10/04/12

Reguilas - abril 2012 III


A semente lápis

Era uma vez um menino chamado Osvaldo, que resolveu semear algumas plantas no seu jardim.
Passados alguns dias as suas sementes germinaram. No meio das várias plantas cresceu uma pequena árvore.
Esta árvore era diferente de todas as outras, pois o seu tronco e os seus ramos eram lápis.
A árvore e o Osvaldo foram crescendo e tornaram-se grandes amigos. Juntos foram escrevendo lindas histórias e dos ramos brotavam folhas e folhas de caderno.
Beatriz F. -  EB da Mata – 4º A


Conversa de escovas de dentes

Numa casa existiam duas escovas de dentes que infelizmente estavam estragadas, mas as donas não queriam trocá-las nem por 1 milhão de euros, mas ninguém sabe porquê.
E as escovas de dentes começaram a dialogar.
- Epá! Porque é que ninguém me troca!?
- Nem a mim, se nos trocassem, podíamos ser outras coisas!
- Como por exemplo?
- Folhas de papel.
- Não! Não quero ser escrita, pintada, impressa e desenhada.
- E … uma pulseira?
Diogo A. - EB da Mata – 4º A

O cahorrinho mágico

O cachorrinho experimentou montar a cavalo e as únicas palavras que disse foram:
- Pára, pára por favor, páááááááára!!!!! Auuuuuuuu!
Experimentou ser construtor e as palavras que disse foram:
- Au! A cauda ficou presa por baixo de um tijolo.
Experimentou ser professor mas foi um desastre.
Experimentou ser ator mas não conseguia decorar as falas.
Experimentou a magia e conseguiu.
Logo depois disse:
- Tomem lá cachorrinhos, agora sou melhor que vocês. Eu sou um mágico!!!!
Beatriz O. - EB da Mata – 4º A


O leão e o papagaio

 Era uma vez um leão tímido e triste, ele não tinha filhos, não tinha mulher nem amigos. Até que um dia apareceu um papagaio que lhe perguntou:
- O que tens amigo?
- Eu não tenho amigos.
- Mas eu sou teu amigo, não sou?
-Sim, acho que sim.
- Então, queres brincar comigo?
- Sim.
Os dois brincaram o resto da tarde.
- Amanhã vens brincar comigo? – perguntou o leão.
- Sim, claro. A que horas?
João Matos – EB da Mata – 4º A

08/04/12

História e ilustração, imaginem!!! abril 2012


Sara é uma rapariga moderna e versátil.  Desenhar e costura a sua própria roupa.
As amigas deliram com os seus vestidos.
Às escondidas da Sara, os irmãos, Manel e Miguel organizaram um desfile de moda.
O desfile foi um sucesso. Choviam encomendas de todo o lado.
Os três irmãos não tinham descanso.
Criaram a smm moda, compraram um zoo, viajaram pelo mundo e fizeram muita gente feliz.
“Amanhã, venha experimentar a nova colecção no nosso zoo”.  
                                                                                                         Smm
Chamo-me Miguel (Silva), tenho 11 anos, vivo no Cano (freguesia do concelho de Sousel), estudo em Sousel (estou no 6º ano), adoro ler, escrever, desenhar e cantar. Toco clarinete e no Conservatório cantamos as suas canções.


















E chegou mais esta, também do Miguel:

Férias no campo
Este ano, a Ana e o seu irmão João, foram passar as férias a casa dos seus avós. Foi uma surpresa quando Marta e Pedro, os seus pais, lhe contaram a novidade.
Passados alguns dias a Ana e o João já tinham as malas de viagem feitas e tudo arrumado, estavam prontos para partir.
A viagem ainda era longa pois tinham que apanhar o avião para Holanda e ainda eram algumas horas.
Os dois irmãos estavam felicíssimos.

histórias recebidas - abril 2012 II


O narrador nunca acreditara, pois a lenda de Justino, conta que ele não ia mais tagarelar, porém o glu glu sendo desmaiado, despenou-se.
A solução do bode era impossível, porquanto toda a gente sabia que a barbicha do doutor não era mágica como ele pensara. Ele cometeu o erro de fazer a operação que imaginara ao peru.
Mas como o glu glu tinha perdido o pio por andar sempre a tagarelar, agora não podia continuar.
Assim, o seu sonho não se podia prolongar.
Cristiana Pires, E.B, 2,3 dos Castanheiros, 7ºB.

Era uma vez um copo que andava a estudar para jarro. Frequentava aulas de ioga, praticava alongamentos e estava numa lista de espera para uma operação estética: aplicação de uma asa! Na prateleira da cozinha onde vivia, um velho copo, cuja vivacidade se tinha desvanecido com as lavagens e o uso, dizia-lhe:
- Cada um é para o que nasce…
Mas o copo respondia:
- E sonhar é para todos! Até para mim, que sou um copo!
Cláudia Marques, 34 anos, Porto Salvo

A aventura do Fortunato nos jardins de Serralves
O Fortunato, talvez não conheçam, é um caracol amigo do João que já lhe faz companhia desde bebezinho. Juntos têm vivido muitas aventuras… a última foi no Domingo, quando passeavam pelos jardins de Serralves.
A festa estava muito divertida e o Fortunato não parava de girar a cabeça. Queria ver tudo! Ops! A dada altura o Fortunato desequilibrou-se e eis que cai de “casa” para baixo.
- Ajuda-me! - Gritava ele para o João que não parava de rir.
Carla Cardoso, 38 anos e mãe do João, de 2 anos

Quem não arrisca não petisca – pensava o Gatolas enquanto saltava para o tronco no meio do rio. Tinha visto um belo peixe, um almoço!
Aterrou mesmo no meio do tronco dando uma patada certeira no peixe distraído.
- Quem não arrisca não petisca! - disse sorrindo, orgulhoso.
Enquanto o peixe voava em direção à sua boca, passou uma gaivota e agarrou-o! Desapareceu, dizendo:
- Nem sempre quem petisca tem de arriscar!
- Não se fala de boca cheia!... – murmurou o Gatolas.
 +
Sou uma senhora muito bem parecida. Todos me desejam e me querem por perto! Muitas vezes chamam por mim, mas, caprichosa como sou, só apareço quando bem me apetece.
Alguns arriscam para me ter. Faço sempre falta a alguém e nunca sou esquecida! Sou falada vezes sem conta nas conversas, e, por vezes, sou até maldita…Muitos acreditam que controlo as suas vidas…
Não há gato preto que me assuste, ou não fosse o meu nome SORTE!
 Sandra Lopes

Os Reguilas voltaram! abril 2012 I


 Os dois chapéus
Dois chapéus muito infelizes sonhavam com o grande amor das suas vidas.
Até que um dia, em New York, os dois chapéus se encontraram.
- Olá! – disse timidamente o chapéu macho
- Olá! – disse, com muita vergonha o chapéu fêmea.
- Queres passear comigo e ser minha amiga?
- Sim! Estou ansiosa...
Sentaram-se os dois num banco do jardim, bem juntinhos e beijaram-se.
Casaram-se, tiveram dois chapeuzinhos, Boné e Cartola e, a partir daí, viveram muito felizes.

João Matos   EB da Mata – 4º A

A menina com coração de ouro e a menina com coração de fogo
Era uma vez uma menina com coração de ouro que tinha uma irmã com coração de fogo. O chefe da menina com coração de ouro era Jesus e o chefe da irmã era o diabo.
Infelizmente, o pai delas também adorava o diabo e, por isso, gostava mais da menina com coração de fogo.
A menina com coração de ouro tinha um coração muito puro e perdoava-lhes todas as maldades.
Um dia, inesperadamente, algo de maravilhoso aconteceu… 
Diogo Anastácio – 4º A

As pegadas misteriosas
O Rui e a Ana estavam a passear na floresta quando a Ana disse:
- Rui, olha! Umas pegadas.
O Rui perguntou:
- Do que será?
Ana respondeu:
- Não sei. Que tal irmos investigar.
Ele exclamou:
- Que boa ideia, Ana!
E lá foram eles, andaram e encontraram um coala, mostraram-lhe a fotografia das pegadas e perguntaram-lhe se as reconhecia.
O coala respondeu:
- Eu sei de que animal são essas pegadas. São de um macaco.
Beatriz O. – EB da Mata – 4º A

06/04/12

histórias recebidas - abril 2012 I


Mãe e filha
 Mãe e filha sentaram-se nos seus lugares. A filha à frente e a mãe atrás. Entraram no túnel e a luz de agosto apagou-se na escuridão. Não sabiam para onde iam, mas a viagem começou, alucinante.
Desciam, viravam, desciam outra vez, viravam de novo. Riam-se e soltavam gritos de alegria. Ouviam também outros risos e gritos de brincadeira.
Quando enfim terminou a viagem, a cara aberta num sorriso, pensaram “Temos de voltar a este parque de atrações”.
 +
M
“Gostava que escrevessem uma carta para uma colega que não conhecem, mas que está triste”. Desafiei os meus alunos e esperei que o seu bom coração fizesse o resto. “Podem chamá-la M”.
No dia seguinte entreguei 25 cartas à M. “Posso responder?”” Claro!”  
E entreguei 25 respostas aos meus alunos que não acreditavam que a M. tivesse escrito a todos. E continuei a levar respostas às respostas.
Afinal até apanhavam o mesmo autocarro que a amiga Marisa!
Clara Cardoso, 46 anos, Lisboa e filha!


Ao redor desta árvore se contaram histórias que preencheram as tardes quentes de verão.
Nos seus ramos erguemos a casa que recebeu as nossas brincadeiras, nos viu crescer, por vezes chorar e muitas vezes rir.
À sua sombra demos o primeiro beijo e sonhámos um futuro de aventura.
Hoje, despedimo-nos daquela que acompanhou a nossa infância, nos suportou na adolescência e acolheu os nossos lamentos de adulto.
Amanhã será derrubada e o seu lugar atropelado pelo asfalto.
 Quita Miguel, 52 anos, Cascais


Acordei com um sorriso motivado pelo mundo. Percebi o desejo de percorrer o globo, entender as línguas, conhecer os sinais das culturas e sentir todos cheiros.
Tomei o pequeno-almoço numa cidade perdida dos incas e vi que o Machu Picchu não era ficção. Caminhei até às margens do Niágara e senti a energia das cataratas. Terminei numa das ilhas dos galápagos, no Pacífico, onde bebi o último rum de Patrick Watkins.  
Cansada, adormeci e recuperei outro sorriso!
Ana Margarida Farromba

29/03/12

março 2012 - pais e filhos


– Estás cheio de febre… Pai!!!
Quim abriu os olhos com dificuldade. Miguel, de sobrolho carregado, abanava o termómetro, esperando que ele o pusesse debaixo do braço.
– Vá, vou buscar a aspiradina.
– Estou de certeza com febre, nem percebi o que disseste – queixou-se Quim, voltando-se na cama onde os dois tentavam curar uma constipação valente.
– Aspiradina, aquele remédio que aspira a febre. Volto já!
De cabeça a latejar, Quim verificou o que Miguel já sabia – agora era ele!
histórias - Margarida Fonseca Santos; ilustrações - Francisca Torres

histórias recebidas - março 2012 IV


Já não sabia quando tinha começado aquela perseguição. A única coisa que tinha consciência é que era impossível, nunca conseguiria apanhá-lo!
Assim que me levantava, olhava o relógio e dava início ao ciclo. Era uma loucura! Começava por me apressar e acabava sempre numa enorme correria pela rua fora… Tropeçava de cansaço…
- Parem esse homem! – gritei caindo por terra.
Ninguém me ajudou.
Uma menina olhou-me e perguntou baixinho:
- Quem era?
- Era o Tempo. Mais uma vez fugiu!
Sandra Lopes

– Pai!
– Sim, filho…
– O que é o amor?
Perguntou o André.
O pai virou-se na cama e olhou-o com ternura. Não sabe o que dizer. Quedou-se espantado e sorriu. Sentou-se ao seu lado.
– Como te poderei explicar o que significa o amor? Tens apenas seis anos.
Após reflectir um pouco, o pai, abraçou o filho carinhosamente e disse-lhe ao ouvido:
– Filho, o amor é poder abraçar-te e dizer que tu próprio és fruto de um grande amor.
Pedro Jardim, Sintra

"Ponto e vírgula"
Quando eu nasci, a minha mãe disse-me que havia de ser alguém importante, capaz de fazer as pessoas pararem. Graças a mim, as pessoas iam entender-se muito melhor! E um dia havia de encontrar alguém também importante e juntos seriamos ainda mais fortes. E eu acreditei. Claro, as mães sabem tudo! Então, alguém me explica porque razão tanta gente se esquece de mim? Já vos disse quem sou? Chamo-me vírgula e sou casada com um lindo ponto!
Ana Gomes


Um pai, sua filha de 2 anitos, viam televisão. De repente:
– PAI!!!
– O quê filha?!
A sua filha respondeu:
– PAI!!!
– Diz o que queres filhota, diz ao papá!?
A filha respondeu:
– PAI!!!!
– Filhota! Não dizes nada, só Pai, só Pai, ok!!! Diz-me lá, meu Amor?!
Olhando-o, a filha esticou os braços, o Pai agarrou-a e disse:
– Anda cá, meu Amor…
Olharam-se fixamente, sorriram felizes e a filha abraçou-o, com seus bracinhos dando palmadinhas nas costas do Pai, disse suspirando:
– PAI!!!
Jorge Barradas

O vento chegou zangado. Fustigou-me o corpo, fez voar o chapéu e o cabelo bailou em liberdade. As gaivotas vieram juntar-se ao chapéu que voava como se fosse uma delas. Corri que nem uma louca atrás dele. Mas o vento decidiu contrariar-me e, soprando mais, levou-o para o longe. Não era mais que uma sombra quando o mar o engoliu. E, com ele, o mar engoliu, também, os meus inquietos pensamentos que partiram numa viagem sem retorno.
Ana Paula Oliveira, 51 anos, S. João da Madeira 

Era boa companhia para si mesma, quase lhe convencia o pensamento. Sentada em frente ao mar numa tarde de quase primavera, entretinha-se bem com o livro nas mãos, numa quase viagem. O sol rodeava a pele, era quase presença, quase ternura, abria-lhe um quase sorriso. O areal acolhia num colo quase suave, quase um abraço a moldar o seu corpo, quase esquecido. Quase se entregou àquela tarde quase calma e se deixou mergulhar num sono quase profundo.
+
Senta-te aqui. Não, aí não. À minha frente, para eu te ler os olhos. E conta-me histórias. Despeja as palavras consumidas do dia, solta gemidos e risos. Das horas, do tempo. Encontros, desencontros, quantos foram? Que rostos passaram por ti? Sentiste o vento logo cedo? Era frio, encolheu-me por baixo do casaco. Depois ouvi o melro anunciando o dia e a cor da jornada a nascer. Deixei de ter frio. Conta-me histórias....anda, não as guardes para ti.
Helena Eça 

Foram três anos de espera, mais muitos anos de ponderação. O Sérgio chegou em Julho, com dois anos acabados de fazer. Um doce, um chocolatinho delicioso. Já lá vão quase três anos e parece que foi ontem. Mas também parece que nunca existiu vida sem Sérgio. Foi um sol que me entrou pela casa dentro. O sorriso dele, que de início era raro, enchem-me a alma e o coração. O meu desejo é que ele cresça feliz.
Madalena Mota

Escrever? Com o lápis bem afiado, correm ideias pelo papel. Corro também. Preciso agarrá-las! Falar com elas, sentá-las nas linhas. Deixá-las alinhadas para contarem a sua história e para que possam perdurar na memória.
É difícil, por vezes, escolher-lhes um lugar. São irrequietas, não ligam, chamam amigas para falar, trocam de sítio, brincam nas entrelinhas, saltitam por aí sem nunca nos consultar! Parecem crianças a brincar no jardim, mas a verdade é que tudo se compõe no fim!
Sandra Lopes 

28/03/12

março 2012 - pais


Joana estava desconfiada. O trânsito não fora caótico, os semáforos levaram-na depressa até à estação, o comboio apresentou-se vazio e até com um aspecto relaxado, não lhe custou subir a rua até ao escritório, nada… Nem um obstáculo se atravessara entre ela e o emprego, nem um!!!
Mas quando viu a porta fechada, disse:
– Eu logo vi! Só podia ter acontecido qualquer coisa!
Uma voz respondeu-lhe, do outro lado da rua:
– Vem trabalhar hoje, menina? Ao domingo?!
histórias - Margarida Fonseca Santos; ilustrações - Francisca Torres

27/03/12

março 2012 - filhos


Bolas!!! Se não tivesse sido tão teimosa…! Se tivesse ouvido outra vez…!
Matilde não conseguia lembrar-se. Era por cima, depois dava a volta… Não! Tinham de fazer umas orelhas, disso lembrava-se, e depois?
Nada feito! Os atacadores recusavam-se a colaborar. A voz da mãe chamava:
– Então? Chamo o elevador?
Matilde encheu-se de coragem. Avançou pelo corredor, qual soldado derrotado. Os atacadores, mortos de cansaço, iam de rojo pelo chão.
– Ai, Matilde, desculpa, esqueci-me. Que cabeça a minha!
história - Margarida Fonseca Santos; ilustração - Francisca Torres

23/03/12

histórias num curso Bertrand...


Não era apenas uma história de 77 palavras - teria de ter no máximo 5 palavras por frase... Nasceram durante um curso na Bertrand do Dolce Vita no Porto. Aqui ficam duas delas (no blogue há muito mais do que se fez...): 

Era uma vez um homem.
Esse homem vivia sozinho.
Nunca tinha querido viver assim.
Ou de outra maneira.
Simplesmente não pensava nisso.
Os seus pais morreram cedo.
Tão cedo que pouco lembrava.
Um dia, bateram-lhe à porta.
Era uma mulher estranha.
Cansada e perdida.
Fugia de uma guerra.
Deixou que lá ficasse.
Aprenderam uma forma de comunicarem.
Habitou-se a ela.
Um dia acabou a guerra.
Souberam disso por estranhos.
Mas ela ficou.
E deixou de estar só.
Texto de Gabriela Lopes


Hoje foi um bom dia. Pensava enquanto apagava a luz. Finalmente tinha falado com ele. Tinha conseguido! Havia anos que não falavam. Nem sequer se olhavam. Tinha chegado a odiá-lo. Mas agora tudo se resolvera. Foram três anos de dor. Ele acobardara e ela sofrera. A dor levara ao ressentimento. O ressentimento ao desprezo. Gritaram e acalmaram. Choraram e abraçaram. O perdão chegou no fim. Finalmente eram livres!
Tânia Silva

Resta muito pouco de mim.
Levaste tudo o que sou.
Talvez até o que fui.
Resta-me o que penso, talvez.
Apago-me na tua ausência.
E choro.
Choro por dentro, indigente.
Choro por dentro, incrédula.
Afinal, o que me resta?
Tu, não, abandonaste-me.
Eu, também não, roubaste-me.
Nós, nunca, nunca depois disto.
Resta talvez a raiva.
A raiva que cresce, dorida.
A raiva que semeaste, insensível.
Espero que nunca voltes.
Espero esquecer-te. Espero.
Resta pouco de mim.
Resto eu.
Texto de Margarida Fonseca Santos

19/03/12

histórias recebidas - março 2012 III

Eram duas da tarde de um sábado, os amigos já estavam na vila, prontos para a corrida. Tentei despachar-me o mais depressa possível. Até lá, ainda tinha de subir a ladeira com o carro às costas. Quando cheguei, ainda estavam todos a preparar os seus engenhos. O carro do João ficou sem roda de aquecimento, e o Vítor estava a pôr os para-choques no seu que, a seu tempo, tinha sido tampa de uma máquina de lavar.
David Gomes, Colégio Dinis de Melo, 18 anos

É tão difícil escrever! Se tivesse ajuda, como Luís de Camões das ninfas do Tejo, seria bem mais fácil. No silêncio, a melodia dos pássaros, a brisa nos meus cabelos evidenciou a minha angústia. Não tinha voz, dominava-me a falta de esperança. 
Há muito que enfrento os meus problemas. Chegou a hora! Sentada na calçada, num jardim, cheiro a natureza, pernas cruzadas, Bic na mão, escrevo, desenhando letras. Nesta posição incómoda, preguiçosa… tento ouvir sua voz: Cheguei.
Filipa Lopes, 9º, EB José Ferreira Pinto Basto de Ílhavo

09/03/12

histórias recebidas - março 2012 II


João gostava de passear no parque. Adorava árvores frondosas, riqueza dos verdes na vegetação, e pequenos lagos onde coaxavam rãs.
O gosto pela natureza fora-lhe transmitido pela avó que dizia:
-Quando arranco as ervas daninhas no meu jardim, gosto de ouvir o som da raiz a despegar-se da terra. Ora, ouve:
-Pschpuf…!
Nessa tarde, aproximou-se dum caramanchão de madressilvas. Borboletas multicolores exibiam dança exótica: mistura de ballet e hip-hop.
Maravilhado, João iria interpretar «a dança das borboletas».
Dorinda Oliveira, 71 anos, Arrifana

A noite, que tem o hábito de chegar cedo, já chegou quando Madalena entra em casa, depois de um dia de trabalho intenso, carregada com sacos do supermercado.
Abandona os sacos na cozinha e atira-se para cima do sofá, tentando ganhar alento para fazer o jantar, enquanto pensa na maneira de iludir o cansaço!
O marido entra e estranha o silêncio da cozinha.
Na sala, Madalena dorme um sono profundo embalado por um sonho com paraísos verdes.
Ana Paula Oliveira
51 anos, S. João da Madeira

A mãe abre a porta do sótão:
-O que é isto?! Está desarrumado! Ainda há pouco tempo arrumei tudo! Se soubessem o trabalho que dá, não desarrumavam! Para brincar é preciso fazer esta bagunça?
-Vais arrumar agora? – Pergunta o pai
-Agora não tenho tempo! Vai ficar para o fim-de-semana!
Passado algum tempo, o pai chama a mãe:
-Vai ao sótão!
A mãe vai e… Surpresa! Está tudo no lugar! Um bilhete diz:
“Mãe, desculpa! Adoro-te! Beijos, Madalena”
Maria Leonor Silva Neves, 37 anos, Educadora de Infância em Arraiolos

Toda a gente tem 77 palavras em si...
Todos os animais têm 77 palavras em si...
Todas as árvores têm 77 palavras em si...
Bem, todas as palavras têm 77 palavras em si...
Leitura: alegria, aventura, infância, sorriso, descoberta, tristeza, e outras 71 palavras que não vou mencionar!!!
Mãe: felicidade, amor, segurança, amizade, carinho, e outras 72 palavras que não vou mencionar...
Margarida Fonseca Santos: inteligência, escrita, amizade, MAGIA, e outras 73 palavras que não vou mencionar...
Joana Caetano Tavares, estudante na escola básica de Mafra, do 6ºC
(pois, fui apanhada desprevenida, pois fui...)

08/03/12

Notícia de Jornal.


Aos 3 dias, do mês 2, do ano de 1961, pelas 8 horas da noite, nasceu na magnífica cidade do Marco de Canavezes, 1 indivíduo do sexo masculino, pesando 4 ou 5 Quilos e medindo 6 ou 7 palmos.
Rapagão!
Nasceu já com 1 dente e obrigou a sua pobre mãe a 9 longas horas de trabalho de parto.
Nos 10 dias seguintes, o seu nascimento foi o tema favorito das conversas , na pequena cidade e arredores.

Luís Marrana, 52, Oliveira do Douro

04/03/12

histórias recebidas - março 2012 I


Um encontro
Um relógio estava entretido a dar horas, não deu conta que uma mosca voava à volta dele.
Quando a mosca pousou nele, assustou-se. Mas o susto não acabava ali, pois quando olhou em frente viu voar um mata-moscas que lhe acertou. Vinha com tanta força que o estragou. A ponta do mata-moscas acertou em cheio num dos olhos da mosca.
A mosca tentou ajudá-lo e conseguiu. O relógio agradeceu.
Os dois ficaram muito amigos e felizes.
Colégio Marista de Carcavelos do 5º ano, turma A nº 16 e chamo-me Mafalda

"A planície estende-se mesclada de cores, como se o pintor distraído tivesse aproveitado as pétalas para limpar os pincéis. Uma vez por outra, ergue-se uma árvore, que solitária dança ao sabor do vento com tal elegância, que lamentamos não possa desprender-se e expressar abertamente o sentimento de liberdade ao longo da planura.
O céu colabora neste bailado pintalgando-se com pequenos farrapos brancos, que no seu esvoaçar desenham estórias que nos fazem sonhar.
Que lugar bonito para amar."
+
-Senta-te lá aí sossegado. Que raios!
-Desculpa – murmuro olhando os cacos da chávena que as minhas mãos não conseguiram segurar e entristeço-me ao perceber que os canso. Sou lento a chegar ao fim da rua, mas os meus passos às vezes ganham vontade própria. Lamento, se faço as mesmas perguntas vezes sem conta, mas a minha memória nem sempre as retém. Sei que não tenho a energia de outros tempos, mas perdoem-se se recuso aposentar-me da vida.
Quita Miguel, 52 anos, Cascais