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10/08/20

Desafio nº 216

«Tive uma ideia! E que tal se…»

No desafio de hoje têm de utilizar esta frase no início, no meio ou no final do vosso texto
O que vos parece?

Eu fiz assim:
O Tomás adorava inventar brincadeiras porque jogar à bola ou trepar às arvores não lhe chegava. E convencia sempre os irmãos a alinhar. Mas depois da viagem dos balões em que Prof, o cão adorado por toda a família, fora enfiado numa cesta e o viram subir a perder de vista, levado pelo vento, acabou. Agora, todos têm medo das suas maluquices. E cada vez que diz “tive uma ideia! E que tal se…”, fogem logo dele.
Rosário P Ribeiro, 63 anos, Lisboa
Desafio nº 216 – Tive uma ideia!

06/08/20

Fernanda Malhão – desafio 80

Tenho muita sorte em viver neste pinheiro. Nas vésperas de Natal o dono da casa costuma enfeitá-lo com grandes bolas coloridas, fitas brilhantes e muitas luzes! Quem passa ao longe na estada não fica indiferente! Fica muito vistoso! Várias pessoas param para tirar fotos. E a melhor parte é que as luzes também atraem muitos mosquitos, que distraídos com elas ficam presos nas minhas grandes teias! A minha ceia de natal será um verdadeiro banquete! Feliz Natal!

Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar

Desafio nº 80 – o Natal da aranha

05/08/20

Fernanda Malhão – desafio nº 79

Tinham reservado um quarto. Já era tarde, estavam muito cansados, só queriam uma cama confortável para dormir. O responsável informou-lhes que tinham uma reserva na suite master cujas pessoas não apareceram, por isso poderiam usufruir dela sem acréscimo de valor. Bem, estavam deslumbrados, o quarto era maravilhoso! Atiraram-se para a cama felizes com a sua sorte! Foi quando bateram a porta. Afinal a reserva apareceu, teriam de mudar de quarto. Foram quase felizes, num sempre muito pequeno. 
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
Desafio nº 79 – quase felizes, num sempre muito pequeno

Domingos Correia – desafio 215

Felicidade 
Felicidade! Quero percorrer a distância necessária para alcançá-la. Quero, com as minhas mãos, agarrá-la, para o caso de querer fugir. Quero percorrer o mundo à sua procura. Meu último teste à minha humanidade, talvez. Sei que é difícil encontrá-la. Nunca alguém a viu. Usa uma máscara mágica que a torna invisível. Há quem diga que vive longe. Há quem diga que vive perto.  
Ai… se a encontrasse!… espalharia a notícia aos sete ventos e, finalmente, sorriria sossegado.
Domingos Correia, 62 anos, Amarante 
Desafio nº 215 7 palavras obrigatórias

Odília Baleiro – desafio 215

Desde que a conheço, sempre me pareceu uma pessoa de pensamento muito positivo, de riso fácil. Qualquer notícia, deste mundo conturbado e injusto, nunca a perturbava. Dizia sempre: deixa lá, há coisas piores! Um dia recebeu uma mensagem e aí foi um caso sério. Contorcia as mãos e, desde então, a sua fisionomia alterou-se... Assumiu uma máscara que nunca mais retirou, como um teste que anuncia uma doença maligna. A distância perturbava-a. Nunca mais foi a mesma! 
Odília Baleiro, 65 anos, Lisboa
Desafio nº 215 7 palavras obrigatórias

Elsa Alves – desafio 63

Ele comportava-se sempre daquela maneira... Daquela maneira recebia todos os elogios. Todos os elogios que lhe faziam eram, sem dúvida, bem merecidos. Eram bem merecidos, por exemplo, os esforços que fizera, junto do chefe arrogante, para desculpar Jacinto. Para desculpar Jacinto, o seu melhor amigo, nem se importara do sacrifício. Sacrifício consciente, aceitando todas as culpas. Aceitando todas as culpas, esperara um gesto de reconhecimento de Jacinto. Reconhecimento de Jacinto, nenhum... Infelizmente ele comportava-se, sempre daquela maneira...
Elsa Alves, 72 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 63 – fim de cada frase é igual ao início da próxima…

Ana Castela – desafio 215

Deu positivo, o teste. Esperava viver este momento ao teu lado, de mãos dadas. Mas não. Estás longe. Perto, mas longe, evadido do mundo. Vou dar-te a notícia. Queria fazê-lo de máscara, para esconder o que sinto. Para ser capaz de dizer que está tudo bem, que compreendo. Que não sinto medo. Que não me sinto só. Este momento é nosso. Caso queiras encurtar a distância que nos separa, estarei aqui. No lugar que também é teu.
Ana Castela, 41 anos, Mealhada
Desafio nº 215 7 palavras obrigatórias

Ana Castela – desafio 214

Tinha seis anos quando descobri a força das letras. Não da letra, porque uma letra sozinha, é apenas uma letra, mas uma letra junta com outras letras, torna-se mágica. Quando se juntam letras e mais letras, passam a ter cor, cheiro, sabor; fazer chorar, rir, sonhar. As letras são tão poderosas, que, sem elas, o mundo, como o conhecemos, não existiria. Assim, decidi que iria tratar sempre bem cada letra que passeie entre os livros e nós.
Ana Castela, 41 anos, Mealhada
Desafio nº 214 – à volta da palavra letra»

Ana Castela – desafio 213

Seguem paralelas, as linhas. Seguem o seu caminho, serenas, ou contorcendo-se de forma, mais ou menos, brusca desviando-se do que lhes impede o caminho. Umas, apenas, sofrem desvios ligeiros, não se perdendo da sua rota. Outras endurecem, quase se perdendo. E perdiam-se, se não fossem as suas paralelas, ali, a guiar-lhes o caminho, a servir-lhe de amparo no contorno do intruso, na superação dos limites. E seguem, de novo. Aliviadas. Não estão sozinhas. Seguem paralelas, as linhas.
Ana Castela, 41 anos, Mealhada
Desafio nº 213 – imagem de madeira

04/08/20

Rosélia Palminha – desafio 202

UMA HISTÓRIA QUE NÂO ACONTECEU
Iniciei esta história ontem, mas não sei porquê, ontem foi um dia sem inspiração.
Talvez porque ontem não estava nos meus dias.
Ontem era mesmo para ter ido de férias, mas não deu, pois ontem era o dia de anos da minha afilhada, e eu só me lembro das coisas à última hora. 
Isto está aqui um desconcerto! Ontem não fiz, ontem não fui, e hoje praticamente terminei a história antes de começar!
Ah! A idade não perdoa ...
Rosélia Palminha, 72 anos, Pinhal Novo
Desafio nº 202 ― 7 vezes a palavra ONTEM

Helena Rosinha – desafio 215

Revoltante o espetáculo que fizeram da notícia. Preocupante o impacto que terá no mundo empresarial. Eu, que defendo altos valores na atuação, primando pela fineza e discrição, vejo-me empurrado para fora de cena, qual comediante medíocre, vaiado, tentando salvar a máscara. Obra daquela pobretana, irritada por recusar-lhe a entrevista. Dessa gente quero é distância. Vingou-se, dramatizou o caso. Mais um teste à minha capacidade de sobrevivência! Se lhe tivesse untado as mãos… 
Talvez ainda vá a tempo.
Helena Rosinha, 67 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 215 7 palavras obrigatórias

Helena Rosinha – desafio 215

notícia chocou o mundo empresarial e constitui um teste à confiança dos investidores. O Sarmento! Sempre impecável, destacava-se pela desenvoltura e elegância. Uma máscara!  E de pele natural, como se comprovaria caso lhe tocássemos. 
Há uns tempos que vinha seguindo o seu percurso, à distância; intrigava-me tanto sucesso e, ao mesmo tempo, interrogava-me sobre o que teria de genuíno, de positivo. 
Na foto agora divulgada pela Polícia, vêmo-lo tentando ocultar o rosto com as mãos
Esclarecedor.
Helena Rosinha, 67 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 215 7 palavras obrigatórias

Elsa Alves – desafio 62

Ao pó, uma moldura e um livro, sobrevivem numa prateleira da estante. Um dia...
– Já aqui estamos há tantos anos... És um romance?
– Não... Sou um dicionário.
– Um daqueles livros com palavras por ordem alfabética?
– Bom, eu sou especial...
– Eu também. Sou valiosa. Tenho a fotografia do casamento deles...
– Digo-te isto: 
“Somos só recordação
de tempos que já passaram.
Já nem nos têm à mão.
P'ra sempre nos afastaram...”
– Adorável!!!  És um dicionário de rimas!!! Faz-me versos...
Elsa Alves, 72 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 62 – dois objetos, numa prateleira cheia de pó, conversam

“Avó é mãe a dobrar”, veraz afirmação. Alguma vez eu diria que a minha mãe faria enorme diferença? Ainda bem que moro ao lado dela. Logo que o bebé veio ao mundo, minha vida mudou. Não dormia nada, o miúdo era danado: gemeria de dor, de fome ou era manha? Fiz a mezinha, rezei e nada. Minha mãe fazia o horário da manhã e eu me virava no breu. Fiquei doida e exaurida, uma verdadeira mulher zombi. Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar Desafio nº 78 – escrever sem C P S T Fernanda Malhão – desafio 78

Avó é mãe a dobrar”, veraz afirmação. Alguma vez eu diria que a minha mãe faria enorme diferença? Ainda bem que moro ao lado dela. Logo que o bebé veio ao mundo, minha vida mudou. Não dormia nada, o miúdo era danado: gemeria de dor, de fome ou era manha? Fiz a mezinha, rezei e nada. Minha mãe fazia o horário da manhã e eu me virava no breu. Fiquei doida e exaurida, uma verdadeira mulher zombi.
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
Desafio nº 78 – escrever sem C P S T
Fernanda Malhão – desafio 78

03/08/20

Fernanda Malhão – desafio 77

Conheci os desafios de 77 palavras em meio a uma pandemia. Chegou até mim através de uma pessoa maravilhosa que conheci desde que mergulhei neste mundo da literatura infanto-juvenil. Curiosa como sou, resolvi experimentar o formato. E qual a minha surpresa quando comecei a escrever! Rapidamente percebi que o gosto pela escrita foi crescendo de dia para dia. Histórias que eu não sabia que habitavam em mim começar a ganhar vida! Continuo desde então a desafiar-me diariamente!
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
Desafio nº 77 – texto sobre o blogue

Elsa Alves – desafio 61

– Teresa, deves tentar comprovar tamanhas suspeitas da traição do Tomé. Que teimosia! Não terás razão, talvez... Faz tempo que também eu tropecei em tentativas semelhantes. Total falhanço! Tornei-me lúcida. Tu procura travar a tempo.
– Cala-te! Teces considerações totalmente infantis. Todas essas tuas palavras...
– Transtornam-te, claro. Toma juízo. Telefona ao Tomé. Vá, toma o telemóvel. Faz tréguas. Caramba, tantos disparates, tonta!
– Achas? Terás razão? Tentarei...
Infelizmente, Tomé era traiçoeiro. Um tunante malvado. 'Tadinha da Teresa. Sofreu tanto... Pobrezinha!!!
Elsa Alves, 72 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 61 – palavra sim, palavra não começada por T

Maria João Cortês – desafio 211

– Olhe menina, por favor ligue-me ao 43 de Braga.
– O serviço está demorado, quando for possível faço a ligação.
As horas passaram e a ansiedade aumentava, até que toca o telefone.
– Faz favor, tem o 43 de Braga.
– Está? É a tia Augusta?
– Não, aqui não há nenhuma Augusta.
– Então não fala do 43 de Braga?
– Não, aqui é do 85 do Porto.
– Desculpe, mas está a falar com o 37 de Coimbra.
Desesperada, desligou e desistiu.
Maria João Cortês, 77 anos, Lisboa
Desafio nº 211 ― 143 anos da 1ª conversa entre 4 telefones

02/08/20

Ana Paula Oliveira – desafio 212

Já tinha perdido a conta. Já não sabia quantas vezes fora ignorado, humilhado, maltratado.
Desde que começara a frequentar a escola.
Desde que começara a procurar emprego para o qual se formara.
Desde que decidira confrontar o mundo com a namorada branca.
Desde que deixara de ignorar os abusos.
– Igualdade! – foi o grito interior de Tomé, já sem forças para respirar. Mas, antes do último suspiro, ainda conseguiu balbuciar: a igualdade é "um milagre guardado na esperança".
Ana Paula Oliveira, 59 anos, S. João da Madeira
Desafio nº 212 ― Frase de Valter Hugo Mãe

Elsa Alves – desafio 60

Os nomes próprios combinaram uma grande festarola. Naquele tempo em que não havia restrições aos ajuntamentos... Podiam ir nomes femininos ou masculinos. Nomes de uma ou duas sílabas: Eva, Adão, Rui, Ana. Ou aqueles, compridos, quase impronunciáveis: Constantino, Felismina, Domitília, Evaristo. Apelidos é que não. Esses que fizessem a sua própria festa. Alguns, teimosos, decidiram tentar entrar no recinto. Muitos conseguiram as suas pretensões. Infelizmente, o meu apelido ficou preso no arame farpado. Faltaram-lhe pernas para saltar...
Elsa Alves, 72 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 60 – apelido preso no arame farpado (frase obrigatória)

Theo De Bakkere – desafio 215

Uma bênção disfarçada!
Embora o automóvel já mudasse visivelmente várias vezes de mão, em todo o caso, um Rolls-Royce fica à distância das outras marcas, um desejado objeto do mundo privilegiado.
O novo proprietário só perdeu o entusiasmo pela notícia do garagista depois dum teste que mostrou: sem motor novo o carro nunca andará.
Uma bênção disfarçada! Afinal, tornou-se financeiramente uma compra positiva, no porta-luvas descobria um cartão postal antigo com um selo "Máscara mortuária de Chopin" de valor astronómico.
Theo De Bakkere, 69 anos, Antuérpia-Bélgica
Desafio nº 215 7 palavras obrigatórias