04/09/20

V Encontro IDEA - sessões de setembro - Temer ou Tranformar...?


 

Fernanda Malhão – desafio 109

  Reunião de família

A casa estava cheia de gente, a mãe exausta a tentar coordenar tudo para não faltar nada, o pai feliz da vida a dar a letra com todos que chegavam. Por onde passava não me identificava com nada, uns a discutirem intensamente política, as tias na varanda criticavam a prima que foi morar com o namorado, os miúdos com o jogo de futebol destruíam o jardim. Ninguém me vê, isso para mim não são reuniões de família.

Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar

Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

Elsa Alves – desafio 83

– Venha cá, ó Francisca!

Quem a chamava? Ali ninguém a conhecia, achava ela. Viera de Lisboa, na véspera, para descansar uns dias, naquele lugarejo, perdido entre os vinhedos do Douro. Tinha posto de parte hotéis, spas, resorts luxuosos, cruzeiros no Mediterrâneo. Disso estava farta. Queria sossego, contacto com a natureza. Caras conhecidas, nem vê-las. E agora...

– Que coincidência, Francisca... Ainda ontem nos despedimos no escritório. 

Não é que o chefe tinha tido a mesma ideia que ela?!?

Elsa Alves, 72 anos, Vila Franca de Xira

Desafio nº 83 – texto sobre imagem de Francisca Torres

Fernanda Malhão - desafio 108

 Mudança de vida

Meu orientador foi sem dúvida um excelente cientista, mas mais do que isso, é um cidadão exemplar, um pacifista nato, dentro e fora do laboratório. Mas desde que danificou acidentalmente o aparelho mais caro do Departamento, ficou deprimido, nada que dizíamos ou fazíamos parecia trazer alívio para a sua dor. Encontrou outro caminho, deixou a ciência e virou um artista, expressa-se agora mais livremente e é mais feliz. Hoje vamos todos na inauguração da sua primeira exposição.

Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar

Desafio nº 108 ― 6 palavras que originam outras 6


Pintor – artista; Entortou – danificou; Inventor – cientista; Redentor – pacifista; Acupuntor – alívio; Mentor – orientador

02/09/20

Elsa Alves – desafio 82

 O Pedro era carente. A mãe sabia-o. O pai encarava-o, cautelosamente. Amava-o, mas sentia o problema em causa. Antecipava males. Sofria o Pedro. Em casa alarmavam-se muito. Sentiam o perigo e calavam-se. Ambiente morno, sobressaiam-lhes os pensamentos, enredando- se, com alvoroço. Mesmo sem o perceberem, era certo aparecerem-lhes mistérios sombrios. O Pedro esperava caminhos abertos, mas sonhava ocultos perigos. Em cada ânsia, mudavam-se-lhe sentimentos. O Pedro esperava corresponder às múltiplas sugestões. O pai esperava, com ansiedade. Muito sofriam...
Elsa Alves, 72 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 82 – letras impostas por ordem O P E C A M S

Fernanda Malhão – desafio 107

 Por de trás das aparências

Fui mesmo um palerma por ter ficado tanto tempo sob as ordens de uma pessoa sem escrúpulos, um verdadeiro crápula. Comecei por aplaudir cada palavra que ele dizia, sabia mesmo como espalhar o seu charme. Mas aos poucos comecei a ampliar a minha visão, a ver as suas estratégias de especular, depois manipular e culpar. Finalmente consegui me libertar da sua prisão emocional e hoje consigo ser eu próprio e agir de acordo com os meus valores.

Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar

Desafio nº 107 ― 10 palavras com PLR

01/09/20

Natalina Marques – desafio 217

 Apanhou a azeitona
nessa tarde longa, fria,
era grande o cansaço,
fugiu dela a alegria.
Na pequenina aldeia
a casinha era escura,
quer acender a candeia,
com os fósforos,
que procura.
Falta-lhe a paciência
pelo peso da idade,
já pouca é a saúde, 
lembra-se com saudade
dos tempos de juventude.
ouve então as trindades,
o lume, por acender.
– Valha-me Deus que chatice,
a noite está a chegar,
os fósforos sem aparecer,
e o meu homem quer cear.
Natalina Marques, 61 anos, Palmela
Desafio nº 218 – imagem de fósforos

Natalina Marques – desafio 217

 BATALHANDO noite e dia,
no restaurante do pai,
de sonhos loucos vivia,
queria poder cantar.
Era uma BELA jovem
ALTA, morena,
mas não sabia amar.
A BATA verde que vestia,
era da cor da esperança,
o cheiro a ALHO que sentia,
esquecia, os sonhos de criança.
Sonhava com salto ALTO,
em vez de BOTA grosseira,
era assim o dia a dia
da jovem Maria Marta
que a si própria dizia;
– Vou consolar-me, 
com um pastel de NATA.
Natalina Marques, 61 anos, Palmela
Desafio nº 217 – batalhando letras

Fernanda Malhão – desafio 106

 Prestem atenção aos avisos!

Advertimos: “Diversão não aconselhada a pessoas com problemas cardíacos” Penso: Que exagero! Mas quando vejo os rostos pálidos que saem lá de dentro começo a mudar de ideias, sorrio para ver se não demonstro o medo. Ouço alguns comentários que destroem completamente a minha certeza do exagero do aviso. Sinto meus esfíncteres a reduzir os diâmetros. Meus pensamentos ainda distorcem mais o que ouço, as pernas estão dormentes. Penso: Nada como dotarmos as pessoas com avisos relevantes.

Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar

Desafio nº 106 – palavras com M T D S R O

Toninho – desafio 218

 Viviam felizes naquele humilde barracão. Numa noite João não voltou.
Furiosa Maria o procurou sem sucesso pelo morro. Encontrou Julião capoeira num boteco.  Entre conversas e bebidas foram parar no barracão.
João vindo da bebedeira, avistou Julião pulando sua janela. Escondeu-se. Entrou em casa. Maria reclamou do sumiço. Ele pediu para comprar pão e mortadela.
Cheiro forte de querosene espalhou-se pelo morro.
Fosforo na mão acendeu um cigarro, lagrimas rolaram.
Maria apenas viu o barracão em chamas.
Toninho, 64 anos, Salvador-Bahia, Brasil
Desafio nº 218 – imagem de fósforos
Publicado aqui: http://mineirinho-passaredo.blogspot.com/


Marta Rodrigues – desafio 214

 O caderno era uma sopa de letras! Segundo ele eram “ideias soltas” que só ele percebia. Aparentemente eram frases sem nexo escritas numa letra de médico que só dificultava. Nunca teve letra bonita, nem quando tinha letra primária.
As “ideias soltas” transformavam-se numa letra para a música que compôs. Era diferente das outras letras que tinha feito.
Os acordes no meio da confusão pareciam letras aleatórias.  E agora é essa letra que não me sai da cabeça.
Marta Rodrigues, 21 anos, Albufeira
Desafio nº 214 – à volta da palavra letra»

Lica – desafio 215

 Tenho em mãos um caso que pode ser notícia. Foi feito um teste para saber que distância pode o ser humano percorrer na vida, e chegaram à conclusão que não podem tirar uma conclusão.
Há homens, mulheres, bebés, crianças, anões, gigantes, novos, velhos, pernas curtas, pernas longas, todos com capacidades diferentes; portanto, dar a volta ao mundo não pode ser calculável. Nem que uma velha coxa ponha a máscara de um jovem atlético, pode atingir a meta.
Lica, 81 anos, Lisboa
Desafio nº 215 7 palavras obrigatórias

Lica – desafio 214

 Há em mim a vaidadezinha de gostar da minha letra. Acho que a letra deve cumprir a missão de ser legível e agradável à vista.
Ouvir com atenção a letra duma canção também é da máxima importância, porque temos que sentir como se interliga com a música.
Há uma situação em que a letra se torna numa diversão; é ver crianças a comer sopinha de letras e a procurarem a letra do seu nome - é pura alegria.
Lica, 81 anos, Lisboa
Desafio nº 214 – à volta da palavra letra»


Lica – desafio 214

 Que bom aprender a ler! Uma letra primeiro, que depois se junta a outra que fica bem com ela. Quando se descobre a palavra, feita letra mais letra, atinge-se o passaporte para a liberdade de saber ler e escrever. Essa descoberta leva-nos ao infinito do saber dizer o que pensamos. Se a letra que escolhemos não dá a palavra ideal, podemos inventar palavras. A letra não se inventa, mas a arte está em aplicá-la onde faz falta.
Lica, 81 anos, Lisboa
Desafio nº 214 – à volta da palavra letra»

Lica – desafio 213

Não sou de me assustar com uns óculos escuros numa cara feia, muito menos quando não é real. É só o que me parece ver num bocado de madeira.

Mal sabe a árvore o que pode dar, além do que é suposto dar (que aliás ela nem sabe…). Dá ao Homem material para alimentar a sua imaginação e despoletar arte. Só é preciso estar atento, com os olhos ligados à alma, para explorar os mais ínfimos pormenores.

Lica, 81 anos, Lisboa

Desafio nº 213 – imagem de madeira

Lica – desafio 212

 Horticultora

Não me arrependo de ser Educadora de Infância, mas se hoje escolhesse outra profissão, seria horticultora ou jardineira. São profissões parecidas - cuidar, ajudar a crescer, é das coisas que nos tornam felizes. Desde que se põe a planta na terra até começar a aparecer uma folhita, regando-a, olhando para ela todos os dias, sorrindo quando a vemos a aparecer, crescer, e desabrochar, sentimo-nos ante um mistério da natureza em que tomamos parte - “um milagre guardado na esperança.”

Lica, 81 anos, Lisboa

Desafio nº 212 ― Frase de Valter Hugo Mãe

Elsa Alves – desafio 81

 Julinho Pitorra

Julinho Pitorra julga que tem imenso humor. Pensa que as suas graçolas fazem sempre os amigos rir. Enfim... para não o aborrecer eles fingem achar-lhe graça... Combinaram passar o ano no bar habitual. Julinho queria brilhar na festa. Preparou o seu número com atenção aos pormenores. Tocou-se música a gosto. Comeu-se e bebeu-se com fartura. Infelizmente, o artista principal não conseguiu comparecer. Com gripe, ficou em casa, na cama... Só fará a sua actuação no próximo ano...

Elsa Alves, 72 anos, Vila Franca de Xira

Desafio nº 81 – Julinho Pitorra, humorista sem graça

Isabel Lopo – desafio 215

 Ladrão!

O CASO parecia estar complicado nessa noite. A frase: “fui roubado“ ia sendo repetida naquele carnaval, gerando grande alvoroço entre todos.
Logo à DISTÂNCIA pareceu-me reconhecer a personagem da MÁSCARA pelas MÃOS. Com um MUNDO de gente, descobrir quem ela era seria um TESTE à nossa intuição. Armada em detetive gritei: “É ele o ladrão”. Mas, arrancada a máscara, fiquei sem fala ao reconhecer o meu namorado! Pouco pude fazer. A NOTÍCIA estava espalhada. Fiquei de rastos...
Isabel Lopo, Alentejo

Desafio nº 215 7 palavras obrigatórias

Theo de Bakkere – desafio 218

 A resposta certa

De mapa em punho partiram. Sem pensar deixaram a estrada e tomaram um trilho que penetrava cada vez mais na floresta, mas não os levaria ao destino.

Ao anoitecer tinham sorte, exaustos encontravam uma cabana de abrigo, lá estava guardado, em caso de emergência: um candeeiro a petróleo, lenha para o fogão e uma caixa de fósforos, porém lá dentro o último fósforo.

O que acenderão primeiro?

Pense lógico! Há visibilidade suficiente, mas está bastante frio na cabana.

Theo de Bakkere, 69 anos, Antuérpia-Bélgica

Mais textos aqui: http://blog.seniorennet.be/lisboa

Desafio nº 218 – imagem de fósforos

Elsa Alves – desafio 80

 O primeiro Natal da aranha

Seria o seu primeiro Natal.  As aranhas mais velhas avisaram-na. "Cuidado com o sítio onde vais fazer a teia. Há a mania das limpezas nesta data e as vassouras são um perigo...".  Escolheu um cantinho entre a mesa-de-cabeceira e a cama da miúda. Ela já a vira e não lhe fizera mal, nem gritara. Para enfeitar a teia pediu as cores às joaninhas e as luzes aos pirilampos. "Mãe, que lindo!!!" Não é que a mãe concordou?!?

Elsa Alves, 72 anos, Vila Franca de Xira

Desafio nº 80 – o Natal da aranha