30 janeiro 2015

Programa Rádio Sim 437 – 30 Janeiro 2015

OUVIR o programa! 

No site da Rádio Sim



Galinheiro
Galaró era FAMOSO
por ser o mais PERIGOSO
do galinheiro Real.
As galinhas TEMEROSAS
andavam sempre CHEIROSAS
à espera de lhe agradar.
Eis que surge um rival
mais FORMOSO e CARINHOSO
que o vem desafiar...
Galaró ficou FURIOSO:
«Que quer aquele PAVOROSO
aqui do meu galinheiro?»
Chamou a ESPOSA primeiro,
depois todo o seu harém:
«PIROSAS, não quero ninguém,
dando PROSA àquele GULOSO!»
O Rival era ORGULHOSO,
deixou-o bem depenado,
e o Galaró VAIDOSO
foi-se embora despeitado....

Isabel Lopo, 68 anos, Lisboa
Desafio RS nº 20 – 14 palavras acabadas em -oso, -osa

Indagações

Perguntas-me sobre o sol, que acalora, do brilho que dele vem,
Nem sei dizer, mas se me queres saber, perguntas-me da chuva,
Conto do cinza que amarga o olhar, se perguntas-me, vou falar.
Perguntas-me do dia branco, mas é hora vazia que sei explicar...
Sei dizer do verbo que faz viver, se perguntas-me, irei dizer...
E de querer imensamente? Perguntas-me assim com esses olhos a falar...
Então respondo: Perguntas-me: como posso viver mais que segundos sem respirar?

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Desafio RS nº 11 – 7 frases de 11 palavras, sempre com uma palavra repetida

Excelente a matemática!

A Maria estava em êxtase. Excelente a matemática! Ligou à mãe a dar-lhe a notícia e aproveitou para lhe pedir que a levasse a lanchar. Não queria ir para casa da avó. O cheiro a humidade chegava-lhe ao estômago antes de passar pelo nariz. Dava-lhe vómitos. Naquele dia não! Aquele dia era especial! Não era todos os dias que se saía bem a matemática! Merecia uma tarde diferente! Guardou a chave do cacifo e despediu-se de todos.

Fátima Fradique, 40 anos, Fundão

Desafio RS nº 8 – juntar cacifo, cheiro a humidade e êxtase

EXEMPLOS - desafio nº 83

Freitas, teimoso, rabugento.
Inventava sempre desculpas para fugir de médicos.
Maria, a filha, quase a reboque, o levou ao oculista.
Carrancudo, sentou-se diante do doutor, que já o conhecia!
Esse, ao invés do tradicional quadrinho de letrinhas, lhe fez ler o quadro abaixo.
Com dificuldade foi soletrando. Ao juntar as letras, entende o “chamado” nele contido. Começou a dar risadas. 
O doutor já conseguira um milagre: Fazê-lo rir. 
Agora, certamente o caminho estava aberto à efetiva consulta!
Chica, 66 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil 

Regresso
Safara-se bem na vida. Conseguira ser um dos melhores na sua área. Agora, que a dificuldade de andar se acentuava, estava da hora de descansar. Chegara o momento por que esperara toda uma vida. Reencontrar a outra parte de si, que deixara para trás.
Leu, com dificuldade, a morada eternizada num pedaço de papel que a emoção molhara, baralhando as letras.
Receoso bateu à porta. Quando se abriu, sorriu e disse:
– É uma honra conhecer-te meu filho.
Quita Miguel, 55 anos, Cascais

Tradução da saudade
Há muito não sabia o sabor de estar em casa, cama arrumadinha, toalha de banho cheirosa, janelas escancaradas, o aroma logo cedo do orvalho na grama do jardim. Se fechasse os olhos facilmente sentiria o gostoso olor de frutas vindas do pomar. E as cores?
Isso é saudade.
Porém nada mais representativo naquela volta, que a imagem:
Porta entreaberta, cheirinho do feijão no fogo exalando, feito na panela de barro, como que chamando:
“Venha cá, ó Freitas...”
Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Carateres inchados pelo líquido e calor boiavam em redor. Um mar de letras, tanto minúsculas como maiúsculas.
Olhos curiosos olharam para as sílabas e acrónicos que flutuaram à flor desta charada. Ninguém soube o que explicar. Mesmo o conselho do vizinho tipógrafo nem do literato puderam elucidar o enigma. Então, o logogrifo maior que a escrita cuneiforme foi esclarecida pela cozinheira
"Aha, Senhores! Espero que não venham de garfos porque hoje é dia de sopa de letras."
Theo De Bakkere, 62 Anos, Antuérpia, Bélgica

O sol já despontara e Mariana acordara cedo como de costume, mas naquela manhã sentia-se um pouco abatida! Necessitava de ajuda para se arranjar, porque a idade não perdoava, e não vislumbrava ninguém! Dirigiu-se para o toilete e, conforme pôde, aprontou-se. Ao sair, viu o mordomo que passava e disse-lhe:
– Venha cá, ó Freitas!
– Que deseja, senhora? – respondeu ele submisso.
– Ajudas-me a descer?
– Por quem é, senhora!
E dando-lhe o braço gentilmente, encaminhou-a para tomar o café!
Emília Simões, 63 anos, Algueirão-Mem-Martins

Vem comigo!
Nusé escrevia com entusiasmo. No entanto, sentia as palavras a surgirem a contragosto dos sentimentos; ou seria estes a fugirem das palavras; com letras a emaranharem nas emoções que se negam a si mesmas, refugiando-se no avesso das frases? Iludindo-se da realidade. Queria escrever sim, surgia o não. 
Ó! Tão simples, estender o braço, a mão aberta e dizer: – Vem comigo!
A felicidade a transbordar do olhar terno, apaixonado, e do riso escancarado de vida e alegria.
Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 51 anos, Coimbra

Um aviso
Freitas voltava com os amigos de uma balada.
Todos haviam bebido muito.
O carro "voava"
O funk estava no último volume.
Freitas bate de frente com um táxi.
Os ocupantes ficaram levemente feridos.
Freitas ficou preso às ferragens.
O socorro logo chega.
E Freitas delirando pensa ter visto uma placa de alerta que dizia:
VEM CÁ, Ó FREITAS
Freitas não se lembra de mais nada e só acorda já na maca do
pronto socorro.
Estava vivo.
Ufa!!!
Verena Niederberger, 64 anos, Rio de Janeiro, Brasil

Venha cá, ó Freitas
Um dia passei num armazém e me dirigi ao atendente conhecido de toda vizinhança:
– Venha cá, ó Freitas! Pode me ajudar a comprar um belo tecido, pois preciso dar um presente à uma amiga?
Ele prontamente me atendeu com ânimo, como era o seu costume. 
Me contemplou a forma como ele, pacientemente, me atendeu e saí do local bem feliz.
Tenho certeza que a amiga irá ficar feliz. 
Quer coisa melhor do que mimar os amigos, queridas? 
Rosélia Bezerra, 60 anos, Rio de Janeiro, Brasil

Freitas, meu amigo Freitas
Lá junto da peixaria,
Vivia o meu modesto amigo.
Freitas, meu amigo Freitas,
Posso partilhar esta história consigo?

O Freitas já era muito velhote,
Gostava de me contar histórias.
Na verdade, queria é desabafar,
Contando as suas antigas memórias!

Ganhava prémios de poesia,
Na sua antiga escola,
Oferecia-me sempre biscoitos,
Da sua guedelhuda sacola.

Andava a coxear,
Já ali na peixaria,
Como eu gosto do Freitas,
Venha cá, Freitas, meu avô, minha alegria!
Maria Leonor Moura, 11 anos, Santa Maria da Feira

O Ó 
O ó estava
bastante desenvolvido.
Olhou para si divertido.
Sorriu convencido.
Acudiu-lhe ao pensamento,
livre e alegre, uma bola.
Sim, parecia uma bola,
daquelas de futebol.
Resolveu pinchar, com vigor.
De tal forma, o fez, que causou,
à sua volta,
uma grande confusão.
Que excitação!
Uns para cima,
outros para baixo
e todos em cadenciado movimento.
Que bela dança!
Então o V subiu.
E o que viu?
O vento, lá fora, soprava
bastante forte, rodopiante, bem frio.
Ana Teresa Gomes da Silva, 60 anos, Vila Nova de Gaia

O prémio: Viagem ao Brasil! Só a ideia lhe fazia acelerar o coração. Bastava escrever um texto, o melhor ganharia.
A folha branca, a bic azul, era tudo o que precisava. Mas as palavras atropelavam-se todas. Angustiado, amarrotou o papel. Saiu. O frio sacudiu-lhe a alma, sombras do passado trouxeram-lhe sensações, espicaçaram-lhe a imaginação. A noite já ia alta quando acabou de escrever.
Voltava do trabalho quando alguém o chamou: «Freitas, venha cá!» Voltou-se. O Professor sorria-lhe...
Isabel Lopo, 68 anos, Lisboa

Assunto resolvido
Soprava um vento forte, nordeste. As letras do painel, que encimava a entrada da livraria, desordenaram-se.
O estabelecimento do sr. Freitas viu-se sem identificação. 
Impensável. Todos sabem, não se vive sem palavras e as palavras não se constroem sem letras.
O neto do sr. pensou, se as letras tinham mudado de posição, os livros deviam fazer o mesmo.    
Apanhou o avô distraído, colocou os livros em posição inversa.
Logo, para ler títulos, era só fazer o mesmo!
Rosélia Palminha, 66 anos, Pinhal Novo

Letras e palavras
Neste emaranhado de letras, que se agruparam e formaram palavras
Venho-lhes agradecer pois ajudaram-me a encontrar o meu amigo Freitas
Vem cá, ó Freitas. Então tu não sabes que metade do alfabeto anda à tua procura?
Eu bem te disse que as letras não são para brincadeira. É que elas são tão importantes que fazem rir, e fazem chorar, e até se zangam, quando não lhe prestamos atenção. Amigo Freitas! Dá cá um abração, amigo do coração.
Maria Silvéria dos Mártires, 68 anos, Lisboa

Isto é que é uma vida! Uma pessoa desgasta-se e a malvada não me atende o telefone! Vou escrever-lhe.
Olha lá, ó rapariga, por onde andas? Andas a passear o cão, vais ao cabeleireiro... Aproveita o sol, mas ó caramba, diz qualquer coisa. Não me digas que não tens tempo para dar notícias! És uma ingrata...
Laurentina, poupa-me... Agarra numa esferográfica e diz alguma coisa!
Eu já gastei as letras todas! ‘Tás a perceber? Estou-me nas tintas!
Leonor Costa, 73 anos, Lisboa

A estante pareceu-lhe diferente. Situada lá no alto, raramente a olhava mas, naquele dia, algo lhe atraiu a atenção. Abriu todos os livros e deparou-se com páginas níveas, sem uma palavra que lhes maculasse a brancura. Todas tinham fugido. Não conseguiam mais continuar presas sem ninguém que as lesse. Tinham histórias, tinham ideias, queriam espalhá-las. O livreiro Freitas ainda conseguiu vislumbrar algumas que se escapavam pela frincha da porta, num bailado estonteante, como que a desafiá-lo. Apanhas-nos?
Ana Paula Oliveira, 54 anos, S. João da Madeira

Ó Sr. Freitas... venha cá! – gritou um homem robusto de barba serrada e de grande bigode revirado. Freitas olhou, observando a figura.
Consta que ficou muita coisa por dizer... e fazer!
O homem olhou... olhos nos olhos e disse:
– Vamos fazer o que ainda não foi feito.
Freitas ficou surpreendido, mas também assustado.
– Temos uma reunião marcada, estamos a contar com a sua presença.
Freitas sentiu-se inquieto, não sabia o que dizer... estavam a decidir por ele.
Prazeres Sousa, 51 anos, Lisboa

Venha cá ó Freitas
Carimbadela aqui e acolá, zás pás trás, zás trás pás, voam os impressos em ritmo rápido e cadenciado a preto e branco. O Pedro apanhou-lhe o jeito e agora não quer outra coisa. As folhas evolam-se em danças retorcidas de letras alacres e travessas e números a preceito que sisudos e grandes metem respeito. Salta um til aqui com ponto vermelho e o traço de uma soma dá-lhe um galanteio.
– Venha cá, ó Freitas.
Acaba-lhe o sonho.
Palmira Alvor Figueiredo, 51 anos, Lisboa

Limite de Paciência 
O dia apresentava-se gris.  Dos três gatos pingados no sombrio escritório, sempre temendo as demandas autoritárias do chefão, quem as pagava todas era o infeliz do Freitas.    Faça isto, faça aquilo, olhe não faça nada que fica tudo mal feito...
O Freitas estava farto e na disposição de terminar o fadário.
À voz cava do ditadorzeco: Ó Freitas, venha cá!... desaustinou porta fora ultrapassando a barreira do som, dele mais não se sabendo até à presente data.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 70 anos, Lisboa

Uma frase sonante
Acordei um pouco Frik e deu-me para fazer desafios em 77 palavras. Precisava de uma frase sonante, que teimava em não aparecer. Escolhia palavras, riscava, acrescentava, mas nada de história de lápis e papel.
Quase apetecia dizer:
– Ó frase, venha cá!
Tudo cinzento, cinzento com garatujas espalhadas, uns salpicos sem nexo. Se ao menos saísse algo de dentro do boião, aí sim, mágico e azul-escuro. Vai continuar tudo em segredo, sem ir para a floresta.
Alda Gonçalves, 47 anos, Porto

No fundo da rua, existia uma antiga livraria que abria sempre ao nascer do sol e recebia os primeiros clientes com uma pequena melodia de Beethoven. Os livros ficavam radiantes por ouvirem aqueles excertos cheios de vida.
Um dia, o dono deixou o gira-discos ligado toda a noite e, quando amanheceu, os livros estavam caídos, as palavras voavam e dançavam seguindo a música. A porta abriu-se, elas saíram, nunca mais se soube delas.
Terão ido ajudar Beethoven?
Jéssica Barros, 12 anos, Arrifana, Santa Maria da Feira, prof. Ana Paula Oliveira

O quadro
O quadro ocupa a parte central da exposição.
Mas ao olhá-lo, e já o faço há algum tempo, só me vem à memória um programa de rádio onde a  menina, ocasionalmente, lhe sai um «Ó MENDES»!
Por muito que olhe, não consigo imaginar nada mais. Só uma voz que diz «Ó Mendes, cumprimenta os senhores ouvintes», ou «anda cá, ó Mendes!»
E por muito valor que tenha o quadro, o meu «Ó Mendes!» É muito mais valioso.
Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Ordem alfabética
As letras iam de avião à sua festa Anual. Ao entrar, havia sempre confusão porque não conheciam a ordem alfabética.
Subitamente, o avião avariou e começou a cair.
– Abandonar o avião!
A mesma confusão de sempre.
Mas lá conseguiram saltar, cada uma munida de paraquedas, uso obrigatório naquela companhia.
Lá vinham, às cambalhotas, até abrirem os paraquedas.
Mas aterraram em segurança, calhando ficar ordenadas pela ordem do abecedário.
E assim nasceu e ficou oficializada a ordem alfabética.
Domingos Correia, 57 anos, Amarante

– Hoje é o dia da vacina. Já tens a trela. Porta-te bem, Boby: não dói!
Os que eram atendidos saíam com um sorriso, e as suas mascotes felizes!
Era a sua vez:
– A sua caderneta de vacinas. Baixe as calças e deite-se!
Enquanto a enfermeira preparava a seringa, o Boby ladrou. A porta bateu e podia ler-se: "Sala de enfermagem – vacinação de adultos".
– Venha cá. Ó Freitas.
– Onde está o Freitas?... Fugiu com o rabo à seringa!
Faísca Maria, 58 anos, Faro

Sabem o que é um clonado?
Clonado sem o saber!
Foi no século passado.
Nasceu e foi aprender
Numa escola do Estado.

O alfabeto aprendeu,
A tabuada decorou,
Pelas “contas” se perdeu...
Na leitura nunca errou
A família sempre honrou.

Fez tudo sempre certinho,
Da primária à secundária
Por fim veio o canudinho!
Consegue emprego na área
E uma noiva p’lo caminho.

De pasta na mão,
Olhando p’ro chão,
Começam o dia
Com a frustração
Da Monotonia.
Maria Antónia Vitorino, 72 anos, Estremoz

Com franqueza, Francisca Torres, de padinha com a Margarida Fonseca? Isso é imagem que se proponha para um desafio: venha cá, ó Freitas! Quem é ele? Ignorância minha, se calhar devia conhecer… mas, para mim, Freitas era um tipo que nem gosto de me lembrar, quanto mais de me servir dele para escrever. Pronto, esquisitices à parte, apetece-me é pouco aturá-lo… por isso melhor é dizer-lhe já que, por mim, está dispensado. Prefiro os livros da Margarida…
Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Algumas faculdades
Foi-se aproximando o tempo das letras.
Letras,
mirando atalhos,
fixando-se num poente
em que a dor já nem se escreve.
As letras, serpenteando,
indagam o traço de união,
o hífen que as torne palavras,
[onomatopeias servem].
Letras,
que as marcas renovam,
travestindo-as
num ritmo cigano,
entre palmas, sapateado:
grave, agudo ou circunflexo,
cedilha,
“nada se perde…
tudo se varre
pelo tempo fora”.
Sim,
foi chegando a era das letras,
que se engolem,
se ignoram,
em sms efémeras.
Jaime A., 51 anos, Lisboa

Sentia-se confusa. Seus pensamentos o foscados de palavras perdidas…
Presa numa direcção, visualizava letras traçadas por uma linha perpendicular… estavam todas do avesso. Decifrá-las era o mínimo… mas como?!
Observou de cima para baixo, debaixo para cima, e nada!
A sua persistência não levava a desistir, continuava a busca… quase infinita.
Parecia-lhe longe, mas estava perto…! As palavras bailavam, flutuavam, encaixavam… seguindo um ritmo certo!
Surgem palavras soltas ao som da Ópera, frases intermitentes lançadas em refrão!
Prazeres Sousa, 52 anos, Lisboa

Venha cá ó Freitas!!! E as letras dançavam através do microfone. Saíam às cambalhotas:  o A, o V, o F, todas numa dança de roda que deixavam toda a gente estonteada.
E o homem da feira em cima do atrelado da carrinha, gritava: Venha cá, ó Freitas!!!
E o Freitas, que se encontrava mesmo no fim do recinto da feira, mesmo, mesmo lá ao fundo, começou a sentir as letras a dançarem-lhe nos ouvidos.  Aquele gajo chama-me???!!!
Zuzu Baleiro, 66 anos, Casa Branca, Sousel

“Ó”, raio de amigas, que não se ralam comigo, cada uma à sua maneira a dizer qualquer asneira! Eu que estou para aqui em pé, toda evidente e direita, fazem-me qualquer desfeita, nem sequer me convidam para um café. Vão, vão-se embora, façam a revolução, já vai sendo hora, de me atirarem um não. “Ó”, que será que fiz, para ser tão infeliz e de ficar tão só? “Ó” talvez por ser tão inchada, sempre ensimesmada?
Constantino Mendes Alves, 57 anos, Leiria

Sr. Freitas  
Conheci, antigamente,
Um cavalheiro galante
Autêntica personagem,
Refinado e brilhante!

Trazia sempre consigo
A caixinha do rapé,
Um lencinho na lapela
E apreciava café!

Possuía asas nos pés
E espírito inventivo,
Fazia um sapateado,
Altamente criativo!

Dançava na perfeição,
Ao ritmo da melodia,
Romântico, sonhador,
Embalava a fantasia!

E em noites de luar
Estremeciam donzelas,
Tocando-lhe ao coração
As serenatas mais belas!

Inventava piruetas,
Sendo homem às direitas,
E, assim, todos pediam:
Venha cá, ó Sr. Freitas
Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Sempre que eu pegava no meu diário, a Freitas entrava para me ver redigir pois adorava as caretas que eu fazia.
Certo dia, veio até mim e roubou-me o diário. Saiu a correr com tanta pressa que deixou a porta aberta. O vento que lá entrou arrepiou-me completamente.
-Venha cá, Freitas!
Ainda gritei, mas foi sem sucesso. Aquela mulher sempre me disse que eu já não tinha idade para diários mas adorava ler o que eu escrevia.
Catarina Moreira, 13 anos, Arrifana, Santa Maria da Feira, prof Ana Paula Oliveira

Era um aldrabão nato. E sabia tirar partido disso, pois enganava quem quer que fosse.
Tanta gente enganou, que um dia, um que se julgava mais esperto
resolveu pagar-lhe na mesma moeda.
Dizia-se amigo dele, e a quem devia uma certa quantia de dinheiro.
Muito aprumado, de cigarro na boca, subia a rua descontraído,
quando ouviu chamar.
Voltou-se e deparou-se com uma das suas vítimas, e apressou-se a dizer.
Olhe que eu sou o gémeo do Freitas.
Natalina Marques, 56 anos, Palmela

O Freitas e o amigo
O amigo do Freitas tinha a mania de fazer-se passar pelo Freitas. Este, quando sabia disso, fazia o pino, de mãos no teto da casa, diziam os vizinhos de cima.
O Freitas dava uma cambalhota, tocava com os dois pés no teto e ficava com as pernas no ar, e mãos no chão.
A senhora do rés do chão dizia: “Anda cá, ó Freitas”, à espera de o ver descer as escadas com as mãos.
Que espere!
Marina Delgado, 51 anos, Pucariça, Abrantes

Já não entendo. Primeiro as flores. Depois a carta. Sempre tudo anónimo. Sem qualquer identificação. Querias mesmo enlouquecer-me. E quase conseguiste. Mas, consegui aguentar. Agora, digo chega! Pára os jogos! Manipuladores, infantis, doentios. Fui mais uma. Acreditei em ti. Era tudo mentira. És um falso. Mentes sem pensar. Pensas em continuar. Não tens vergonha!? Sempre foste assim. Um autêntico verme. Mas, vou desistir. Não consegues mudar. Ou não queres. Tenta uma vez. Não será fácil. Mas, tenta.
Sara Catarina Almeida Simões, 28 anos, Coimbra

― Amor, naquele quadro proclamaram o meu nome com uma ordem "Venha cá, ó Freitas ". Mas as letras estão ligeiramente distorcidas.
― Querido, o que estás a ver prova que fazes parte do universo masculino, egocêntrico, vê tudo à volta de si mesmo. A ordenação das letras é uma mera casualidade. Estás a ver muitíssimo bem, não precisas de mudar de óculos. A distorção das letras comprova que não podes beber álcool antes de vir fazer testes de visão.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto 

Não com gosto de sim

Não, quisera poder dizer o contrário, não mais ficar só remoendo vontades.
Não: pequenas letras, poucas, ínfimas...
Não: efeito devastador, diante da negação do amor.
Não dizer não, nunca o não, quando o sim vem em cascatas, saboroso derramamento, ainda que irreal e efêmero.
Não sei se por mais vezes, não, direi, pois cada não que te dei, um pedaço de mim retirei.
Não que foi sim, não com o gosto do querer, não sei não saber...

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

O combate

Ofuscada pelo espanto caminhou azamboada.
Maldita sorte, o perigo escondido continuava a manter-se silencioso, obscuro.
Perderia este combate? A misteriosa sombra ocupava pontos estratégicos, conquistando a mansarda.
Serenou o pensamento e continuou atenta.
Mau seria, o possante estupor, como alienígena, manipular sem oposição.
Ponderou estratégias, com atrevimento moveu-se serpenteando.
Os portões estavam completamente abertos, mostrando saídas.
Olhou pausadamente, estava consciente, arriscou, mas seguiu o plano.
Escutava cada aproximação, mantendo sempre o perímetro estabelecido.
Circulou a maroteira, suspirou…

Goretti Pina, 53 anos, Odivelas

Desafio nº 82 – letras impostas por ordem O P E C A M S

Desvendada pelo tempo

Admirava-a! Confiava nela! Aparentava uma generosidade e integridade implacáveis e pensava unir-nos uma amizade incondicional e sem juízos de valor com respeito pelas diferenças que caracterizavam cada uma de nós. Mas o tempo foi desvendando o seu verdadeiro eu! Os meus olhos choravam perante a perceção da maldade gratuita e da inveja silenciosa. Presenteava-me com comentários destruidores e gratificava-se com o meu sofrimento que a elevava ao trono real. Desolava-me assistir ao nada em que se transformara.

Fátima Fradique, 40 anos, Fundão

Desafio nº 74 – nada em que se transformara

Regresso

Safara-se bem na vida. Conseguira ser um dos melhores na sua área. Agora, que a dificuldade de
andar se acentuava, estava da hora de descansar. Chegara o momento por que esperara toda uma vida. Reencontrar a outra parte de si, que deixara para trás.
Leu, com dificuldade, a morada eternizada num pedaço de papel que a emoção molhara, baralhando as letras.
Receoso bateu à porta. Quando se abriu, sorriu e disse:
– É uma honra conhecer-te meu filho.

Quita Miguel, 55 anos, Cascais

Desafio nº 83 – texto sobre imagem de Francisca Torres

Venha cá!

Freitas, teimoso, rabugento.

Inventava sempre desculpas para fugir de médicos.
Maria, a filha, quase a reboque, o levou ao oculista.
Carrancudo, sentou-se diante do doutor, que já o conhecia!
Esse, ao invés do tradicional quadrinho de letrinhas, lhe fez ler o quadro abaixo.
Com dificuldade foi soletrando. Ao juntar as letras, entende o “chamado” nele contido. Começou a dar risadas. 
O doutor já conseguira um milagre: Fazê-lo rir. 
Agora, certamente o caminho estava aberto à efetiva consulta!

Chica, 66 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil 

Desafio nº 83 – texto sobre imagem de Francisca Torres

Desafio nº 83

Olá a todos!
Depois da grande maldade que vos fiz no desafio passado, aqui vai um mais “livre”.


Que história vos surge a partir desta imagem?

Deixarei aqui a minha mais tarde… J

Ilustração de Francisca Torres
EXEMPLOS

29 janeiro 2015

Programa Rádio Sim 436 – 29 Janeiro 2015

OUVIR o programa! 

No site da Rádio Sim



Imaginar o possível e o impossível
Nada mais fácil do que sonhar. Imaginar o possível e o impossível.
Gosto de me viciar nos sonhos e de viajar para outros lugares.
Às vezes, penso em certas pessoas que não sonham e lamento, é como se não vivessem!
Temos o desejo de realizar todos os sonhos bons que sonhamos e isso é o mais complicado. Mas faz-nos bem, faz-nos felizes. O pior é quando desistimos no frente-a-frente com o primeiro obstáculo. Afinal… nada mais difícil!

Catarina Moreira, 12 anos, Escola Básica de Arrifana, Santa Maria da Feira, prof Ana Paula Oliveira
Desafio RS nº 19 – começando em Nada mais fácil e terminando em Nada mais difícil

Títulos Avulsos

O Paulino era cordial, amistoso, mas sensaborão.
Os possíveis ecossistemas conquistam as multidões sábias.
Olhando para  estrelas com alma, mantém-se serenidade.
O Pancrácio esperto, cabeçudo, aldabrão, manifesta-se sempre.
Outorgando passos em contradança, alcançam-se magníficas sequências.
Oh para ela com ajustadas madeixas sarapintadas!
O palavreado encanta completamente abrangendo metódica semântica.
O pintor é certamente atento, maravilhado, sublime.
Orlando Pingalim é comilão, astuto, madraço, sabichão.
Omitindo por estultícia, conseguiu aquele mandrião sumir-se.
O pior é comer a mais sofregamente.

Elisabeth Oliveira Janeiro, 70 anos, Lisboa

Desafio nº 82 – letras impostas por ordem O P E C A M S

28 janeiro 2015

Programa Rádio Sim 435 – 28 Janeiro 2015

OUVIR o programa! 

No site da Rádio Sim


O Processo Esfumara-se. Carlos Adivinhava, Matutando, Ser Obviamente Perseguido. Esperou, Com Algum Medo, Seus Opositores. Porém, Espantou-se. Carlota, Antes Melosa, Submissa, Obrigara Perseguidores E Caluniadores A Mandarem Suas Opiniões Para Estações Com Audiência Meritória. Seguidamente, O País, Estarrecido, Crucificou-o, Alegando Maldade, Superioridade. O Processo Estava Calcinando A Merecida Sentença: O Pecador Encararia, Claro, Arrestos Maiores Sobre O Património. E Castigar-se-ia A Malfeitoria. Sem Oferecer Perdão, Entregavam Carlos. Aceitou, Mudou, Sem Oposição. Perdera, Efectivamente. Carlos, Agora Matutava Sozinho.

Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa
Desafio nº 82 – letras impostas por ordem O P E C A M S


27 janeiro 2015

Programa Rádio Sim 434 – 27 Janeiro 2015

OUVIR o programa! 

No site da Rádio Sim



História de uma vida
Ser Feliz foi tudo o que eu  quis sempre ser

A vida mudou para mim,
O passado ficou para esquecer.
Para se ser feliz tem que ser assim,
Temos que lutar para não sofrer.

Novos objectivos eu encontrei.
Cada dia estou mais maravilhada
Por novas artes me apaixonei
Uma vida nova abençoada.  

Vou viver esta vida com gosto
E não pensar no atrasado
Vai ser rei morto rei posto
Fica o passado enterrado.

Madalena Bilro, 55 anos, Arcos, Alentejo, Academia Sénior, prof Zuzu Baleiro
Desafio nº 2 – “Sempre quis ser uma história”, palavras obrigatórias por ordem inversa