30 janeiro 2015

Programa Rádio Sim 437 – 30 Janeiro 2015

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Galinheiro
Galaró era FAMOSO
por ser o mais PERIGOSO
do galinheiro Real.
As galinhas TEMEROSAS
andavam sempre CHEIROSAS
à espera de lhe agradar.
Eis que surge um rival
mais FORMOSO e CARINHOSO
que o vem desafiar...
Galaró ficou FURIOSO:
«Que quer aquele PAVOROSO
aqui do meu galinheiro?»
Chamou a ESPOSA primeiro,
depois todo o seu harém:
«PIROSAS, não quero ninguém,
dando PROSA àquele GULOSO!»
O Rival era ORGULHOSO,
deixou-o bem depenado,
e o Galaró VAIDOSO
foi-se embora despeitado....

Isabel Lopo, 68 anos, Lisboa
Desafio RS nº 20 – 14 palavras acabadas em -oso, -osa

Indagações

Perguntas-me sobre o sol, que acalora, do brilho que dele vem,
Nem sei dizer, mas se me queres saber, perguntas-me da chuva,
Conto do cinza que amarga o olhar, se perguntas-me, vou falar.
Perguntas-me do dia branco, mas é hora vazia que sei explicar...
Sei dizer do verbo que faz viver, se perguntas-me, irei dizer...
E de querer imensamente? Perguntas-me assim com esses olhos a falar...
Então respondo: Perguntas-me: como posso viver mais que segundos sem respirar?

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Desafio RS nº 11 – 7 frases de 11 palavras, sempre com uma palavra repetida

Excelente a matemática!

A Maria estava em êxtase. Excelente a matemática! Ligou à mãe a dar-lhe a notícia e aproveitou para lhe pedir que a levasse a lanchar. Não queria ir para casa da avó. O cheiro a humidade chegava-lhe ao estômago antes de passar pelo nariz. Dava-lhe vómitos. Naquele dia não! Aquele dia era especial! Não era todos os dias que se saía bem a matemática! Merecia uma tarde diferente! Guardou a chave do cacifo e despediu-se de todos.

Fátima Fradique, 40 anos, Fundão

Desafio RS nº 8 – juntar cacifo, cheiro a humidade e êxtase

Não com gosto de sim

Não, quisera poder dizer o contrário, não mais ficar só remoendo vontades.
Não: pequenas letras, poucas, ínfimas...
Não: efeito devastador, diante da negação do amor.
Não dizer não, nunca o não, quando o sim vem em cascatas, saboroso derramamento, ainda que irreal e efêmero.
Não sei se por mais vezes, não, direi, pois cada não que te dei, um pedaço de mim retirei.
Não que foi sim, não com o gosto do querer, não sei não saber...

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

O combate

Ofuscada pelo espanto caminhou azamboada.
Maldita sorte, o perigo escondido continuava a manter-se silencioso, obscuro.
Perderia este combate? A misteriosa sombra ocupava pontos estratégicos, conquistando a mansarda.
Serenou o pensamento e continuou atenta.
Mau seria, o possante estupor, como alienígena, manipular sem oposição.
Ponderou estratégias, com atrevimento moveu-se serpenteando.
Os portões estavam completamente abertos, mostrando saídas.
Olhou pausadamente, estava consciente, arriscou, mas seguiu o plano.
Escutava cada aproximação, mantendo sempre o perímetro estabelecido.
Circulou a maroteira, suspirou…

Goretti Pina, 53 anos, Odivelas

Desafio nº 82 – letras impostas por ordem O P E C A M S

Desvendada pelo tempo

Admirava-a! Confiava nela! Aparentava uma generosidade e integridade implacáveis e pensava unir-nos uma amizade incondicional e sem juízos de valor com respeito pelas diferenças que caracterizavam cada uma de nós. Mas o tempo foi desvendando o seu verdadeiro eu! Os meus olhos choravam perante a perceção da maldade gratuita e da inveja silenciosa. Presenteava-me com comentários destruidores e gratificava-se com o meu sofrimento que a elevava ao trono real. Desolava-me assistir ao nada em que se transformara.

Fátima Fradique, 40 anos, Fundão

Desafio nº 74 – nada em que se transformara

Regresso

Safara-se bem na vida. Conseguira ser um dos melhores na sua área. Agora, que a dificuldade de
andar se acentuava, estava da hora de descansar. Chegara o momento por que esperara toda uma vida. Reencontrar a outra parte de si, que deixara para trás.
Leu, com dificuldade, a morada eternizada num pedaço de papel que a emoção molhara, baralhando as letras.
Receoso bateu à porta. Quando se abriu, sorriu e disse:
– É uma honra conhecer-te meu filho.

Quita Miguel, 55 anos, Cascais

Desafio nº 83 – texto sobre imagem de Francisca Torres

Venha cá!

Freitas, teimoso, rabugento.

Inventava sempre desculpas para fugir de médicos.
Maria, a filha, quase a reboque, o levou ao oculista.
Carrancudo, sentou-se diante do doutor, que já o conhecia!
Esse, ao invés do tradicional quadrinho de letrinhas, lhe fez ler o quadro abaixo.
Com dificuldade foi soletrando. Ao juntar as letras, entende o “chamado” nele contido. Começou a dar risadas. 
O doutor já conseguira um milagre: Fazê-lo rir. 
Agora, certamente o caminho estava aberto à efetiva consulta!

Chica, 66 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil 

Desafio nº 83 – texto sobre imagem de Francisca Torres

Desafio nº 83

Olá a todos!
Depois da grande maldade que vos fiz no desafio passado, aqui vai um mais “livre”.


Que história vos surge a partir desta imagem?

Deixarei aqui a minha mais tarde… J

Ilustração de Francisca Torres

29 janeiro 2015

Programa Rádio Sim 436 – 29 Janeiro 2015

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Imaginar o possível e o impossível
Nada mais fácil do que sonhar. Imaginar o possível e o impossível.
Gosto de me viciar nos sonhos e de viajar para outros lugares.
Às vezes, penso em certas pessoas que não sonham e lamento, é como se não vivessem!
Temos o desejo de realizar todos os sonhos bons que sonhamos e isso é o mais complicado. Mas faz-nos bem, faz-nos felizes. O pior é quando desistimos no frente-a-frente com o primeiro obstáculo. Afinal… nada mais difícil!

Catarina Moreira, 12 anos, Escola Básica de Arrifana, Santa Maria da Feira, prof Ana Paula Oliveira
Desafio RS nº 19 – começando em Nada mais fácil e terminando em Nada mais difícil

Títulos Avulsos

O Paulino era cordial, amistoso, mas sensaborão.
Os possíveis ecossistemas conquistam as multidões sábias.
Olhando para  estrelas com alma, mantém-se serenidade.
O Pancrácio esperto, cabeçudo, aldabrão, manifesta-se sempre.
Outorgando passos em contradança, alcançam-se magníficas sequências.
Oh para ela com ajustadas madeixas sarapintadas!
O palavreado encanta completamente abrangendo metódica semântica.
O pintor é certamente atento, maravilhado, sublime.
Orlando Pingalim é comilão, astuto, madraço, sabichão.
Omitindo por estultícia, conseguiu aquele mandrião sumir-se.
O pior é comer a mais sofregamente.

Elisabeth Oliveira Janeiro, 70 anos, Lisboa

Desafio nº 82 – letras impostas por ordem O P E C A M S

28 janeiro 2015

Programa Rádio Sim 435 – 28 Janeiro 2015

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O Processo Esfumara-se. Carlos Adivinhava, Matutando, Ser Obviamente Perseguido. Esperou, Com Algum Medo, Seus Opositores. Porém, Espantou-se. Carlota, Antes Melosa, Submissa, Obrigara Perseguidores E Caluniadores A Mandarem Suas Opiniões Para Estações Com Audiência Meritória. Seguidamente, O País, Estarrecido, Crucificou-o, Alegando Maldade, Superioridade. O Processo Estava Calcinando A Merecida Sentença: O Pecador Encararia, Claro, Arrestos Maiores Sobre O Património. E Castigar-se-ia A Malfeitoria. Sem Oferecer Perdão, Entregavam Carlos. Aceitou, Mudou, Sem Oposição. Perdera, Efectivamente. Carlos, Agora Matutava Sozinho.

Margarida Fonseca Santos, 54 anos, Lisboa
Desafio nº 82 – letras impostas por ordem O P E C A M S


27 janeiro 2015

Programa Rádio Sim 434 – 27 Janeiro 2015

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História de uma vida
Ser Feliz foi tudo o que eu  quis sempre ser

A vida mudou para mim,
O passado ficou para esquecer.
Para se ser feliz tem que ser assim,
Temos que lutar para não sofrer.

Novos objectivos eu encontrei.
Cada dia estou mais maravilhada
Por novas artes me apaixonei
Uma vida nova abençoada.  

Vou viver esta vida com gosto
E não pensar no atrasado
Vai ser rei morto rei posto
Fica o passado enterrado.

Madalena Bilro, 55 anos, Arcos, Alentejo, Academia Sénior, prof Zuzu Baleiro
Desafio nº 2 – “Sempre quis ser uma história”, palavras obrigatórias por ordem inversa

Adão

O Pecado Estava Cansado. Andava Muito Só, Ódios Passados.
Eva Calava A Magoa Silenciosa. Onde Poderia Esconder-se?
Corpo Aberto... Maçã Sugerida...

O Pecado Esperava Causar Amor, Matando Serpente.
O Pior Era Cada Árvore, Manhosa, Sempre Onde Passava Eva.

Chamava-se Adão. Mordia Suavemente O Pensamento.

Enumerava Cada Anjo Mutilado Sobre Os Penhascos.
Existir Capturando A Morte.
Soltando Os Pés Entre Cada Abismo.
Mas Sem Os Pés Era Complicado Andar.
Melhor Seria Obedecer.
Palavras Escritas Com As Mãos Sagradas.

Regina Graça, 50 anos, Coimbra

Desafio nº 82 – letras impostas por ordem O P E C A M S

With or without...

Nada mais fácil... Um bem querer assim,
Em poemas e rimas, prosa e verso.
Tudo tão quase sem fim
Céu azul, viajar no mar deserto.

Quão simples tudo se transforma
Se este sentir-afetos é tão certo
Amar, querer bem que abismo contorna.
Ser feliz se faz real e mais perto...

De repente furacão e desatino.
Precipício sem fim, na alma um míssil.
E de ponta cabeça vai o destino
Olhar a vida sem ti, nada mais difícil...

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Desafio RS nº 19 – começando em Nada mais fácil e terminando em Nada mais difícil

Casamento acabado

Olha para este convencido!
A Madame segura o prato encantada com a marca «Sèvres». O prato envaidece-se com ar muito soberbo. Ousa pedir em casamento a melhor saladeira, obra prima entre chinas antigas, marca Supimpa...
O pires encarnado com asas, marcado Sacavém, olha para ele com azedume. Mas, sem outros pergaminhos, é considerado Arte menor.
Silencioso, o pires empurra  com astúcia Marca Sèvres. O prato estatela-se. Cacos antigos mergulham sobre o pavimento envernizado. Casamento acabado, maldito Sacavém!

Isabel Lopo,68 anos, Alentejo

Desafio nº 82 – letras impostas por ordem O P E C A M S

Patrícia

Era uma vez uma menina chamada Patrícia, ela sofria de violência em casa.
Todos os dias nos intervalos, ela não brincava com os alunos. Sentava-se numas escadinhas e olhava para o céu que estava azul-escuro, parecia que o céu estava a sentir a sua grande dor. Patrícia já estava farta de sofrer e decidiu contar à professora o pesadelo, que ela todos os dias vivia.
Desde então, com ajuda da professora Patrícia, nunca mais sofreu de violência

Dialikatou Bah, 7º D, EB2,3 Sophia de Mello Breyner Andresen, Brandoa, Amadora, prof Margarida Matias

(palavras sublinhadas teriam de entrar)

26 janeiro 2015

Programa Rádio Sim 433 – 26 Janeiro 2015

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O meu mundo é pequeno

Luísa Costa Gomes, in Contos Outra vez – “O Pico de Furcht”
Tudo o que é meu, guardo-o fechado num armário pequeno.

Às vezes sinto que o meu mundo é pequeno, tudo como um armário que está num enorme vazio sem se poder mexer, fechado. Tudo o que vi, senti e ouvi não esqueço, guardo-o; tudo o que foi meu será sempre teu, pois neste lugar não tenho onde guardá-lo, é um mar de solidão que queima meu coração. Guardo para sempre o que foi meu, mas tudo  entrego a ti, para o levares contigo para todo o sempre.

Nádia Moreira, 11 anos -  Escola EBS de Pinheiro - Penafiel, prof Arménia Madail
Desafio nº 36 – uma frase de um conto de autor, usando as palavras por ordem inversa

25 janeiro 2015

Maratona

Ontem pensou em correr. Acordou. Mas… sozinho? Oh, porra! Esperava correr acompanhado.
Mesmo sozinho, o percurso esperava calmamente. Alegrou-se. Meteu-se sobre os pés, e começou a marcha, solitário.
Os pés estavam cansados. Acelerou. Manteve sempre o percurso. E, cansado, achou melhor sentar-se onde pudesse. Esperou. Com a música seleccionada, optou por enfrentar, confiante, a maratona. Só o pé esquerdo conseguia aguentar maratonas. Sempre obtivera patamares espectaculares como atleta. Mostrou serenidade; objectivara para esta corrida anular mil segundos.

Orlando Nascimento, 37 anos, Lisboa

Desafio nº 82 – letras impostas por ordem O P E C A M S

Orfeão

Orfeão pintado, és canção amada musicando simplesmente...
Orquestras paulatinamente e ceifas amor marítimo sorridente
Ouves piano e carimbas a música sinfónica
Oh primado encantado... caneta âmbar , mestria solfejica!
Olaria pitoresca e cambraia aveludada? Maresia sinalética?
Oh papiro e canudo azulado! Maré? Sim.
Orquídea perfeita e cálice amoroso, maduro semblante...
Ópera pacífica e criada, ali mesmo, sim.
Objectiva peregrina e caiana? Areia? Maresia selvagem?
Onze palacianas ermidas, cataratas auscultando margaridas silvestres;
Orfeónico períbolo e coerente: assim musicado? Sempre!

Ana Mafalda, 45 anos, Lisboa

Desafio nº 82 – letras impostas por ordem O P E C A M S

A entrevista

Óscar Policarpo esperava calmamente a madre superiora. Óscar pensava entrar como auxiliar mas sentiu-se ofuscar, pensamentos estranhos começavam a movimentar-se. Sentia-se oprimido, pardacento estava com a mente sistematicamente ocupada pensando em como arranjar maior sustentação. 
Os pais estavam constantemente a mandar-lhe salsichas, ovos, paios e coisas assim.
Mães, sempre observando placidamente. E com amor mantêm silenciadas as preocupações e caladas as muitas suposições.
Ouviram-se passos exaustos, certamente a madre superiora. Os passos ecoavam com alguma monotonia sistémica. 

Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 82 – letras impostas por ordem O P E C A M S

Osório

O Perigo Espreita. Capas Amarradas... Maltratadas!
Osório Permanecia Estupefacto... Cumprindo, Angustiado. Ocultava memórias!
O Pensamento  Esperançado Coabitava. Alcançava Mera Sabedoria…!
Mudanças Sombrias, Oscilavam. Prosseguiu Encarcerado... Caminho Ambíguo.
Medos Sincronizados, Opera Princípios Estratégicos. Coragem Apaziguada, Saciada...!
Osório Procura Esconder Cicatrizes Acentuadas. Mantendo-se Sorridente!
Omitindo Palavras Emaranhadas. Calmo... Amistoso, Mantinha Sua Opinião.
Prudência Existente. Caminhava Assim, Observando, Matutando... Sentindo!
Os Passos Eram Convictos! Arrepiante Manuscrito, Secreto.
Osório Pára. Expandindo, Consegue Mistificar… Simplificando O Prefácio!
Espera Conseguir Amadurecer Manifestando Segurança!

Prazeres Sousa, 51 anos, Lisboa

Desafio nº 82 – letras impostas por ordem O P E C A M S

Beatriz

Perguntas-me se sou feliz, se gosto de viver, se quero voar.
Perguntas-me que espero da vida, se nada me satisfaz na plenitude.
Perguntas-me como anseio uma vida farta perante tamanhas insatisfações sem justificação.
Perguntas-me como pretendo uma vida de amor se de tudo fujo.
Perguntas-me o que a vida não me dá que tanto ambiciono.
Perguntas-me sempre o que preciso para ter uma vida de sonho.
Perguntas-me o que me faz sorrir e eu digo-te: a BEATRIZ. 

Fátima Fradique, 40 anos, Fundão
Desafio RS nº 11 – 7 frases de 11 palavras, sempre com uma palavra repetida


Biografia esquisita

Guilherme, filho da Glória e do Gonçalo (este morto na guilhotina na Guiné), tocava guitarra e dirigia gôndolas em Veneza. Costuma alimentar gaivotas, tinha um gato e um gorila numa gaiola, pois adorava animais. Grande jogador de gamão, criador do Google, gosta de beber galões e comer gomas, gagueja quando o Guimarães marca golo, coleciona embalagens Garnier, grava gravuras sobre a guerra e grelha gambas, achando giro ver crianças a gatinhar; andava no ginásio porque era gordo.

Ana Cristina Jorge, nº2, do 12ºLH2, 17 anos, Escola Secundária José Saramago, Mafra, prof. Maria Teresa Simões

Desafio nº 57 – palavras começadas por G em todo o texto, estando entre cada palavra com G, poderá haver até três palavras livres

Moer solidões

Os pardais espreguiçavam-se cansados.
A madrugada solta, odorífera, purpurava estradas.
Comungo a maravilha solitária.
Oiço. Perco-me. Encanto-me. Consumo-me. 
A música senta-se ostensivamente.
Penso em canais. Ama-se mais serenamente onde perdemos escadas compridas.
Assusta muito saber o preço entre caminhos.
Antes morrer sonhando.
Onde perdemos espinhos conhecemos abraços. 
Melhor sorte onde pecados existem. Com armaduras magoas, sabes?
Olvida passados estranhos! Corre atrás! Mesmo sofrendo.
O pior é cansarmo-nos antes. Morre-se seco.
Orgulhosamente preso entre consensos.
A moer solidões.

Jorgete Teixeira, 65 anos, Barreiro
Desafio nº 82 – letras impostas por ordem O P E C A M S


João

O João tem amigos. Um deles chama-se Henrique. Ele namora a Leonor. Certo dia Leonor chamou-o. Ela disse-lhe “amo-te muito”. Ele desgostou da notícia. Razão… gostava de outra. Essa outra era Sónia. Sónia, irmã de João. João não sabia disto. Henrique tinha um problema. Não sabia como resolvê-lo. Falou com sua mãe. Esta disse: Conta tudo! Aí vais sentir-te livre. Ele assim o fez. João ficou muito magoado. Henrique sentiu-se má pessoa. Separou-se da Leonor. Leonor suicidou-se.

Ana Cristina Jorge, nº2, do 12ºLH2, 17 anos, Escola Secundária José Saramago, Mafra, prof. Maria Teresa Simões

Desafio RS nº 12 – texto em prosa com frases de 4 palavras

Não harmonia, ausência de paz

Não estando pacificada, fatalmente ficarei não integrada.
O que poderia me deixar não ajustada e sujeita a todo tipo de intempérie possível com mais facilidade.
Não me equilibrando, não me sinto disposta e não alivio o meu coração.
Não me autoconhecendo, não trabalho o meu eu real.
Não fazendo esforço para me polir, não é possível eu me render às minhas sombras e virtudes,  não deixando-as conflitarem.
Por isso estou aprendendo a dizer: não, não não!

Rosélia Bezerra, 60 anos, Rio de Janeiro
Publicado aqui:

Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

Ludmila e Abdul

Ludmilda Faneca escorregou num pedaço de gelo deixado pela mãe, batendo com a cabeça no cimento. Quando acordou encontrou uma lamparina e decidiu esfregá-la; de lá saiu um génio. Ela pediu-lhe para encontrar o seu querido amor. Mas o estafermo do génio disse-lhe que para isso teria de viver toda a vida num país com um regime opressivo, como a Arábia. Lá, encontrou o Abdul que adorava unhas bonitas; ela percebeu que a sua vocação seria manicura.

Ana Cristina Jorge, nº2, do 12ºLH2, 17 anos, Escola Secundária José Saramago, Mafra, prof. Maria Teresa Simões

Desafio RS nº 17 – Ludmila Faneca

Ulisses e o teatro (parte 2)

Cresceram, aprenderam e conheceram-se. Na secundária onde estudaram. Desde então tornaram-se inseparáveis. Passou a haver dois. Ulisses estes que atuaram. Criaram novas histórias criativas. Representaram outras da vida. Esta trouxe-lhe sucesso teatral. E na vida pessoal. Pessoal nunca lhes faltou. Era sempre sala cheia. Subitamente, puf, bancada cai. Foram processados e fecharam. Durante dois meses pararam. Mas voltaram, com histórias. Novas e emocionantes histórias. Levaram-nas pela vida fora. Viva a vida! Força Ulisses!

Tiago Fiúza, nº 29, 12º CT6, 17 anos, Escola Secundária José Saramago, Mafra, prof. Maria Teresa Simões
Desafio RS nº 12 – texto em prosa com frases de 4 palavras


Uma senhora tramada

A inspiração é uma senhora muito tramada. É, é... Só vem quando quer e se quiser. Hoje, deixou-me. Penso e repenso e ela sem vir.
– Onde estás?
Canso-me de a chamar e de apelar. E nada! "Estou à tua espera”, digo em pensamento. Aguardo esperançosa. Uma palavra daqui, junto a outra dali. Nada lógico! Estou farta de aguardar, sinto tudo oco. Ó Deus! Preciso urgentemente livrar minha mente da dor. Não consigo!
Desisto, vamos a outro desafio.


Fátima Fradique, 40 anos, Fundão
Desafio nº 75 – frases de 7 e 2 palavras.

Ulisses e o teatro

É sempre igual anualmente. A tradição é mantida. A saga do “crescer”. Que se irá manter. Até o Ulisses desaparecer. Ele é o protagonista. E nós os espetadores. Que linda peça teatral! Que é exatamente anual.
Tens a mesma idade! Nasceste no mesmo dia! Vais com a tia. Desde os cinco anos. Sempre adoraste ouvi-lo falar. Deste um grande pulo! Aos dez, como ele. Um dia cruzaram-se escolarmente. Agora dorme, Ulisses. Até amanhã.

Tiago Fiúza, nº 29, 12º CT6, 17 anos, Escola Secundária José Saramago, Mafra, prof. Maria Teresa Simões

Desafio RS nº 12 – texto em prosa com frases de 4 palavras

24 janeiro 2015

O perdão

O pedido é curioso; abarca muito saber.
O problema estranho, caricato, assombra momentaneamente, sobremaneira.
O possível encontro com atrofiante moderação sorna.
O provável eterno cansaço assola mordaz, sub-repticiamente.
O perigoso embrulhado caminho alonga-se mortífero, sufocante.
O pensamento enublado corre, abafa, molestando sonhos. 
O pesadelo eterno começa acenando miríades sorrateiras. 
O pior castigo enrola-se, acode matreiro, sórdido.                                                                     
Outrora perdurara enorme carinho, alento, motivação sonhadora.
O pérfido efémero carácter alastra mundícias sonsas.
O perdão, enfim, consegue amolentar mazelas sufocantes

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 51 anos, Coimbra
Desafio nº 82 – letras impostas por ordem O P E C A M S


Céu de tantas estrelas

Sempre há tempo para quem está em constante atraso. Junto a isso, Julinho parecia não se afinar com o humor, mesmo assim teimou: Era humorista. Chegou e o Ano Nascente já iniciara. Contou umas histórias e sem aplausos optou por fazer algo incomum: Colocou uma peruca, batom, roupas femininas estrambóticas e saiu a bailar e cantar Beyoncé. Não é que foi certo? Ganhou a noite e, sem planejar, achou uma outra profissão! Há céu para infinitas estrelas!

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Desafio nº 81 – Julinho Pitorra, humorista sem graça