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10/04/20

Mariana Silva Gonçalves ― desafio 175

PODIA não dizer nada e guardar para mim. AFINAL o Manuel andava a enganar a Teresa. SERIA como uma bomba a cair naquela casa. DEPOIS de ter visto aquilo, eu fiquei boquiaberta. PODIA ficar calada, mas decidi contar à Teresa. AFINAL de contas, o casamento era uma farsa. SERIA pior, no entanto, para os seus filhos. DEPOIS de tantos anos juntos, aquilo aconteceu inesperadamente.
Quando cheguei a casa, vi alguém armado à minha espera. Era o Manuel.
Mariana Silva Gonçalves, 17 anos, Vila Nova de Famalicão
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01/01/20

Ana Maria Monteiro ― desafio 175

PODIA esperar por ti eternamente, meu amor distante. AFINAL nunca nos despedimos, não dissemos o adeus. SERIA talvez um luto, luto doloroso mas libertador. DEPOIS poderia descansar, esquecer-te talvez, ou apenas dormir. PODIA não esperar-te nunca, amor que traiu. AFINAL foste apenas um intervalo entre dois tempos. SERIA fácil o esquecimento, não me farias falta. DEPOIS, a vida teria sido simples, sem pesadelos. Que mais dizer-te? Tudo poderia ter sido. Foi escolha minha, tudo foi escolha minha.
Ana Maria Monteiro, 59 anos, Braga
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25/10/19

Carla Silva ― desafio 175


Continuar
Podia fazer como sempre, fingir que não ouvira. Afinal, fazia-o há anos tentando evitar mais discussões.
Seria apenas mais um silêncio entre eles e depois disso ele iria afastar-se por algum tempo. Podia, e devia, pedir-lhe perdão por tanta frieza afinal, mesmo contra ambas famílias ele continuava persistindo. Seria idiota não reconhecer como ele era paciente.
Depois de tudo insistia em lutar por eles. 
Talvez um dia, ao contrário de o ignorar, ela ignorasse quem os rodeava.
Carla Silva, 45 anos, Barbacena
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21/07/19

Ana Rita Nápoles ― desafio 175

Podia contar-te um segredo, mas tu já sabes
Afinal já te disse tantas vezes, sem perceberes
Seria impossível esconder algo tão importante para nós
Depois abraço-te fortemente sem soletrar uma palavra
Podia dizer tanta coisa, mas olhar-te já chega
Afinal o que nos une é puramente imprescindível
Seria difícil sobreviver sem ele, que nos alimenta
Depois aconchegas-me com palavras que me fazem sorrir
Segredando devagarinho apenas dizemos um ao outro o nosso pequeno segredo “Amor para Sempre”
Ana Rita Nápoles, 35 anos, Torres Vedras
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30/06/19

Violeta Seixas ― desafio 175

Podia subir os degraus da vida dele, sim.
Afinal, tínhamos tanto a partilhar e a guardar.
Seria possível que aprendêssemos tudo de mãos dadas.
Depois caminharíamos, sem medo de ultrapassar o infinito.
Podia ser com passos vagarosos, mesmo muito vagarosos.
Afinal, teríamos todo o tempo para não adiar.
Seria amar, sem esmagar os dias, as horas.
Depois, ficaríamos sem saber, afinal, se haveria Depois.
Porque só o tempo de aqui estar valeria, afinal. Só aqui podia ser.
Violeta Seixas, 53 anos, Linda-a-Velha
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24/06/19

Paula Castanheira ― desafio 175

Podia ser só mais uma vida sem vida. Afinal foram anos de traições, medos, muitas lágrimas. Seria mais uma condenada a uma existência descolorida. Depois de anos, desamada, ignorada, desrespeitada, sentia-se encaixotada!
Podia voltar a apaixonar-se, pensou um dia, Benilde. Afinal tinha tanto para dar, tanto para partilhar. Seria possível, recomeçar, com os sessenta a caminho? Depois os filhos estavam criados, não dependiam dela…
Proporia o divórcio.
Atravessaria tempestades.
Sentia-se feliz, agora chegada ao ponto sem retorno…
Paula Castanheira, 55 anos, Massamá
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19/06/19

Filomena Galvão ― desafio 175


PODIA ter-lhe sido ensinado: Como dar a notícia?
AFINAL, a gravidade do resultado dos exames médicos
SERIA comunicado ao paciente e seria devastador, constrangedor. 
DEPOIS do choque, despertar para a dura realidade 
PODIA durar dois, três, quatro meses, no máximo
AFINAL a vida é um bem deveras precioso
SERIA das situações mais difíceis da sua profissão 
DEPOIS mais um e outro caso, resignado, adaptou-se: 
A medicina, por mais avançada que esteja, ainda não permite a vida eterna.
Filomena Galvão, 57 anos, Corroios
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16/06/19

Alda Gonçalves ― desafio 175


Podia ter sido muito diferente o desfecho dela.
Afinal não foram as escolhas que o ditaram.
Seria simples decidir viver no campo até hoje.
Depois de tantos anos, o destino foi destemido.
Podia sentir-se mais apta a enfrentar o futuro.
Afinal conhecera muita gente, havia feito grandes amigos.
Seria para se convencer do deslumbramento da infância.
Depois, pensou e reagiu: tenho direito ao sossego.
Maria regressava à Beira natal, ciente ser o último regresso, diagnosticada a doença.
Alda Gonçalves, 51 anos, Porto
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14/06/19

Odília Baleiro ― desafio 175


Podia ter ido contigo, mas decidi não ir. Afinal era já tarde e fazia tanto vento. Seria melhor marcar para um dia com sol. Depois preferi o meu canto, acompanhada de palavras.
Podia ter sido interessante, junto de gente bonita. Afinal, como já disseste, foi mesmo muito divertido. Seria fantástico, todos juntos, reviver tempos sem preocupações. Depois pensei que, afinal, foi bom para mim.
Reli palavras de um livro, companheiro de toda a vida. Preciso sempre dele!
Odília Baleiro, 63 anos, Lisboa 
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Theo De Bakkere ― desafio 175

Entre uma maiúscula e um ponto final
Podia ter sido uma história como há muitas. Afinal, todas as histórias iniciavam com uma maiúscula. Seria um relato banal, se fosses aquela mosca. Depois de caíres na teia sem escapatória possível. Podia ninguém te salvar dessa cruel morte certa! Afinal, és só uma mosca, ninguém se importaria. Seria visto como um ato útil, assassínio não. Depois, alguém com medo matou a aranha negra. Quem se importaria! Afinal ficará um contozinho banal, terminando com um ponto final.
Theo De Bakkere, 67 anos, Antuérpia Bélgica
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Mais textos aqui: http://blog.seniorennet.be

13/06/19

Isabel Lopo ― desafio 175

Podia desta vez ter corrido tudo bem connosco...
Afinal, tínhamos planeado tudo com um enorme entusiasmo.
Seria talvez a última oportunidade que nos dávamos.
Depois restou apenas a amargura de termos falhado...
Podia não ter entrado nesta aventura tão arriscada.
Afinal, não eras tão bom como te gabavas...
Seria uma oportunidade única de mudarmos de vida.
Depois, compraríamos a casa com que tanto sonháramos...
Mas tudo falhou naquele assalto. Resta-nos o consolo de sermos vizinhos de cela!
Isabel Lopo, Lisboa
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11/06/19

Natalina Marques ― desafio 175


PODIA ter contado, sim, uma mentira piedosa.
AFINAL, era fácil omitir a verdade que doía.
SERIA imprudente, mas tudo tem razão de ser.
DEPOIS, procura-se uma solução para resolver o problema.
PODIA contar a verdade, sem pensar nas consequências.
AFINAL pouco me importa se gostas ou não.
SERIA tão bom ficar com a consciência tranquila.
DEPOIS vem o sentimento de culpa, tristeza, desilusão.
Então, que o destino faça o seu trabalho,
e sejas feliz para sempre.
Natalina Marques, 60 anos, Palmela
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Eunice ― desafio 175


Podia ela, despida de orgulho, falhar-lhe de amor? Afinal, os compromissos haviam-lhes acertado apenas uma amizade. Seria possível assumir o verdadeiro tempero daquela pulsação? Depois de esperar ansiosamente ouvir a verdade, lembrou-se... Podia antes ouvir uma mentira: piedosa, amargamente protetora. Afinal, a doce verdade já lhe era conhecida. Seria capaz de aceitar um telhado tão frágil? Depois de controlar o coração, entregou-se ao silêncio... e, nele, o seu coração esperneou asfixiando a vida que ali havia nascido.
Eunice, 34 anos, Vila Nova de Gaia
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Teresa Caeiro ― desafio 175

Podia dizer mil palavras que não encontraria eco. Afinal, nada do que dizia lhes fazia sentido... Seria novamente apontado como o velho teimoso ridículo. Depois de uma certa idade, todos somos ignorados. 
Podia esperar um futuro diferente, já não acreditava. Afinal, a cabeça dos outros decide quem somos. Seria bom provar que estavam todos muito enganados! Depois de muito hesitar, resolveu arriscar e falar. Calaram-se, boquiabertos, ante a sua eloquência e acabaram por levá-lo, vitoriosamente, em ombros. 
Teresa Caeiro, 60 anos, Lisboa
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Elsa Alves ― desafio 175

Podia ter comprado outro livro, mas foi aquele.
Afinal a capa era atraente; o título irresistível.
Seria um reencontro com o meu escritor preferido.
Depois, iria ser o deslumbramento esperado com ansiedade? 
Podia viajar dentro dele? Viajar dentro de mim?
Afinal escolhemos nós os livros ou eles escolhem-nos? 
Seria uma hipótese de responder a essas perguntas. 
Depois, respostas para quê? Importantes são as perguntas.
Apertei o livro nas mãos. "É para embrulhar?" "Não, é para comer já..."
Elsa Alves, 70 anos, Vila Franca de Xira
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10/06/19

Maria Ferreira ― desafio 175


Podia estar a fazer algo que me extasiasse. Afinal, a vida tem mundos impenetráveis por descobrir. Seria, então, alcançado o céu, tantas vezes almejado? Depois, recordaria momentos e sonharia outros, ainda melhores.
Podia, simplesmente, estar a conversar com os amigos. Afinal, a amizade é um bem insubstituível, inestimável! Seria um prazer simples, caseiro, quotidiano, sem ambições. Depois, pensaria em como é simples ser-se feliz.
Mas, não! Nada disso! Estou, miseravelmente, a corrigir testes, ombro e pulso doridos.
Maria Ferreira, 59 anos, Arruda dos Vinhos
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Margarida Leite ― desafio 175


A falta de tempo
Podia ter sido a melhor mãe do mundo. Afinal, sempre teve tudo: dinheiro, saúde e amor. Seria isso o suficiente para tarefa tão difícil? Depois de todos estes anos, sabia que não.
Podia ter passado menos horas naquele amargo escritório. Afinal, o dinheiro não lhe trouxe a felicidade! Seria muito melhor ter passado tempo com ela. Depois, lembrava-se dos seus pedidos para a abraçar…
Agora, inconformada, chorava a sua perda, com o coração dilacerado de tamanha dor.
Margarida Leite, 49 anos, Cucujães
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Chica ― desafio 175

Podia tudo tão simples ser, bastaria apenas pouco.
Afinal ela queria apenas poder participar do desafio.
Seria, como sempre, em todos os outros dias
Depois de acordar, ligar o computador e criar

Podia, mas por qual motivo hoje não deu?
Afinal, fiz tudo certinho como nos outros dias.
Seria problema na máquina que novamente pedia férias?
Depois de tantos anos, ele também dela precisava?

Se estivesse cansado como a dona, certamente sim e pronto para pedir "reparos".
Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
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Desafio nº 175

Hoje, iremos trabalhar o ritmo do texto. Como? Assim:

Vamos ter uma imposição de palavras a inserir no início de frases com 8 palavras (a obrigatória mais 7). Faremos esta sequência por duas vezes. No fim, sobram 13 palavras livres, para terminarem o texto.

Aqui ficam as que iniciam cada frase:
PODIA    AFINAL    SERIA    DEPOIS
PODIA    AFINAL    SERIA    DEPOIS
+ 13 palavras livres

Eu escrevi assim:
Podia ter sido diferente, se não tivesse visto. Afinal, éramos amigos, acreditaria no que me contasse. Seria estranho, mas eu aceitaria tudo sem zangas. Depois de o ver pagar ao homem, não. Podia vir-me dizer que eu estava enganada, podia. Afinal, eu até nem conhecia o homem, gritou. Seria talvez um chantagista, temi, enfurecendo-o ainda mais. Depois de tantos gritos, ainda me pareceu pior. Pagar-lhe para quê? Trazia-lhe droga? Não. Era o seu padeiro, pagava-lhe o pão…
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
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