23 agosto 2016

Programa Rádio Sim 825 – 23 Agosto 2016

OIÇA aqui

o programa em podcast na Rádio Sim

Desempregado, solteiro, com dívidas, o curso por acabar e amizades por encontrar… Tudo podia ter mudado se além disto tudo não fosse também incrédulo e desconfiado e tivesse devolvido ao mar a garrafa com aquela mensagem, pensando
tratar-se de uma bomba ou uma piada: 
“Estou cansado de ser rico! É uma verdadeira maldição! Só tenho amigos interesseiros, namoradas materialistas e familiares parasitas. Deixo a minha fortuna a quem encontrar esta mensagem e a entregar na morada indicada.”
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 34 anos, Salamanca

Desafio Escritiva nº 11 - mensagens na garrafa

Luísa...?

A discussão deixou-a arrasada. Talvez o mar lhe aquietasse a alma... Até que encontrou a garrafa. Lá dentro um bilhete: «Mergulha e serás livre.» Num gesto impensado mergulhou. Sentiu-se enleada pelos limos. Eram amarras que a prendiam ao fundo do mar. E teve saudades da vida que levava, apesar dos maus momentos... 
Então, reconheceu-lhe a voz, o calor, o carinho. «Luísa, foi só um pesadelo...» Deixou-se ali ficar naquele abraço que lhe soube pela vida. Sentiu-se renascer!
Isabel Lopo, 70 anos, Lisboa

Desafio Escritiva nº 11 – mensagem na garrafa

22 agosto 2016

Fantasia

Ri-se meu pé e sobe, anda, voa
Soalho, tacos, madeiras estão rangendo.
Em nós o som ecoa, soa, soa…
Dançamos, ignotas harpas tangendo
A lua alta roda, bela, no céu.
Soltamos nossos lenços desdobrando
como no ar a teia, puro véu.
Bailamos, nossas angústias sarando
a crua dor que dói e é fel.
Pirilampos, gafanhotos saltando
Tudo é vida, onda, riso, mel.
Festejemos! Canta comigo, irmã, canta!
Que a hora vai, por nós voou, e é vã.
Isabel Sousa, 64 anos, Lisboa.

Desafio RS nº 35 – até 4 letras, mais de 4

Agradecido

Facebook, pensamos muitas vezes que não temos palavras. Aqui na tua casa o que não falta são palavras. Então hoje, pela primeira vez que o faço, servi-me como muita gente faz de 77 palavras para descrever a história deste dia. Abençoaram-nos bem cedo os amigos que foram chegando de todo o lado. Trouxeram os filhos à nossa companhia, para celebrarmos com alegria os tenros anos da nossa filha. Misturaram carinho com alegria, juntaram simpatia, encheram-nos a alma!
João Pedro Pais Nogueira, 47 anos, Seia – Guarda

Sentimentos

Véspera de Natal. Na imensa fila do supermercado, eu, velhinha, sentia-me só. Segurava um queijo. Na caixa, olhando o somatório das compras, resignada à minha condição económica, vi-me obrigada a rejeitá-lo… paguei e saí entristecida…
Subitamente, quando seguia, inundada de solidão, pela rua apinhada de gente, um homem veio ter comigo:
– Esqueceu-se deste queijo na caixa. Queria oferecer-lho… Feliz Natal…
Olheio-o, incrédula… boquiaberta…
Depois, recomposta, sorri e agradeci:
– Obrigada… feliz Natal…
E, por momentos, senti-me menos só… 
Domingos Correia, 58 anos, Amarante
Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

Programa Rádio Miúdos 92 – 22 agosto 2016

Esta foi a história que lemos na Rádio Miúdos neste dia!

É a rádio mais fantástica que há!

De estimação 
Tinha uma barata. Barata de estimação. Ela chamava-se Lelé. Gostava bastante dela. Cuidava-a muito bem. Era minha favorita. Era meu xodó. Todos daqui sabiam. Nada de matá-la. Avisava para todos.
Um dia esqueci. Meu amigo chegou. Assustou-se ao vê-la. E matou-a rapidamente. Fiquei muito triste. Nada de bichinhos. Mãe também entristeceu-se. Comprou outro animalzinho. Eu não aceitei.
Ela me convenceu. Então resolvi aceitar. Era um cachorrinho. Filhote, muito fofinho. Já gosto demais. Apelidei-o de Bacon. Meu Bacon!
Vanessa, 15 anos, 1º ano C, Centro Educacional do Lago, Brasília, Brasil, prof Celina Silva Pereira
Desafio RS nº 29 – sempre frases de 3 palavras apenas

Programa Rádio Sim 824 – 22 Agosto 2016

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o programa em podcast na Rádio Sim

Serve...?
Esfolava-se no bailarico a Tininha, girando, volteando nos braços do Manel, naquela noite de marchas. De olho no santo e aquecida pela fogueira em brasa, pergunta secretamente:
– Santo António, Antoninho, serve este para meu maridinho?
Uma contradança e o Manel arranca uma cabeça de sardinha e vira um copo de tinto, aos pontapés nos balões da criançada, mas a Tininha, embalada ainda no sonho, tira a sorte no manjerico.
Noiva? Só pró ano!, manda o santo traiçoeiro.
Deolinda, 43 anos, Chaves
Desafio Escritiva nº 9 - santos populares com palavras impostas


21 agosto 2016

Afinal ali tão perto

Ainda o sol dormia, andava a Tina pela praia refrescando ideias.
Deparou-se com uma garrafa trazida pelas ondas.
Continha algo esquisito.
Sim, uma mensagem.  
Logo imaginou ser originária de algum navio afundado. Quem sabe, um pirata ou mesmo um companheiro de Vasco da Gama.
Que emoção!
Abriu, leu.
"Estou acampado do outro lado da falésia. Agradeço que faça chegar à minha pessoa, esta ou outra garrafa, mas cheia dum precioso néctar bem graduado."
Assinava, Zé do Pipo. 
Rosélia Palminha, 68 anos, Pinhal Novo

Desafio Escritiva nº 11 – mensagem na garrafa

Me quedo, solo

Te miro hablando con tus amigas, pero me quedo acá, en mi rincón.
Ni siquiera me conoces, yo a ti sí.  
Sonríes, mi corazón dispara, tú voz me parece el canto de un ángel.
Todo en ti me encanta y tú simplemente me ignoras. Te quiero, sin embargo, a mí ni me ves.
Vienes en mí dirección, me hago lo ocupado. Te veo marchar, cada vez más lejos. Me quedo sintiéndome más solo, ahora que te fuiste.  
Carla Silva, 42 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 109 – solidão no meio de gente

Fernão, mentes? Minto!

Que surpresa! Encontrei, trazida pelo mar, uma garrafa com um pergaminho dentro. Tirei-o e li em tensão crescente um grito de socorro dum homem que se alistou sem saber num corsário. Só percebeu isto quando não iam ser atacados mas sim atacar uma fusta. Durante a abordagem perdeu o equilíbrio e caiu ao mar.............. Ali esse texto provavelmente histórico esteve espanado pela água, mas consegui decifrar a última frase diluída.
Informa minha mulher com urgência.
Fernão, mentes? Minto!
Theo De Bakkere, 64 anos, Antuérpia Bélgica
Desafio Escritiva nº 11 – mensagem na garrafa

77x77 - Pedro Medina Ribeiro

O escritor sentou-se à secretária e encarou a folha branca. 
O café derrotaria as olheiras fundas, o talento venceria a aridez da página.  
Um incipit de antologia abriria o manuscrito. A consagração chegaria num romance seminal, obra maior das letras pátrias; consensual entre a crítica, aclamado pelos leitores, o espírito-do-tempo e a condição humana plasmados em caracteres tipográficos.
Nessa altura, a bebé começou a chorar. O escritor foi mudar fraldas e dar o biberão. Depois, exausto, adormeceu.

20 agosto 2016

Jogos olímpicos

Sem te levantares do teu cómodo sofá, sem esticares um único dedo, mas exausto pelo esforço dos atletas, transpirado perante a visão do suor a escorrer pelo corpo musculado e tenso; esta mensagem é para ti, amante dos JO, que estimulas atletas no triplo salto, no triatlo, na natação, emocionas-te na chegada da prova de marcha e na ginástica artística:
"A competição sadia entre os cinco continentes, ganham os melhores, quem é mais rápido, mais alto, mais forte."
Alda Gonçalves, 48 anos, porto
Mais textos aqui: www.maçãdejunho-mafaldinha.blogspot.pt

Desafio Escritiva nº 11 – mensagem na garrafa

Amo-te

Fecho os olhos e sonho. Enrolo o papel e coloco-o na garrafa, assobiando a nossa canção, na esperança de que os sons se deixem aprisionar. Só então coloco a rolha.
As gaivotas grasnam, envolvendo-me num voo circular. São sons arrepiantes que traduzem o meu desespero pela tua partida.
Tomo a garrafa nos braços, acaricio-a, beijo-a e atiro-a ao mar na esperança de que um dia a encontres e saibas que o amor é a única resposta: «Amo-te».
Quita Miguel, 56 anos, Cascais
Faça aqui o download do livro infantil «O Chapéu-de-chuva às Bolinhas» http://ow.ly/ZtAG0

Desafio Escritiva nº 11 – mensagem na garrafa

Sim, meu herói

Esperava sentada na rocha,
ansiava saber
o que tinha para lhe dizer.
O tempo corria, mas
ele não aparecia.
De repente viu aquela garrafa 
flutuando sobre as águas,
do mesmo rio onde o avião 
se abastecia para apagar o incêndio.
Abriu a garrafa, e lá estava o pedido de casamento.
Pelas notícias do rádio soube que o fogo estava extinto,
mas um bombeiro lutava pela vida.
Na cama do hospital, segredou-lhe ao ouvido:
– Sim meu amor, aceito.
Natalina Marques, 57 anos, Palmela

Desafio Escritiva nº 11 – mensagem na garrafa