25 junho 2018

Programas Rádio Sim - semana 25 junho 2018

Todos os programas, sempre com Helena Almeida e Inês Carneiro, 

nas Giras e Discos, podem ouvir-se aqui (ou pelos links que estão em baixo).

Indicativo do programa:








- Música e letra: Margarida Fonseca Santos; 
Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso
- Histórias de Cantar CD - Conta Reconta

22 junho 2018

Theo De Bakkere ― escritiva 33


Os jardins do palácio Fronteira 
Das janelas da biblioteca, olhei para os jardins de Fronteira, lá na sombra do pomar, uma multidão estava a ouvir um guia. E na galeria dos reis, como se fosse uma exuberante alcateia de lobitos, brincava uma turma de cadetes do exército ao jogo das escondidas. Injustamente, faltava-lhes o interesse para os azulejos.
Sem júri perito, acho a mais engraçada apresentação: daquele rancho de animais, tocando música, enquanto que o coro entoa uma canção em sinfonia polifónica.
Theo De Bakkere, 66 anos, Antuérpia Bélgica
Escritiva 33 ― 7 nomes coletivos

Filomena Galvão ― escritiva 33


Catarina saiu do arquipélago, não aguentava aquela multidão junta ao casario sempre a quadrilhar. Era dada às artes, mas por muito que gostasse de dança, aquilo era demasiado. Preferia a pintura e queria trabalhar, se possível, expor numa galeria.
Pesquisou o jornal diário na biblioteca e candidatou-se a uma vaga. Teria que passar pelo crivo de um júri, mas tinha de arriscar. O sonho assim lho ditava. Foi aceite. Os seus sentidos entraram todos numa grande sinfonia.
Filomena Galvão, 57 anos, Corroios​
Escritiva 33 ― 7 nomes coletivos

Margarida Freire ― escritiva 33


O velho mar “que Europa de África divide” é palco de muitos dramas, ao longo da História, mas raramente como agora.
Uma FROTA de frágeis embarcações, apinhadas de uma pequena MULTIDÃO de gente fragilizada, demanda a Terra Prometida
Mas num EXERCITO treinado, qual ALCATEIA atenta, numa SINFONIA que ecoa da Itália à Hungria, “senhores do Mundo” recusam. Na GALERIA do PE, raras vozes os defendem. Até que, num imenso CORO, os Povos do Mundo inteiro gritem CHEGA.
Margarida Freire, 75 anos, Moita
Escritiva 33 ― 7 nomes coletivos

Paula Castanheira ― escritiva 33


Contemplando o que restava da sede do rancho local, Adosinda, olhos húmidos, coração apertado, recorda o casario, que ladeava aquela rua, onde outrora bandos de crianças se atropelavam em sinfonias de brincadeiras. O pomar e o olival do avô, eram agora selvas intocáveis. Amiúde, alcateias famintas, desciam à aldeia, procurando sem sucesso, o alimento que a serra queimada lhes negava.
Aquela que já fora jardim da sua infância estava moribunda, atingida sem dó, pela lepra do esquecimento.
Paula Castanheira, 54 anos, Odeceixe
Escritiva 33 ― 7 nomes coletivos

20 junho 2018

Maria João Barradas ― desafio 59


Não subas! Não caias! Não rasgues! Não comas! Não sujes! Não te distraias! Não fujas! Não saias! Não voltes! Não ames! Não cuides! Não traias! Não vivas! Não morras!
Mas ele subiu tantos muros, caiu tantas vezes, sujou as camisas, rasgou os calções, comeu mil gomas, distraiu-se na escola, saiu para a noite, fugiu de casa, voltou muitas vezes, amou tanta gente, cuidou dos amores, traiu traições, viveu como soube, nunca disse nunca e morreu quando quis.
Maria João Barradas, Faro
Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

Chica ― escritiva 33


O susto
O CASARIO já se via bem ao longe. 
BANDO de pessoas se aproximava da ponte. 
A MULTIDÃO crescia para ver o EXÉRCITO marchando, acompanhando um CORO que entoava o hino da cidade. 
Tudo para festejar mais um aniversário da BIBLIOTECA local. 
O festejo teve como ponto culminante um piquenique junto ao POMAR e OLIVAL. 
Ao final, reuniram a TURMA, fizeram fotos para a GALERIA oficial. 
Tudo certo, pena uma ALCATEIA não convidada que colocou todos a correr! 
Chica, 69 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Escritiva 33 ― 7 nomes coletivos

Escritiva n.º 33


Junho é mês de hordas de turistas que invadem tudo o que é rua ou ruela aqui em Salamanca e que me avisam de que já falta menos para as férias de verão. E falando de grupos, lembrei-me dos nomes coletivos e apeteceu-me propor-vos o seguinte desafio: escreverem o vosso texto usando 7 dos seguintes nomes coletivos.

Coro/turma/bando/alcateia/biblioteca/frota/exército/arquipélago/
multidão/olival/pomar/sinfonia/quadrilha/rancho/casario/ júri/galeria

Naquela TURMA cantavam todos tão bem, que a professora de música decidiu inscrevê-los no concurso de COROS do ARQUIPÉLAGO. Ao final do dia, lá vinham eles em BANDO para inundarem a BIBLIOTECA com alegres SINFONIAS. Assim foi até ao grande dia em que, tomados por uma súbita afonia coletiva, ao subirem ao palco foram incapazes de cantar uma só nota.
Para surpresa geral, o JÚRI declarou vencedor o silêncio harmonioso como a melodia mais afinada do concurso.
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 37 anos, Salamanca
Escritiva 33 ― 7 nomes coletivos

19 junho 2018

Isabel Lopo ― desafio 143


Na reunião da bicharada faziam-se conjeturas. «Imagina», dizia a barata, «que tu, formiga, encarnavas a cigarra...»
«Eu que gasto os meus pés a trabalhar, transformar-me nessa inútil!», retorquia a formiga.
«Mas canta e encanta», dizia o gafanhoto, «enquanto tu és uma chata...»
A formiga ficou a matutar naquilo... À noite, enfeitou-se e pôs-se à janela a cantar. Mas desafinou e todos fugiram.
Quando acordou viu um grande cartaz: FORMIGA QUE ENCARNA EM CIGARRA, SÓ ASSUSTA A BICHARADA.
Isabel Lopo, Alentejo
Desafio nº 143 ― novo ditado popular

Ferrugem ― desafio 133

Procurava um caminho por onde ir. Observava todos os sinais, sem ter muitas certezas, sentia-me inseguro, mas sabia que tinha de seguir. Fui em frente. O caminho era sinuoso, com tantas curvas não via o horizonte, mas caminhava. Exausto parei, sentei me na berma. De repente surgiu uma borboleta, fiquei encantado com a sua beleza. Inebriado fiquei estático, desequilibrei me e cai na estrada num monte de silvas. Senti dor. Comecei a sentir o meu corpo acordado.
Ferrugem, 45 anos, Porto
Desafio nº 133 ― cair nas silvas

Helder Bernardo ― desafio 26


Num outro dia, num outro lugar, voltarás a ser flor de Primavera e eu  Sol do meio-dia. Todo o teu esplendor espalhará pureza imaculada e receber-me-ás nas ondas claras da madrugada. Seremos, de novo, apenas um só corpo, apenas uma só alma.
Nesse sítio distante, nascerão flores, há muito esquecidas, recicladas pela linha do tempo. As árvores, animadas pelos ventos do sul, perfumarão os caminhos e desfilaremos em tapetes de pétalas orvalhadas, até ao final dos tempos.
Helder Bernardo, 57 anos, Sines
Desafio nº 26 – dedicatória para alguém

18 junho 2018

Diário 77 ― 73 ― A porta aberta


Não conseguia esconder o que sentia. Havia um sorriso desconcertante a nascer-lhe no rosto, escapando-se da censura rigorosa que imaginava obrigatória quando, sozinha, caminhava em espaços públicos.
Tudo começara meses atrás. Um ponto final numa carreira, um ponto de interrogação no futuro e umas reticências nas ideias. Agora, tudo mudara. O projeto fora aceite, abrira-lhe uma porta para a qual escolhera bem a chave: a sua criatividade.
Cruzando-se consigo na passadeira, alguém lhe devolveu o sorriso. Corou.
Margarida Fonseca Santos

Programas Rádio Sim - 18 junho 2018

Todos os programas, sempre com Helena Almeida e Inês Carneiro, 

nas Giras e Discos, podem ouvir-se aqui (ou pelos links que estão em baixo).

Indicativo do programa:








- Música e letra: Margarida Fonseca Santos; 
Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso
- Histórias de Cantar CD - Conta Reconta

16 junho 2018

Dânia Vicente ― desafio RS 28


Procura-se bruxa
Naquele reino tudo florescia, exceto alguns habitantes. Os jardins perfumavam-se, as árvores doavam-se. Olhavam tudo com desdém! Alguns, até exclamavam:
― Para que é isto! Coisas que vêm e vão! Admirar isto, só de malucos!
Sentiam urgência em criar uma bruxa. Ter ali, mesmo ao pé, uma pessoa muito má, suja e a cheirar mal, isso sim, ia dar-lhes verdadeiro prazer.
Trabalharam intensamente, e conseguiram. Perversão aqui, invenção ali, palavra acolá. Pronto, tinham a bruxa Josefa! Sentiam-se felizes!
Dânia Vicente, 44 anos, Penamacor
Desafio RS nº 28 – Josefa, intriguista e bruxa

Zé Maria ― desafio 5


Acompanhar cantar vagabundo daqueles que alegram mundo
Acompanhar a presença daqueles dois era privilégio.
Cantar músicas juntos que lhes despertassem alegrias tornara-se imperativo.
Vagabundo éramos, não havia nem Eu nem Ela, éramos Nós; não tínhamos lar, éramos de onde estivesse o outro;
Daqueles com quem sabe bem viver, isso sabia-lhes bem saber; já existiam melhor por saber que um e outro existiam,
Que amam, sabem ser amados,
Alegram qualquer espaço,
Mundo lindo e Mágico: Amor!
Zé Maria, 37 anos, Sintra
Desafio nº 5frase de sete palavras, cada palavra está depois de 10 em 10 palavras

Dânia Vicente ― desafio 35

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos ― repetia incessantemente Justina.
Ela sabia que era utopia. Em cada esquina, chat ou esplanada, havia palavras como bombas, pisando os ouvidos, o coração ― a existência.
Justina refletia vezes sem conta ― como era possível! Contaminam o ar que respiram - aquilo que ainda resta da divina criação ― sem pudor!
A cumplicidade desaparecera, a bondade amesquinhada, a beleza repudiada e assim ia o mundo, como as flores mortais, com que se enfeita
Dânia Vicente, 44 anos, Penamacor
Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor
Sophia de Mello Breyner Andresen ― Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos ― in 'Dual' 
Antero de Quental ― Como as flores mortais, com que se enfeita ― in "Sonetos"

Carla Silva ― desafio 142


Jerónimo Continente permaneceu parado na porta, incrédulo.
No rosto expressava a incredulidade que sentia.
Tudo parecia saído de um filme fantasmagórico.
Pestanejou esperançoso mas a miséria continuava ali.
O cortinado, além de roto, estava nojento. 
No frigorífico um prato de rins esquecido.
Junto à mesa jazia uma travessa partida.
Começava a achar aquele retiro péssima ideia. 
Quem pensara alugar a casa naquele estado?!
Uma mera limpeza não resolvia a situação.
E ele que se prometera uns dias...
Carla Silva, 44 anos, Barbacena 
Desafio nº 142 ― 11 palavras para frases de 7

Zé Maria ― desafio 5


Ah, era um ouriço, fiquei mais descansada!
Ah, que susto, nem imaginam!!! Aquele som, que se ouvia,
era assustador, e eu não percebia quem o podia fazer.
Um leão, não era de certeza… Seria então uma cobra? Um
Ouriço?! Estava a delirar, já se vê, era tudo mentira…
Fiquei quieta, a pensar que aquele fruto da minha imaginação
mais uma vez me distraíra. Voltei ao trabalho, queria ficar
descansada, acabá-lo. E não é que o som voltou?! Bolas!!!
Zé Maria, 37 anos, Sintra
Desafio nº 5frase de sete palavras, cada palavra está depois de 10 em 10 palavras

Helena Rosinha ― desafio 142


Atrás do cortinado do dormitório, Julinha cismava. Não se conformava com a miséria circundante. Liberto de amarras castradoras, o pensamento voava. Sabia que o poeta chegava do continente. Determinada, saltaria pela janela, correria Travessa fora. Encontrar-se-iam no porto, lembrá-lo-ia da promessa feita. Num golpe de rins resolveria a situação. Esquecer tudo, todos, seria uma limpeza geral.
Denso nevoeiro cobre agora Fajã do Retiro. Um navio desaparece engolido por fantasmagóricas volutas. Incrédula, sentindo-se ultrajada, Julinha expressa desesperada consternação.
Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 142 ― 11 palavras para frases de 7

Zé Maria ― desafio 77


Eu: Porquê este número?
Ela: Porque 50 é muito difícil e 100 muito fácil... e porque é divertido.
Porque se fosse outro poder-se-ia perguntar porque não era este,
Porque gosto da ideia de não ser redondo como 6 ou 8 e ser dobrado.
Porque razão as coisas são assim e não de outra maneira!?
Porque se corre bem não é preciso mudar as regras.
Porque sim, porque ainda não encontrei motivos para querer mudar.
Porquê essa pergunta!?
Zé Maria, 37 anos, Sintra
Desafio nº 77 – texto sobre o blogue