Mostrar mensagens com a etiqueta desafio nº 98. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta desafio nº 98. Mostrar todas as mensagens

03/08/18

Elsa Alves ― desafio 98


A casa da minha infância
A casa da minha infância era o meu castelo.Na escada de pedra ocorriam sangrentas batalhas. Os inimigos subiam os degraus mas, lá em cima, esperava-os o meu exército. Que prazer derrubá- los um a um, e, chegar-lhes ao pescoço, as nossss espadas de madeira. Um dia, levei lá o João. Olhou a casa abandonada e murmurou: "Pai, que chatice! Sem elevador?!?" Só me apeteceu deitá-lo ao chão e encostar-lhe ao pescoço a minha espada de madeira. Palavra! 
Elsa Alves, 70 anos Vila Franca de Xira
Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

03/10/17

Susana Sofia Miranda Santos - desafio nº 98

Hoje vim à casa dos pais já falecidos com o agente imobiliário para avaliar o imóvel.
Esta casa magnificente foi palco do amor dos meus pais, da minha infância feliz.
Actualmente, paredes negras acanham a moradia, ervas gigantescas pejam o quintal, espelhando a tristeza que o pai sentiu quando a mãe faleceu e da falta de apoio que lhe votei num momento difícil.
Desisto! Não venderei a casa, irei restaurá-la... o amor dos pais merece esta atitude!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

17/07/17

Vera Saraiva ― desafio nº 98

Lembro-me do tempo em que aquele velho sofá era a poltrona do avô. O tempo passou e tudo envelheceu… A madeira das janelas degradou-se com a chuva e com o calor. A tinta da parede foi arrancada pelas intempéries. O jardim, que outrora fora resplandecente, graças ao tempo interminável que o avô lhe dedicava, é hoje abrigo de ervas daninhas e animais que ali encontraram a sua casa. Apesar de tudo, a casa permaneceu. Avô, onde estás?
Vera Saraiva, 37 anos, Redondo

Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

04/07/17

António Matos ― desafio nº 98

Ali, na Avenida dos Estados Unidos da América, em Lisboa, com uma família de pai e filhas, ficara a cadela que tanta alegria dera ao jovem casal que inicialmente a acolhera. Era um animal enérgico, que teve a sorte de diariamente galgar parques urbanos em correrias infantis. Caçadora nata e de temperamento nervoso e inquieto, só depois de uma tarde a pular nos arrozais se entregava a um sono profundo e embalado pelo crepitar da lareira antiga.
António Matos, 31 anos, Lisboa
Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

19/06/17

Fernanda Costa - desafio nº 98

Piso o local pela primeira vez, anseio pela água salgada. Vou de carro, depois a pé. A insegurança domina-me, mas o caminho chama-me.
Há uma propriedade privada, fabulosa, imponente, construída em dias felizes. A decadência é visível, as palmeiras há muito se despediram. Apesar de tudo, merece ser amorosamente requalificada. 
Em deslumbramento, atravesso-a!
Encontro um oceano brando ― o rio recebeu-o.
Na praia, há conversas esclarecedoras ― o local é paradisíaco.
Não tenho dúvidas, os anjos pegaram-me ao colo.
Fernanda Costa, 55 anos, Alcobaça

Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

20/03/16

Tempos idos

O tempo de sonhos despreocupados,
aqui ficaram enterrados.
Tudo se varreu ao partir.
E o regresso traz à memória,
esse tempo que guardaste para ti, os
momentos em que o via sentado nesse sofá
lendo o jornal da manhã.
Saltava-lhe para o colo, não se zangava.
Que resta de ti, agora!!!
As tuas paredes? A janela onde o meu primeiro amor
me roubou o primeiro beijo.
Que devo esperar de ti, se roubaste essas coisas de mim.

Natalina Marques, 56 anos, Palmela
Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

18/11/15

Programa Rádio Sim 642 – 18 Novembro 2015


OUVIR o programa! 

Visite o site da Rádio Sim

Até...
Todo o prédio sente a falta da música dos teus passos, pai. Os degraus das escadas recusam-se a ranger da mesma maneira; as ervas crescem para te tentarem ver pelas janelas; o sofá rasgado convenceu-se que é uma sentinela. É esta vista a preto e branco que te espera.
Por isso, pai, preciso que lhes expliques por que já não vens. Outra vez.
Até a cor voltar.
Até eu acreditar.

Ana Pessoa, 37 anos, Alenquer
Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

13/11/15

O Primeiro Beijo

Jardim abandonado. Uma janela fechada ( outra aberta, cuidada) ou escura? Como o negrume do sofá onde conversando. De quê? Não se recorda. Certamente de si, tão hipercentrada estava. Escutou-a. De ouvinte sentiu-se ouvida, analisada pelas palavras por ele proferidas. O comportamento desinibido possibilitava o diálogo com um homem, quase, desconhecido
Pouco lhe permitiu dizer. Mas percebeu o fascínio por si. Mesmo assim foi inesperado o beijo na despedida desse dia.
Saiu perplexa! Que raio se passara?!

Isabel Pinto, Setúbal

Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

12/11/15

Programa Rádio Sim 638 – 12 Novembro 2015


OUVIR o programa! 

Visite o site da Rádio Sim

Voltar a ver-te
Vamos caminhar? Passas demasiadas horas nesse sofá – dizias-me.
Detestava abandonar um livro, mas seria apenas pelo tempo de uma caminhada.
Adoravas caminhar. Dava tudo para voltar a fazê-lo, no ritmo do costume, pelos mesmos lugares, beber café no local habitual e voltar.
Aquela monotonia faz-me falta. Tal como tu.
Hoje, não te levei flores. Pedi para voltar a nossa casa.
Espero que o que me resta passe rápido. Quero voltar a ver-te, e continuar a caminhar contigo.

Pedro Emanuel Santos, 30 anos, Valongo
Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

10/11/15

Programa Rádio Sim 636 – 10 Novembro 2015

OUVIR o programa! 
Visite o site da Rádio Sim



Casa velha.
Espólio de amores e desamores, tolhida de sonhos passados.
Teus degraus contam histórias,
nas pegadas apressadas, decididas ou hesitantes.
As janelas confessam saudade, dos tempos de namoro.
Proscénio abandonado,
outrora palco de brincadeiras,
ornamentado por trepadeiras.
Estiveste na ribalta,
hoje vives de quimera no teatro da vida,
contado na poltrona
que outrora embalou crianças,
foi ninho de promessas de amor
e acomodou velhinhos no final da sua jornada.
Retrato de duas vidas, pintado a aguarelas!

Paula Gomes, 41 anos, Porto de Mós 
Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves


25/10/15

Talvez...

O tempo gastou a casa. Gastou as palavras das estórias contadas. Gastou as risadas inocentes.
A casa gastou-se, como as outras coisas, acabou. Visitei-a, demoradamente, em cada sala ecoava-as, as estórias, as palavras. Qualquer coisa que resistia ao tempo, morava-a. Não sou de pensar, de ter deus, de ser otimista. Mas quando cheguei de lá, mudei-me. Vesti, remocei-me, talvez a memória não seja tão íntima, egoísta, talvez venha do espaço, do que não se sabe nada, sim.

Constantino Mendes Alves, 57 anos, Leiria

Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

Virando a página!

Este casarão foi o palco
De boas e más memórias,
Acolheu filhos e netos,
Viveu derrotas, vitórias!

E, tal como  passarinhos,
Partiram para outro lado,
Deixando no interior
O casal com o seu passado!

E, estes fazendo o balanço
E lembrando um sonho antigo,
Deixam casa e bens para trás
E mudam também de abrigo!

Uma casinha pequena,
Plantada à beira do mar,
Para ouvir o som das ondas,
Ver o pôr do sol e o luar!

Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

22/10/15

Programa Rádio Sim 624 – 22 Outubro 2015


OUVIR o programa! 

Visite o site da Rádio Sim


Sou feliz
Sei o que estás a pensar, mas não é verdade. Não me sinto sozinho, não estou triste, nem fui abandonado nesta esquina. Estou cheio de boas recordações, passaram por mim beijos, carícias, segredos, sonhos, conversas, lágrimas e sorrisos de muitas gerações. Vi céus estrelados e noites de lua cheia, senti o calor do sol e a suavidade da chuva. Tive frio? Tive! E medo também, mas sentei a vida e o mundo ao colo e sou feliz.

Paula Cristina Pessanha Isidoro, 34 anos, Salamanca, Espanha
Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

21/10/15

Duas janelas

Duas janelas paradas, fechadas em si.

Repartem o desabitado da vida.
Foram olhos vistosos, felizes, abrigam agora as memórias desses tempos.
 Amigas desde sempre, nunca se apartaram.
São histórias incontáveis, incríveis as que testemunharam.
Nos dias de sol, portadas escancaradas, eram a luz da vida.
Passa num rufo o tempo, não espera, corre, voa.
A jovem nespereira, esperança renascida, acredita na reconstrução.
Contaram-lhe uns passarinhos que em breve chegará a alegria,
trazida por uma família.

Goretti Pina, 53 anos, Odivelas
Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves


20/10/15

Programa Rádio Sim 622 – 20 Outubro 2015

OUVIR o programa! 
Visite o site da Rádio Sim

Quase…
Assomou ao portão e o ar fugiu-lhe.
Inspirou mais forte e quase, quase, lhe chegou o cheiro da madressilva, das rosas do canteiro do canto, do pão quente da manhã.
Quase ouviu o seu nome cantarolado, o jantar anunciado. Quase lhe cheirou a “Madeiras do Oriente” e a roupa lavada.
Os olhos afagaram o couro polido do sofá onde viajara nas histórias que lia e inventava.
O caruncho gritou mais alto. E uma lágrima quase, quase, rolou.

Maria José Castro, 55 anos, Azeitão
Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

14/10/15

Na bagagem dela já não tinham espaço

A secular casa abandonada e desgastada pelo tempo guarda a memória fria e silenciosa da passagem solitária e sofrida daquela mulher por aquela moradia. Quem passa e se detém a olhar a fachada, nem imagina. Cada pedra, cada janela, cada ombreira testemunharam o seu arrastado viver em sofrimento naquela ‘habitação’. Feitas as malas – apenas duas – e fechada a porta, ficaram os dias de tormento. À casa não faziam mossa e na bagagem dela já não tinham espaço. 

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra 

Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

13/10/15

Laboratório de exploradores

No meio de um mato cheio de árvores, arbustos e plantas, havia uma casa abandonada.
Numa das suas expedições àquele mato, o Jorge, um explorador conhecido, encontrou a casa. Apesar de sentir receio, entrou lá dentro. Viu teias de aranha e as mobílias todas partidas e sujas.
Durante algum tempo, visitou a casa diariamente.
Uma vez que continuava abandonada, o Jorge resolveu chamar a produção do programa "Querido, mudei a casa!" e transformou-a num laboratório para exploradores.

2º/4º B, Escola básica de Ramilos, Agrupamento de escolas de Búzio, Vale de Cambra, prof. Cátia Silva
Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves


A mudança da dona Chica

– Vamos, mexe-te! – dizia a pulga Chica ao marido.
– Isso é fácil de falar... há horas que andamos aos saltos.
– Ai homem, cala-te!
– Podias ter esperado pelo cão do 5º B.
– Ele não vinha para estes lados, vês? Já chegámos. Que achas? Aqui até tens um cadeirão confortável para viveres, não há crianças fazendo barulho, ervas altas e ali no 3º andar mora um gato... Para as viagens mais longas!
– Parece que pensaste em tudo.
– Pensei, não foi?

Carla Silva, 41 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

Casa assombrada

Era uma vez uma casa muito bonita onde vivia uma família muito rica e muito feliz.
Um dia, enquanto tinham ido de férias, a casa foi assaltada. Ficaram sem dinheiro, sem nada...
Depois de pensarem, decidiram ir para outro país e a casa ficou abandonada. Os vidros partiam, as janelas abriam, as portas batiam... mas a chaminé fumegava, o fogão cozinhava e a televisão funcionava. E no sofá do jardim alguém ressonava.
Esta era uma casa assombrada!

2º A, Escola básica de Ramilos, Agrupamento de escolas de Búzio, Vale de Cambra, prof. Cátia Silva

Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves

12/10/15

Talhas do destino

Joana olhou o casarão abandonado. Criança órfã, fora outrora ali pedir esmola. Negaram-lha… por entre os canteiros do jardim, recorda, brincavam duas meninas.

Depois, a guerra… medo… a fuga… e na pressa, um sofá perdido no jardim… ela, órfã e sozinha, como o sofá, foi ficando... perdida, ignorada…
O tempo passou.
Agora, mulher, bem sucedida, encontrou as duas meninas. Mulheres elas também, mas pedindo esmola por entre as ruas de um país estrangeiro…
...Acolheu-as na sua mansão.

Domingos Correia, 57 anos, Amarante

Desafio nº 98 – fotog de P Teixeira Neves