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13/09/18

Elsa Alves ― desafio 114


Deus dá voz a quem não tem mentes
Que não há perguntas parvas, até concordo. Não há. Todas são válidas. Agora, pessoas, verdadeiramente, idiotas, isso já é outra história. Há imensas. Aliás, demasiadas. Daquelas que apregoam as suas palermices em estridente sonoridade, (tivessem, ao menos, o bom-senso de só as murmurar. Bem baixinho...) Infelizmente, têm "voz"  ― não têm é "mente"... Poderão dizer-me: "Não és obrigada a ouvi-las." Mas Deus deu-me ouvidos. Esqueceu-se de um pormenor importante. Devia ter-lhes posto um botão para ligar e desligar...
Elsa Alves, 70 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 114 ― trocar as voltas ao ditado popular

16/03/18

Fernanda Costa ― desafio 114


João Henrique pensava em soluções, choviam em qualidade, deleitando-lhe a alma
Estas bênçãos, sentia-as como um bálsamo. Embora tivesse alguma descrença, o vento, em rajadas pausadas e os pássaros com melodiosos trinados davam-lhe uma espantosa segurança.
O encontro com Vanda fortaleceu-o ― racional e metódica ― aconselhava-o nos negócios, temperando-os com uma pitada de sonho, que ele tanto carecia.
Todos os bens, até ao momento, ao abandono, frutificaram, tornaram-se brilhantes, dando alegria a toda a família. 
A partilha enobrece.
Fernanda Costa, 56 anos, Alcobaça
Desafio nº 114 ― trocar as voltas ao ditado popular


04/11/17

Andrea Ramos ― desafio 114

O garoto pensava que crescer dizia respeito aos traços físicos. Certa manhã de outubro lembrou-se de subir a uma árvore, julgando crescer mais um pouco. A árvore escorregadia quis dar-lhe uma lição. Pobre coitado, na cama do hospital lamentava-se «Brincar é proibido!».
Sem esperar…uma figura enigmática…não era médico nem enfermeiro ou auxiliar, um palhaço!?
Entre sinceras brincadeiras e conselhos de mister, o garoto fez-se aprendiz da vida. Colocou este letreiro na árvore: «O crescimento enobrece»
Andrea Ramos, 41 anos, Torres Vedras
Desafio nº 114 ― trocar as voltas ao ditado popular


21/10/17

Ana Beatriz - desafio 114

Naquele mar de gente, apenas duas pessoas conversavam. Todos os outros olhavam para os telemóveis. Inevitavelmente, os dotes do Chico foram despertados.
Havia tanta proximidade! O tema parecia sugá-los! Algo invisível os unia fortemente. Ao Chico, nada escapava. A observação ― adicionada aos estudos ― deu-lhe a resposta. Descobriu a razão de tanto enleio. A chama laranja, incandescente, era inconfundível. Aquelas almas eram gémeas, não tinha dúvidas! Havia um rio de fogo ligando aqueles dois seres.
O oculto enobrece!
Ana Beatriz, 39 anos, Lisboa

Desafio nº 114 ― trocar as voltas ao ditado popular

14/09/17

Susana Sofia Miranda Santos - desafio nº 114

Jesualdo era servente da construção civil. Como era o funcionário menos experiente, era escravizado pelos colegas, ostracizado pelo chefe, trabalhando exposto a condições climatéricas adversas.
Ele era psicólogo, mas nunca encontrara trabalho correspondente às habilitações e tinha que custear despesas pessoais. Assim, mesmo odiando aquele emprego, não tinha alternativa!
Mas, um dia, decidiu comprar um bilhete de lotaria e a sorte sorriu-lhe, ganhando o primeiro prémio.
Nunca mais iria trabalhar, viveria de férias eternamente!
O sofrimento enriquece.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio nº 114 ― trocar as voltas ao ditado popular


24/08/17

Fernanda Costa ― desafio nº 114

Alegria dos puros
Joana, absorta nos pensamentos, relembrava as conversas:
― Toma, é para ti! ― disse Marinho com o coração. Era uma pequena flor brilhante, um pequeno sol que lhe aqueceu o coração.
Joana, num deserto de afetos, ficava embevecida com aqueles gestos. Vinham dos mais puros, sem pecado, sem julgamentos. Eram mimos memoráveis!
Em cada passo, em cada gesto, em cada atentado à sua dignidade, aquelas dádivas nutriam-lhe a alma.
Joana era amada e correspondia com alegria ― o amor enobrece!
Fernanda Costa, 55 anos, Alcobaça

Desafio nº 114 ― trocar as voltas ao ditado popular

26/04/17

Regina Gouveia ― desafio nº 114

Era uma linha ondulada, de menos infinito até mais infinito. Depois, começaram as restrições. Passou a reta. Continuava a viajar entre infinitos, mas o percurso ficou empobrecido.

13/03/17

Celina Silva Pereira ― desafio nº 114

Conversa animada
Encontrei-a na minha rua, era velhinha e enrugada. Contou-me sua história. Os filhos tinham-se mudado para longe depois de tê-los criado sozinha. Nunca recebia visitas, costumava trabalhar em

01/02/17

Crescer

O meu objetivo era ajudar pessoas e decidi ser enfermeira. Quando acabei o curso não estava satisfeita e quis ir mais além, apesar dos meus colegas me dizerem que já ajudava muitas pessoas. Mas mesmo assim fui tirar medicina para poder ajudar ainda mais pessoas. Ao longo do curso pensei nas várias disciplinas que tive desde cirurgia, psicologia, pediatria… fui para cirurgia que sempre foi o meu grande objetivo – salvar pessoas, como se diz o crescimento enobrece.
Marta Calé, 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Desafio nº 114 - trocar as voltas ao ditado popular

31/01/17

O amor enobrece

Ela era uma rapariga com um coração de ouro como já não se vê muito por aí. Era a pessoa mais conhecida da pequena aldeia em que vivia, mas ela não se importava. Era uma boa menina que só queria viver a vida a fazer o bem. Morava com seus avós numa grande quinta, em que todos os dias se levantava bem cedo para ir preparar o pequeno-almoço para os seus queridos avós. Realmente o amor enobrece.
Beatriz Pacheco, 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

Desafio nº 114 - trocar as voltas ao ditado popular

Quem muito escolhe

Havia um concurso, que ao calhar o número jackpot se ganhava 30 euros em compras.
Todas as tardes o senhor Josefino ia à mercearia para ver se ganhava o prémio. Tanto que ele escolhia, mas nada lhe calhava.
Um dia um homem disse-lhe que o prémio nunca lhe iria calhar.
Nunca mais ele apareceu.
Um dia voltou, e teve sorte. O senhor Josefino foi ter com o homem e disse-lhe:
“Quem muito escolhe, um dia terá sorte.”
Beatriz Brandão, 6º A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira
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24/01/17

Black Friday

Era uma vez mulher de 50 anos que todos os dias que havia Black Friday preparava-se para os descontos. Mas por se preparar muito acabava por adormecer e perdê-los. Esta era a única altura do ano que ela apreciava pois ela sofria quando isto acontecia. Por isso este ano umas amigas decidiram mudar a data dos calendários da casa e no dia dos descontos ela não estava demasiado cansada para os descontos, pois assim o sofrimento desapareceu.
Aymane Berqia, 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

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22/01/17

A leitura de Marcelo

A 12 de dezembro de 1948, em Lisboa, nasceu Marcelo, uma criança curiosa e inteligente que gostava de ler, sonhava em mudar o mundo, queria saber tudo, lia livro após livro, todo o tipo de livros, sonhava e crescia com eles.
Já adulto foi jornalista, professor universitário, defensor da liberdade de expressão, comentador político, insaciável de conhecimento.
Marcelo outrora criança, agora presidente continua a gostar de ler, pois o saber não ocupa lugar e a leitura enobrece...
Lara Polónio Gil, 6ºA, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

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20/01/17

Abater

Uma família estava muito abatida, pois o filho mais velho ia estudar para o estrangeiro. Pedro era o seu nome, tinha tido excelentes notas no final da escola secundária. A sua mãe começou a ficar com muitas saudades mesmo antes da sua partida e perguntou-lhe se já saberia durante quanto tempo iria ficar numa universidade tão longe de casa. Começou a preparar tudo para que não faltasse nada ao seu querido filho e assim, o sofrimento abate.
Diogo Carrada, 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira

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19/01/17

Exemplos

Todos os dias eu ia à escola. Pertenço à turma em que a maioria de alunos é obesa. Essa maioria podia comer na mesa TOP 10 (é a mesa onde os populares da escola se sentam). Pensei então que a gordura enobrece. Planeei engordar. O meu pequeno-almoço passou a ser todos os dias hambúrguer. Quinze dias depois, era o mais gordo da turma. Cheguei à escola e fui muito gozado.
Lição: Não devemos seguir os maus exemplos.
Sérgio Quitério, 6A, 11 anos, Olhão, EB23 Prof Paula Nogueira, prof Cândida Vieira
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16/01/17

Sem falar

Passavam poucos dias do Natal, quando apareceu por ali e foi visto a dormir na entrada do prédio. Rapaz de cerca de 30 anos, alto, moreno, educado, de gestos elegantes. Tímido, discreto.
Transportava uma mochila e desenhava num caderno. Nunca pedia nada. 
Ela começou por lhe deixar peças de fruta, iogurte, fatia de bolo. Não falavam.
Trocavam olhares, o dele agradecido, o dela preocupado. Passado algum tempo desapareceu dali. Ela passou a apoiar sem-abrigo.
O voluntariado enobrece.
Alda Gonçalves, 49 anos, Porto
Publicada no blog - www.macadejunho-mafaldinha.blogspot.pt

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15/01/17

A carteira

Vivia contando as migalhas que a vida lhe dava. Pobre, mas honrada, procurava transmitir aos filhos os valores em que acreditava. O trabalho levava-lhe a juventude e deixava marcas no corpo, que a custo escondia a verdadeira idade. Esgueirando-se pela porta, o procurador sustinha um largo sorriso. A mensagem foi breve. Oferecia-lhe uma reconfortante quantia pelo gesto do seu filho que devolvera intacta a carteira que encontrara. João entendia agora o significado da frase: A honestidade enobrece.
Amélia Meireles, 63 anos, Ponta Delgada

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Liana ressuscitou

Liana quase morrera, agora queria viver!
O brilho da novidade confidenciava-lhe oportunidades.
Um momento, um olhar descuidado, algo misterioso acontecera. Os sentimentos, em desvario, tomaram as rédeas.
Oscilava entre a esperança e a condenação. Contraste pouco sadio! Ficou aflita, disseram-lhe que o motivo da sua alegria poderia tornar-se "bode expiatório". Que desolação!
Entontecida, afastou-se!
Sentiu a dor da separação, o desespero do erro, o flagelo dos olhares.  
Refugiou-se no amor aos que mais precisam! O amor enobrece!
Fernanda Costa, 55 anos, Alcobaça
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Emocionalmente pobre

Clara retocou a maquilhagem, o espelho devolveu-lhe a imagem de uma mulher que ela não reconhecia mais.
Treinou o sorriso e voltou para a festa, para junto do marido. Viveu sempre em função dos demais, primeiro os pais, depois os filhos, o marido, que deixara de amar há muito devido às constantes discussões. Mas ficou pelos filhos.
Hoje sentia-se uma mulher vazia, sem nada que acrescentar à vida, pior, sentia-se emocionalmente pobre.
E acreditem, o sofrimento empobrece.
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

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10/01/17

O Grupo

A reunião semanal cumpria-se com rigor de relojoeiro. O grupo era coeso, empenhado e determinado. Diversos os propósitos ou pontos de reflexão. No sábado aprazado, o mote era " O Sofrimento...empobrece". Humm... O sofrimento pode não enobrecer mas faz crescer.
Como valorar o bem-estar se ele for perene? 
As perguntas sucediam-se.  Finalmente alguém comentou: o sofrimento tem várias categorias, diferentes graus, é um leque de situações. Talvez fazendo racionalmente a sua gestão, o sofrimento faça sofrer menos.
Elisabeth Oliveira Janeiro, 72 anos, Lisboa
Desafio nº 114 - trocar as voltas ao ditado popular