reunião no lar onde a avó Joaquina vivia logo que o avô Jaime morrera.

São Sebastião, 68 anos, Glória Estremoz

Desafio nº 78 – escrever sem C P S T

27/11/14

Reviver

Revivo.
Uma alegria efémera,
uma memória feliz,
um dia de alegria inebriante:
o brinquedo querido há um ano,  agora ali. Meu.
Uma mágoa: roxa, negra e dorida,
uma borbulha horrível, no nariz deformado;
a gordura invadindo-me a alma,
a voz aguda da menina da vivenda do lado
– a minha barbie é linda, elegante. A menina é feia e balofa.
Uma lágrima foge,
a memória dói.
Fujo.
Não quero relembrar, nem reviver.
Finjo que fui feliz.

Maria José Castro, 54 anos, Azeitão

Desafio nº 78 – escrever sem C P S T

26/11/14

Amar o mundo e a vida

Duelo à alma, hoje, fiz:
Lograr que viver não é árduo! 
Migalha que de mim emano e dou.
Quero divulgar a humildade da vida
A quem ainda não viu
Mendigo! Dizem. Não, não fui!
De algibeira fui, de alma não!
Rogo hoje que me ajudem a 
Reavivar aquele que ainda dorme.
A união faz a força!
Quero dar algo maior!
Ao final do dia, no fundo, o que eu quero
É amar o mundo e a vida!

Sara Pereira, 20 anos, Braga

Desafio nº 78 – escrever sem C P S T

25/11/14

Deixar o medo de lado

Quero amá-lo, não há dúvida.
Amizade que virou amor.
Um amor jovem, rebelde e nada maduro.
Amor que me faz andar na lua e querer afagar aquela grande nuvem que vejo da minha janela.
Vejo brilho no que não brilha.
A minha alma ganhou uma nova vida, uma nova harmonia, um novo rumo.
A ele, nada lhe falei. Não faz ideia do meu devaneio.
Reagirá bem?!
Um dia, deixo o medo de lado e vou lá dizer-lhe.

Ana Santos, 25 anos, Seixal 

Desafio nº 78 – escrever sem C P S T

Madrugada e Alvorada

Uma luz na madrugada
E na alva bela alvorada
Veio aliviar minha mágoa.
Do orvalho bebo água
E quando a flor é regada
Exala um aroma agradável
Que embriaga minha alma
Leio um livro num vaivém
E digo que amo o meu bem
À madrugada quero bem
A alvorada olha-me diz- me
Que é ainda uma menina
E que é minha amiga
E no xaile me abriga
Obrigada digo-lhe eu
Nada lhe dou, afinal nada é meu.

Maria Silvéria dos Mártires, 68 anos Lisboa 
Desafio nº 78 – escrever sem C P S T

Loenda

Que maravilha quando a Lua dá luar!
Que fulgor lembra a onda ao germinar!
Que alva nuvem não arma hábil leveza?
Que rubra lava não é afervorada beleza?
E aquela amendoeira de renda de enxoval?!
E aquele limoeiro ornado de verde real?!
Há que bendizer o grado dia alumiado.
Há que louvar o fúlgido alor dourado.
A bondade de mãe de mão fagueira.
A bonina de abelha na flor ligeira.
Adágio, ou rifão
Nada aflui em vão!

Elisabeth Oliveira Janeiro, 70 anos, Lisboa

Desafio nº 78 – escrever sem C P S T

24/11/14

Regresso

Era uma vez um rei, uma fada e uma bruxa má.
Havia uma menina e um dragão horrível!
– Que medo, Vovó! E no fim? Diz-me, diz-me.
E ela dizia, dizia…
Eu dormia embalada na voz da avó, a minha Fada boa.

Hoje a avó é velhinha. Vive longe da realidade, num mundo imaginário.
Agora é a minha vez: Era uma vez um rei, uma fada boa…
Já o olhar ganha novo brilho.
– E no fim? Diz-me, diz-me.

Palmira Martins, 58 anos, Vila Nova de Gaia

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