15/10/26

Nomeação para o Prémio ALMA 2027


A autora Margarida Fonseca Santos está nomeada para o prémio literário sueco Astrid Lindgren Memorial Award de 2027.

«Para mim, é uma espécie de milagre, esta nomeação, talvez a melhor que me podia ter acontecido.», afirmou a autora

Dos seus livros destacam-se os da Fábula, na coleção 𝑨 𝑬𝒔𝒄𝒐𝒍𝒉𝒂 é 𝑴𝒊𝒏𝒉𝒂, uma coleção que fala sobre escolhas que, por vezes, tornam difícil optar por um caminho.

O autor e ilustrador António Jorge Gonçalves e a associação artística Andante também estão entre os nomeados.

@astridlindrenmemorialaward

30/04/24

desafio 30 abril 2024



Há anagramas prodigiosos, porque brincam com os significados. Vejam estes exemplos (há tantos!):

APREÇO – PAREÇO 

INGÉNUO – GENUÍNO 

SERVIL – LIVRES 

COMPRARA – COMPARA 

ENJOO – ENOJO  

Juntem dois pares e construam uma frase. Ela aparecerá algures no vosso texto.

 

Peguei nos dois primeiros:

PAREÇO um INGÉNUO com APREÇO pelo GENUÍNO. Pareço, mas não sou. Apenas preciso que acreditem que sou assim, que confiem. Mostro-me disponível, ajudo, comovo-me com a sinceridade fingida, querendo, isso sim, encolher os ombros. Oiço, quando precisava de silêncio. Concordo, desejando discordar e pôr tudo na ordem.

Não sou ingénuo, mas também não sou um manipulador. Dou-me com alguns, aturo-os. Talvez seja instintivo, isto de me recolher nesta máscara que chego a sentir que sou eu. Serei? 

Margarida Fonseca Santos, Lisboa

#77palavras #rewordit #escrita @rewordit_

30abril2024 – anagramas incríveis

20/04/24

desafio 20 abril 2024



Surgiu, numa formação nossa, a vontade ser um disjuntor. Não é genial?

Contem lá: mais alguém quer ser um disjuntor?

 

Eu disjuntei-me assim:

Gostava de ser um disjuntor. Fascinou-me sempre a sua birra instantânea, esquecido no contador da luz, estourando num pico de eletricidade.

Gostava de ter o poder dum disjuntor. Gostava de ter o poder de silenciar uma discussão acesa. “Zás! Acabou-se!”

Gostava de poder rasgar mentiras. “Zás! Sei que mentes!” Imaginem a expressão do descarado, desmascarado e calado.

Gostava de ter a alma de um disjuntor, permitindo-me, sem culpa, desligar-me do presente que estragaria o futuro.

Margarida Fonseca Santos, Lisboa

#77palavras #rewordit #escrita @rewordit_

20abril2024 – ser um disjuntor

10/04/24

Desafio 10abril2024




A minha tentativa: 

Deu-lhe um grande DESGOSTO, o intratável e EGOÍSTA filho mais novo, tendo ESGOTADO todas as cunhas que ela, Maria Zulmira, cobrara a antigos clientes para conseguir que entrasse no ESTÁGIO. Nada de mais, mãe é mãe, mas que lhe deu um desgosto, deu. Os ESTRAGOS estavam feitos, a hipótese fugira. Num GESTO de dramatismo telenovelesco, Zulmira atirou-se para o sofá e nem deu pelos FOGUETES, depois da INGESTÃO dos ansiolíticos. O ano entrou sem lhe passar cartão.

Margarida Fonseca Santos

#77palavras #rewordit #escrita @rewordit_

10abril2024 – palavras com GSTOE

20/03/24

Desafio 20 março 2024



Escrevi isto:

Não lhe disse que SIM, pois não aguentaria MAIS uma relação de sofrimento. Nascera-lhe um trauma sufocado, o pai desaparecera nas MINAS de cobre. Voltar a passar pelos mesmo? Recusava-se a namorar com alguém que também ali trabalhasse. O rapaz ainda tentou explicar-lhe que, para prevenir bolsas de gás, levavam como eles ANIMAS, mas nada a demovia.  Via-a torcendo as mãos, CISMANDO cenários catastróficos e CONSUMIDA pelo amor, e despediu-se. Resta saber: despediu-se dela ou do emprego? 

Margarida Fonseca Santos, Lisboa

#77palavras #rewordit #escrita @rewordit_

20março2024 – cada vez mais letras

10/03/24

Desafio 10 março 2024


Experimentei assim:

No dia em que soube aquilo, se TIVESSE – pensado e pegado no – CONTRATO, teria encontrado a solução, pois, na verdade, – NUNCA – o lera e assim – TALVEZ estivesse a colaborar com uma máfia que – ENVOLVIA – pessoas que viviam na – CRUZ Quebrada, sítio onde vivera com os pais – DESDE – os cinco anos, sendo – SUA a casa minúscula que, sem autorização, lhes – SERVIA – de laboratório clandestino, implicando-o, – EMBORA, tendo ele a escritura, pudesse mudar, de – NOITE, – a fechadura, finalizando tudo.

Margarida Fonseca Santos, Lisboa

#77palavras #rewordit #escrita @rewordit_

10março2024 – esquema de palavras


29/02/24

Desafio 29 fevereiro 2024



Está na nossa biografia, no Re-Word-It. Não escolhemos a escrita, o contar histórias, foram mais as histórias que nos escolheram. Escrevê-las é passar para o mundo das situações que nos aconteceram, ou que presenciámos, ou que podíamos ter vivido, inventando! Não resistimos a contar como foi, como podia ter sido. Uma amiga, ouvindo do marido, “Tu não estavas lá!”, dizia: “Mas tu não sabes contar, assim tem muito mais graça!” E contava, contava, enquanto o marido sorria.

Margarida Fonseca Santos, Lisboa

@rewordit_ #desafiosdeescrita #escritacriativa #rewordit

29fev2024 – frase de Paul Auster

20/02/24

desafio 20 fevereiro 2024


Eu fiz assim.

ESPANHOL, não sabia. Português também não, mas, no seu PLANO, queria trabalhar ali. A dona do restaurante, uma FILIPINA bem-disposta, ajudou-a, dando-lhe uma PANÓPLIA de boas ideias. Mas a pobre mulher adoeceu e fez uma reação alérgica ao medicamento que, qual PUNHAL, a matou, deixando a rapariga a braços com o restaurante. Aterrada com a situação, a gestão de dinheiro, encomendas e clientes, a rapariga desmaiou no serviço, sendo apoiada pelo cozinheiro LAPÓNIO, num amor pouco PATERNAL.

Margarida Fonseca Santos 

#rewordit @rewordit_

#desafiosdeescrita

#77 palavras

20 fevereiro 2024 – letras obrigatórias LPNA

09/02/24

Desafio 10 fev 2024




A campainha soou no sono de Maria Coruja como uma premonição. Munida dos impropérios que aprendera nas docas, abriu a porta de pijama ridículo e expressão escabrosa.
– Tia!
Nem um impropério se ouviu, e a cara desmanchou-se num espanto medroso.
– Deixa-te de fitas. Pega no teu caldeirão. Está na hora de começares a ver as coisas por outro prisma – disse-lhe a tia, num sorriso de poucos dentes.
Maria Coruja soube que, a partir daquele dia, estava condenada.

Margarida Fonseca Santos

10fev2024 – a tia-bruxa

29/01/24

Desafio 30 de janeiro de 2024


Experimentei assim:

– Que barulheira é esta? – pergunta a aranha.

Tecera a teia num regador de metal esburacado, tendo um pedaço de madeira simpático a decorar o sítio.

– É o compincha baboso. 

– O caracol que não há meio de chegar às plantas?

– Exato. Anda esfomeado, coitado. Vê tu: tropeçou num charuto agónico, e está há duas horas para se descolar dele. 

– Ainda me espanta a caça...

– É.

– Ajudamos?

– Não sabe que aqui estamos...

E mantiveram-se calados por mais duas horas.

Margarida Fonseca Santos

#rewordit @rewordit_

#desafiosdeescrita

#77 palavras

19/01/24

Desafio 20 janeiro 2024



Eu já fiz e ficou assim:
É um bom exemplo. Um curto bom exemplo. Só que continuo sem o envolvimento que me permite escrever sobre objetos obscuros. Preciso de um reforço, um princípio de texto esquecido entre o grosseiro e o misterioso, com bichos monstruosos ou mesmo enlouquecidos, compreende? Escrever tem de ser um gesto inteiro, um gesto intermitente, repleto de conteúdo interno que ninguém conhece. Penso que lhe terei dito tudo o que sinto, é-me custoso vê-lo sem recursos, pois existem poucos.
Margarida Fonseca Santos 
#rewordit @rewordit_
#desafiosdeescrita
#77 palavras

20 janeiro 24 – início e fim dados, sem A

10/01/24

Desafio 10 janeiro 2024



Pensei que viesses, apesar do FRIO que congela a estrada e a nossa relação. Talvez tivesses BOLEIA de algum remorso, mas não. TEMI pela distância que me desanimou a vontade de procurar à LUPA alguns gestos de carinho, em JEITO de promessas para o futuro, mas nada irá acontecer. Pela VEREDA que nos leva ao penoso COMBATE final, penso nas vezes em que desculpei as traições, na LEVEZA dessas desculpas, aceito o fim. Apesar do frio, aceito.

Margarida Fonseca Santos, Lisboa

10jan2024 – palavras com estrutura imposta

30/12/23

Desafio n.º 295



Encontrou o anfitrião, dono do frenético café, enforcado numa trave. Não, começava logo a afunilar o género de texto, afiançaram-lhe as ideias depois de conferir a informação. Recomeçou: Enfurecido, o cão fazia frente aos ladrões, tentando defender os donos. Péssimo, pensou. Era frequente ter bloqueios, não podia confiar na arfante musa, a gata asmática. Voltou ao início, tentando afinar o tom: Encontrou o bom homem enforcado numa trave, enquanto o cão... FIM. Já não tinha mais palavras!

Margarida Fonseca Santos @rewordit_

#rewordit #desafiosdeescrita #77palavras

295 – palavras com NFR

20/12/23

Desafio n.º 294



As horas passavam mais depressa do que as linhas. A vizinha de cima, aspirava. E eu aspirava pelo fim do texto e pelo fim da vizinha de cima. Não confiava no fim do som. Só no fim da vizinha e do texto. Páginas densas, crivadas de erros feitos pelo aspirante a dotado romancista, cujos dedos voavam pelo teclado para não perder pitada do que lhe vinha da mente. E a vizinha aspirava! Decidi, então: aspiraria a vizinha. 

Margarida Fonseca Santos @rewordit_

#rewordit #desafiosdeescrita #77palavras

294 - som irritante

10/12/23

Desafio n.º 293



Leonel, veloz condutor, gastava mais do que ganhava a vender levedura, escondendo igualmente um negócio velado de comprimidos vermelhos capazes de fazer girar um verdadeiro lustre de sensações psicadélicas. Geria tudo sem sócios. Ginasticava a carteira para pagar o lume que o aquecia, a lã que o vestia e o contabilista vaidoso e voraz que lhe safava as multas ao fisco. Foi apanhado a roubar limões. Só se safou porque consertou o carro-patrulha que gripara no transporte.

Margarida Fonseca Santos @rewordit_

#rewordit #desafiosdeescrita #77palavras

293 - 18 palavras de classes diferentes

30/11/23

desafio nº 292




Eu fiz assim:
Não me venham falar do FUSO e da roca. Nem me falem de VASSOURAS, moedas e carochinhas à JANELA, muito menos de caldeirões. Se tivessem CUMPRIDO o prometido, nada daquilo teria acontecido. A INGENUIDADE escondida ao ouvir estas histórias cai por TERRA quando um POEMA, um poema COMPRIDO, atravessa a leitura em que EMBARCÁMOS, rumo à salvação. Encontraremos então a PEDRA em que devemos tropeçar, pois assim encontraremos o LUME dos livros, onde nos perderemos para sempre.
Margarida Fonseca Santos
#rewordit @rewordit_
#desafiosdeescrita

20/11/23

Desafio 291


Olhava os silêncios em família. Tremia. Pela janela, as árvores e o vento disfarçavam a agitação, os pássaros fingiam andar ocupados, mas estávamos num outono muito maior do que o do clima. Os adultos faziam de conta que nada tinha mudado. A escolha, essa maldita escolha que lhes minava os nervos... Precisavam de se dividir para sobreviver. Filhos e pais, avó e netos, memórias e receios. Só um homem ridículo se mantinha a dominar a Europa. Tremia.

Margarida Fonseca Santos 

#rewordit #cristinanorton #77palavras 

O rapaz e o pombo, Cristina Norton

291 – elogio à leitura

10/11/23

Desafio n.º 290






Era-lhe difícil conciliar os sonos inesperados com o trabalho entediante. Viera para aquele emprego porque o pai dissera, a quem fizera favores: «O nosso filho será excelente para o jornal.» Revia anúncios por um ordenado miserável, textos que iam do mais sonso esquema ao mais ousado pedido de senhora casadoira com dotes de culinária e submissão. Veria, alguma vez, um anúncio de emprego que valesse a pena? Endireitou-se, perdendo a letargia: revisor no metro? Anotou o telefone. 

Margarida Fonseca Santos

290 – sonso e veria anagramas

30/10/23

Desafio 289



Consta que, em janeiro, um ser constipado assaltou o Castelo de Leiria, fazendo com que se chamasse a GNR sem demora. Preso o ser, que naquele momento tomara o aspeto de um unicórnio, o Tenente Pedralvas constituiu-o arguido. À espera que fique demonstrado como aquele ser, agora fantasmagórico, é apenas ingénuo e extraterrestre, tendo-se, no instante do crime, transformado num monstro diabólico, coisa que não é, reconstroem-se muralhas e ameias, causando um violento transtorno no turismo local.

Margarida Fonseca Santos  

289 – palavras com NST