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29/09/17

Susana Sofia Miranda Santos - desafio nº 96

Habito nas várzeas alentejanas desde criança, mas sou venezuelano.
Esta noite não dormi... o jerico do vizinho zurrava insistentemente.
Tenho o cérebro vazio, em processo de veloz vaporização, em vulcanização total!
Quem não se zangava, sem descanso, ouvindo vozes no interior da cabeça?!
Já visualizo verbalizações cruéis! Vou vigarizar aquele campeão de avareza, vendendo-lhe palha envenenada! Estou a brincar... eu adoro animais.
Mas... um jumento?! O meu cão, Vizir, peca pelo seu apetite voraz, mas é adorável!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

27/12/16

Cuidado com as zombarias

Zé era desembaraçada, mas ao Azevedo isso pouco importava! De voz sempre alta, zombava agora das azevias que a mulher fazia. Vazio de culpa, nem uma vez a deixava em paz! Zombava dela todo o dia, tão alto que toda a vizinhança ouvia. 
Até que um dia deixou de ser capaz.
Cansada da zombaria, Zé fez as malas enquanto a vizinhança dormia. Não olhou para trás. O Azevedo chora agora pelas azevias que deixou levar enquanto dormia.
Anabela Risso, 24 anos, Évora

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

23/10/15

Programa Rádio Sim 625 – 23 Outubro 2015

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Coisas do vento
O  vento  ecoava  veloz, beijando de rompante a janela da vizinha Liana. Era grande amiga  – muito  sonhadora. Travava conversas com o vento. Ele tudo dizia, ela tudo sabia.   
Naquela tarde o vento fora tão rápido, a voz fora tão impercetível, que apenas vaziamente percebeu a mensagem do  amigo.
Liana  percebeu que as palavras azedavam e eram rudes, deixando-a  de mente vazia.  
A brisa estival, muito calma e doce, apareceu e esclareceu:
– O vento tornara-se avarento de ambição.

Fernanda Costa, 53 anos, Alcobaça
Desafio nº 96 – palavras com Z e V


21/10/15

Programa Rádio Sim 623 – 21 Outubro 2015

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V e Z!
Um dia, o Vizir de Odemira decidiu ir até Vouzela, visitar as termas de S. Pedro do Sul, uma terra vizinha, boa vizinhança!
Correu velozmente para o seu quarto, abriu o cofre... Vazio! Ficou sem voz. Sem dinheiro?
Puxou pela memória e lembrou-se que tinha mandado fazer obras na sua Ilha para revitalizá-la e valorizá-la.
Logo decidiu esperar pela vazante e ir para lá o mais velozmente possível.
Quando chegou, sorriu e visualizou todo o seu tesouro!

Ana Maria Santos, 61 anos, Seixal
Desafio nº 96 – palavras com Z e V

08/10/15

Programa Rádio Sim 614 – 8 Outubro 2015

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A Carochinha – parte 2
Valzíria Carocha, a viúva do João Ratão, esvaziou-se de vaidade quando o vozeirão do zé povão lhe vazou a altivez: Ó Carochinha! Vai vigarizar outro! E toda vizindade verbalizou o que se andava a comentar pelos Arcos de Valdevez:
Vê se respeitas a viuvez pelo menos desta vez!
Andas a vulgarizar os sacramentos do altar!
Ó velhaca, já enterraste três!
Avezaste-te a conquistar carcaças ricas para casar?
Talvez por isso a Carochinha tenha decidido atirar-se ao caldeirão.

Cátia Penalva, 36 anos, Viana do Castelo
Desafio nº 96 – palavras com Z e V

06/10/15

Programa Rádio Sim 612 – 6 Outubro 2015

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Malmequer, bem-me-quer, malmequer, malmequer

Mãe… é azevinho! Como é possível? De cada vez que me afasto, um disparate, vamos limpar o chão. Se faço hoje as azevias?... Talvez. Ficas junto de mim? Não, o ponto de açúcar é perigoso, deixo-te mexer tudo no fim. Põe este avental. Nunca gostaste de aventais? Vá lá, não fiques assim… a altivez nunca te ficou bem. Viuvez rima com altivez? Tem graça mãe, de onde veio agora essa ideia?
Bem-me-quer, bem-me-quer, malmequer, bem-me-quer, malmequer, bem-me-quer…

Graça Santos, 56 anos, Paço de Arcos
Desafio nº 96 – palavras com Z e V

02/10/15

A avozinha de Vizela

avozinha de Vizela
Era leve, levezinha,
Gostava da vizinhança,
Parecia uma criancinha!

A avozinha de Vizela
Gostava muito dos netos,
Cozinhava, acarinhava,
Era dada aos afectos!

A avozinha de Vizela,
Nem ao avô Sebastião
Alterava a vozinha,
Perante aquele vozeirão!

A avozinha de Vizela                                                                                           
Valorizava a gente,
“Só não ia muito à bola”
Com a vizinha da frente!

É que essa sua vizinha
Gozava todos sem regra,
Rezava e fazia cruzes,
Lá na igreja da terra!

Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

23/09/15

Ilha dos Velhos Pescadores

Na maré vazia apanhava o isco e vazava-o no balde.
Depois, entusiasmado até aos ossos, lá ia para o molhe do Vazadouro. Lançava as canas, acendia uma cigarrilha,  esperava…
Uma vez não voltou. Os amigos, no meio de enorme vozearia, procuraram, chamaram… mas só as tralhas estavam no molhe. Do Vaz, nem sinal.
Dizem que o mar, vezeiro nestas maldades, o levou na vazante.
Talvez… mas uma sereia o salvou. Vive agora na ilha dos Velhos Pescadores.

Domingos Correia, 57anos, Amarante

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

29/08/15

Lição à força

O  Vaz, rapaz de Vizela, pescou dezanove azevias na Póvoa do Varzim.
Entre os campistas, a notícia correu veloz.
A vizinhança esperou pela partilha da pescaria. Era a tradição.
O Vaz, guloso e voraz, apressou-se a assá-las e, numa leveza de boca, esvaziou a travessa.
A esperança dos vizinhos esfumou-se de vez.
À tarde, quando as dores abdominais lhe ruborizavam as faces e a voz aflita se fez ouvir, os vizinhos desvalorizaram, comentando: Talvez aprenda! Talvez aprenda!

Palmira Martins, 59 anos, Vila Nova de Gaia

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

Talvez...

Faz hoje um ano a última vez que nos vimos e os meus dias passaram a ter demasiadas horas vazias. Eu própria sinto-me esvaziada.
Talvez não volte a amar.
Talvez não volte a rir nem sequer a cantar.
Talvez perca definitivamente a voz. E, muda, nem a vizinhança ouvirá as minhas sonoras gargalhadas que me caracterizam.
Todos os meus sonhos se volatilizaram. Tentarei esquecer as promessas que me fizeste pelo que Veneza continuará infinitamente à nossa espera.

Ana Paula Oliveira, 55 anos, S. João da Madeira

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

27/08/15

Suavizava com a paixão e o amor em liberdade

Zanzava pela casa e pulverizava cada divisão onde fora escravizada e vitimizada anos a fio O aroma de essência marítima esvaziava, assim, tudo de negativo que azucrinava os seus sentidos, e estigmatizava a dor que vandaliza a vida e o amor, que a sociedade dogmatizava e pretendera evangelizados. Assim, eternizava a solidão.
Banzava indignada e ruborizava de impotência e irritação contra tamanha prepotência. Agora amenizava desse peso e suavizava com a paixão e o amor em liberdade.

Rosa Maria Pocinho dos Santos Alves, 52 anos, Coimbra

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

25/08/15

O mistério das azevias desaparecidas

Nem trinta minutos passaram desde que o prato das azevias chegou à mesa e já estava vazio. Apenas as vozes e risos dos Azevedo, os vizinhos de cima, quebravam o silêncio que se instalou naquele momento… quem teria evaporado a dúzia encomendada de véspera? Ninguém se acusou até que se ouviu a voz do mais pequeno: “Avozinho!!!”. “Eu só comi uma… de cada vez…” Talvez tenha sido a expressão de felicidade a responsável pelo perdão da família.

Catarina Azevedo Rodrigues, 42 anos, Venda do Pinheiro

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

De vez

Fechou-se na sua viuvez de azeviche e vazou a festa do azevinho.
Ouviu as vozes vazias.  
Vivera o vazio de uma gravidez zelosa mas inválida.
E da invalidez se avizinhou a sua vida. 
Fechada numa vasilha, sem vazador.
Um Velasquez, sem visitas, em Valdevez, zelava pela sua malvadez. Pendurada numa falsa avidez e altivez.
Não casara com o Aviliez. Outra voraz tristeza.
A vaselina não escorregava os dias. Passavam vagarosos. Talvez tivesse deixado de viver. De vez.

Violeta Seixas, 49 anos, Lisboa

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

24/08/15

Expediente

Avizinhando-se a fome, a personagem desta história vozeava por qualquer vitualha, que zavava, vasculhando a despensa. Só encontrava zarandalhas, entre elas farinha 'self-raising'. No pacote:  aumenta os bolos. Ora, não interessa!
Súbito, vozearia a encher de ruído, a calmaria do beco. A voz duma varina azucrinava: "carapau fresco ".
 Pouco o dinheiro, comprou dois.
– Uma vez não são vezes, disse rindo. Dois que serão quatro! Basta fritá-los com farinha 'self-raising'.
Velozmente os vampirizou.
Zerovalente, mas salvou o dia. 

Elisabeth Oliveira Janeiro, 70 anos, Lisboa

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

Apeado

A useira e vezeira vagareza do check-in irritava-o, mais do que a variz que começava a incomodá-lo. Ao chegar a sua vez, descobriu que a reserva perdera validez. Valorizou a atitude a tomar.
Poderia gritar, vazando toda a irritação, mas, não querendo quebrar o verniz, pegou na mala e partiu veloz. Sentindo-se vazio, caminhou até à várzea, sentou-se numa mesa vizinha ao ribeiro e, esquecendo Veneza e a viuvez, deliciou-se com um variaz.
Terminou o dia vivaz.

Quita Miguel, 55 anos, Cascais
Leiam outros textos aqui: http://quitamiguel.blogspot.pt/
Desafio nº 96 – palavras com Z e V


O vendedor

 monotonia da várzea só foi interrompida por um riacho que serpenteava caprichosamente como uma variz grossa pela paisagem verde-bronze. Esta ribeira vazava as suas águas num vaza-barris à costa.
Uma barca amarrou, carregada com cadeiras em verniz escuro e pilhas veda-luz.
Na aldeia vizinha havia uma feira.
Uma vez descarregada, o vendedor, um verdizelo venezuelano, começou logo a recomendar a mercadoria com voz vivaz.
Ora, vendera muito e visivelmente satisfeito zarpava com o porão quase vazio.

Theo De Bakkere, 62 anos, Antuérpia, Bélgica

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

23/08/15

O Valdevez

A cada vez que eleva o vozeirão, quase volatiliza a avestruz que se passeia sob o azevinho, voraz com a azevia do almoço. O dia é quente, capaz de vulcanizar o azeviche que cobre a calçada, e na avareza do tempo poucos são os que avalizam a suavidade da voz, como um dom a proteger. Talvez um dia o Valdevez deixe de verbalizar a viuvez e compreenda a importância do verniz, quanto mais não seja, nas unhas!

Alda Gonçalves, 48 anos, Porto

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

Por tão pouco

O tempo passou. Vaporizou-se ou volatizou-se. Para onde foi, o que deixou?
Talvez algumas recordações de momentos que desvalorizámos com pequenas coisas que nos infernizavam.   
Quantas vezes teria ficado de mãos vazias quando se avizinhavam tomadas de decisões que galvanizavam as minhas perspetivas e desorganizavam os meus projetos.  
“Tudo perde o valor quando o esqueleto começa a ranger”!
Diz-me a voz da consciência o quanto perdi quando deixei de ir a Veneza porque me estalou o verniz!

Rosélia Palminha, 67 anos, Pinhal Novo

Desafio nº 96 – palavras com Z e V

22/08/15

A festa

Ouvia-se um zumbido…! Era avozinha que utilizava aquele vozeirão… azucrinava a vizinha!
Andava impaciente com vinda da filha que estava na VenezuelaOrganizava uma pequena festa, visualizava tudo, utilizava muito o seu bom gosto!
Concretizava assim o que tinha planeado, estava feliz!
Olhou para as mãos… o verniz precisava de ser renovado. Paciência, preferiu ir beber um café e comer uma azevia. Saiu a pensar que o dinheiro desvalorizava. Uma inflação sem medidas.
Enquanto caminhava… alguém buzinava.

Prazeres Sousa, 52 anos, Lisboa

Desafio nº 96 – palavras com Z e V