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22/02/20

Carla Silva ― desafio 183


Mal me avistaste, atiraste-te nos meus braços molhando-me a camisa com as lágrimas que vertias incessantemente. 
Senti estas como socos no meu coração. Recordo-me que ultimamente saías com outro, sinal que não me amavas e que somos apenas amigos. Mas o teu abraço faz reviver em mim a esperança adormecida e abraço-te carinhosamente. 
Sei que partirás novamente e voltarei a desejar esquecer-te como o devia ter feito há muito tempo, mas naquele momento nego-me a pensar nisso.
Carla Silva, 45 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 183 ― 3 ou mais palíndromos no texto

06/10/19

Mónica Marcos Celestino ― desafio 183

A rua Laura
Um lôbrego silêncio invadia,
come a grama amarga,
a rua Laura,
outrora cheia de vida.

A pouco, pouco, languesciam
nos seus desbranqueados casarios
os mornos tristes sons
de pretas saias revestidos.

Sonolenta, taciturna e calada,
bocejava ao raiar o dia,
deixando na alma surpreendida
o seu cheiro da saudade.

Uma calma quietude lá vivia
qual se o tempo
quisesse, com afã, reter
à luz azul da madrugada.

Quem, ó rua Laura,
o teu mistério
não irá reviver?
Mónica Marcos Celestino
, 47 anos, Salamanca (Espanha)
Desafio nº 183 ― 3 ou mais palíndromos no texto

07/09/19

Filomena Galvão ― desafio 183


Pegou no cesto, mas esbardalhou tudo no chão: sacas de ração que aqueles seres de quatro patas devoraram num instante. Desatou a rir. Lembrou-se da avó que costumava dizer: “Tens as mãos rotas. Assim ninguém te vai meter uma aliança no dedo”. Já ia no terceiro casamento. A avó não anteviu bem. Se tivesse um radar e pudesse presenciar esta cena, estaria de certo a abanar a cabeça e com vontade de lhe dar uns sopapos.
Filomena Galvão, 58 anos, Corroios
Desafio nº 183 ― 3 ou mais palíndromos no texto

05/09/19

Paula Castanheira ― desafio 183

No centro da praça, um grupo de palavras enfurecidas, empunhava cartazes.
Prometiam agitar o dia.
Supostos intelectuais, resolveram chamar-lhes capicuas, como se fossem números.
As palavras, revoltaram-se!
― Somos Palíndromos, não somos Capicuas!
Estavam lá quase todas:
Salas
Sopapos
Omissíssimo
Reviver
Anilina…
‘Podem ler-nos da direita para a esquerda ou vice-versa’
‘Em perfeita simetria’
‘Somos palavras, com muita honra!’
‘Letras unidas, jamais serão vencidas’
‘Não somos números’
O Presidente Marcelo juntou-se à causa e decretou: Palíndromos, Património Nacional.
Paula Castanheira, 55 anos, Armona
Desafio nº 183 ― 3 ou mais palíndromos no texto

Theo De Bakkere ― desafio 183

A Corrida lúdica
Lendo a cartaz da maratona uns amigos deixaram-se registar.
Grande espanto o deles. Na linha da partida, os participantes deviam transportar uma bandeja com uns copos de cerveja, assim cumprir o mais rápido o trajeto sem nada sujar. Que megabobagem! Ou seria mais um caso omissíssimo daqueles amigos! Ao reler as pequenas letras na cartaz, deviam era rir-se do mal-entendido. De manhã havia uma corrida lúdica em proveito do orfanato. A maratona em questão arrancará de tarde.
Theo De Bakkere, 67 anos, Antuérpia, Bélgica
Desafio nº 183 ― 3 ou mais palíndromos no texto

03/09/19

Natalina Marques ― desafio 183

Perdera uma vista naquele acidente, mas conservou o orgulho e a vaidade, sempre muito bem ADAMADA, conseguiria ultrapassar? Talvez, se o REVIVER do recente passado, lhe amainasse aquela dor.
― Vá lá Matilde, tu consegues...
Pôs o novelo no RODADOR, tingido com ANILINA da mesma cor com que pintou o presente e o futuro que viveria dali para a frente. Não ARAMARA as flores para o arranjo, porque não conseguia, mas pensou...
― SARARÁS as feridas com o tempo.
Natalina Marques, 60 anos, Palmela
Desafio nº 183 ― 3 ou mais palíndromos no texto

31/08/19

Helena Rosinha ― desafio 183

Todo o mar num último relance.
Odeio despedidas - mexem com os sentimentos - mas esta é a derradeira. Não sobreviverei longe da razão da minha existência, sei-o bem. É o fim de dias, noites de vigia, perscrutando mar e céus; o fim das rondas com a arara, companheira de cativeiro, palrando empoleirada no meu ombro. 
Ao largo, as gaivotas gritam a mágoa que me preenche. Com o novo radar, eu, Natan, velho faroleiro, tornei-me obsoleto. O vazio aguarda-me.
Helena Rosinha, 66 anos, Vila Franca de Xira.
Desafio nº 183 ― 3 ou mais palíndromos no texto

Ana Cristina Graça ― desafio 183


Anabiribana quis um dia mudar o nome para Ana do Mar e assim reviver para sempre aquele Verão imenso. Entre rebolar pelas dunas douradas abaixo, mais rápido que um rodador de carrossel, ou deixar-se enrolar pelas ondas, levando alguns sopapos até aterrar na areia… Como gravar em si este banho de azul e ouro? O tempo era omissíssimo!!!
Antes que fosse tarde demais… mergulhou os seus longos cabelos em anilina e passou a adormecer entre ondas azuis!
Ana Cristina Graça, 62 anos, Lisboa
Desafio nº 183 ― 3 ou mais palíndromos no texto

30/08/19

Graça Pinto ― desafio 183

Pelo raiar do dia o grupo penetrou floresta dentro, na finalidade de observar algumas espécies de aves no seu habitat natural.
Ao fim de pouco tempo uma dessas aves, num voo a rasar nossas cabeças, poisou num ramo de árvore, mesmo frente a nós.
Uma bela arara exibia com esplendor, as suas cores fortes que mais pareciam anilina, fazendo realçar toda a sua beleza.
Quem nos dera poder reter e reviver por mais tempo aquela imagem magnifica.
Graça Pinto, 61 anos, Almada
Desafio nº 183 ― 3 ou mais palíndromos no texto

Desafio nº 183

Vamos pensar em palavras que são palíndromos. 
Quer isto dizer que são palavras que se podem ler da direita para a esquerda e da esquerda para a direita ― têm uma simetria perfeita: OVO; SOPAPOS; ANABIRIBANA; etc.

Encontrem (ou inventem) pelo menos 3 que sejam palíndromos com mais de cinco letras.
Que história surge delas?

Andei à procura e descobri várias, é mais fácil do que parece:
Nas salas de aula, alunos aflitos matutam na resposta certa para assim poderem apagar a terrível reprovação da fase anterior. Fartaram-se de ler e reler a matéria, estão fartos de tanto esforço. Os pais, cá fora, ralam-se com as notas dos filhos, que esperam que venham a ser banqueiros, médicos, advogados, tudo profissões que mexem com muito dinheiro. Soubessem eles que os filhos querem é trabalhar no que os apaixona e já não estavam naquele sufoco. Acordem!
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 183 ― 3 ou mais palíndromos no texto