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16/02/19

Maria do Céu Ferreira ― desafio 147

Aconchegado
Uma luz forte brilhou,
Sentiu a vida a sorrir,
Ganhou asas e voou,
Alegremente a subir!

Olhou para o sol poente,
Também viu o amanhecer,
Envolto num manto quente,
Com amores a florescer!

Sobrevoou mais à frente,
Viu alguns leões-marinhos,
Barcos, gaivotas e gente,
Borboletas, passarinhos…

Pediu então um programa,
Num delírio satisfeito
E meteram-no na cama,
Inspecionando-lhe o peito.

Saiu daquela loucura,
Viu o céu todo estrelado,
Viu a morte negra e pura
E escondeu-se aconchegado!...
Maria do Céu Ferreira, 63 anos, Amarante
Desafio nº 147 ― frase: o passeio…

06/10/18

Domingos Correia ― desafio 147

Inverno
Já percorrera quilómetros, mas continuava sua caminhada errante… 
Após anos de felicidade, tudo mudara.… Deposto por rival mais forte, deixara de ser o líder, perdera o respeito das fêmeas… 
Desonrado, estafado, desanimado, vendo um tufo de flores silvestres, decidiu aí descansar… 
Foi então que se sentiu caindo… Embateu no fundo do poço, partindo costelas, estalando vértebras… 
E ali ficou esquecido, o lobo, aconchegado pelo tufo de flores que, juntamente com ele, se finaram no fundo daquele poço… 
Domingos Correia, 60 anos, Amarante
Desafio nº 147 ― frase: o passeio…

10/09/18

Carla Silva ― desafio 147


O lenço, tapando-lhe os olhos, ocultava o local mas Ricardina sabia onde estava. O ar ficou mais pesado dificultando a respiração... a cabeça latejou fortemente, o coração batia descompassado tentando acompanhar a respiração ofegante.... 
Perante aqueles sintomas, negou-se a levar aquela surpresa até ao fim. 
Retirou o lenço rapidamente e olhou para Gustavo, que estava mais branco que ela, e depois para as flores silvestres que pareciam bailar ao sabor da leve brisa alheias à alergia dela. 
Carla Silva, 44 anos,  Barbacena, Elvas
Desafio nº 147 ― frase: o passeio…

28/08/18

Celeste Bexiga ― desafio 147


O passeio continua. A sua vida já não é a mesma. Imagina-se aconchegada por flores silvestres.
O passeio continua, e apesar dos pesares, a vida continua.
A vereda, é estreita, mal se nota devido 
á vegetação. Ela no entanto, conhece bem o seu destino.
A sua vida já não é a mesma..
Veio de longe, de muito longe.
Não pode, e não quer, ser aconchegada, a não ser no fim da vereda.
Onde as flores silvestres a esperam.
Entra no refúgio, o seu perfume é o seu feitiço.
Único fio de lágrimas felizes.
Celeste Bexiga, 68 anos, Alhandra
Desafio nº 147 ― frase: o passeio…

26/08/18

Alda Gonçalves ― desafio 147


Passeio na praia do Seco
Por baixo da varanda em forma de alpendre crescia o chorão-da-praia, no bar tão antigo quanto o dono. O Seco, que lembrava o velho marinheiro do romance de Hemingway "O velho e o mar", barbas grisalhas da brisa do mar, olhar vivo e sábio. Sabia de ventos e de marés, de sol e de peixes. Passeava entre os banhistas das barracas de listas azuis e a criançada que jogava à bola entre toalhas e guarda-sóis. 
Vidas longas!
Alda Gonçalves, 50 anos, Porto
Desafio nº 147 ― frase: o passeio…

23/08/18

Margarida Leite ― desafio 147


Tempo de mudança
Deitada, imagina-se aconchegada pelas flores silvestres. Sente o cheiro a amoras. Consegue visualizá-las, enormes, penduradas nos galhos verdes do jardim.
Abre os olhos. Está naquele apartamento minúsculo, daquela cidade enorme, cinzenta e barulhenta. Levanta-se, veste-se e sai para a rua. Vai passar sete horas num cubículo, a analisar números. Pensar que já foi feliz assim…
A sua vida é a mesma, mas ela não. Sente sede de cor, do canto dos pássaros, do sabor das amoras perfumadas.
 Margarida Leite, 49 anos, Cucujães
Desafio nº 147 ― frase: o passeio…

19/08/18

Elsa Alves ― desafio 147


O tempo desintegrava-se no pólen metálico dos mastros dos navios. Adormecera no seio das flores silvestres pintadas de vermelho. Não suportava a luminosidade gelada que a impedia de tornar-se musgo sumarento. A sua vida já não era a mesma: de um só trago esvaía-se, entre as contracções do leito e o deslizar dos cristais húmidos que lhe povoavam os sonhos.Mas... apercebeu-se do calor que lhe subia pelas veias e decidiu que o passeio tinha de continuar.
Elsa Alves, 70 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 147 ― frase: o passeio…

Paula Castanheira ― desafio 147


Desejava ter de volta o gosto pelas simplicidades da vida, apreciar o aroma das flores silvestres, sorrir, sentir paz, mas a luta por esta precária sobrevivência, consumia-lhe a energia que restava.
As amigas empoleiradas em confortáveis existências, diziam-lhe: a vida continua!
Sabem lá o que é ficar desempregada, sozinha com uma filha?
Como poderiam saber?
Sobrava-lhe uma réstia de esperança, uma ténue vontade de lutar…
Por Lucinha! Só por ela, continuaria a caminhada sobre arame… assim, sem rede!
Paula Castanheira, 54 anos, Massamá
Desafio nº 147 ― frase: o passeio…

Eliana Gaspar Rico ― desafio 147


Um passeio largo de calçada Portuguesa, ladeado por árvores. À sombra
das árvores, os bancos de jardim oferecem descanso a quem passa.
Ela sentou-se.
Uma mulher jovem despertou-lhe a atenção. Passeava devagar com um
carrinho de bebé. Tinha um ar feliz!
Lembrou-se dela própria vinte anos antes, jovem, a passear o primeiro
filho, quando tinha o mesmo ar feliz e uma esperança absoluta, sem
mácula!
Uma profunda saudade de si própria percorreu-lhe as veias!
Chorou em silêncio.
Eliana Gaspar Rico, 51 anos, Porto
Desafio nº 147 ― frase: o passeio…

Isabel Sousa ― desafio 147


Viagem
Na paragem do Rossio
o autocarro não parou
corre corre autocarro
nesse passeio me vou.
Primeiro passo pela Baixa
lá em cima o castelo erguido
na dança da multidão
meu corpo é fado corrido.
Os sinos da Sé ao longe
por mim estão a repicar
envolta em mil flores silvestres
serei do rio e do mar.
Tudo em minha alma ficou
nada em mim desvaneceu
tudo passa tudo morre
na paisagem tudo corre
pela vida corro eu.
Isabel Sousa, 66 anos, Lisboa
Desafio nº 147 ― frase: o passeio…

17/08/18

Helena Rosinha ― desafio 147


Quando tudo se desmoronou, restaram-me as flores silvestres. Dessas que surgem do nada sem precisarem de abrigo, mimos ou atenções. Olho-de-mocho, trevo-estrelado, dente-de-leão... Aprendi-as contigo, entre gargalhadas felizes e corridas campo fora, colhendo, observando. Sem saberes, davas-me uma razão para continuar a existir, a sorrir. É de papoilas sangue, as nossas preferidas, que se reveste a tua campa, rasa tal como as dos milhões de jovens que tombaram, tal como tu, na batalha de La Lys.
Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 147 ― frase: o passeio…

15/08/18

Filomena Galvão ― desafio 147


O passeio marítimo continua lá. Porém, a sua vida não é a mesma. Construíram, ao seu lado, um passadiço enorme. Quase ninguém o trilha. Todos o preteriram. Resistiu o Ti Chico, um velho pescador que ainda se sentava lá todas as manhãs a consertar as redes. Costumava contar-lhe muitas histórias da faina e das artes piscatórias. Há pouco tempo também ele partiu. Restam-lhe as memórias desse tempo. Imagina-se, agora, envolto em criaturas marinhas, aconchegado pelas flores silvestres.
Filomena Galvão, 57 anos, Corroios
Desafio nº 147 ― frase: o passeio…

Ana Paula Oliveira ― desafio 147


NÃO SE PODE VIVER SEM AMOR!!!
Foi com este grito de libertação que Rita fechou estrondosamente a porta e o seu casamento de 30 anos.
Manias! Cigarros, sofá, televisão, futebol, jantares à mesma hora, férias no mesmo local, rotinas!
Ela não suportou mais as manias de uma pessoa eternamente insatisfeita, logo, eternamente infeliz. E solitária.
A sua vida já não é a mesma, mas o passeio continua, agora rodeada de flores silvestres. Basta de rosas falsamente perfumadas.
Ana Paula Oliveira, 57 anos, S. João da Madeira
Desafio nº 147 ― frase: o passeio…

Theo De Bakkere ― desafio 147


Num leito de flores silvestres
Atropelado no passeio do regresso, sua vida pendurava-se num fio fino. Em coma, ouviu sua mãe falar em voz baixa para não o deixar sozinho, mas já recostado num leito de flores silvestres, ele viu-se num clarão além das nuvens, entre um véu de astros e com a ideia aconchegada de que planava a caminho da sua avozinha, que o havia precedido naquele dia do acidente.
A avó teria sabido que ele seguiria o mesmo destino dela?
Theo De Bakkere, 66 anos, Antuérpia, Bélgica
Desafio nº 147 ― frase: o passeio…

12/08/18

Maria Loureiro ― desafio 147

Sem dramas, interroga-se sobre o propósito da sua existência. Detesta as rotinas do trabalho e o voluntariado está a tornar-se demasiado exigente. Ainda não conseguiu pôr um travão. É como se tivesse dois empregos, só um remunerado. Tem algumas moléstias tratadas sem a devida disciplina. Aleatoriamente, ao final do dia, caminha. Às vezes pacifica-se, surpreende-se, sorri, conversa, observa as pessoas, os edifícios, os animais, as árvores e as plantas. É quando o caminho se transforma num passeio.
Maria Loureiro, 63 anos, Lisboa
Desafio nº 147 ― frase: o passeio…

Natalina Marques ― desafio 147


Não tenho saudades do passado. Faz-me lembrar os sonhos inacabados, que foram ficando pelo caminho, esquecidos pelo tempo.
Prefiro o tempo de agora, os meus caminhos floridos, meu passeio vão alegrando, porque novas flores vão nascendo, e o meu sonho de agora é que as flores do meu caminho, (mesmo sendo silvestres), não murchem, para que eu me envolva nelas.
O meu passeio continua, na  estrada da vida, orgulhosa dos meus feitos e do meu dever cumprido.
Natalina Marques, 59 anos, Palmela
Desafio nº 147 ― frase: o passeio…

Isabel Lopo ― desafio 147


Parecia-lhe a estrada não ter fim. Ou seria a sua vida sem sentido que a não deixava parar? Perdera tudo, o trabalho, o amor, a casa... Espantava o tempo percorrendo trilhos, caminhos desconhecidos, sentindo só o seu inexistir... Exausta, adormece numa berma qualquer. A noite fria  cai sobre ela. Mas as flores silvestres, apiedadas, cobrem-na como uma manta de retalhos. Quando acorda, reconhece a Primavera. O sol brilha e invade-lhe o coração de esperança. Recomeça a andar.
Isabel Lopo, Lisboa
​Desafio nº 147 ― frase: o passeio…

11/08/18

Jaime A. ― desafio 147


O passeio era contínuo.
Já nem tinha a mesma vida,
o céu nem lhe parecia azul,
ou as flores pintalgadas 
os guaches que lhe haviam dado
havia tanto tempo.

Era um passeio contínuo,
já nem descalça podia andar,
eram as botas que lhe haviam calçado
a sua obrigação.
Uma quase tropa naquela que fora a sua casa.
Tanto tempo perdido,
tantas palavras por dizer.

E uma marcha contínua,
sempre...
mais do que um passeio veloz,
uma fuga!
Jaime A., 52 anos, Lisboa
Desafio nº 147 ― frase: o passeio…
(mais textos em www.soprodivino.blogspot.com)

10/08/18

Chica ― desafio 147


Nos caminhos da vida
Filhos criados com preocupação constante com horários, alimentação, aconchego, amor, carinho, bem divididos.
Costumava divertir-se em cada caminhada pelas fases da vida... E assim vai passando por elas... Olha pra trás, sente um aperto no coração. 
Olha para a família, hoje se vê envolvida com netos, de adolescentes a pequeninos.
Vê-se recomeçando noutro tipo de preocupação... Na cidade, os caminhos não são feitos apenas de "caminhos floridos"...
Mas, enquanto ela aqui estiver, espera poder vê-los alegrias colher!
Chica, 69 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nº 147 ― frase: o passeio…

Desafio nº 147

Desta vez, o texto baseia-se nesta frase:
O passeio continua. A sua vida já não é a mesma. Imagina-se aconchegada/o pelas flores silvestres.

Pode ser completamente ignorada ou modificada, é só o «empurrão» de início.

Saiu-me assim:
Avançou pelos campos ser imaginar o que provocara. Não pretendia desiludir os fiéis, apenas lhes disse que partiria para uma vida sem deuses. Sofria. Não se apercebeu de que o seguiam. Ninguém se imaginava a viver sem a sua orientação. E quando, exausto de sofrer na dor de ter perdido o seu amor secreto, atirou-se no abismo. Atrás de si, cegos de desconsolo e desorientação, caíram os outros. No chão, envoltos em flores silvestres, sepultou-se a comunidade.
Margarida Fonseca Santos, 57 anos, Lisboa
Desafio nº 147 ― frase: o passeio…
EXEMPLOS