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28/02/12

fevereiro 2012 - filhos

Francisca espiava o irmão de longe, interrompendo a sua brincadeira.
Tomás agarrava nas peças e tentava que encaixassem nos espaços que aquele brinquedo lhe apresentava. As tentativas tinham começado há dois dias, embora o truque estivesse por desvendar.
Foi nesse instante que Francisca avançou. Ela levava dois anos de avanço a Tomás, que brincava com a bagagem que os seus treze meses lhe proporcionavam.
Um exemplo, dois exemplos, e Tomás riu com gosto – estava decifrado o engenho!!!
(texto: margarida fonseca santos; ilustração: francisca torres)

27/02/12

fevereiro 2012 - pais e filhos

– Porque é que o autocarro vai à nossa frente, pai?
– …
– Porque é que o semáforo mudou agora, pai?
– Tinha de ser, Filipa.
– Porque é que não vais pela rua da tia?
– Fica muito longe…
– Porque é que está escuro?
– É noite…
– E porque é que…
– Porque é que fazes tantas perguntas, Filipa?
– … Estão aqui – disse Filipa, apontando para a cabeça. – Saem sozinhas…
– Sozinhas?!
– Sim. Saem de repente. … Pai, porque é que elas saem sozinhas?
(texto: margarida fonseca santos; ilustração: francisca torres)

26/02/12

fevereiro 2012 - pais



A poesia que escrevia era a única coisa que não partilhavam. Não por vontade dela, que começou por mostrar e depois guardou sem esconder. Também não por vontade dele, pois apenas se sentia incomodado nos versos que lhe tocavam fundo mas que não conseguia explicar com a razão. Em tudo o resto, as almas achavam-se gémeas. Contudo, há sempre um dia que desarruma as histórias das pessoas, e nesse dia ele leu e entendeu com o coração.
(texto: Margarida Fonseca Santos; ilustração: Francisca Torres)

13/02/12

Mais histórias dos Reguilas da mata!



O Piolho

A minha irmã Lili ofereceu-me um coelho branco com manchas castanhas, muito peludo.
Coloquei-o numa coelheira e, às vezes, libertava-o e brincava com ele no quintal.
O piolho comia alface, cenouras e ração.
Ele brincava com a tartaruga e com os dois cágados.
Lá em casa todos o adoravam, exceto a minha mãe, porque ele espalhava pêlos por toda a casa.
Hoje estou muito triste, porque o meu Piolho morreu!
Nunca esquecerei o meu coelhinho.

                                                                                           Frederico

10/02/12

histórias recebidas em fevereiro III

"A planície estende-se mesclada de cores, como se o pintor distraído tivesse aproveitado as pétalas para limpar os pincéis. Uma vez por outra, ergue-se uma árvore, que solitária dança ao sabor do vento com tal elegância, que lamentamos não possa desprender-se e expressar abertamente o sentimento de liberdade ao longo da planura.
O céu colabora neste bailado pintalgando-se com pequenos farrapos brancos, que no seu esvoaçar desenham estórias que nos fazem sonhar.
Que lugar bonito para amar."
 Quita Miguel, 52 anos, Cascais

Uma viagem inesquecível
Sei que as viagens podem ser feitas de carro, mas também podem ser feitas de sonhos e de leituras.
Quando abro um livro, desejo saber o que ele esconde. Essa ansiedade leva-me a uma grande pressão que só acaba quando chego à última página e deslindo o segredo anteriormente bem guardado.
Os livros têm sabedoria. São um tesouro, são o foguetão que me leva a viajar pelo mundo real ou num mundo de fantasia.
Patrícia Dias, 12 anos, Arrifana (Santa Maria da Feira), aluna do 7ºD na Escola Básica de Arrifana

A Amizade sofreu um grave acidente. Em país em que os bitates não usam coleira, logo milhentas vozes se ergueram quando se soube da notícia.
Houve quem culpasse a falta de atenção, a modernidade dos tempos, o estado decadente da paciente. Certo é que a pobre embateu no
caixote-do-lixo, atirada com fúria, amarfanhada, amarrotada. Acordou dias mais tarde, na sua casa de folhas, coberta de adesivos, após delicada operação cirúrgica. Recuperará. Palavras destas são como árvores perenes!
Elisabete Lucas, Lisboa, 40 anos
 
Os namorados
– Queres ser minha namorada? – pergunta-lhe ele, olhos profundos da cor da vegetação.
– Não!... – responde ela, olhos castanhos e ingénuos, brilhando como se a resposta fosse sim.
O sol aquecia levemente. A atmosfera estava impregnada de primavera. As madressilvas, em flor, cheirosas, dulcificavam o ar.
Eles caminharam lado a lado, olhando-se nos olhos.
Alguns anos depois…
– Aceita por mulher…….?
– Sim.
– Aceita por marido…….?
– Sim.      
E viveram uma vida cheia. Repleta de um amor incondicional, intemporal, eterno.       
+
Na piscina, «chapes» na água; cascatas de risadas!
Reminiscências do passado ecoam no meu cérebro. Fecho os olhos. Aquele retângulo de água azul estende-se, alarga-se numa imensidade de mar.
De mãos dadas, caminhávamos sobre a areia. Olhos nos olhos. Felizes…!
Lançávamo-nos pelo mar dentro e nadávamos, nadávamos até absorver toda a sua cor.
Estendo a mão procurando a água.
Toco a beira da chaise-longue onde estou deitada. Abro os olhos.
Tudo se desvaneceu. É APENAS A PISCINA.  
Dorinda Oliveira, 71 anos, Arrifana

(Des)encontro
Olhou-a com o mesmo olhar do lobo quando encarou o Capuchinho Vermelho. Olhar de gula feroz.
Ela, ingénua e seráfica, esperava na esplanada combinada, flor no casaco, como combinado, lendo o livro combinado, à hora combinada.
Ele, como não fora combinado, vestia calças pretas, no lugar dos jeans deslavados, camisa preta, no lugar da azul de ganga, e trazia um não combinado chapéu preto, em vez do boné.
Ela viu-o. Não ligou.
Ele analisou-a. E gostou!!!
Ana Paula Oliveira, 51 anos, São João da madeira


08/02/12

5º anos do Colégio Marista de Carcavelos!

Estou lá a trabalhar escrita criativa com os 5º anos - uns miúdos deliciosos!!!
Aqui vão as histórias deles...

Um encontro
Um relógio estava entretido a dar horas, não deu conta que uma mosca voava à volta dele.
Quando a mosca pousou nele, assustou-se. Mas o susto não acabava ali, pois quando olhou em frente viu voar um mata-moscas que lhe acertou. Vinha com tanta força que o estragou. A ponta do mata-moscas acertou em cheio num dos olhos da mosca.
A mosca tentou ajudá-lo e conseguiu. O relógio agradeceu.
Os dois ficaram muito amigos e felizes.
turma A nº 16 e chamo-me Mafalda

O Relógio e a Mosca
Era uma vez, eu, um relógio que se estragou há muito tempo, e também uma mosca zarolha, trapalhona e aventureira.
Enquanto tentavam matar a mosca, o mata moscas foi cair em cima de mim e foi assim que eu me estraguei.
Ela ao tentar ajudar-me ficou zarolha pois um pequeno arame se espetou no seu olho!!! (ainda bem que tem muitos olhos)
Depois ela lá conseguiu consertar-me e tal. E desde então ficámos amigos do coração.
 Leonor Chicau 5ºA Colégio Marista de Carcavelos


                                       O Relógio e a Mosca
  Hoje eu fiquei amigo de uma mosca, pois ela ajudou-me a salvar-me de
um mata moscas. Claro que fiquei estragado, mas ela foi muito corajosa.
Ficou zarolha: porque é que isto aconteceu? Eu só estava a dar horas
tal como sempre.
 Agora que acabei de contar a história, já estou a estou a dar horas
como um relógio normal. Como o poder das histórias é maravilhoso.
 E, daqui a pouco, volto com mais histórias da minha amiga mosca.
Olá, eu sou a Marta do 5º A nº 21 do Colégio Marista
de Carcavelos e este é o meu texto


– Aaaah!
– Cheguei primeiro que tu!
– Mas tu fizeste batota.
– Não, não fiz!
– Fizeste sim, colocaste uma pedra à frente do meu pé sem eu ver.
– Pronto, eu admito que fiz batota, mas eu só queria ganhar, és tu que ganhas sempre!
– Está bem, mas tu tens de ser menos competitivo.
– Está bem, perdoas-me?
– Sim, claro!
– É melhor deixarmos as competições e irmos para as aulas, porque falta um minuto para tocar.
– Então é melhor corrermos, vamos!
– Corre!!!!!
  Sofia Carvalho, Externato Marista de Lisboa, 5º D

07/02/12

histórias recebidas em fevereiro II



77 Palavras - História da Princesa Mariana e do Cavaleiro Paulo.
Mariana era uma linda princesa do reino de Van.
Ela era uma rapariga de cabelos louros, olhos castanhos e brilhantes como o Sol, seu sorriso era perfeito. Formava covinhas no seu rosto. Mariana apaixonou-se por Paulo. Ele era conhecido por todo o reino. Mesmo sendo um amor impossível, Mariana não o esquecia.
Paulo um dia desapareceu, ainda hoje se vê a tristeza da princesa nos dias 21 de Setembro. Dia em que o conheceu. Jamais o esquecerá.
Tatiana Vanessa Leal, tenho 14 anos e sou da escola Básica da Venda do Pinheiro

“Como era hábito sentou-se na pedra à beira da estrada que descia até a estação e olhou o relógio. Faltavam dois minutos. Fixou a curva da serra, lá bem ao fundo, e antes que o olhar vislumbrasse, ouviu o apitar que anunciava a chegada.
Surgiu sem pressas, parou no cais pronto a acolher quem quisesse entrar e a libertar quem tinha chegado ao seu destino.
Um dia, também ele embarcaria naquele comboio, fazendo-se ao mundo, à vida.”
Quita Miguel, 52 anos, Cascais


Numa manhã de domingo fomos ao Jardim Zoológico da Maia. O Tomás à muito que pedia para ir ao “Zilóquio”.
Macacos irrequietos; Leões refastelados; Zebras famintas; Ursos pachorrentos e o Hipopótamo… Esse sim! Grande e imponente!
Momento raro vê-lo sair da água. Vagaroso sobe para terra firme.
Nós os três mais um casal com o filho observávamos estrondoso animal.
Tomás espantado pergunta:
 “Mama Ná, onde tá a pili e o gabinho do hipopótamo?”
Desatámos todos à gargalhada…
O meu nome é Joana Teixeira e sou mãe do Tomás com quase 3 anos.



Três amigos, numa encruzilhada, decidiam que caminho seguir.
- Subimos por este – sugeriu o primeiro. – Quero ver a vista lá de cima.
- Descemos por este – defendeu o segundo. – Quero nadar no rio lá em baixo.
- Torci um pé. Vou ficar por aqui – lamentou o terceiro.
Os outros ficaram junto dele, porque, afinal, é isso que fazem os amigos.
Quem passava, juntava-se ao grupo, e aquela tarde no campo acabou por ser… a melhor de todas.
Rita Vilela

02/02/12

histórias recebidas fevereiro I


Era assim desde que aquele rapaz decidira transformar-se no terror da escola. Todos fugiam quando ele aparecia. Ninguém queria vê-lo, brincar ou conversar com ele.
Como não gostava de ninguém, esquecera-se do que era receber uma carícia, um beijo, uma festa nos cabelos, um segredo. E ninguém fazia questão de o lembrar.
Um dia, um cãozinho tão rafeiro como ele aproximou-se, enroscou-se-lhe nas pernas, lambeu-lhe as mãos…
No chão, ficou um coração de pedra desfeito em cacos.
+
 51 anos, S. João da Madeira
Cada vez mais preciso do meu próprio espaço, um lugar tranquilo onde deixe de ouvir ruídos. Campainhas a mandar trabalhar, pessoas autoritárias a comandar, buzinas a refilar, músicas a martelar. E outros, ainda mais ensurdecedores. Vozes que reclamam, lágrimas que sufocam, dores que matam.
Cada vez mais preciso de encontrar a paz. Onde, se todos os lugares perfeitos estão ocupados ou são inacessíveis?
Opto por pegar num livro. Deitada no sofá, descubro o refúgio dentro de mim.
 Ana Paula Oliveira, 51 anos, S. João da Madeira

77, 3º Dto.
Frente à porta, no canteiro redondo de um plátano, estavam 5 gatinhos a miar, ainda de olhos fechados.
Levámos para casa com jeitinho, éramos irmãos e primos, miúdos dos 6 aos 9 anos, mostrámos à avó dizendo que os criaríamos a biberon.
Interessada, pegou neles com carinho e percorreu connosco o corredor, entrando na casa de banho.
Um a um espetou com eles contra o chão de cimento vermelho, explicou que era por caridade.
José Pedro Penha Lopes

Aquela fábrica produzia chapéus para todo o mundo: de cowboys, de polícia, cartolas, bonés …
Os funcionários, ao embrulharem a encomenda repararam que um deles tinha defeito.
– Oh, não, este chapéu está amassado.
– Não podemos mandá-lo assim. Que chatice!
O chapéu ficou muito triste ao ouvir aquela conversa, e pensou:
– Oh, não, será que me vão colocar no latão onde queimam os restos de felpo? – estremeceu, só de se imaginar naquele latão tão horrível.
Arlete Leitão

Eu quero um gelado, avó - disse Necas com ar suplicante.
Não podes comer um gelado porque estás com a garganta inflamada, respondeu a avó assertivamente.
Necas começou a falar baixinho.
O que é que estás a dizer Necas? - perguntou a avó.
Estou a dizer à inflamada que saia da minha garganta para eu poder comer o gelado.
E o que é que ela respondeu?
Disse que eu já podia comer porque ela foi para a garganta da avó.
Ana Duarte