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16/03/18

Matilde Venâncio ― escritiva 24


A Cigarra e a Formiga
O Verão emprestou-lhe bons pensamentos, e ela abraçou-os. Lembrou-se de momentos calmos e exaltou-se com momentos prazerosos. Sentiu-se alegre – já não era um ponto suspenso numa folha morta. Não encontrou a fome que carregava, nem questionou a nova Cigarra que surgia. Permitiu-se ficar, quieta. Fixou o olhar na Formiga, fez com que lhe trouxesse migalhas. Transformou-se num insecto forte, mais autoritário, tão mais possível. E reencontrou-se em cada música que cantou e que não lançou às ervas.
Matilde Venâncio, 50 anos, Funchal
Escritiva nº 24 - mini histórias da infância


22/02/18

Martim Mendes ― escritiva 24


Roubo e recuperação da ervilha
Um ladrão roubou uma ervilha mágica do museu. Esta ervilha era especial, porque tinha promovido um casamento real.
Os guardas ficaram muitos chocados e assustados. Poderiam ser expulsos!
Felizmente, na ervilha, havia um microchip, que permitia ser detetado pelos instrumentos da polícia. Para o príncipe não saber, o diretor do museu, apressadamente, dirigiu-se à esquadra mais próxima. A deteção foi rápida. 
O castigo do larápio consistiu em proceder à limpeza do museu, de dia e de noite.
Martim Mendes, 14 anos, Lisboa 
Escritiva nº 24 - mini histórias da infância


20/12/17

Susana Sofia Miranda Santos ― escritiva 24

Gepetto, o carpinteiro, construiu uma linda boneca de madeira, baptizando-a de Susana.
Uma fada deu-lhe vida, responsabilizando o Grilo Falante como sua consciência oficial. Se apresentasse comportamentos condignos, tornar-se-ia uma criança como as demais.
Mas a missão do Grilo foi espinhosa... Susana mentia muito e, quando o fazia, as orelhas batiam; preferia travessuras em detrimento da escola.
Todavia, com amor, tudo se resolveu.
A fada converteu Susana numa menina verdadeira.
Gepetto ganhou a filha que tanto desejara.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Escritiva nº 24 - mini histórias da infância


16/10/17

Amélia Meireles ― escritiva 24

Era uma vez uma carochinha a quem tinha saído o totoloto. Rica, mas desamparada, colocou anúncio no facebook. Teve muitos likes, mas ninguém se apaixonou. A foto não revelava a riqueza que possuía. Desesperada, pôs-se à janela, gritando que era rica. João, amigo de boa comida, apareceu! Até se apaixonaram de verdade, ainda que houvesse algumas dúvidas. Naquele dia, João mais amigo da comida que do dinheiro, deixou-se ficar no restaurante, esquecendo-se da sua amada no altar.
Amélia Meireles, 64 anos, Ponta Delgada
Escritiva nº 24 - mini histórias da infância


30/09/17

Margarida Fonseca Santos - escritiva nº 24

Era uma vez uma menina muito pobre, esperta, honrada e saudável. Carregava um feixe de lenha. De repente…
Aparecem os três anõezinhos da floresta, Bi, Rebi e Ciribi (não tenho espaço para escrever como eram, azar). Dão-lhe a escolher ser como é ou rica e nobre. Zás, ela aceita, casa com um príncipe, e fica burra e doente.
No meio da aflição, chama pelos anõezinhos, que a deixam esperta, honrada e saudável. Estado novo no seu melhor!
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

29/09/17

Paula Castanheira - escritiva nº 24

Ela saltitava entre os dias, com leveza, ele arrastava-se pesadamente, carregando o desejo de ser pai!
Patrícia tinha um espírito rebelde, por diversas vezes chegava a casa, aninhava-se-lhe no colo segredando – vais ser papá – e Joaquim acreditava e abraçava-a feliz, depois ela desmontava sem misericórdia, a sua mentirinha e ria, ria…
Um dia, porém, a mentira foi verdade, o teste dera positivo. Correu para casa e quando lhe deu a notícia, ele saiu e nunca mais voltou!
Paula Castanheira, 53 anos, Massamá

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Elisabeth Oliveira Janeiro - escritiva nº 24

Na Tristeza e na Alegria
Andava o burro Malhado, triste, macambúzio...o dono achou-o de nenhuma serventia e pô-lo fora. Estrada além, encontrou o cão Ladino, o gato Façanhudo, o galo Falsete, o papagaio Tartamudo. Em concílio, uniram os destinos. Colhidos pela noite, vislumbraram uma cabana alumiada. Aproximaram-se. À mesa, larápios dividiam o ouro roubado.
Então, no escuro, papagaio papagueou, cão ladrou, gato miou, galo cantarolou, burro zurrou e os ladrões, assustados, deram à soleta.
Heróis! Novos donos, mas amigos para sempre.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 73 anos, Lisboa

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Theo De Bakkere - escritiva nº 24

O lobo e Capuchinho Vermelho
O lobo malvado, que acabou a devorar de uma vez a avozinha da Capuchinho Vermelho, esperava deitado na cama pela menina, sua sobremesa. Quando a rapariga ingénua chegou, não apercebia que estava na cama um lobo mascarado. No entanto, os grandes olhos famintos e a boca babosa assustaram-na e no momento que perguntou porque tinha ela dentes tão grande, o lobo atacou-a para devorar. Felizmente o guarda-florestal andava nas paragens e pôde salvá-la das garras do antropófago.
Theo De Bakkere, 65 anos, Antuérpia Bélgica

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Domingos Correia - escritiva 24

O pobre corcunda
Um pobre corcunda fez uma viagem. De noite, subiu a um carvalho. Por baixo, vieram pernoitar uns ladrões, cantarolando: segunda, terça, quarta, quinta, sexta!
O corcunda repetiu a cantilena… os ladrões mandaram-no descer, deram-lhe muito dinheiro, tiraram-lhe a corcunda.
Depois, contou tudo ao seu irmão rico que, ganancioso, o quis imitar.
Vieram os ladrões cantando a mesma lengalenga…
Julgando-se esperto, acrescentou à cantarolice… sábado e domingo também…
Os ladrões olharam-no, esmurraram-no e puseram-lhe a corcunda do irmão.
Domingos Correia, 59 anos, Amarante

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26/09/17

Lourença Oliveira - escritiva nº 24

João vivia nas nuvens a sonhar e trocou a vaca pela magia do feijão.
Sua mãe praguejou, mas o feijão semeou. O pé de feijão cresceu sem
parar. O rapaz a árvore quis trepar e um castelo no topo apareceu.
Escondido, o João viu: um gigante a roncar, uma galinha de ouro e a
harpa a tocar. João, com a harpa e a galinha, fugiu. Assim, o sonho
encheu de fartura a vida da família do João.
Lourença Oliveira, 45 anos, S. João do Estoril

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25/09/17

Catarina Azevedo Rodrigues - escritiva nº 24

Cinderela do séc. XXI
A miúda vivia com uma madrasta bera e duas irmãs invejosas. Era tão maltratada que nem tinha um iPhone. Alguém criou um evento no Face, ela procurou as calças mais rasgadas e foi. Conheceu um tipo e trocou SMS com ele a noite toda, mas quando ficou sem bateria pôs-se na alheta. Esqueceu-se dos fones e foi o pretexto ideal para se encontrarem novamente. Namoraram, casaram e postaram uma selfie. Todos fizeram like... todos, menos as irmãs.
Catarina Azevedo Rodrigues, 44 anos, Venda do Pinheiro

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Carla Silva - escritiva nº 24

Monstro!? Ná…
Era uma vez um monstro mal-humorado que vivia num castelo encantado. Era encantado porque o monstro era egoistíssimo! Numa aldeia vivia uma rapariga linda que fugia dum homem idiota.
Um dia ela mudou-se para o castelo, não interessa porquê! Mudou-se. Pronto!
Convivendo com o monstro, percebeu que havia pessoas mais monstruosas que ele e apaixonou-se.
Quando a fada, ou bruxa, que o enfeitiçara, percebeu que ela o amava verdadeiramente, quebrou o feitiço e eles viveram felizes eternamente.
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

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Alda Gonçalves - escritiva nº 24

O alfaiate valente
Num certo dia o alfaiatezinho alegre deparou-se com sua merenda repleta de moscas. Pegou no espanador, matou sete duma vez. Orgulhoso da façanha, escreveu numa tira de tecido: "mato sete duma vez".
A fama voou longe, chegando aos ouvidos do rei, logo este o incumbiu de tarefas impossíveis a troco da mão de sua filha. Em todas, com astúcia e habilidade, levou a melhor. A esperteza do alfaiate levou-o a tornar-se rei para o resto da vida.
Alda Gonçalves, 49 anos, Porto

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24/09/17

Quita Miguel - escritiva nº 24

Mentira
Tão grande era o desejo de Gepeto de ser pai, que um dos seus bonecos de madeira ganhou vida.
Ora, se era gente, tinha de estudar, pensou o velho e mandou Pinóquio para a escola. Pelo caminho Pinóquio ganhou dinheiro, que depressa lhe foi roubado.
Ao vê-lo a chorar, uma fada quis ajudá-lo, mas ele mentiu e o seu nariz denunciou-o crescendo.
Como seria bom que crescesse o nariz a todos sempre que faltam com a verdade.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais
Escritiva nº 24 - mini histórias da infância
Faça aqui o download do conto «Sonho Esventrado» https://www.smashwords.com/books/view/595005


Maria do Céu Ferreira - escritiva nº 24

O Coelhinho Branco
Era uma vez um coelho,
De pêlo branco, branquinho,
Foi à horta buscar couves
Para fazer o caldinho.

Ao bater na sua porta,
Berrou-lhe a cabra malvada
Que se fechara lá dentro…
E o Coelhinho chorava…

Encontrou a formiguinha,
Cansada de trabalhar
Que logo o reconfortou,
Prometendo ajudar.

Bateram ambos então…

― Eu sou a Cabra Cabrês
 Vou aí faço-te em três…
― E eu, a Formiga Rabiga,
Se entro aí, furo-te a barriga.

A cabrita apavorada
Desabriu atordoada.
Maria do Céu Ferreira, 62 anos, Amarante

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22/09/17

Helena Pereira - escritiva nº 24

A Lebre e a Tartaruga nos nossos dias...
Estavam a Lebre e a Tartaruga a jogar no telemóvel…
Amiga tartaruga queres fazer running comigo?
Vamos até ao final da Baía e voltamos,
quem ganhar publica a foto no Facebook.
Boa Lebre, comecemos…
A meio da prova a Lebre que levava algum avanço diverte-se a tirar selfies…
A Tartaruga que agora fazia trail, lá passou despercebidamente pela baía e regressou.
Quando a Lebre chegou já a Tartaruga festejava nas redes sociais e já contava 77 likes!!!
Helena Pereira, 44 anos, Seixal

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21/09/17

EB Galveias, 3º/4º B - escritiva nº 24

O Pedro e o lobo
O Pedro era um menino mentiroso e adorava pregar partidas.
Ele disse que o lobo o estava a atacar mas era mentira. Disse isto durante vários dias.
Os amigos tentaram sempre ajudá-lo. Mas descobriram que era tudo uma grande mentira.
Certo dia, o lobo atacou-o mesmo, mas os amigos não acreditaram e não o socorreram.
A sorte é que o avô estava perto e salvou-o.
O Pedro prometeu que nunca mais mentia.
Mentir é muito, muito feio!!!
EB Galveias, 3º/4º B, professora Carmo Silva

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Carlos Alberto Silva - escritiva nº 24

O desatino de Vermelhusca
Vermelhusca foi levar uma bucha à avó enferma. Ignorando as advertências da mãe, deambulou pela mata. Apareceu-lhe um lobo de falinhas mansas e ajustaram uma corrida.
Em três tempos, o bicho alcançou a casa da velha. Atemorizada, a senhora encafuou-se no guarda-fatos. Com artes de transformista, o carnívoro aninhou-se na cama dela.
Ao chegar, Vermelhusca desatinou com aqueles preparos: era tudo em grande, sobretudo os dentes...
Acudiram uns lenhadores, que escorraçaram a fera, salvando avó e neta.
Carlos Alberto Silva, 59 anos, Leiria
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Eurídice Rocha - escritiva nº 24

CHUMPETA-CHUMPATA.
João menino, tinha encontrado saca cheia de maçãs (experimentou supremo ímpeto pela propriedade privada), mas… polícia declarou-se dono do saco. João fugia do polícia, advogado ajudava João: - enlouquece-o, quando pedir maçãs responde CHUMPETA-CHUMPATA. João a tudo respondia CHUMPETA-CHUMPATA. Polícia com medo de contágio, fugiu. Advogado pediu que João pagasse o conselho: – Maçãs… uma para ti, dez para mim, uma para ti, vinte para… João retorquiu: - Alto lá,… CHUMPETA-CHUMPATA, CHUMPETA-CHUMPATA, … advogado desmaiou! Amigos e João comeram fraternalmente maçãs. 
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra

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20/09/17

Ana Paula Oliveira - escritiva nº 24

Era uma vez uma velha. E era uma vez um lobo esfaimado.
A velha saiu da sua cabana para ir ao batizado dos netinhos. O lobo saiu-lhe ao caminho para a degustar.
Mas ela estava magrinha, ele só teria ossos para trincar. E deixou-a partir. Na festa iria engordar, o banquete poderia esperar.
Na hora do regresso, o lobo esperava-a. Escondida numa cabaça, a velha respondeu-lhe:
― Não vi velha, nem velhão! Corre, corre, cabacinha, corre, corre, cabação!
Ana Paula Oliveira, 57 anos, S. João da Madeira,
Escritiva nº 24 - mini histórias da infância