26/10/21

Duarte – desafio RS 2

Era uma vez o Sim. O Sim odiava o Não, pois era o seu antónimo.

Um dia, os dois (Sim e Não) entraram na mesma frase e começaram a discutir. Sim pensou e perguntou-se porque odiava o Não.

Sim ouviu então o escritor da frase dizer:

– Os dois são importantes!

Sim e Não chegaram à conclusão que nunca iriam voltar a discutir. Sim virou-se e agradeceu.

Então Sim e Não viveram felizes e Sim pôde finalmente relaxar.

Duarte, 12 anos, Cascais, prof Sofia Diniz

Desafio RS nº 2 – 7 vezes a palavra SIM

Cristiana Rodrigues – desafio 203

Risquei-te! Risquei-te com um traço grosso que se sobrepôs ao fio esfarelado e intermitente que foi a nossa suposta felicidade.

Rasurei-te mais ainda, desafiando a resistência da folha, lisa, regrada e desinteressante como foram os anos da nossa vida.

Retracei, em pedaços pequeninos, fotos e bilhetinhos, quebrando o círculo, ESTREITO, de rebordo grosso que me cercava.

Riscado o passado, resta-me a esperança de não esborratar o futuro, esbarrando no risco que todos os riscos já traçados envolvem.

Cristiana Rodrigues, 39, Lisboa

Desafio nº 203 – risco + 6 palavras

25/10/21

Maria Inês – desafio RS 2

Papagaio

Era uma vez um papagaio muito louco. Que estava SIM! sempre contente. E que gostava SIM! de comer sementes. E que também gostava SIM! de imitar as pessoas a falar! Um dia ele estava SIM! a voar pela casa. Quando eu reparei SIM! que a única palavra que ele dizia era:

– Sim! – dizia sempre contente o papagaio.

E não parava de dizer:

– Sim! Sim!

E lá continuava ele pela casa fora a dizer a palavra:

– Sim! Sim!

Maria Inês, 12 anos, 7º ano, Cascais, prof Sofia Diniz

Desafio RS nº 2 – 7 vezes a palavra SIM

24/10/21

Theo de Bakkere – desafio 254

O sonho

O bizarro mundo continua a girar nesse sonho, o planeta obtém um aspeto surrealista. Quando os últimos icebergues derreteram, o mar tomou posse da terra. Embora ninguém seja melhor do que ninguém, foram os acionistas ricos da ilha Cayman, esses agiotas que sempre se recusaram a pagar impostos, que agora partiram como privilegiados com a nave espacial.

Ora, meu sonho tornou-se um pesadelo para eles.

Giram ainda em volta da terra com o pensamento que estão salvos.

Theo de Bakkere, 70 anos, Antuérpia, Bélgica

Desafio nº 254 – frase de Paul Auster

Publicado aqui: http://blog.seniorennet.be/lisboa

Toninho – desafio 254

O bizarro mundo continua a girar. Mesmo numa pandemia, que nivelou ricos e pobres sob a égide duma medicina desrespeitada por malfeitores idiotas, que a colocou em segundo plano, enquanto o vírus maldito ceifava milhares de vidas.  

Idealizamos um novo homem, iludimos com um novo normal, criamos protocolos. Só colhemos decepções pelo egoísmo e usura. Vimos aquele olhar somente no próprio umbigo. Vidas perdidas, a fome dilacera, a justiça emperra. O homem lobo do homem se manifesta.

Toninho, 65 anos, Salvador-Bahia, Brasil

Desafio nº 254 – frase de Paul Auster

Postado em mineirinho-passaredo.blogspot

Fernanda Malhão – escritiva 8

Eu gostava mesmo era de inventar novos equipamentos para os dentistas. Algo que fosse insonorizado, que se parecesse menos com um objeto de tortura. Um instrumento extremamente eficaz que em questão de segundos escavasse a área necessária do dente. Assim só precisaríamos estar poucos minutos de boca aberta. Já agora, também um produto de secagem rápida para tapar os buracos sem que seja necessária aquela pistola de raios UV. Só eu tenho pavor às idas ao dentista?

Fernanda Malhão, 45 anos, Gondomar

Desafio Escritiva nº 8 ― invenção que muda o mundo

Fernanda Malhão – escritiva 7

Lista do que gostaria de fazer antes dos 50: conhecer 5 países, começar a aprender uma língua nova, tirar 1 mês seguido de férias, voltar a dançar Ballet e praticar yoga, fazer um voluntariado num país muito carenciado, mudar de emprego mais algo que me traga mais retorno financeiro, mais liberdade de horário e onde eu possa exercitar a minha criatividade e impactar mais pessoas. Como? Ainda não sei, mas sei que são estes os meus desejos.

Fernanda Malhão, 45 anos, Gondomar

Desafio Escritiva nº 7 – as listas

B.A.B. – desafio 254

O bizarro mundo continua a girar e eu imóvel apenas aprecio o seu movimento. Questiono-me do porquê de girar se acaba por estar sempre no mesmo lugar. Será apenas pela vontade de o fazer ou haverá algo mais para além disso? Talvez gire para se sentir vivo, talvez gire para poder ver diferentes perspetivas do que consegue ver, talvez gire apenas porque o tem de fazer. Assim como eu embora imóvel também gire com o seu girar.

B.A.B., 21 anos, Cabeceiras de Basto

Desafio nº 254 – frase de Paul Auster

22/10/21

Maria Tiago – desafio 252

Estou presa num lugar que nem sei bem o que é. Tem quatro paredes, mas não tem teto, nem chão, parece que sinto a relva nos meus pés, será uma espécie de jardim interior? Mas não se vê nada, o que deve ser? Será que há algum interruptor? Encontrei! O que é isto?! Vou eu própria dar um nome! Parece-me um… Centro de relaxamento, mas também de estudo, sítio com café e bons livros, será um cafstudy.

Maria Tiago, 12 anos, 7º ano, Coimbra

Desafio nº 252 – entre 4 paredes

Sofia Sobral Ramos – desafio 252

Sozinha, entre quatro paredes, num lugar sem chão… Quer dizer, o chão era húmido, fresco e com um forte cheiro a terra. Onde estaria? Comecei a tentar fugir dali, soltar-me da escuridão e do frio viscoso que me envolvia. Lentamente, deslizei, pensando que assim conseguiria libertar-me. Não. Nada. Tudo na mesma, “como a lesma”. Respirei. Deslizei novamente, tentando sair daquela escuridão entre paredes. Que espaço escuro e acanhado… Comecei finalmente a ver luz, libertei-me, saí da casca!

Sofia Sobral Ramos, 43 anos, Coimbra

Desafio nº 252 – entre 4 paredes

Maria Tiago – desafio 251

Vamos então começar esta história, mas, desta vez, inicia-se de maneira diferente. No início era tudo às maravilhas, mas chegou ao ponto de as maravilhas se tornarem em peripécias, mais para o lado mau. Pois é, muita coisa aconteceu, mas, lá no meio, perceberam que vale a pena sacrificar a vida por uma pessoa que é muito, mesmo muito, importante para nós próprios. Finalmente, chegou ao fim, depois de tantas confusões, tornou-se numa história totalmente maravilhosa novamente.

Maria Tiago, 12 anos, 7º ano, Coimbra

Desafio nº 251 – palavras início, meio e fim

Sofia Sobral Ramos – desafio 251

No início existe ansiedade, desconhecimento, medo. Tudo é novidade, tudo é arrebatador. Uma fonte de sentimentos brota e é difícil controlar todas as sensações que nos abraçam. A meio do caminho adensa-se a dor e o receio. Mas depressa é refreado esse sofrimento, bem dito medicamento! Preciosa respiração! Tudo se encaixa e caminha-se para o fim anunciado. Momentos que duram, que marcam. Por mais momentos destes que vivam, cada nascimento é único. É dos inícios mais fortes...

Sofia Sobral Ramos, 43 anos, Coimbra

Desafio nº 251 – palavras início, meio e fim

Toninho – desafio 253

A liberdade não pretendia regalia, somente a alegria de cantar livremente. O medo morava numa galeria, onde o verde asfixiava com mãos esganadoras. Havia alergia à democracia, que gelaria os porões sombrios, onde tristeza não tinha razão.

Nas ruas cravos pisoteados, pareciam sangue. Era pesadelo ouvir sirene, que remetia à recente Argélia esmagada impiedosamente. Crianças com pais exilados giravam cata-ventos coloridos.  

Alegrai mães da praça de lamentações.  Regalai o coração para receber seu rebento cantando a canção.

Toninho, 65 anos, Salvador-Bahia, Brasil

Desafio nº 253 – anagramas de ALEGRIA

Publicado aqui: mineirinho-passaredo.blogspot

Natalina Marques – desafio 254

O BIZARRO MUNDO CONTINUA A GIRAR

onde uns gritam 

por falta de pão.

E outros esbanjam, 

sem ter preocupação.

Sem olhar 

o seu semelhante

E perguntar

se tem alguma 

necessidade.

Independente da idade,

velhos jovens ou crianças,

todos nas mesmas danças

cantando a mesma canção.

– Toda a vida trabalhei

com suor comi meu pão

os meus filhos eu criei

agora que deles preciso,

deles eu também não sei.

Outo país

escolheram para ter

melhor vida

para viver.

Natalina Marques, 62 anos, Palmela

Desafio nº 254 – frase de Paul Auster

Verena Niederberger – desafio 254

O bizarro mundo continua a girar e lá vai ela tendo que se acostumar com as bizarrices do mundo moderno.

Filhos alçaram voo e foram viver a própria vida.

E ela que pensava que poderia curtir encontros de domingo, em família, estava redondamente enganada.

Não há mais a algazarra de criança nem brinquedos espalhados pela casa.

Terá que admitir que a internet se tornou aliada.

Não importa se ela sorrir ou chorar o mundo continuará a girar...

Verena Niederberger, 70 anos, Rio de Janeiro - Brasil

Desafio nº 254 – frase de Paul Auster

Luís Marrana – desafio 253

Ena!!

Que grande alegria reina nesta casa

A que se deve tamanha algazarra?

Ora, memórias!

Rimos do episódio da gelaria!!

Da gelaria...

Qual gelaria?

Aquela! que vimos na Argélia, na cidade de Argílea!, 

Numa espécie de galeria…

Exclamaste: Alergia!!!

Quando o dono ofereceu:

– Tomai, regalai-vos com esta regalia, oferecendo-nos gelo para o chá!!

Ora!! alegrai outro com esta patifaria!!

Estragar um chá com aquela gelaria...

De bom grado legaria esse episódio da gelaria ao baú do esquecimento!

Luís Marrana, 60 anos, Porto

Desafio nº 253 – anagramas de ALEGRIA

Mónica Marcos Celestino – desafio 236

UMA TOADA DESTRAMBELHADA

Ao luar da estrelada noite

aflorava nas estreitas ruas empedradas

a triste toada duma guitarra.

 

Destrambelhada, ressoava pelo ar

entre perfumes de morna tristeza,

almejando, qual sagaz estratega,

algum adormecido coração conquistar.

 

E voar queria, lastimando-se,

até janelas fechadas, trespassando,

pungente punhal, as fronteiras

dos sonhos insondáveis.

 

Rasgando as sombras soçobrantes

nos peitos em segredo refugiadas

espreitava os amores escondidos

estragando as pesarosas lembranças.

 

Misteriosamente surge, como uma estrela fugaz,

o difuso rosto duma loura menina sorridente.

Mónica Marcos Celestino, 48 anos, Salamanca, Espanha

Desafio nº 236 – RST com 3 palavras pelo meio

21/10/21

Fernanda Malhão – escritiva 6

Fim de semana para mim não é descanso, o trabalho é que é diferente. Sábado: roupa suja acumulada da semana toda, montanha de roupa para passar, casa com uma camada generosa de pó, frigorífico e armários vazios, loiça por lavar. Tomei o meu café ainda a dormir. Como que por magia fiquei com tal genica que em pouco tempo aviei todas as tarefas e ainda fiz mais umas quantas. O que será que tinha naquele café? Magia?

Fernanda Malhão, 45 anos, Gondomar

Escritiva nº 6 – poderes mágicos no corpo

Fernanda Malhão – desafio 254

O bizarro mundo continua a girar, independentemente de pessoas egocêntricas que acham que o mundo deveria girar a sua volta, acham-se tão importantes que todos tem obrigação de se curvarem perante a sua sabedoria, vivem na ilusão de serem insubstituíveis. Ninguém é mais do que ninguém! O ensino superior, os mestrados e doutoramentos trazem conhecimento as pessoas. Mas de que vale se não for acompanhado de valores morais e de um contributo positivo para um bem maior?

Fernanda Malhão, 45 anos, Gondomar

Desafio nº 254 – frase de Paul Auster

João de Lagoa – desafio 254

“O bizarro mundo continua a girar.”

Nada mais normal… Escrevem direito por tortas linhas os Micromegas e Macromegas…”

“Traduz-me por miúdos e graúdos.”

“Mais ou menos bizarro amassado por Deus na Sua roda de oleiro, a girar dança o Espírito da forma, a forma do Espírito, o Verbo dos vasos, os vasos do Verbo… No principio é o Caos do Verbo. No fim, os Ca©os do Verbo…”

“Muito gira a Olaria do Bizarro… Prefiro a de Bisalhães”

João de Lagoa, 58 anos, Lagoa - Algarve

Desafio nº 254 – frase de Paul Auster

20/10/21

Maria Manuel Ribeiro – desafio 254

O bizarro mundo continua a girar, apesar da guerra, da fome, da pobreza, das perseguições, da violência extrema, apesar das espécies em risco de extinção ou da destruição do nosso ecossistema à escala planetária. Apesar do aquecimento global, apesar das pandemias cíclicas, a Vida transmuta-se, não se compadece com os males do mundo, devolve felicidade, alegria, amor, alguma paz, e não deixa que da caixa de Pandora saia aquela que é a última a morrer: a Esperança.

Maria Manuel Ribeiro, 63 anos, Parede

Desafio nº 254 – frase de Paul Auster

Cristiana Rodrigues – desafio 254

O mundo bizarro continua a girar, pedante. Ignorando a escuridão que a todos abala. Pior para P., pois em tempos de bizarria todos têm tempo para ler e já ninguém lê os livros pelas críticas dos críticos. Passou então a criticar-se a si mesmo: “pena não ter sido escritor”. Segue agora insone, este homem literário, contando histórias sozinho, voltando ao início dos tempos, quando a voz e a boa memória eram bibliotecas à luz de uma fogueira.

Cristiana Rodrigues, 39 anos, Lisboa

Desafio nº 254 – frase de Paul Auster

Chica – desafio 254

O bizarro mundo continua a girar.

E nele nós giramos junto. 

Mal inicia o ano, já   estamos há poucas semanas do Natal, novo ano e mais um novo giro nos aprontamos a dar.

Precisamos muito controle, equilíbrio para não nos deixar envolver, simplesmente vendo dia após dia passar, apenas pensando nos problemas de cada um da família, esquecendo de em nós pensar. 

Precisamos nos colocar gentilmente dentro giro do mundo, senão, giramos nós.

Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil 

Desafio nº 254 – frase de Paul Auster

Publicado aqui: ♥ Chica brinca de poesia ?♥: ♥ Pensamentos... ♥

Maria Silvéria Mártires – desafio 254

O mundo gira 

O bizarro mundo continua a girar não nos deixa parar. Parece um carrocel sempre à espera que uma volta acabe para outra iniciar. 

Oh quem me dera ser pequenina! Tive sonhos e a vida era diversão e alegria. Ainda hoje recordo esses tempos, felizes momentos eu guardo com carinho junto ao meu peito, lembrá-los como estou a fazer agora me deixa imensamente satisfeito. Fui menina, dancei na roda, subi a colina e adorava ver romper a aurora. 

Maria Silvéria Mártires, Lisboa

Desafio nº 254 – frase de Paul Auster

Rosélia Bezerra – desafio 254

«O bizarro mundo continua a girar.» 

Eu com ele, numa reviravolta infindável, vida parece um redemoinho sem volta, é luta exaustiva, rodopio como numa máquina posta e exposta.

Numa volta de ângulo total, sonhos vão sendo triturados, desejos do bem, massacrados, anseios de Amor, pisoteados, esquecidos, abandonados, deixados numa onda gigantesca e malévola.

Quisera existir uma máquina de frear a maldade humana que aliena pessoas, que brecasse a pressa que engole sentimentos.

Oxalá fosse muito bem apessoado!

Rosélia Bezerra, 66 anos, ES, Brasil

Desafio nº 254 – frase de Paul Auster

Desafio nº 254

«O bizarro mundo continua a girar.» É assim que termina o livro Homem na escuridão, de Paul Auster. 


E vai ser da mesma forma que começaremos as nossas histórias. Preparados? Toca a escrever.

 

Eu escrevi assim: 

O bizarro mundo continua a girar, indiferente aos nossos protestos. Para os humanos, andar de mangueira em punho a regar, ou será afogar?, o jardim é normal. Para nós, formigas, significa ter de sair apressadamente do formigueiro, levando provisões, pequenos rebentos de formigas, a rainha, tudo. Será que não pensam? Encaminho o carreiro aterrado para um novo sítio, ali longe, perto das pedras. Só espero que não haja aqui perto nenhuma planta fiteira a chorar por água.

Margarida Fonseca Santos, 60 anos, Lisboa

Desafio nº 254 – frase de Paul Auster

17/10/21

Fernanda Malhão – escritiva 5

Foram muitas as viagens Porto-Lisboa, quatro anos a fazer o mesmo percurso todos os fins de semana. Nessas viagens conheci muitas pessoas, nenhuma em especial, mas ao mesmo tempo todas especiais, pessoas que me proporcionaram agradáveis conversas, que fizeram o tempo passar mais depressa. Pessoas que cruzaram comigo no trilho da vida e do comboio e que preferiram fazer a sua viagem a trocar experiências. Perdemos experiências fantásticas por não falar com quem está ao nosso lado!

Fernanda Malhão, 45 anos, Gondomar

Escritiva nº 5 – cruzar comboios

Fernanda Malhão – desafio 253

Na rua da Argélia, situa-se uma galeria de arte especial, O Sr. Machado, seu proprietário, é um homem extraordinário! Fundou sua galeria sem nenhuma regalia, começou com uns quadros antigos da casa do avô. No início era um espaço escuro, frio e até um pouco assustador, qualquer um que lá entrasse gelaria! Mas hoje é um espaço cheio de luz e alegria onde artistas de todas as idades e proveniências exibem suas obras acompanhados de boa música!

Fernanda Malhão, 45 anos, Gondomar

Desafio nº 253 – anagramas de ALEGRIA

Fernanda Malhão – escritiva 4

As minhas primeiras sapatilhas Nike, cinzentas com o símbolo cor-de-rosa. Foi amor à primeira vista, ainda me lembro da primeira vez que as calcei, senti que poderia dominar o mundo! Foram minhas fiéis companheiras, comigo em todas as aulas de aeróbica e step, acompanharam o meu suor e as minhas lágrimas. Foram umas guerreiras! Confesso que tive um grande apego emocional para me despedir delas! Mas a sola partiu-se de maneira irremediável e teve mesmo de ser!  

Fernanda Malhão, 45 anos, Gondomar

Escritiva nº 4 – homenagem às sapatilhas

Fernanda Malhão – escritiva 3

Saudades de brincar na rua, do amor que sentia pelos fins de tarde num país tropical, a mudança brusca do céu azul para negro, do vento quente trazia a chuva forte. Parecia que iria acabar o mundo num dilúvio! Nós nos refugiávamos debaixo do toldo vermelho do Bar do Senhor Nóbrega. Quando o céu começava a limpar, vinha o arco-íris e com ele íamos saltar nas poças de água e viver aqueles momentos incríveis da nossa infância.

Fernanda Malhão, 45 anos, Gondomar

Escritiva nº 3 – texto com: chuva, vento, amor, azulvermelho e rua

15/10/21

Carla Silva – desafio 246

Voar... ou talvez não
– A quem sais tu? Que ideia!
– Não é boa?

– Boa?! Péssima! Na nossa família jamais alguém o fez!
– Isso não é motivo!
– Abandona essa ideia estapafúrdia, ouviste?

Sempre quisera visitar outros lugares, provar outros sabores, fazer novas amizades...
Não podia desistir quando existia todo um mundo para desvendar.
Voar podia não ser a maior das ideias e na sua família ninguém o fizera, mas isso apenas aumentava o desejo de ser a primeira naquela família de avestruzes.

Carla Silva, 47 anos, Barbacena Elvas

Desafio nº 246 – voar sem C nem H

14/10/21

Natalina Marques – desafio 253

ARGÉLIA, menina mimada,

vivia numa ALEGRIA

sempre despreocupada

era uma REGALIA.

 

Um dia, a visitou

o dono da GELARIA

uma galinha lhe levou

porque a gatos,

tinha ALERGIA.

 

Nutria um "fraquinho" por ela

e herdeiros não havia

tudo o que possuía

em ata lhe LEGARIA.

 

Tinha um galo por estimação

que era sua companhia

escreveu uma canção

do galo para a galinha.

 

Tenho quinta no monte

que um dia herdarei

se me deres teu coração

contigo a dividirei.

Natalina Marques, 62 anos, Palmela

Desafio nº 253 – anagramas de ALEGRIA

Theo De Bakkere – desafio 253

A legaria riquíssima

Alegro-me ao visitar Mértola, herança riquíssima que a cultura romana e árabe legaria, e principalmente uma alegria para arqueólogos.

Embora haja ali, no pino de verão, mais calor que num deserto de Argélia, será uma regalia para andarmos nessas ruelas históricas.

Ora, com tanto calor, vamos à geladaria agora. Embora minha alergia à lactose não mo recomendasse.

Quem não gelaria ao ver tantos gelados na vasta galeria das escolhas.

Tenho pouca sorte, meu ventre já começava a borbulhar nefastamente.

Desafio253

Theo De Bakkere, 70 anos, Antuérpia – Bélgica

Desafio nº 253 – anagramas de ALEGRIA

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Carla Silva – desafio 247

As cartas aguardavam resposta, as facturas acumulavam-se na secretária, os romances floreados continuavam por ler... 

Não a incomodava mais a caligrafia descuidada dos filhos, nem as listas com inúmeros afazeres. Não reconhecia a sua forma de estar. Voltava a sentir-se frágil, como se fosse quebrar com a mínima contrariedade. E detestava sentir-se assim. 

E tudo devido ao regresso do seu ex-marido, que não se limitava a regressar à vila. Queria também regressar à vida dela como outrora.

Carla Silva, 47 anos, Barbacena Elvas

Desafio nº 247 – palavra mágica

Toninho – desafio 252

Estou no terraço entre quatro muretas, debruçado sobre a cidade perdida entre carros e gente apressada sem máscara. Vacinadas sentem-se seguras. Comigo antenas parabólicas procuram satélite, observo pára-raios obsoletos num verão.

Isolado nas alturas, linda vista alcança o mar que toca o céu. Meu teto é azul, o chão cimentado e aço. Dói-me ver a devastação acolá da mata Atlântica desapropriando também animais, que invadem condomínios.

A sirene finaliza o expediente. Um elevador me leva ao real.

Toninho, 65 anos, Salvador, Bahia-Brasil.

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Desafio nº 252 – entre 4 paredes

12/10/21

Fernanda Malhão – Escritiva 2

Pobre de mim, panelão da sopa, ando a anos, bota e vira, acaba sopa, faz sopa, desde que vieram crianças para esta casa nunca mais tive descanso, vão gostar assim de sopa lá longe! Estou mesmo farto!  Ainda por cima é sempre a seca de sopa passada! Que saudades que tenho de albergar em minhas asas uma boa sopa de pedra! A partir de hoje faço greve! Já ouviram falar da Bimby? Atualizem-se!  Eu estou de greve!

Fernanda Malhão, 45 anos, Gondomar

Desafio Escritiva nº 2 – greve na cozinha

Fernanda Malhão – Escritiva 1

Formação de atuação em caso de incêndio, audiência espaçada por questões de pandemia, auditório a meia luz, ouço um barulho estranho, olho para trás era uma colega a ressonar a bom som, olho para o meu diretor: estava esparramado na cadeira num sono tão profundo que já estava até a babar-se. Passo o olhar por todo o auditório e vejo que o efeito sonífero se espalhou pelo ar. Bonito! Se houver um incêndio estão todos muito instruídos!

Fernanda Malhão, 45 anos, Gondomar

Desafio Escritiva nº 1 – um momento de riso!

Rosário Oliveira – desafio 253

Entrou na igreja cheio de alegria e esperança. Sentou-se no banco da frente e olhou para a imagem do senhor crucificado. Estava triste, mas sabia que era uma regalia poder voltar a entrar na igreja depois das alergias.

– Alegrai-vos, porquanto os fiéis voltaram para nós – disse em voz alta. Regalai os olhos e não fiqueis tristes, eles vão encher esta galeria de vozes, gritos e fé, os meus bolsos de dinheiro e, assim, posso voltar à Argélia!

Rosário Oliveira, 55 anos, Leiria

Desafio nº 253 – anagramas de ALEGRIA

Verena Niederberger – desafio 253

Argélia, moça preparada, recém-chegada de viagem à Africa não podia supor que uma simples picada de inseto poderia acabar com a sua regalia. Literalmente gelaria quando

viagem teve que ser abreviada...

Ao chegar ao seu trabalho, na galeria de artes, colegas ficaram assustados.

Pobre moça sentia desconforto.

Coceira acima do olho que fora atingido por severa alergia.

Não sabia se coçava ou clientes atendia.

No dia seguinte Togo adentrou recinto.

Avistou namorado prurido sumiu e alegria ressurgiu.

Verena Niederberger, 70 anos, Rio de Janeiro, Brasil

Desafio nº 253 – anagramas de ALEGRIA

Maria Manuel Ribeiro – desafio 253

Se pensasse muito no assunto, gelaria de horror. A sua vinda da Argélia trazia-lhe recordações funestas. Contudo, a alegria e a paz deste local, superava em muito as inquietações, superava mesmo a alergia que sentia quando se sentava no banco a absorver o cheiro das flores. O parque parecia uma galeria, com a sua palete de cores variegadas, quadros que lhe entravam na alma e aí permaneciam. Que regalia, poder usufruir daquele local tão íntimo, que bênção.

Maria Manuel Ribeiro, 63 anos, Parede

Desafio nº 253 – anagramas de ALEGRIA

João de Lagoa – desafio 253

– Francisco Argelino, filho de Francisco Cativo, dizem-te alguma coisa?

– São dois Chicos avoengos da minha galeria. O pai, moço poeta com alergia ao Santo Ofício, raspou-se numa chalupa de pesca. Uma aventura que gelaria hoje qualquer Rambo de sangue-frio. Pescado por piratas, acabou cativo na Argélia. Escravo loiro, letrado caiu em graça com mui regalia do Grã-Vizir e fez a alegria da filha, cativando-a com um filho: o Chico Argelino, ao qual legaria o dom da poesia.  

João de Lagoa, 58 anos, Lagoa, Algarve

Desafio nº 253 – anagramas de ALEGRIA

11/10/21

Margarida Freire - desafio 253

Pacholas era um gato pacato. Fazer corrida, trepar uma escada, não era com ele que já carregava catorze primaveras. ALERGIA ao movimento, talvez.

Anastácia trouxera-o da ARGÉLIA onde visitara uma GALERIA. Habituado ao calor, pensou que GELARIA na viagem.

Adorava a cuidadora, que o aninhava no colo – REGALIA que até então desconhecia. Os miminhos, a almofada onde tirava valentes sonecas, os petiscos que sempre apareciam…

De repente – diacho –, a quem LEGARIA tudo um dia?

Pensamento sinistro. FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF…

Margarida Freire, 79 anos, Águas Livres - Amadora

Desafio nº 253 – anagramas de ALEGRIA

Theo De Bakkere – Clube Desafia-te

Não podia resistir

Uma ruína restaurada na rua Ruanda, era na realidade a residência régia do rei dos ratos. Nesta ratada real, um ratinho rapace roubou, sem qualquer resistência, uns rubis da roupa da rainha. Rapidamente resolvera seu rastro e escondeu a rapina debaixo duma rocha e a ramagem do rododendro. Embora os ratos regularmente repassassem pelo rododendro, ninguém rastrearia os rubis.

Mesmo o ratoneiro nunca os recuperará, pois que não poderia resistir ao rubi posto como isco na ratoeira.

Theo De Bakkere, 70 anos, Antuérpia-Bélgica

Clube Desafia-te

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Luís Marrana – desafio 252

Vai!

Deitado no chão viscoso, olhos fechados pelo sol.

Arrepio-me de brisa e medo ao ser engolido pelo gargalo escuro: Chão paredes e teto num só.  

Volteio numa vertigem veloz, infinitamente descendente de espuma quente.

Inspiro vapor, expiro pavor. 

Zás sol nos olhos arregalados. Dor.

Foge teto, paredes mais veloz ainda foge o chão… ar... leve, levitar!

 

Mergulho no mar fundo! Frio de arrepiar!

O corpo comprimido. Falta d’ar! Emergir!!

Entre céu e mar… a serenar…

Luís Marrana, 60 anos, Porto

Desafio nº 252 – entre 4 paredes

Rosélia Bezerra – desafio 253

Imagino viver na África, sem mordomias, sem comida, sem teto, sem sorrisos, sem saúde, sem medidas de higiene. Viver num tristemente, uma Argélia, sem vida, sem nenhuma regalia.

Eu gelaria, por certo.

Tenho alergia às egoístas, sinto compaixão pela dor do semelhante.

Deus Regalai todo bem, ninguém diz amém, galeria desiludida, descrédito na vida bela que vivemos, seja em que circunstância for. Ele, nunca nos abandona, na saúde, na doença, na alegria e na tristeza.

Rosélia Bezerra, 66 anos, ES, Brasil

Desafio nº 253 – anagramas de ALEGRIA

Maria Silvéria dos Mártires – desafio 253

ALEGRIA

É um contentamento, uma alegria estar curada da alergia.

E saber que isso nunca mais me religa ao tempo nem o frio imenso me gelaria.

O corpo penetrando pelos ossos adentro. Quando assisto a uma peça de teatro quero dizer-vos: regalai os vossos olhos com o espetáculo que fala da Argélia onde uma variedade de pássaros, aves belas são uma atração em todo o país. E recordar isto é para mim uma satisfação e uma feliz regalia

Maria Silvéria dos Mártires, Lisboa

Desafio nº 253 – anagramas de ALEGRIA

Chica – desafio 253

Que alegria

Por uma grande regalia, ganhou de presente na empresa jornalística, ir a trabalho para Argélia, país africano, fazer uma cobertura especial.
Preparou uma grande galeria de fotos, quadros com os quais ilustraria as páginas.
Faria um artigo também sobre a culinária e assim legaria informações aos leitores.
Para tanto experimentou sabores...

Sem saber que tinha alergia ao açafrão,
precisou ir a uma gelaria para compressas frias fazer.
Ficou com rosto deformado de tanto inchaço, foi-se alegria!

Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil 

Desafio nº 253 – anagramas de ALEGRIA

Publicado aqui: ♥ Chica brinca de poesia ?♥: ♥ Durou pouco! ♥

10/10/21

Desafio nº 253

Gosto da palavra alegria por tudo o que ela contém e pelas possibilidades que nos dá de brincarmos com as letras que a compõem. 

 

A minha brincadeira incluiu os seguintes anagramas: alegriaalergiaArgéliagaleriagelarialegariaregalia. Mas há mais: alegrairegalai... 

E vocês, quais vão usar?

 

Eu fiz assim:

No fundo sabia que não adiantava nada: coçar só ia piorar a alergia, mas havia, naquele fervor cutâneo, um bocadinho de alegria, de regalia. Sabia que se tinha arriscado na viagem à Argélia, quando fora procurar trabalhos para expor na sua galeria, mas jamais legaria essa tarefa num dos seus colaboradores e gelaria só de pensar no que podiam fazer àquela coleção tão especial: era a primeira vez que os mosquitos eram, vivos, protagonistas no seu espaço.

Paula Isidoro, Salamanca

Desafio nº 253 – anagramas de ALEGRIA