22 setembro 2017

Carlos Alberto Silva - desafio RS nº 23

Em campanha
As comitivas das duas listas concorrentes à associação de estudantes do colégio feminino cruzam-se num corredor. Um encontrão incendeia os ânimos. Começam as provocações. Esgotando-se os argumentos, vêm os insultos, que sobem de tom e baixam de nível.  
― Sua esta, sua aquela!
― Isso és e a tua mãezinha!
Até que surge o ultraje mais rasteiro, a ofensa suprema:
― Sabes o que és, sabes?
― Não, mas tu vais dizer-mo, não é?
― Vou. És uma grandessíssima e refinadíssima… po-lí-ti-ca!
Carlos Alberto Silva, ​59 anos, Leiria
Desafio RS nº 23 – história de mulheres

Mais contos aqui: ​ficcoesbreves.blogspot.pt

Helena Pereira - escritiva nº 24

A Lebre e a Tartaruga nos nossos dias...
Estavam a Lebre e a Tartaruga a jogar no telemóvel…
Amiga tartaruga queres fazer running comigo?
Vamos até ao final da Baía e voltamos,
quem ganhar publica a foto no Facebook.
Boa Lebre, comecemos…
A meio da prova a Lebre que levava algum avanço diverte-se a tirar selfies…
A Tartaruga que agora fazia trail, lá passou despercebidamente pela baía e regressou.
Quando a Lebre chegou já a Tartaruga festejava nas redes sociais e já contava 77 likes!!!
Helena Pereira, 44 anos, Seixal

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

21 setembro 2017

Lourença Oliveira - desafio nº 125

O jardim de Marta, na sala dos livros, era feito de peças de dominó em
pé disposta em forma de coração. Um momento feliz da vida plantava uma
peça de dominó.  E estas pulsavam ao ritmo da vida. Naquele dia,
sentada na poltrona junto do jardim com um livro na mão, um alerta
soou: ― Lamentamos, nada mais podemos fazer por Pedro. A última peça
desequilibrou-se com uma única lágrima e o jardim desmoronou-se num
tornado de emoções.
Lourença Oliveira
, 45 anos, S. João do Estoril
Desafio nº 125 – tornado no jardim

EB Galveias, 3º/4º B - escritiva nº 24

O Pedro e o lobo
O Pedro era um menino mentiroso e adorava pregar partidas.
Ele disse que o lobo o estava a atacar mas era mentira. Disse isto durante vários dias.
Os amigos tentaram sempre ajudá-lo. Mas descobriram que era tudo uma grande mentira.
Certo dia, o lobo atacou-o mesmo, mas os amigos não acreditaram e não o socorreram.
A sorte é que o avô estava perto e salvou-o.
O Pedro prometeu que nunca mais mentia.
Mentir é muito, muito feio!!!
EB Galveias, 3º/4º B, professora Carmo Silva

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

Eurídice Rocha - desafio nº 24

Ai amiga
Estavam duas melgas brincando
Quando um jacto ali passou
Melga escanzelada travou
melga gorda embateu e tropeçando
esmagou a outra até chiar
fraco zumbido... pobre escanzelada
― Acho que estou achatada
Será que te podes desviar?

― Não sei como te vais safar
na entrevista do primeiro emprego…
mas eu tenho-te tanto apego
Conta comigo que te vou ajudar!
A melga gorda sempre a ponderar
Falou com tal confiança
Pôs-lhe ar adentro com perseverança
lá recomeçou escanzelada a voar.
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra

Desafio nº 24 – duas melgas à conversa, uma gorda e outra escanzelada

Carlos Alberto Silva - escritiva nº 24

O desatino de Vermelhusca
Vermelhusca foi levar uma bucha à avó enferma. Ignorando as advertências da mãe, deambulou pela mata. Apareceu-lhe um lobo de falinhas mansas e ajustaram uma corrida.
Em três tempos, o bicho alcançou a casa da velha. Atemorizada, a senhora encafuou-se no guarda-fatos. Com artes de transformista, o carnívoro aninhou-se na cama dela.
Ao chegar, Vermelhusca desatinou com aqueles preparos: era tudo em grande, sobretudo os dentes...
Acudiram uns lenhadores, que escorraçaram a fera, salvando avó e neta.
Carlos Alberto Silva, 59 anos, Leiria
Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

Eurídice Rocha - escritiva nº 24

CHUMPETA-CHUMPATA.
João menino, tinha encontrado saca cheia de maçãs (experimentou supremo ímpeto pela propriedade privada), mas… polícia declarou-se dono do saco. João fugia do polícia, advogado ajudava João: enlouquece-o, quando pedir maçãs responde CHUMPETA-CHUMPATAJoão a tudo respondia CHUMPETA-CHUMPATA. Polícia com medo de contágio, fugiu. Advogado pediu que João pagasse o conselho: – Maçãs… uma para ti, dez para mim, uma para ti, vinte para João retorquiu: - Alto lá,… CHUMPETA-CHUMPATA, CHUMPETA-CHUMPATA, … advogado desmaiou! Amigos e João comeram fraternalmente maçãs. 
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra

Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

20 setembro 2017

Ana Paula Oliveira - escritiva nº 24

Era uma vez uma velha. E era uma vez um lobo esfaimado.
A velha saiu da sua cabana para ir ao batizado dos netinhos. O lobo saiu-lhe ao caminho para a degustar.
Mas ela estava magrinha, ele só teria ossos para trincar. E deixou-a partir. Na festa iria engordar, o banquete poderia esperar.
Na hora do regresso, o lobo esperava-a. Escondida numa cabaça, a velha respondeu-lhe:
― Não vi velha, nem velhão! Corre, corre, cabacinha, corre, corre, cabação!
Ana Paula Oliveira, 57 anos, S. João da Madeira,
Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

Susana Sofia Miranda Santos - desafio nº 115

O amor entre eles findara há muito, mas o carinho pelos filhos conservava-os juntos; consideravam que deveriam educar conjuntamente as crianças para que fossem felizes e se tornassem cidadãos exemplares.
As traições da esposa já há muito deixaram de perturbá-lo... afogava as mágoas na garrafa de gin e na violência doméstica.
Mas uma vida sem amor limita-se a uma mera passagem no calendário, desprovida de qualquer significado!
Assim, quando anoitecia, sentiam-se aliviados pela célere aproximação da morte.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio nº 115 – frase de Valter Hugo Mãe


Bruna Gomes - desafio nº 117

― Fonte dos desejos, fica com a minha moeda e realiza o meu sonho!
Sabes, a minha infância foi um horror! Marginalizavam-me e nem percebia porquê.
Agora, tudo é diferente! Tudo se tornou claro!
Tenho psoríase. Sei que não encaixo nesta sociedade preconceituosa. Sei que pareço um monstro.
A minha doença não é contagiosa, mas o julgamento continua, diariamente.
Acabei de ser mãe! Só peço que a minha filha seja julgada pela sua personalidade, não pela sua doença!
Bruna Gomes, 15 anos, Agrupamento de Escolas João da Silva Correia, S. João da Madeira
Desafio nº 117 – uma história para ajudar a combater a psoríase


Susana Sofia Miranda Santos - desafio nº 90

Quem espera, sempre alcança!
A mãe sempre disse que, se lutarmos pelos nossos sonhos com persistência e paciência, podemos ter sucesso. Mas eu duvido!
Mesmo assim, os pais acreditaram em mim, custearam os meus estudos. Eu esforcei-me para vencer na vida, terminei o meu percurso académico na faculdade.
Contudo, apesar de já ter respondido a inúmeros anúncios de oferta de trabalho, continuo desempregada.
Quero ser independente, ter utilidade social... quando irá aparecer o trabalho?!
Quem espera, desespera!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio nº 90 – com provérbios contraditórios


Natalina Marques - escritiva nº 24

Quem quer casar com a Carochinha, que é rica e bonitinha?
― Quero eu... ― respondeu vaidoso, com mania que era dono da capoeira.
― Não te quero, não gostas de trabalhar.
Novamente perguntou, outro disse que sim, ao que ela respondeu...
― Não me serves, gastas muito dinheiro.
Chegou-se então à janela, antes de perguntar, um jovem se aproximou, trocara tudo o que tinha pelo amor da Carochinha.
Nesse momento acordei e sem saber fiquei se foram felizes, para sempre.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela

Escritiva nº 24 – hist infantil em 77 palavras

Susana Sofia Miranda Santos - desafio RS nº 22

O Zeferino é veterinário do Jardim Zoológico e adora animais desde criança, mas os pais apenas permitiram que tivesse pássaros em casa, pois o seu irmão mais novo era alérgico a pêlo.
Esta manhã, vacinou as zebras, limpou a dentição dos tubarões e tratou os ferimentos da pata direita do zebu.
Quando estava na jaula dos rinocerontes, o jardineiro foi decorá-la com zígnias e, juntamente, apareceu um zangão enorme que lhe picou o braço... que presente desagradável!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio RS nº 22 – todas as frases com 2 Zs

Programas Rádio Sim - semana 18 Setembro 2017

Todos os programas, sempre com Helena Almeida e Inês Carneiro, 

nas Giras e Discos, podem ouvir-se aqui (ou pelos links que estão em baixo).


Indicativo do programa:








- Música e letra: Margarida Fonseca Santos; 
Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso
- Histórias de Cantar CD - Conta Reconta

Horário na Rádio Sim - 17h45, todos os dias

Escritiva nº 24

Histórias da carochinha em 77 palavras
Quando eu era pequenina, ou melhor, desde que sou pequenina que demoro, em média, uns 2 minutos a adormecer. Ora isto para uns pais que incentivam a leitura é algo frustrante, porque nunca passavam da 2ª página dos contos. Vendo que eu nunca chegava ao final das histórias e que pedia sempre (mas mesmo sempre) para começarem a história desde o princípio, a minha mãe adotou uma estratégia: contar tudo no menor tempo possível, conseguindo assim que eu ouvisse tudinho antes mesmo de fechar a pestana. 

Como podem imaginar, só anos mais tarde percebi a quantidade de pormenores que havia em cada uma das histórias, mas no essencial a capuchinho salvava-se, a tartaruga ganhava a corrida e Cinderela acabava com o príncipe.

Pois bem, peguem numa história da vossa infância e contem-na em nada mais, nada menos do que 77 palavras. Eu escolhi esta:

Era uma vez 3 ursos, uma casinha, um bosque e uma menina armada em espertinha.
Andavam todos a passear, quando a menina se pôs a bisbilhotar.
Viu uma casa e decidiu entrar. Comeu, bebeu e adormeceu.
Dormiu, roncou até que se assustou com 3 ursos resmungões que lhe pediam explicações: queriam saber que história era aquela de entrar numa casa que não era dela.
Assustada, levantou-se a correr e fugiu disparada para onde ninguém a pudesse ver.
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 36 anos, Salamanca
Escritiva nº 24 - mini histórias da infância

16 setembro 2017

Carla Silva - desafio nº 125

Como um tornado
Algo na forma como te debruçavas sobre a mesa tocou o meu coração. Sentindo-me impelida a chamar tua atenção, toquei no teu ombro.
Mas nunca imaginei que abalasses meu interior tão intensamente.
Igual a um pequeno tornado, entraste na minha vida. Sem aviso prévio, revoltando tudo à tua passagem. Muitas vezes pensei desistir, felizmente não o fiz.
Hoje, volvidos vinte anos, não imagino a minha vida sem segurar tua mão ou sem perder-me nos teus tristes olhos verdes.
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 125 – tornado no jardim

Eurídice Rocha - desafio nº 23

Olhos nos olhos... valeu!
Leitão faz-me sempre lembrar o meu primeiro amor. Mais valia ter posto uma rolha de cortiça no coração, porque chafurdei o peito anos demais no chiqueiro.
Podeis não crer, mas triturou-me e esmagou-me no almofariz e sem especiarias… só com dor! Acreditei deixar de amar, como minha mãe.
30 anos depois pus o despertador a tocar para finalmente acordarAtirei-lhe com uma bola de ténis, sacudi-o como se de vespa se tratasse e encarnei um novo papel.
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra

Desafio nº 23 – percurso de palavras obrigatório: leitão + rolha + almofariz + despertador + bola de ténis + vespa + papel

Laura Garcez - desafio nº 125

Petúnia e Malmequer
A Petúnia apaixonou-se pelo Cravo. Ouvia as ondas melodiosas da sua voz. Ele sempre indiferente!
Petúnia abandonou a dor, mudou de local. Giesta ajudou-a. O Vento Norte abanou fortemente o jardim, plantando a Petúnia ao lado da Giesta. Todos ficaram atarantados ― o cravo, surpreendido, calou-se.
Petúnia ressentiu-se, mas era melhor assim.
À frente de Petúnia, vivia Malmequer Silvestre, muito desanimado. Petúnia enterneceu-se, cobriu-se de doçura. Amou o Malmequer, tal como desejou que o Cravo a tivesse amado.
Laura Garcez, 44 anos, Lisboa

Desafio nº 125 – tornado no jardim

Eurídice Rocha - desafio nº 22

Cadáver à vista
Sentada comodamente fiz que a curiosidade fosse uma lupa. Uma. Fosse curiosidade a que fiz… comodamente sentada.
Menino anuncia bisbilhotice de olho aberto e voz vibrante. Voz e aberto. Olho de bisbilhotice? Anuncia menino!
Vala, aquela, cheia de estrume humano. Estrume de cheia… aquela vala.
Alma e corpo de recém-nascido assassinado… recém-nascido de corpo e alma.
Saiu arrancado, podre, ao lixo. Ao podre arrancado saiu.
Dor maldita quão condena corpo de mulher de corpo. Condena quão maldita?
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra

Desafio nº 22 – frase simétrica

Fernanda Costa - desafio RS nº 23

Nascer do dia
Liana levantava o pé, puxava a porta, um sol incandescente beijava-lhe o rosto ― desânimo esquecido, um dia cheio de bênçãos estava à sua frente! Organizava os mais valiosos bens, físicos e espirituais, saía de casa com alegria! Os queridos alunos mereciam, mimavam-na, adoravam-na!
No caminho encontrava D. Josefa, mulher ribatejana, sorriso largo, palavras fáceis ― servia-lhe um café com sabor ao longínquo "Pierre Loti".
Freneticamente, o dia começava vestido de sonho, para que as nódoas não o sujassem.
Fernanda Costa, 55 anos, Alcobaça

Desafio RS nº 23 – história de mulheres