06 dezembro 2016

Espantar-se eternamente

Lembrava-se de escrever em breve texto, uma forma de poema: “espantar-se eternamente com as coisas”. E tal parecia-lhe a chave para tanto na vida. Para a alegria, para a esperança, para o amor até. 
Receava o dia em que perdesse essa capacidade, tão simples e preciosa. Esse dom de apreciar as cores do mundo, o aroma das flores, o canto dos pássaros, uma particular forma da luz entrar pela casa, 
beijando o chão num convite a brincar. 
Paula Coelho Pais, 55 anos, Lisboa

Desafio RS nº 34 – frase de Mia Couto

Ao sabor da vida

Vivi sempre ao sabor da vida.
Foi um percurso sinuoso, sem sorte.
Senti-me sempre como um verdadeiro trapo.
Só agora percebo… não deixo obras…
Olho para o resto da vida
Sem tempo, sem espaço para remedeios
Sobra agora apenas a reflexão possível
Na vida não há destinos retos
Optem sempre por descobrir as ofertas 
Abram afincadamente a porta da vida
Topem o que é possível concretizar
Vale a pena optar por viver
E terão aproveitado muito mais
Amélia Meireles, 63 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 113 – anagramas em frases de 6 palavras

Filme de terror

Protozoários? O que seriam ao certo? Ana lembrava-se vagamente de ter estudado aqueles seres nas aulas de Ciências Naturais. Protegida pela bata branca, protelava sistematicamente os relatórios que devia
entregar segundo o protocolo científico. Proteínas, valores proteicos e outras realidades afins eram protuberâncias prolixas contra as quais a sua mente protestava. E então os protões? Não havia nada igual! 
Protegia-se lendo romances e poemas, mas nem assim a sua vida melhorava. Sentia-se protagonista num filme de terror!
Paula Coelho Pais, 55 anos, Lisboa

Desafio nº 102 – muitas palavras com PROT

Venceu

“Direito a ser protegido contra o abandono e a exploração no trabalho”. Que estranha frase, pensou. Vivera numa família onde o amor adoçava as ausências. O trabalho arrancava os pais da sua vida. Não era abandonada, mas sentia o abandono das horas vazias da presença dos pais. Cedo assumira o lugar da mãe. As tarefas não se esgueiravam das suas pequeninas mãos. Fez-se à vida de peito erguido. Venceu! Apenas não foi criança quando lhe era devido…
Amélia Meireles, 63 anos, Ponta Delgada

Desafio Escritiva nº 14 – direitos da criança

77x77 - Rita Pimenta

O maestro descalço
A sala estava quase cheia, com os convidados nos seus lugares. Atrás do pano, os músicos organizavam-se e verificavam os instrumentos. O maestro deu-se conta de que se esquecera dos sapatos clássicos que usava nos concertos. Os músicos quiseram dar-lhe o seu calçado a experimentar. Serviram-lhe os sapatos do violoncelista que se estreava, mas não podia privá-lo de tocar. Entrou descalço no palco, ergueu a batuta e viu toda a orquestra de pés nus.

04 dezembro 2016

77x77 - Luís Ferreira

Libertei-me dos ruídos, segui os meus passos, a minha intuição. Descobri um caminho de sensações, entre as ruas de uma calçada gasta.
Marcado como poucos, o Chiado renasceu das cinzas. Amplamente conhecido é uma das zonas mais cosmopolitas e movimentadas da Capital Portuguesa. 
 Lentamente enquanto caminhava, senti o peso histórico, cultural e comercial, que desperta os sentidos. Poucos são os bairros que contagiam o nosso estado de espírito e que possuem marcas tão entranhadas no seu tecido.
Luís Ferreira

03 dezembro 2016

Uma relação complicada...

O cão está cansado e até parece morto. O amor dele não o ama. O cão perde a esperança, o cão não pára de pensar, o cão não pára de ladrar. O cão está descontente, o cão está morto por dentro.
A cadela ama-o mas não está atenta. O cão não conta com nada e não pára de pensar nela. A cadela ladra, corre, come, salta e está completamente certa, ama-o e não pára de pensar nele.
Mario Ardila López, 16 anos, Escola Secundária IES Zurbarán, Badajoz, prof Catarina Lages
Desafio nº 8 – crise de letras; usar só A E O T R S P L M N D C

É díficil!

– Eu não posso ficar.
– Mas isto é muito difícil para mim.
– Para mim também. Eu amo-te loucamente.
– O nosso amor é impossível. O meu avião está à espera. A polícia está a chegar. Recorda sempre que te amo.
– Tu sabes onde eu vivo. Se mudares de opinião, aqui estou eu.
– Voltarei.
– Sempre nos fica Madrid.
– Sempre. Eu recordá-la-ei toda a minha vida. Tu sabes bem que eu não quero apanhar esse avião.
Partiram então em direções opostas.
Isamael García Cáceres, 17 anos, Escola Secundária IES Rodríguez Moñino, Badajoz, prof Catarina Lages

Desafio nº 11 – diálogo com frase final imposta: Partiram então em direções opostas.

Natal

O Natal é uma época do ano e eu adoro. No Natal, as pessoas estão em casa com as pessoas do nosso entorno. Comem pão com salada, doces, camarões, carne de porco. A mãe adora o Natal perto do castelo das rosas. Os namorados dão presentes às namoradas: corações, rosas, CD´s para o carro, sonetos dos namorados e elas dão a eles cartas, calças… os estudantes pedem peças para ler na escola. O Natal é claro, estonteante.
Sara Teodoro Martínez, 16 anos, Escola Secundária IES Zurbarán, Badajoz, prof Catarina Lages

Desafio nº 8 – crise de letras; usar só A E O T R S P L M N D C

O que realmente gosto

– Pensava que iriam estudar juntos na Universidade.
– Sim, supostamente íamos, mas preciso de uma mudança na minha vida.
– Então o que queres fazer?
– Vou estar um ano ou dois a viajar, a conhecer pessoas novas e religiões, países novos.
– E depois?
– Durante este tempo vou descobrir o que realmente gosto e também preciso de descobrir o quando, quando vou saber o que fazer.
– Não tens medo de te arrepender?
– Não me vou arrepender.
Partiram então em direções opostas.
Melissa de Sousa de Sousa Couto, 18 anos, Escola Secundária IES Rodríguez Moñino, Badajoz, prof Catarina Lages

Desafio nº 11 – diálogo com frase final imposta: Partiram então em direções opostas.

André

Mais vale um melro na mão
Do que ter dois a voar,
De ramo em ramo eles voam
E vão de vela sempre andar!

Eu tenho um amor em Roma
Que não se meta em sarilhos…
Pois é ele que me leva
Para ser pai dos meus filhos!

Mas, não se arme em galã
Que eu surjo com a maré,
Quem me ama rema ao lado
Que não mate a minha fé!

Sou refém do tema – André!...
Maria do Céu Ferreira, 61 anos, Amarante

Desafio nº 113 – anagramas em frases de 6 palavras

Letras ou Medicina?

– Eu quero ir para a Universidade de Madrid e estudar Direito. Eu quero que tu venhas comigo.
– Mas eu quero estudar medicina na Universidade de Barcelona. Porque não vens comigo?
– Porque eu não gosto de medicina, eu sou de letras. Pelo menos poderias estudar medicina na mesma cidade que eu.
– Não posso porque em Madrid não se pode estudar medicina.
– Então só poderemos ver-nos aos fins de semana.
– Eu também penso isso.
Partiram, então em direções opostas.
Alejandro Bautista, 17 anos, Escola Secundária IES Rodríguez Moñino, Badajoz, prof Catarina Lages

Desafio nº 11 – diálogo com frase final imposta: Partiram então em direções opostas.

Separados pelo autocarro

Estavam na estação de autocarros e os namorados têm a seguinte conversa:
– Vai ser muito difícil, não quero ir-me embora.
– Não gosto das despedidas. Sobe para o autocarro, por favor.
– Vou ter saudades, espero ver-te cedo.
– Com certeza, aqui tens um presente para que não me esqueças.
– Muito obrigada. Que tenhas muita sorte na capital.
– E tu em Sevilha. Gosto muito de ti.
– Eu mais, de certeza.
Fechou-se a porta do autocarro, partiram então em direções opostas.
María Elena García, 17 anos, Escola Secundária IES Rodríguez Moñino, Badajoz, prof Catarina Lages

Desafio nº 11 – diálogo com frase final imposta: Partiram então em direções opostas.

O futuro começa hoje

A escola nada lhe dizia. Todos os dias a mesma coisa acordar, despachar, escola, casa, estudar, despachar e cama. Julgava que o sucesso viria depois mais tarde, quando já fosse um homem. Um dia ficou tristonho por ver as notas no final do período, ninguém o contentava. Derrotado sentou-se escorregando pela parede. Eis que surge o diretor da escola e diz:
«Filho, sem esforço nada se consegue, começa o teu futuro hoje, estou cá para te ajudar!»
Andrea Ramos, 40 anos, Torres Vedras

Desafio nº 105 – frase de Einstein