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01/03/19

Desafio nº 165 – estrutura de palavras


Que texto nasce desta estrutura? Os espaços são palavras:

Naquela ______________  ________________ estava ___________  _____________  ____________ imaginando ______________ _______________ quando ______________ começou ______________ ___________. Nada _______________  _____________.

Agora que temos 18, continuaremos o texto, até às 77 palavras.


Resolvi assim este desafio:
Naquela terra inóspita estaria a salvo dela, imaginando futuros, como quando jovem começou a divagar. Nada a detinha. Descobriria onde se encontrava? Talvez não. Não deixara pistas, não contara a ninguém, simplesmente desaparecera. Fora da cabana, o vento varria a terra seca. Sentou-se, aliviado. Fechou os olhos. Ela veio e abraçou-o com a ternura própria da função. Compôs-lhe o casaco, separou a alma do corpo para que ascendesse e sorriu. «Velho tonto», disse. «Ninguém escapa à morte.»
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 165 – estrutura de palavras
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20/01/19

Desafio nº 161

Vamos a um novo quebra-cabeças. 
Deixo-vos uma lista de 14 palavras para um texto de 77 – vá, só faltam 63!

Aqui ficam elas (podem ser adaptadas):
FISGA VELHO BONÉ TRIPA FAGOTE MOFO MOSCA
CHÃO RUMO VÍCIO TÓXICO PRATICAR AZEITE CEREAL

Eu experimentei assim:
Abílio praticava no fagote a música da Banda onde acabara de entrar. O boné da farda jazia na estante que segurava a partitura no chão irregular da casa do azeite. O pai, velho cheirando a mofo, não aguentava ouvi-lo. Abílio tocava para as moscas, que, satisfeitas, dançavam. A fisga sobre os cereais, deixava-o esquecido do vício de caçá-las. Um tóxico fá sustenido rumou até Mariazinha, desassossegando-lhe as tripas. Amante de Abílio e dura de ouvido, adorava escutá-lo.
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafionº 16114 palavras com fisga
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09/01/19

Desafio nº 160

Vamos a um quebra-cabeças primeiro. Que palavras conhecem que, em qualquer zona da palavra, contenham FAG e/ou FIG e/ou FOG e/ou FUG?
Vamos encontrar o máximo possível – depois é só escrever pondo pelo menos 12 no texto.


Eu fiz este:
Fagundes afagava o gato amarelo, presente do Figueiredo, chefe de secção, no dia da sua aposentação. Afinal, o que se lhe afigurara uma terrível condição, ser reformado, não passara de fogo de vista. Não fosse aquele incómodo no esófago, e estaria no céu. Imaginava-se viajando num foguetão, em fuga do trabalho afincado, das faces afogueadas pelo stress, produzindo infográficos de qualidade. Foi, porém, uma felicidade fugaz. O fogão, onde cozia a fogaça, estoirou, e o gato fugiu
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 160 – plvrs com FAG, FIG, FOG, FUG

30/12/18

Desafio nº 159

Conhecem a história do colibri, de quem todos os animais gozavam durante um incêndio, ao vê-lo levar uma gota de água de cada vez que voltava do rio?
Ele respondeu que fazia o que podia, mesmo sendo pouco, para ajudar, e os outros ficaram calados... 

É isto que vos peço: uma história em que alguém dá o exemplo de, mesmo sendo uma gota num oceano, acreditar na sua missão de lutar pela mudança, pela vida. Será a nossa forma de entrar no novo ano.

Eu levo isto muito a sério, saiu assim:
Desistir, nunca. Enquanto tivesse forças para isso, continuaria a levar, de manhã, pão quente à junta de freguesia, o pão do último forno de lenha da aldeia, em risco de ser engolido pelos gigantes da pastelaria. Primeiro, contagiou os funcionários. Esperavam por ela com prazer, depois solidariedade. Depois, o presidente, que a quis conhecer. Leu nos seus olhos uma vida de dedicação. Compreendeu. Era uma mais-valia da aldeia. Um ponto diferenciador. Sorriu-lhe: iriam juntos salvar aquele forno. 
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 159 – lutar por fazer a diferença
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24/12/18

Desafio nº 158

Vamos lá a um desafio de não-Natal

Comecem por escrever uma frase que corresponda ao acróstico de CEIA DE NATAL isto é, as letras, por esta ordem, são as primeiras de cada palavra.

Ora, essa será a primeira frase, mas atenção: não podem, nem na frase nem no texto, falar do Natal! Que tal?

Eu fartei-me de rir com esta:
Constança E Ilse Apressaram-se. Deveriam Entrar Naquele Ato Totalmente Atentas, Lindas. Eram fracas atrizes. Esforçadas, decoraram falas e indicações do incompetente encenador. Fora um sucesso! As manas seriam logo contactadas por um agente. Aceitaram a proposta de um ricaço de capital de província para integrarem o seu teatro privado, para o papel de amantes, à vez – seriam bem pagas por isso. Regressaram ricas e gastas. Só então perceberam que haviam perdido o barco no teatro da vida... 
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 158 – acróstico de CEIA DE NATAL
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10/12/18

Desafio nº 157


Vamos lá contar uma história de coragem!

Preparados? Ah, só um pequeno detalhe ― não usem a letra O, combinado?

A minha loucura escreveu-se assim:
Qual seria a realidade perfeita? Sem maus? Sem azares? Sem amizades verdadeiras, apenas virtuais? Talvez uma equilibrada, que juntasse a alma da vida e a ansiedade da incerteza.
Assim fez Jaime. Decidiu partir amarras e atirar pela janela a causa da dependência. Ficava sem net, sem instagram, sem twitter, sem qualquer rede anti-serenidade, sem stress. Ainda viera, na queda, uma chamada de whatsapp, mas nem tal fez ferida. Livre, ia caminhar pela cidade e reaprender a viver. 
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 157 ― hist de coragem sem O
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30/11/18

Desafio nº 156

Vamos lá brincar com as letras.

Escrevam-se uma história sobre ANIMAIS (de qualquer tipo…)

Só há uma pequeníssima restrição – é que não podem usar o P

Não havia forma de saber se aquela aventesma era ou não um animal verdadeiro. Mexia-se bastante veloz e urrava qual besta quadrada, mas as dúvidas eram muitas. Uns diziam que sim, outros que não. No fundo, era estranho estar ali no armazém, fazendo tanto tão bem e ainda ser o melhor organizador de todos. Votou-se: os trabalhadores decidiram que era um animal, e devia andar a lamber as botas do elevado hierárquico. Baniram a besta, agora continuavam a fazer quase nada em muitas horas, um alívio. 
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 156 – hist de animais sem P 
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21/11/18

Diário 77 ― 119 ― Pintos e papéis


Pintos e papéis
Seria uma PENA deixar que um PAPEL causasse tanto TEMOR junto dos filhos. Era uma mãe-galinha, ou uma galinha-mãe, e os pintos ainda nem haviam PERDIDO o amarelo que ORGANIZAVA a hierarquia na capoeira. O PENSAMENTO deles: era verdadeira a TEORIA de haver uma lista de pintos a abater. Deixara-os na INCERTEZA. O melhor era aprender a ler, disse a mãe-galinha. Foi FORTE, a importância da dica. INEBRIADOS, correram para a escola, ficando a galinha nas NUVENS. 
Margarida Fonseca Santos
Desafio nº 155 – palavras em sequência
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20/11/18

Diário 77 ― 118 ― Outro


Outro
Foi de noite que se desconstruiu, que o seu mundo ruiu: escuros futuros envoltos em sonhos sem fim nem tino; presentes chuvosos sem um fio de sentido; hojes de ontem sem regresso. Tudo ruiu.
Foi deste modo que Jorge se ergueu do leito, mergulhou no seu depois e se infiltrou no novo mundo. Fê-lo sem remorso ou sentimentos escondidos. Fê-lo sim como um verme que emerge dum fruto podre.
Foi recebido em tumulto por todos. Sentiu-se outro.
Margarida Fonseca Santos
Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A
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Desafio nº 155

Façam um caminho de palavras unindo estas que são impostas (terá de ser uma palavra que, para cada um de nós, ligue a anterior com a seguinte)

PENA - ... - TEMOR - ... - ORGANIZAR - ... - TEORIA - ... - FORTE - ... - NUVEM

Agora usem estas 11 por ordem no vosso texto (pela ordem que quiserem). 

Diverti-me muito, e saiu assim:
Seria uma PENA deixar que um PAPEL causasse tanto TEMOR junto dos filhos. Era uma mãe-galinha, ou uma galinha-mãe, e os pintos ainda nem haviam PERDIDO o amarelo que ORGANIZAVA a hierarquia na capoeira. O PENSAMENTO deles: era verdadeira a TEORIA de haver uma lista de pintos a abater. Deixara-os na INCERTEZA. O melhor era aprender a ler, disse a mãe-galinha. Foi FORTE, a importância da dica. INEBRIADOS, correram para a escola, ficando a galinha nas NUVENS. 
Margarida Fonseca Santos, 57 anos, Lisboa
Desafio nº 155 – palavras em sequência
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16/11/18

Diário 77 ― 117 ― O nosso mundo

O nosso mundo
Pareceu-me demasiado pequeno o mundo que reservaras para mim. Acabavas de me enfiar num armário, teu, num espaço de ninguém. Aquele nem sequer era um mundo verdadeiro. Era um espaço fechado ao exterior, esse exterior de mim onde te encontras e onde encontras a tua vida. Este passou a ser eu. Guardo-o. Sei que é só meu porque não mais te vais lembrar de quem sou. É o que sei, que o tudo, o nosso, nunca regressará.
Margarida Fonseca Santos
Desafio nº 36 – uma frase de um conto de autor, usando as palavras por ordem inversa

14/11/18

Diário 77 ― 116 ― O deserto


O deserto
A palavra não pode traduzir o que sente quem se abandona ao abandono que lhe pertence por desamparo ou convicção, ou mesmo apenas por apego, um apego que habita dentro de si e ao qual se habituou, deixando na névoa a dor, a saudade, as razões, agora sem nexo ou justificação, e deixando também uma esperança perdida numa esquina esquecida da vida, nesse lugar onde um dia, sem olhar para trás, desistiu, retirando-se enfim para o deserto.
Margarida Fonseca Santos

Ana Luísa Amaral, Inversos (Março 2010) – A palavra não pode traduzir
+ Maria Teresa Maia Gonzalez, Retratos Imperfeitos (Novembro 2001) – Retirando-se enfim para o deserto
Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor
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12/11/18

Diário 77 ― 115 ― Passageiros à margem

Passageiros à margem
Sentia que o estavam a manietar, só para o manterem debaixo de olho e rentabilizarem o investimento. Teimara nas suas ideias, sem ser ouvido. Sim, o metro estava lindo, com estações pintadas por artistas, imagens que enterneciam os passageiros, mas não haviam sido capazes de materializar o sonho. Tudo atrasado! Os tremores do chão, anunciando nova composição, desentorpeciam a espera infindável dos passageiros. Seria preciso neutralizar a imprensa… Iam desfazer as novidades! Que importância tinham os passageiros?!
Margarida Fonseca Santos
Desafio nº 154 – palavras com M E T R
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10/11/18

Desafio nº 154

Vamos lá procurar palavras que contenham estas 4 letras:
M E T R
Precisamos de dez.
Agora, é simples…

Elas fazem parte do vosso texto pela ordem que quiserem!
(hoje estou a ser simpática, não?)

Descobri estas (a bold) e escrevi assim:
neutralizar entorpeciam

Sentia que o estavam a manietar, só para o manterem debaixo de olho e rentabilizarem o investimento. Teimara nas suas ideias, sem ser ouvido. Sim, o metro estava lindo, com estações pintadas por artistas, imagens que enterneciam os passageiros, mas não haviam sido capazes de materializar o sonho. Tudo atrasado! Os tremores do chão, anunciando nova composição, desentorpeciam a espera infindável dos passageiros. Seria preciso neutralizar a imprensa… Iam desfazer as novidades! Que importância tinham os passageiros?!
Margarida Fonseca Santos, 57 anos, Lisboa
Desafio nº 154 – palavras com M E T R
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09/11/18

Diário 77 ― 114 ― Sem poder recomeçar


Diga, 33, diga
Quis passar ao largo do ombro que me oferecias para me consolar. Ou seria apenas para me distraíres do que acontecera? Querias que tentasse esquecer o que de simples passara a improvável, as frases sem esquinas que se haviam transformado em atrapalhações, os sítios onde já não cabíamos. Quisemos ser pacientes, sem sucesso, arrastando assim connosco o que procurávamos contar. Agora só nos resta ralhar, pois nunca soubemos aconselhar e não nos conhecemos o suficiente para recomeçar.
Margarida Fonseca Santos
Desafio nº 34 – grelha de 16 palavras obrigatórias
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08/11/18

Apoio às escolas nov-dez 2018

Já temos o apoio às escolas para os meses de novembro e dezembro de 2018.

Vamos a isto?

Obrigada a todos os professores incansáveis que se mantêm neste projeto, sejam bem-vindos todos os que se nos juntarem!

TUDO AQUI

07/11/18

Diário 77 ― 113 ― Diga, 33, diga


Diga, 33, diga
– Diga, 33, diga, não se acanhe…
Pobre soldado. Já perdera o nome, passara a 33, sem identidade para lá da cama onde dormia na caserna e de ser mais uma cabeça na parada.
– É que…
– Ó homem, fale! Só para a morte não há solução, não é o que dizem?
33 calou-se. O problema mesmo era a morte da ratazana de estimação do capitão que dormia a seus pés e comia do bom e do melhor. Atropelara-a…
Margarida Fonseca Santos
Desafio nº 33 – Pegando em “Diga 33”, ou qualquer outra versão do 33
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05/11/18

Diário 77 ― 112 ― A tartaruga

A tartaruga
Uma tartaruga aceitou algo muito estranho…
Iria fazer uma corrida completamente louca.
Uma corrida contra a lebre, imaginem!
Logo ganhou grande avanço, aquela lebre.
A tartaruga ia ficando para trás.
Resolveu descansar, tinha tempo para isso.
Aproveitando esta soneca, a tartaruga continuou.
Ultrapassou-a em bicos de pés, devagarinho.
Mesmo devagarinho, cada vez avançava mais.
Ao acordar, a lebre ficou desesperada.
Via a tartaruga perto da meta!
Fez um grande sprint, desvairada.
A tartaruga vencera.
Ficou mesmo desvairada.
Margarida Fonseca Santos
Desafio nº 32 – 11 frases se 6 palavras + o que resta
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02/11/18

Diário 77 ― 111 ― Vou-te vender


Vou-te vender
Jesualdo contou de novo – 1000 menos 230, menos 45, menos 138, menos 508, menos 93, menos… nada! Não sobra nada!
Depois de pagar renda, eletricidade, passes, alimentação do Carlitos e dele, água, nada sobrava. Foi à arrecadação procurar algo para vender, safando aquele mês. Nada! Começou a olhar para o Carlitos, o Carlitos para o pai, aquilo complicou-se, complicou-se, até que, apontando um para o outro, disseram:
– Vou-te vender!!!
Não se assustem, isto é só uma história…
Margarida Fonseca Santos
Desafio nº 31 um conto com matemática…
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31/10/18

Diário 77 ― 110 ― Adília Texto

Adília
Adília Pôs-se Onde, Tinha Esperança, Reuniria Associados.
Ainda Poderia Obter, Talvez, Esses Renegados Azarados.
Adiantou Propostas Obtusas, Tendo Enredado Realmente Alguns.
Agora, Proferia O Tremendo Esquema Reabilitador Apoteoticamente.
As Pessoas Ouviram Tudo E Reagiram, Alarmadas.
Afinal, Para Obter Tanto Eleitor, Regurgitara Aldrabices!
Ah, Pensava Orlando, Tinha-a Enleado, Ria, Ausente.
Adília Pensava-se O Terror Em Ravina, Alucinada.
Após Palavras Onde Todos Evidenciavam Revolta, Alarmou-se.
Até Protelou Outra Tentativa, Era Realmente Assustador.
Adiou Profecias Oníricas, Tentando Enfim Recuperar Amigos…
Margarida Fonseca Santos
Desafio nº 153 ― frases com APOTERA
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