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26/06/20

Elsa Alves ― desafio 32

― Diga?!? 33??? Deve ser p'rá direita. Do outro lado da rua...
― Do outro lado?
― Repare: daqui são os números pares. Portanto, os ímpares são do outro lado. Deve ser muito perto. Já no próximo quarteirão, talvez.  É uma casa particular? Ou um estabelecimento comercial?
― Sei lá, menina!!! O nome do destinatário não é português... Nem são as nossas letras... Veja...
― Ora... É o restaurante grego, do senhor Domenikus...
― Não havia eu de estar a ver-me grego... Obrigado!
Elsa Alves, 71 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 33 – Pegando em “Diga 33”, ou qualquer outra versão do 33

20/06/20

Fernanda Malhão ― desafio 33

Primeira vez num leilão, nunca achei graça aquelas quinquilharias que a tia tanto apreciava. Mas lá fui meio que arrastada. Entre os pregões surgiu uma taça, estranhamente pareceu-me especial. Iniciou-se o leilão:
― Dou 10!
― Cubro oferta com 15!
― Pois eu dou 30 e nem mais um tostão!
Não sei de onde veio aquilo, mas digo à tia:
― Diga 33!
― 33, disse a tia! 
A taça era nossa! A tia olhava para mim tão espantada como eu própria!
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
Desafio nº 33 – Pegando em “Diga 33”, ou qualquer outra versão do 33

01/10/19

António Azevedo ― desafio 33


Estava mesmo doente. Adiou, o mais possível, a ida ao médico.
Raramente ia ao médico desde a aposentação do Dr. Almeida.
Que saudades do seu médico de sempre.
Antes, doenças à parte, ir ao médico era como visitar um amigo.
Na auscultação lá vinha o brincalhão: “Diga 33!”
Suspirou. Lá teria de marcar uma consulta.
O problema é que não se sentia à vontade com o médico novo.
Não era falta de competência. Era falta de empatia.
António Azevedo, 54 anos, Lisboa
Desafio nº 33 – Pegando em “Diga 33”, ou qualquer outra versão do 33

21/11/17

Eurídice Rocha ― desafio 33

Rir ou chorar?
Cristina toda vida falou substituindo érres pelos guês. Tó-zé pedia-lhe "diz carro" ao que respondia-lhe"és tão malandgo"... riam em entrelaçada cumplicidade. 
Cristina tinha tia Elvira, endurecida pela frustração das escolhas que, "pareciam bem" aos olhos doutros, furaram-lhe visceralmente o coração. 
Cristina interrompeu chá perguntando afogueada "mamã, viste o meu bichinho da seda tguintei tguês?" "Que nojo, menina... diga 33", observou Elvira. Sentia nojo de quem?, chocou-se Cristina! Mamã escondeu bichinho esmagado pelo pé seco da tia.
Eurídice Rocha, 51 anos, Coimbra
Desafio nº 33 – Pegando em “Diga 33”, ou qualquer outra versão do 33



24/08/17

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 33

Sou educadora de infância na creche local e adoro a minha profissão: da correcta educação das crianças deriva uma sociedade com futuro digno e justo.
Acabei de chegar à drogaria vizinha.
― Bom dia! Desejo 33 balões, por favor.
― Bom dia! 33? Diga! De que cor prefere os balões?
― Gostaria de balões vermelhos... eles serão libertados amanhã pelas crianças da creche durante a nossa festa de aniversário.
― Certamente será uma festa belíssima!
― Obrigada, está convidado para a festa!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
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03/04/16

Será grave?

O Doutor, já estava impacientado.
E a criança ainda mais.
– Diz lá, 33:
– Tlinta e tlês.
Diz outra vêz!
– Tlinta e tlês, outla vêz. Bolas, Doutol.
já estou falto desta tleta.
– Mas eu só quero que digas, 33.
– Olhe diga o senhol, já que é tão espelto.
E agola, quelo a minha mãe.
– Então Doutor, o que tem ele?
Bem, o que ele tem, não sei,
só sei que ele não consegue dizer 33.
– E é grave?

Natalina Marques, 56 anos, Palmela

Desafio nº 33 – Pegando em “Diga 33”, ou qualquer outra versão do 33

29/01/16

Não te rias!

Estando eu com grande febrão chamaram o Dr Martins.
Despido o sobretudo, pousado o chapéu, tira da pasta um pequeno funil com que me massacra as costas e, com seu grande vozeirão e pronunciada gaguez:
– D-d-diz trinta e três!!!
Quanto mais se zanga mais eu me rio!
A velhaca da minha prima tinha-me prevenido de véspera: quando o "ventas de assadeiro", assim lhe chamávamos, te mandar dizer trinta e três, tu não te rias!
Foi remédio santo!!!


Milena Falcato, 81 anos, Estremoz
Desafio nº 33 – Pegando em “Diga 33”, ou qualquer outra versão do 33

16/10/15

O 33 de mar

Olhava fixamente a paisagem. Sentia-se estar noutro mundo. No céu, as gaivotas emparelhadas faziam desenhos. Lembrou-se da sua última consulta.
– Diga lá 33!
No bailado as aves, em conjunto, pareciam descrever um número… Como era engraçado descobrir coisas iguais em outros lugares…
Estava decidido. Por que haveria de dizer 33? Numa próxima consulta, diria: “gaivotas aos pares”! No mínimo haviam de se rir. Para desgraça bastava a sua situação. O 33 passaria a lembrar o mar. 

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

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21/07/15

Contar ou contar

Contar pode ser tanto, podem ser números, vivências.
Contar ou contabilizar?
Conto em noites cada uma delas sem acordar contigo. Conto histórias para mim mesma de todos os dias com tua presença.
Enumero horas, beijos, cafés...
Contabilizo declarações de eterno amor, filmes, canções, livros, cartões.
Desenhos na areia, escritas, fotografias impressas na alma...
Conto flores recebidas, cores vividas.
Conto trocas e entregas.
Seriam quantas? Diga, 33... 33.000 vezes contigo. Ou tantas mais?
Resta contar lembranças.
Contar saudades... 

Roseane Ferreira, Estado do Amapá, Macapá, Extremo Norte do Brasil

Desafio nº 33 – Pegando em “Diga 33”, ou qualquer outra versão do 33

07/05/15

Programa Rádio Sim 504 – 7 Maio 2015

 OUVIR o programa! 

No site da Rádio Sim

Queixava-se muito
Queixava-se, queixava-se, de tudo e de quase nada, era uma picada qualquer, uma pequena dor instantânea, uma tontura de vertigem, uma náusea momentânea. Odiava médicos, faziam-lhe sentir ainda mais doente, lembrava-se quando pequeno o Dr. Pestana de estetoscópio no tórax: Diga 33! Porquê 33? Na escala de quantos por quantos? A dúvida deprimia-o. Aquela memória assustava-o. Afinal agora queixava-se de quê? Já não sabia. A dor de que se queixava não devia valer 33. 33 é muito!

Constantino Mendes Alves, 56 anos, Leiria
Desafio nº 33 – Pegando em “Diga 33”, ou qualquer outra versão do 33

21/08/14

Diga 33

Diga 33,
um sorriso
vestido de branco,
a voz imperturbável,
as mãos firmes.
Debruçou-se:
o olho experiente,
o ouvido entendido
nas velhas artes
da cura.
Sorriu outra vez,
as frases serenamente
a-r-t-i-c-u-l-a-d-a-s
                   o
                 r
               p
            o
num s
esvaindo-se, fonte de vida;
talvez a sua mente,
o seu intelecto,
sei lá,
estivessem a r
             e
                s
                  v
                    a
                       l
                        a
                           r,
de alguma planície abissal,
agora, nela
tudo funcionava
em solene, discreto
rito maçon
de 33 graus.

Jaime A., 50 anos, Lisboa

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20/03/14

Dia de Bingo no Lar

Rosa oferece-se logo para retirar os números e dizê-los em voz alta.  Inês, amiga de Rosa, é louca por chocolate e quer sempre sentar-se ao seu lado.  Os restantes dividem-se pela sala e dá-se início ao escrutínio dos números.  Minutos depois, incomodada, Inês murmura a Rosa:
– Ai, Rosa, este chocolate é tão rijo.
Ao que Rosa irritada responde num tom mais alto.
– TRINCA, INÊS.
Ao fundo ouve-se Maria, senhora com graves problemas de audição.
–  DIGA? 33? BINNNNNGO.


Isabel Branco, 53 anos, Charneca de Caparica
Desafio nº 33 – Pegando em “Diga 33”, ou qualquer outra versão do 33

19/02/14

Programa Rádio Sim nº 199 – 19 Fevereiro 2014

OUVIR o programa! 


No site da Rádio Sim

A idade, a idade...
Mafalda olhava para o espelho e via uma menina de 18 anos, embora já tivesse mais quinze.
Uma manhã, ao saborear o seu cappucino na pastelaria de sempre, alguém perguntou:
– Ui, que olheiras! Que idade tem a menina?
Ela ficou perplexa e disse: não consigo!
Diz logo a senhora atrás do balcão: 
– Oh, menina Mafalda, é sempre a mesma! Diga 33! Vá, seja capaz!
– Mas porque é que eu tenho que crescer mais rápido do que gostaria?
Susana Ramos
Desafio nº 33 – Pegando em “Diga 33”, ou qualquer outra versão do 33

30/11/13

33? Ora...

No talho, uma senhora excessiva e arrebicada estava na fila à espera da sua vez.
Quando um garoto entrou na loja, a vaidosa mulher percebeu que o moço estava a fixar-se ela e perguntou:
– O que é que há, rapaz?
– A senhora tem 33?
– 33? Diga... – E dirigiu-se lisonjeada aos circunstantes: – Tenho muito mais anos!
O rapaz olhou com estupefação para ela e disse:
– Entendi que dizia o número da senha que tirou ao entrar na loja.

Theo De Bakkere, 60 anos, Antuérpia, Bélgica

Desafio nº 33 – Pegando em “Diga 33”, ou qualquer outra versão do 33

04/06/13

Programa Rádio Sim nº 17 – 4 Junho 2013

OUVIR o programa!
No site da Rádio Sim



Desafio nº 33 – diga 33!

Foi, não ficou
Ela resolveu ir ter com ele, sabia que ele trabalhava no edifício Estrela, um dos maiores edifícios de Lisboa, mas estava nervosa, como seria quando  chegasse? Logo se veria.
Foi.
Na recepção do edifício confirmou o andar em que ele trabalhava.
– A senhora entre no elevador e diga 33! O elevador activa-se ao som da voz.
Subiu.
Chegou.
Que dizer, que fazer?
Não foi capaz, no mesmo instante deu meia volta e entrou novamente no elevador mas…

Marina Maia, 45 anos, Castanheira do Ribatejo

20/05/13

Programa Rádio Sim nº 6 – 20 Maio 2013


Indicativo + OUVIR  o programa! No site da Rádio Sim



Desafio nº 33 – Diga 33!


Inquérito
Sentada. Braços apoiados na secretária. Um sorriso. Plástico.
Mais um inquérito para preencher.
– Boa tarde, como se chama?
– 33.
– Idade?
– 33.
– Estado civil?
– 33.
– Morada?
– 33.
– 33, novamente?
De repente levantou-se a estremecer:
– Tomei o número atómico 33, com 33 anos e faltam-me 33 segundos...
Os meus braços saltaram da secretária em direção a ele, não chegarem a tempo.
Caiu desmanchado no chão. Esvoaçou uma fotografia rasgada em 33 pedaços.
Passaram 33 dias: já ninguém se lembrava.

Catarina Peças, Portugal


09/02/13

33 gatos


A Liliana olhava espantada para os gatos que entravam pela porta do quintal. Eram muitos e de todas as cores. Brancos, castanhos, amarelos, tigres, pretos e com uns olhos mais lindos, que alguma vez tinha visto. A avó quando entrou em casa soltou um grito:
– Mas o que é isto?!
– Diga, 33 gatos.
Do mais pequenino ao maior, do mais magrinho ao gordito, a rapariga contava-os um por um sem falhar nenhum. Estava maravilhada, a avó não.

Maria Jorge


A Combinação


O guarda fatos aberto de par em par.
Inquieta;
Descalça;
Num silêncio felino, percorre a penumbra do quarto de lés a lés.
Nenhuma combinação me serve!
Desespero!!!
Arfa, tolhida pelo calor.
Cansados, os olhos, percorrem o quarto. Abrandam sobre a cómoda. Demoraram-se no estetoscópio...
Diga 33, ressoou no seu cérebro uma e outra vez. Tantas vezes o repetira aos pacientes!
33, CLARO!!!
Os dedos ágeis lançaram-se sobre o cofre, click! ABRIU!!!
Nunca mais esqueço esta bela combinação!

Luís Marrana

Morte



A sua morte desgastara-a. Sofrimento incomensurável. Queria ficar só. Quem sabe, ir ter com ele.
Dormir, depois do adeus, era tudo o que desejava. Não conseguia. Exigiam-lhe papéis e mais papéis para assinar e fazer prova de filiação, como se alguém conseguisse mentir sobre um assunto destes.
E o notário:
– Rua 33? Diga?!
– Sim, Sr. Doutor, exactamente o que pensa; como no médico: “Diga, 33!”.
Caminhou para casa. Tomou os comprimidos. Deitou-se. Viu-se a caminhar até ele. 

Isabel Pinto, Almada


Feito num 8!


O Pedro não conseguia dormir! Contou carneirinhos: um... três... trinta... trinta e três. Lembrou-se da farinha 33, que comia em criança, do médico que o mandava dizer 33... e começou a imaginar que 33 podia ser igual a 6 (3+3) ou a 9 (3x3).
Mas o sono não vinha! Os olhos ficaram em bico, e os dois 3 viraram-se um para o outro e formaram um 8. Era assim que Pedro se sentia: todo feito num 8!

Ana Santos, Portugal