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30/05/20

Desafio nº 209


Trabalharemos hoje o ritmo do texto.

As frases que escreverem terão de usar, logo no início (na pessoa e tempo verbal que quiserem e pela ordem que preferirem):

Sei… Não sei… Nem sei… 

Só sei… Também sei… Nunca sei…

Experimentei assim:
Sei que podia ter feito melhor, mais depressa, com maior eficácia. Não sei se isso mudaria o que pensas de mim. Nem sei se mudaria a forma como me vejo a mim mesma. Só sei que não me envolvi demasiado, deitei tudo a perder. Também sei que faço isto por sistema, repetindo, ano após ano, os mesmos erros. Nunca sei o que fazer no momento exato, só muito depois, ruminando ideias brilhantes, fingindo que sei alguma coisa… Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 209 – ritmo do texto SEI

10/04/20

Desafio nº 204

O blogue Histórias em 77 palavras começou em 2011. É verdade, já passaram 9 anos.

Ora… «nove, noves fora, nada»?
Não… Criámos amizades, partilhámos alegrias e tristezas.

E é isso que vos peço, que escrevam o que é, para cada um, estar aqui no blogue.

Recordando:
Dei os primeiros passos a medo. Que futuro teria? Tratava-se de mostrar e partilhar o que sei sobre incentivar a escrita. Nunca se contam palavras até às 77, nada disso! Escreve-se mais, depois espera-se. Por fim, melhora-se o texto. O resultado ganha interesse, escondendo subentendidos, cortando vícios de escrita, aprimorando o como vamos contar o que queremos contar. É na revisão que a nossa narrativa cresce. E começaram a chegar as histórias, as amizades. Que bom! Obrigada.
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 204 ― como é estar aqui?

05/04/20

Razões para Ler

«Razões para Ler» (1 e 2)

Projeto Re-Word-It da Associação Cultural Trilhos das Palavras. Comigo estão duas grandes mulheres, Isabel Peixeiro e Rosário Padinha Ribeiro.

São histórias metafóricas para o ensino, a terapia, os serões de histórias.

As histórias metafóricas tocam-nos no consciente e no inconsciente, produzem efeitos a nível emocional. Porquê? Porque trabalham a empatia. Porque estimulam a curiosidade e a criatividade. Porque se prestam a muitas interpretações, sempre as de que precisamos ao ouvi-las. Porque nos levam a entender o outro e, assim, a entender quem somos. E isso é aprender. É crescer. Precisa de mais razões para ler?

Podem encontrá-las aqui.

Ilustração e design de Carla Nazareth, edição de Nós na Linha.

30/03/20

Desafio nº 203


Vamos encontrar um universo de 6 palavras que gravitam
em significado e para cada um de nós, 
à volta da ideia de RISCO
Há várias interpretações.

O texto em 77 palavras nasce dessas 7 palavras (incluindo risco), 
que podem ser adaptadas.

Escrevi assim:
Dessas 7 palavras (6+RISCO) sairá o nosso texto.
Vazio altura coragem lápis desenho ponderado
Acordei alagada em suor. Ao meu medo das alturas, somara-se outro, o do vazio. Acordei quando a coragem fugiu. Sem fazer barulho, levantei-me e fui até à cozinha. Agarrei num lápis, ali deixado pelos meus filhos, e tentei fazer um desenho que representasse os meus medos. O resultado foi tão extraordinário que ponderei fazer um curso de desenho. Senti que tinha talento. Mas o mais novo apareceu e comentou: «Foste tu que desenhaste esses riscos? Está horrível!»
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 203 risco + 6 palavras

20/03/20

Desafio nº 202


Dia de desafio, vamos a ele!

Queria que escrevêssemos um texto de 77 palavras,

onde se repita 7 vezes a palavra ONTEM.


Eu tentei assim:
Ontem, disseste? Não foi ontem! Ontem quem apareceu aí foi a centopeia Doroteia, aquela vaidosa que até irrita. Pôs-se a dizer que o COVID19 ia chegar aos insetos e rastejantes, como se alguém acreditasse. Eu não nasci ontem, quem julga que sou? Mas foi ontem que apareceu a joaninha Albina, branquinha de fazer impressão. Com as pintas vermelhas, parece um posto de socorros ambulante. Ontem não foi. Ou foi? Foi ontem? Tenho estes miolos de mosquito queimados…
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio 202 ― 7 vezes a palavra ONTEM

10/03/20

Desafio nº 201


Que palavras contêm, por esta ordem, as letras CID?
São muitas, escolham 8 ou 9.
Agora, é só escrever em 77 palavras, claro!

Saiu-me assim:
Olhou-se ao espelho. Massajou as bochechas flácidas, achando-se com a capacidade de as tornar jovens. Perdera a mocidade! Dantes, quando ainda era parecida com a princesa Diana, podia deitar ácido sobre as velhas. Agora, eram as novas que lhe deitavam olhares acidentais. Se pudesse voltar atrás, nunca teria reincidido na asneira de desdenhar. Agora, só por conceitos de cidadania lhe concediam passagem. E Alcides? Pois, já nem para ela olhava, só lhe pedia o jantar a horas.
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 201 ― palavras com CID

01/03/20

Desafio nº 200


Vamos comemorar o centenário do Teatro Nacional de São João, no Porto.
Este desafio foi pedido pelos alunos da Escola Dr. Costa Matos, em Gaia. Estes jovens e a sua professora, Cristina Félix, são assíduos aqui no blogue, com as suas histórias e a vontade divertida de superar desafios. Vamos juntar-nos a eles?

Eu escrevi assim:
Os pedidos vinham de alunos que acarinho muito, e da querida amiga, a sua professora Cristina Félix. Queriam um desafio que falasse do TNSJ. Resolvi investigar e acabei por sonhar com o teatro.
Sonhei que estava sentada na teia (eu, que tenho medo de alturas!) e conversava com fantasmas de peças. Queriam contar como haviam sido verdadeiros sucessos. E os dos bailados também queriam atenção.
De repente, desequilibrei-me! Acordei estremunhada. Estava na hora de lançar o desafio.
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 200 ― o TNSJ, no Porto

20/02/20

Desafio nº 199


Num texto com, claro está, 77 palavras certinhas, vamos contar 
a história da rã que foi encontrada no sofá da sala, 
ou 
a de alguém que encontra uma rã no sofá
Divirtam-se!

Eu fiz assim:
Não se está mal aqui, é macio. Pena não haver mosquitos, arrisco-me a passar muita fominha. As ramagens pareciam-me verdadeiras, afinal não são. Ui, vem aí gente. Nem sei como me esconder. Vou ficar quieta… Livra, sentaram-se com tanta força que até saltei!
«Está uma rã no sofá!!!», oiço, afinal isto é um sofá.
«Posso ficar com ela, mãe, posso?»
«Nem pensar!», bem dito, nem pensar. Ui, então? Metem-me num saco?! Aaaaahhh, pronto, aterrei no lago, boa.
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 199 ― rã no sofá

10/02/20

Desafio nº 198

Vamos partir da palavra ROSMANINHO

Encontrem 8 palavras de 4 ou mais letras dentro dela. 
Cuidado, só estão repetidos os N e os O.

A seguir, é só escrever uma história em 77 palavras com essas 
8 palavras e onde terá de entrar uma formiga.


Diverti-me assim:
Vestido de azul-marinho, o besouro aldrabão apareceu com a minha irmã de braço dado. Percebi logo que a Belinha não saber quantos namoros este já fez e desfez, sempre a somar formigas enganadas. Chamou-me de mano e eu, alto lá, caladinho, que não sou nenhum asno! Logo ficou a Belinha num pranto, recitando-me as rimas pirosas que o besouro lhe oferecera. Encolhi os ombros, não são normais. Avancei pelo carreiro, qual formiga cumpridora, e mergulhei no açucareiro.
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 198 ― anagramas de rosmaninho

30/01/20

Desafio nº 197

Vamos ligar estas palavras em pares (liguem as da a linha de cima com as da linha de baixo como preferirem):

FURACÃO    TRABALHO     DESILUSÃO    FELICIDADE

VIOLETA       AMARELO           AZUL             CASTANHO

Depois, sabendo que as duas palavras de cada par estão sempre próximas no texto, o que vos surge?


Escrevi o meu assim:
Vi-me no chão, acastanhado pela lama, e tu chegaste, feito furacão. Viste-me desiludido, sentindo o desprezo pelo quadro onde desenhei os amarelos da vida. Quiseste que te descrevesse o trabalho, e fiquei preso nesses olhos azuis, que me entendiam. Levantaste-me, devolveste-me a confiança. Ensinaste-me a entender os nãos, eram opiniões. Um dia, vinguei como pintor. Numa onda de felicidade, procurei-te e apenas encontrei um cartão violeta com um sorriso. Dizias-me que eras apenas uma parte de mim.
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa

Desafio nº 197 ― pares de palavras e cores

20/01/20

Desafio 196

Desta vez, vamos começar o nosso texto em 77 palavras com esta frase:

«Só se fosse louca/o», explicou.

Que tal?

A mim, saiu-me assim:
«Só se fosse louco», explicou Ernesto. Nunca embarcaria num negócio qualquer, muito menos com Anacleto, que gostava de investir mal o dinheiro dos outros. «Deixa-me em paz!»
Anacleto preocupou-se. Como pagaria a marquise? E a conta do gás, já tão atrasada? E o arranjo do carro? Talvez a menina Lúcia da padaria caísse no engodo. Roubou flores murchas à Alzira, entrou na padaria a sorrir e disse:
«Bons olhos a vejam, linda menina Lúcia!»
Ela ficou derretida…
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 196 ― só se fosse louco

10/01/20

Desafio nº 195

Já que estamos a começar um ano novinho em folha, toca a ter um desafio sobre o ano que se foi. Pode ser o 2019 ou qualquer outro, tanto faz.
Regras: todas as frases terão no máximo 4 palavras e o tema é o Ano Velho.

Eu já experimentei:
Era um perito. Colecionava anos passados. Começara cedo. O primeiro fora 1934. Tinha então dez anos. Não mais parou. Ao receber aquele, intrigou-se. 2019 chegara nervoso. Às costas, injustiça. No coração, medos. Na esperança, feridas. Arrumou-o na prateleira. Logo se arrependeu. Voltou a arrumá-lo. Deu uns passos atrás. Não, ali não. Que ano difícil! Lembrava-lhe o de 1999. Sempre problemático. Colocou-os a par. Talvez resultasse. Fechou a luz. Começou a conversa. Envelheceram juntos. Estavam, por fim, tranquilos.
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 195 ― ano velho em frases pequenas

20/12/19

Desafio nº 194

Vamos ter um desafio que abrange o Natal e o Ano Novo!
Comecemos por descobrir palavras que usem as letras de ÁRVORE DE NATAL o ideal é usarem muitas letras nos anagramas, palavras pequenas não têm a mesma graça.
A A A  R R  E E    O D N T L V
Agora é construir um texto com o maior número delas.

Eu diverti-me com este:
Não sei como renovará o Simões aquela discoteca. Está sempre lotada, quase nem se cabe na rodela onde se dança. Interromper o negócio vai toldar os possíveis clientes, que não tardarão a rondar outros locais onde veranear a magia da dança. Ouvi dizer que vendera um atrelado que o dotara de uma quantia boa que vertera para as obras, mas chegará? Se fosse a ele, retirava o verdete das maçanetas e alisava o terreno. Parece-me mais sensato…
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 194 – letras de árvore de natal

10/12/19

Desafio nº 193

Vamos descobrir palavras da área vocabular de TRABALHO – ou seja, as palavras que se relacionam com trabalho.
Deveríamos conseguir reunir pelo menos 8 palavras.

A seguir, sabendo que algumas podem ser substituídas pelos seus contrários (literais ou metafóricos), vamos escrever um texto… em 77 palavras.

Mas, atenção, pode não ser sobre trabalho, pois esta palavra não precisa de entrar.

Saiu-me um texto assim:
Que raio! Se a tarefa era transportar um recorte de folha de vinha-virgem para o ninho antes da hora de recolher, sentiam-se incompetente. O chefe só pensava em quantidade de  recortes, fomentando uma competição desenfreada entre vespas. Ora, ela e a colega tinham acabado de sair do infantário. E, pior do que o desemprego, ou de um salário ridículo, era ficarem sem casa. Levaram um pedaço enorme, numa cooperação linda. Alguém ligou? Não… o ninho já fechara.
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 193 ― área vocabular de trabalho

30/11/19

Desafio nº 192


Que texto vos surge olhando para esta imagem? 
Bom, há uma limitação… O título é «Gaivotas em Pedra».
Divirta-se!

O meu ficou assim:
― Vê!, são pedras especialíssimas ― grasnou a gaivota Catastrófica, muito dada a teorias dramáticas. ― Isto é um sinal gravíssimo do fundo do mar!
A gaivota Simplícia, farta da outra, encolheu-se e concentrou-se no calor do sol, pois a noite fora fria. Mas a Alarmista, conhecida pelos seus dotes de sirene de 112, versão aquática, pôs-se a guinchar que nem um carro de bombeiros. Apanhou logo com uma cana de pesca na cabeça, que o pescador já não as podia ouvir.
Margarida Fonseca Santos, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 192 ― gaivotas em pedra
Fotografia de Rosário P. Ribeiro

20/11/19

Desafio nº 191


Há frases com números que são mesmo muito engraçadas. Vamos usar uma delas.

Escrevam o vosso texto em 77 palavras, sabendo que, lá para o fim, irá aparecer:
«Perdido por cem, perdido por mil!»

E já experimentei:
Uma bonita jarra, dizia a mãe. Para si, que limpava o pó à casa, era irritante. Cheia de relevos pirosos, dourados estimadíssimos, gosto muito duvidoso, trazia-lhe uma memória: fora oferecida por dona Jacinta, mulher de bigode e, por isso, beijos picantes. A jarra no chão, partida em cem pedaços (era dado a exageros, só tinha nove anos). Colá-los? Tarefa impossível. Varreu a jarra da sua frente. «Perdido por cem, perdido por mil!», pensou, do cinto não escaparia…
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 191 ― perdido por cem, perdido por mil