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30/07/20

Desafio nº 215

Para este desafio, terão de escrever um texto que inclua as seguintes palavras:

máscara      mãos     caso      teste     mundo      notícia      distância

Fácil? Esqueci-me de dizer que não pode ter qualquer relação com a pandemia atual.

O meu ficou assim:
Mantinha-se a pouca distância e, com a cabeça de soslaio, levantava e baixava o olhar repetidamente. Contorcia as mãos para confirmar que o mundo não estava congelado, era apenas o tempo que teimava em arrastar-se. Bem sabia que nunca passaria num teste de paciência e, ainda assim, ali estava, especado para o caso de chegar a hora. Pelo vidro na porta, espreitava e ansiava por qualquer cara de máscara que viesse, por fim, dar-lhe a grande notícia.
Isabel Peixeiro, 37 anos, Mafra
Desafio nº 215 – 7 palavras obrigatórias

20/06/20

Desafio nº 211


Se pensarem na primeira transmissão telefónica entre quatro telefones, que aconteceu há 143 anos, que texto, de 77 palavras, conseguem escrever?

Por aqui, saiu assim:
Alberto ajeitou o laço antes de pegar naquele aparelho que parecia falar sozinho. Endireitou-se e clareou a voz.
– Bom dia, caro senhor – começou, acompanhando com uma vénia profunda para se recompor logo de seguida, ao recordar-se que os restantes participantes da linha não se encontravam presentes.
– TEM DE FALAR MAIS ALTO! – gritava Bernardo, com a boca encostada ao aparelho.
– Não é preciso gritar, senhor Antunes.
– Antunes? Não sou o Antunes.
– Então para quem liguei?
– Para mim, óbvio.
Isabel Peixeiro, 37 anos, Mafra
Desafio nº 211 ― 143 anos da 1ª conversa entre 4 telefones

12/05/20

Desafio nº 207

Nada como a leitura para nos levar à escrita.
Deixo-vos uma frase que terá de aparecer no início ou no fim do texto:

“Eram dois, mas só tinham uma sombra.” (A contradição humana, de Afonso Cruz)
Toca a escrever, já só faltam 70 palavras.

Eu fiz assim:
Eram dois, mas só tinham uma sombra. Caminhavam juntos, de passo sincronizado. Quando um andava mais depressa, o outro acelerava. Depois, paravam, olhavam-se nos olhos, procuravam pistas. Adivinhavam-se.  Se um pensava num salto, o outro imaginava um pulo. Um esticava-se, o outro alongava-se. Os minutos passavam, o nervoso crescia. Dois corações palpitantes anunciavam a hora de agir sem pensar para pôr fim à sincronização. Sabiam que só um poderia ganhar. Afinal, era a última fatia de bolo.
Isabel Peixeiro, 37 anos, Mafra
Desafio nº 207 ― frase de Afonso Cruz

05/04/20

Razões para Ler

«Razões para Ler» (1 e 2)

Projeto Re-Word-It da Associação Cultural Trilhos das Palavras. Comigo estão duas grandes mulheres, Isabel Peixeiro e Rosário Padinha Ribeiro.

São histórias metafóricas para o ensino, a terapia, os serões de histórias.

As histórias metafóricas tocam-nos no consciente e no inconsciente, produzem efeitos a nível emocional. Porquê? Porque trabalham a empatia. Porque estimulam a curiosidade e a criatividade. Porque se prestam a muitas interpretações, sempre as de que precisamos ao ouvi-las. Porque nos levam a entender o outro e, assim, a entender quem somos. E isso é aprender. É crescer. Precisa de mais razões para ler?

Podem encontrá-las aqui.

Ilustração e design de Carla Nazareth, edição de Nós na Linha.