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15/09/16

77x77 - Isabel Zambujal

“Mãe, não consigo brincar ao mal-me-quer-bem-me-quer com as flores da jarra da avó.”
“É porque são de plástico, filha. Não as estragues!”
“De plástico, mãe! Mas isso é uma parvoíce. Assim, não têm cheiro.”

“Mas são tão bonitas que até parecem verdadeiras. E enganam toda a gente.”
“Achas que também há pessoas de plástico?”
“Claro que não, Natália” respondeu a mãe sem hesitar, enquanto pensava “Há muitas! E, ao contrário das flores, até as reconheço pelo cheiro.”

11/05/13

Bernardo Sassetti

Uma distância mínima, entre a falésia e o fim. Um segundo. Um segundo transformado em eternidades de saudade, de desperdício, de falta. Um instante só, a convocar a revolta antes da dor, a separar o agora do que nunca devia ter sido. Um instantâneo, não fotografado, impondo aquele segundo, impondo o irreversível. Fica a tua música, Bernardo, ficam também as memórias de todos, ouvintes, colegas, amigos, família. E tu, Bernardo, onde ficas? Esperamos que aceites ficar connosco.
Ilustração - Francisca Torres; Texto - Margarida Fonseca Santos
(a ilustração precedeu o texto)


A Isabel juntou-se a nós, enviando este magnífico texto:
Quantas palavras vale um grande homem?
Quarenta e um é um número pequenino. Para Bernardo, é minúsculo. Os homens são todos iguais, apregoam alguns. Mas há sempre uns maiores do que outros, sabemos todos nós, pensando nos que são generosos na autenticidade e no talento. Quarenta e um é um número de anos minúsculo para Bernardo Sassetti. Setenta e sete palavras parecem também insuficientes para lhe prestar uma homenagem. Ou não. Talvez cheguem três: vais fazer falta.
Isabel Zambujal