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20/09/18

Marta Sousa ― desafio 83


– Vem cá, ó Freitas! – gritou ela de dentro do prédio. Gritava muito mais, dizia-lhe tarefas para fazer. Ela pensava que ele estava ali para a ajudar nas mudanças e remodelações. Contrariado foi e seguiu-a a andar para um lado e para outro e a dizer coisas que era necessário fazer. Ele nada anotava. Quando ela se calou, ele apenas disse:
– Vim só entregar esta carta que estava na minha caixa de correio.
– Ah! – disse constrangida. – Obrigada.
Marta Sousa, 32 anos, Barreiro
Desafio nº 83 – texto sobre imagem de Francisca Torres

22/02/18

Elsa Alves ― desafio 83


Precárias palavras leva-as o vento, arrastando-as pela folha de papel. E a madeira do quarto alimenta o caruncho... Só algumas sílabas mudas procuram abrigo, mas não há timoneiro, nem aventuras. Só obstáculos e muitas  maçadas (tantas faturas por pagar, o lixo para deitar no contentor). Tão diferente a maré interior que nos insidia em viagens sem rumo... Não há regras milagrosas, apenas frágeis suspiros, solidões rasgadas na noite, o medo que espera, esse acreditar num sucesso. Chegará?
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca Xira
Desafio nº 83 – texto sobre imagem de Francisca Torres


07/08/17

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 51

― Mãezinha, quero pedir a Susana em casamento e vou oferecer-lhe o quadro que pintei. O lagarto significa benevolência, humildade, sabedoria e superioridade ― características que ela possui. Ela é especial, única, é por isso que a amo tanto!
― E porque desenhaste estes pontos azul e vermelho, junto do lagarto?
― O ponto azul representa o céu... é imenso como o meu amor por ela; o vermelho é a cor da paixão!
― Querido ela vai adorar e vai aceitar imediatamente!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio nº 51 – sobre uma imagem de Francisca Torres

15/07/17

Vera Saraiva ― desafio nº 51

Salamandra Salomé é uma lagartixa que tem mais olhos que barriga. Anda sempre à procura da sua próxima refeição. Olha para todos os lados e o que vê? Dois pontinhos, um vermelho e outro azul. Interrogou-se imediatamente sobre o sabor daquele delicioso manjar. Sempre que via uma nova refeição posicionava-se em forma de ponto de interrogação e imaginava o sabor que teria. Só depois é que Salomé experimentava as diversas iguarias que, a muito custo, ia encontrando.
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

Desafio nº 51 – sobre uma imagem de Francisca Torres

04/07/17

António Matos ― desafio nº 51

Não fosse o tom monocromático, fazia lembrar a prima, a salamandra do Parc Guell. Posicionava-se sempre em “S” para não a confundirem, embora sem a última curva, a inferior. Ao milímetro, as patinhas paralelas à cabeça eram a sua imagem de marca. Combatia assim o aspecto alternativo da parente, que tanto atraía as gentes do mundo, dando-se um ar mais pretensioso e sóbrio. Tinha a certeza de que, quando o bom gosto reinasse, seria ela a escolhida.
António Matos, 31 anos, Lisboa

Desafio nº 51 – sobre uma imagem de Francisca Torres

25/07/16

Sardanisca

Sardanisca pintalgada,
O que fazes por aí?
Passeias-te regalada,
Por aqui e por ali!

Sardanisca de patinhas
E rabinho a dar a dar,
Tens o corpo às bolinhas
Fazes «esses» ao andar!

Sardanisca rastejante
Que pausas a respirar…
Tens o olhar penetrante
Porque queres enfeitiçar?

Com a cabeça no ar
E as patinhas no chão,
Manténs firme o teu olhar
À procura da paixão?

És bonita sardanisca,
Na tua pele colorida,
Sardanisca namorisca,
Multiplica a tua vida! 
Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Desafio nº 51 – sobre uma imagem de Francisca Torres

15/04/16

Tenta...

Já não entendo. Primeiro as flores. Depois a carta. Sempre tudo anónimo. Sem qualquer identificação. Querias mesmo enlouquecer-me. E quase conseguiste. Mas, consegui aguentar. Agora, digo chega! Pára os jogos! Manipuladores, infantis, doentios. Fui mais uma. Acreditei em ti. Era tudo mentira. És um falso. Mentes sem pensar. Pensas em continuar. Não tens vergonha!? Sempre foste assim. Um autêntico verme. Mas, vou desistir. Não consegues mudar. Ou não queres. Tenta uma vez. Não será fácil. Mas, tenta.

Sara Catarina Almeida Simões, 28 anos, Coimbra
Desafio nº 83 – texto sobre imagem de Francisca Torres

12/04/16

Gostar

Fazes lembrar-me a história do rei que tinha duas filhas.
Uma feia, a outra era bela. O rei, para casar a feia, deserdou a bela.
A feia ficou rica e infeliz, a bela ficou pobre, mas feliz.
E tu como serás? Por fora és feio, asqueroso, até.
Deixo aqui um ponto de interrogação.
Parecido contigo, mas desenhado ao contrário.
Como as duas filhas do rei.
Com a única diferença.
Não precisas pagar para que gostem de ti.

Natalina Marques, 57 anos, Palmela

Desafio nº 51 – sobre uma imagem de Francisca Torres

13/03/16

Gémeo?

Era um aldrabão nato. E sabia tirar partido disso, pois enganava quem quer que fosse.
Tanta gente enganou, que um dia, um que se julgava mais esperto
resolveu pagar-lhe na mesma moeda.
Dizia-se amigo dele, e a quem devia uma certa quantia de dinheiro.
Muito aprumado, de cigarro na boca, subia a rua descontraído,
quando ouviu chamar.
Voltou-se e deparou-se com uma das suas vítimas, e apressou-se a dizer.
Olhe que eu sou o gémeo do Freitas.

Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Desafio nº 83 – texto sobre imagem de Francisca Torres

05/03/16

Não matem sardaniscas, estou a avisar!

Sou sardanisca. Quando matam uma sardanisca, choramos muito e as lágrimas transformam-se em chuva.
E se for sardanisca rainha choramos muitíííííssimo mais.
Um dia, mataram a rainha.
Chorámos tanto!
Choveu durante quarenta dias e quarenta noites!
– Resultado?
– Dilúvio!
O que valeu foi alguém lembrar-se de construir uma barca onde acolheu outras pessoas e bichos de todas as espécies.
Não matem sardaniscas! Cada sardanisca, um ponto de interrogação. Pode ser rainha. E se for… sabem o resultado… dilúvio!    

Domingos Correia, 58 anos, Amarante
Desafio nº 51 – sobre uma imagem de Francisca Torres


02/03/16

5 anos x 77!!!

Já pensaram? O blogue existe há 5 anos!

São milhares e milhares de histórias,
milhares de amizades, de sorrisos,
de cumplicidade.

Obrigada a todos!

Um beijo enorme a cada um
- sem a vossa ajuda, nada disto
existiria!

Queria deixar uns beijos mais personalizados:
Para a Francisca Torres, porque uso e abuso das imagens que me deu!;
Para a minha querida Paula Pessanha Isidoro, que não se cansa de inventar desafios Escritiva e de desafiar alunos em Salamanca;
Para a Helena Coelho, pois já andamos nisto juntas há muito tempo, estamos quase a comemorar o nosso 3º aniversário do programa na Rádio Sim, agora também com a Inês Carneiro!;
Aos meus queridos marido e filhos, que me aturam sem pestanejar (suspirando, talvez, aí umas 77 vezes de cada vez que corro para publicar as últimas histórias do dia);
Para os participantes regulares (são tantos, tantos!!!), que, mesmo pensando que enlouqueci, nunca fraquejam!;
Para os professores, bibliotecários e educadores que, acreditando nesta forma de trabalhar a escrita, a levam até aos alunos!

29/02/16

Sr. Freitas

Conheci, antigamente,
Um cavalheiro galante
Autêntica personagem,
Refinado e brilhante!

Trazia sempre consigo
A caixinha do rapé,
Um lencinho na lapela
E apreciava café!

Possuía asas nos pés
E espírito inventivo,
Fazia um sapateado,
Altamente criativo!

Dançava na perfeição,
Ao ritmo da melodia,
Romântico, sonhador,
Embalava a fantasia!

E em noites de luar
Estremeciam donzelas,
Tocando-lhe ao coração
As serenatas mais belas!

Inventava piruetas,
Sendo homem às direitas,
E, assim, todos pediam:
Venha cá, ó Sr. Freitas

Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Desafio nº 83 – texto sobre imagem de Francisca Torres

29/10/15

Ver o que não está lá...

Pois podia ser muita coisa... A imagem de Francisca Torres dava aso à imaginação. Sim podia ser um lagarto, amputado com certeza! Fiz-me espelho e vi um ponto de interrogação com uns pés para não cair. Olhem bem para o centro: que belo penteado tem a menina. Arrumadinho para o lado, sem franja ficou melhor! Olhando a imagem vi o nada que lá estava mas a imaginação é isso mesmo! Ver o que ainda não está lá.


Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 51 – sobre uma imagem de Francisca Torres

25/10/15

Que raio...

“Ó”, raio de amigas, que não se ralam comigo, cada uma à sua maneira a dizer qualquer asneira! Eu que estou para aqui em pé, toda evidente e direita, fazem-me qualquer desfeita, nem sequer me convidam para um café. Vão, vão-se embora, façam a revolução, já vai sendo hora, de me atirarem um não. “Ó”, que será que fiz, para ser tão infeliz e de ficar tão só? “Ó” talvez por ser tão inchada, sempre ensimesmada?

Constantino Mendes Alves, 57 anos, Leiria

Desafio nº 83 – texto sobre imagem de Francisca Torres

14/10/15

O recreio das letras

Eis o recreio das letras! As maiúsculas são as educadoras. As letrinhas animadas fizeram um “comboio” guiado pela educadora “V” que tem os braços no ar para a verem melhor. Algumas letrinhas dão cambalhotas e gostam de olhar o recreio às avessas. A educadora “Ó”, redonda, sem pernas, ri-se ao ser arrastada nessas brincadeiras. Alegremente, o menino Freitas que está doentinho, vê do quinto andar, escrito, lá em baixo, a seguinte frase: “Venha cá, ó Freitas”.

Isabel Sousa, 63 anos, Lisboa.

Desafio nº 83 – texto sobre imagem de Francisca Torres

10/09/15

Palavras soltas

Sentia-se confusa. Seus pensamentos o foscados de palavras perdidas…
Presa numa direcção, visualizava letras traçadas por uma linha perpendicular… estavam todas do avesso. Decifrá-las era o mínimo… mas como?!
Observou de cima para baixo, debaixo para cima, e nada!
A sua persistência não levava a desistir, continuava a busca… quase infinita.
Parecia-lhe longe, mas estava perto…! As palavras bailavam, flutuavam, encaixavam… seguindo um ritmo certo!
Surgem palavras soltas ao som da Ópera, frases intermitentes lançadas em refrão!

Prazeres Sousa, 52 anos, Lisboa
Desafio nº 83 – texto sobre imagem de Francisca Torres

09/08/15

Algumas faculdades

Foi-se aproximando o tempo das letras.
Letras,
mirando atalhos,
fixando-se num poente
em que a dor já nem se escreve.

As letras, serpenteando,
indagam o traço de união,
o hífen que as torne palavras,
[onomatopeias servem].
Letras,
que as marcas renovam,
travestindo-as
num ritmo cigano,
entre palmas, sapateado:
grave, agudo ou circunflexo,
cedilha,
“nada se perde…
tudo se varre
pelo tempo fora”.
Sim,
foi chegando a era das letras,
que se engolem,
se ignoram,
em sms efémeras.

Jaime A., 51 anos, Lisboa

Desafio nº 83 – texto sobre imagem de Francisca Torres

21/04/15

Ordem alfabética

As letras iam de avião à sua festa Anual. Ao entrar, havia sempre confusão porque não conheciam a ordem alfabética.
Subitamente, o avião avariou e começou a cair.
– Abandonar o avião!
A mesma confusão de sempre.
Mas lá conseguiram saltar, cada uma munida de paraquedas, uso obrigatório naquela companhia.
Lá vinham, às cambalhotas, até abrirem os paraquedas.
Mas aterraram em segurança, calhando ficar ordenadas pela ordem do abecedário.
E assim nasceu e ficou oficializada a ordem alfabética.

Domingos Correia, 57 anos, Amarante
Desafio nº 83 – texto sobre imagem de Francisca Torres


02/04/15

Dia Internacional do Livro infantil

Uma história em 77 palavras... de há uns anos a esta parte.
Porque a leitura faz voar!

Era uma vida simples de lagarta. Acordar, comer, rastejar, conversar… Vivia entretida no meio das folhas, tinha tudo o que precisava.
Certo dia, quis viver num mundo só seu. Construiu um casulo e isolou-se. Mas não estava triste. Numa cabeça de lagarta, não há tristeza. Assim ficou, imaginando-se linda… Que tonta!
De repente, apeteceu-lhe romper tudo e… voar?! Nova tontice, pensou. As lagartas não voam… Ai não?, perguntou a Natureza. Voam, pois.

E voou, não conseguiu resistir!

Texto: Margarida Fonseca Santos
Ilustração: Francisca Torres

25/02/15

Programa Rádio Sim 455 – 25 Fevereiro 2015


OUVIR o programa! 

No site da Rádio Sim


 Letras e palavras
Neste emaranhado de letras, que se agruparam e formaram palavras
Venho-lhes agradecer pois ajudaram-me a encontrar o meu amigo Freitas
Vem cá, ó Freitas. Então tu não sabes que metade do alfabeto anda à tua procura?
Eu bem te disse que as letras não são para brincadeira. É que elas são tão importantes que fazem rir, e fazem chorar, e até se zangam, quando não lhe prestamos atenção. Amigo Freitas! Dá cá um abração, amigo do coração.

Maria Silvéria dos Mártires, 68 anos, Lisboa
Desafio nº 83 – texto sobre imagem de Francisca Torres