17/06/19

Grandes miúdos em destaque


Num dia de neve, estava o João e o pai a tentar abrir a porta de casa, até que aparece a mãe e o bebé, irmão do joão, que tinha acabado a sesta. O João que era perito em Karaté, deu um pontapé na porta, mas… mas não conseguiu abri-la e disse para o pai em segredo, para a mãe não ouvir: “Pssst, Pssst, pai, antes que a neve derreta, será impossível eu conseguir abrir a porta!
Afonso, 9 anos, 4ºA, EB Bairro dos Arneiros, Caldas da Rainha, Profs Isabel Oliveira e Marlene Jorge
Desafio nº 171 ― antes que a neve derreta

Era uma vez um menino que perguntou à mãe se podia ir ao cinema e ela respondeu:
― Não vais, porque também não estudas e não queres ir à escola. 
― Se não posso ir ao cinema, posso ir à piscina? ― perguntou ele não muito contente.
A mãe disse:
― Se não te esforças e não tiras boas notas, continuo a dizer não, não e não!
― Só dizes não? Só sabes dizer não?!
― Não, não! Também digo: vai estudar, filho! 
Inês C, 12 anos, Paços de Ferreira, prof Joana Pinto
Desafio nº 59 – 14 vezes a palavra não

16/06/19

Alda Gonçalves ― desafio 175


Podia ter sido muito diferente o desfecho dela.
Afinal não foram as escolhas que o ditaram.
Seria simples decidir viver no campo até hoje.
Depois de tantos anos, o destino foi destemido.
Podia sentir-se mais apta a enfrentar o futuro.
Afinal conhecera muita gente, havia feito grandes amigos.
Seria para se convencer do deslumbramento da infância.
Depois, pensou e reagiu: tenho direito ao sossego.
Maria regressava à Beira natal, ciente ser o último regresso, diagnosticada a doença.
Alda Gonçalves, 51 anos, Porto
Desafio nº 175 ― ritmo do texto predefinido

Isabel Sousa ― desafio 160

Um foguete libertando fagulhas caiu na erva seca. O fogo afigurando-se a uma grande boca negra, devorou tudo. Os homens afogueados lutaram e apagaram o incêndio. No fim de tudo, restou apenas uma figueira com folhas verdinhas e um único figo, inchado qual lua cheia, que ao cair afagou a terra desfigurada destilando doçura. Um pássaro fugido à devastidão viu o figo e devorou-o ávido daquela frescura fugaz. Por vezes, a providência fogosa presenteia-nos inesperadamente no infortúnio.
Isabel Sousa, 67 anos, Lisboa
Desafio nº 160 – plvrs com FAG, FIG, FOG, FUG

Luz Câmara ― desafio 87

Aldeia da Ponte foi buscar o seu nome a uma construção romana ainda existente que resistiu à passagem do tempo e mantém toda a dignidade de outrora.
No inverno, por entre os arcos graníticos que a emolduram, um rio de corrente forte galga o seu leito, inunda os terrenos circundantes, atapetando-os com um manto de erva verde.
Atraída pela frescura do pasto, uma cabra atravessa a ponte, mas para a meio, hesitante.
Que quadro idílico a reter!
Luz Câmara, 58 anos, Coimbra
Desafio nº 87 – ponte, rio, cabra

Luz Câmara ― desafio 134

Chegou demasiado tarde. O espetáculo não esperara por si e já começara quando se sentou no luxuoso camarote, reservado antecipadamente. Fora a única culpada do atraso. “É o que dá enfiar-me no trânsito mais que caótico numa sexta à noite!”, pensava ela, completamente distraída, alheada de tudo.
De súbito, um barulho ensurdecedor despertou-a: parte do teto acabara de cair estrondosamente, consequência da forte intempérie que assolara a cidade.
O espetáculo foi suspenso.
Da próxima, não se atrasaria!
Luz Câmara, 58 anos, Coimbra
Desafio nº 134 ― «Chegou atrasado…»

Luz Câmara ― desafio 103

O tempo passara por ela e ela passara pela vida. Agora, nada mais havia a fazer.
Dava por si perdida em pensamentos frios como o silêncio da noite, que vagueavam nas memórias doridas que teimavam em se fazerem presentes.
Se tivesse evitado…”, repetia mentalmente, vezes e vezes sem fim, nas voltas e reviravoltas que dava, tentando apaziguar a culpa que não a largava.
Agora, restava o quê?”, uma mera pergunta de retórica pois sabia não conseguir responder.
Luz Câmara, 58 anos, Coimbra
Desafio nº 103 – 3 frases impostas por ordem

António Azevedo ― desafio 15

Acordou com nervoso miudinho. Era o dia da visita do avô. Será que vinha à hora combinada? Ou vinha atrasado? Nestes dias o nervosismo aumenta à medida que a hora de ver o avô se aproxima. Anseia por escutar outra das suas histórias, por desembrulhar o inevitável brinquedo. Olha em volta. Já são tantos. Aquelas visitas foram enchendo a casa de brinquedos prodigiosos. Tocam à campainha. Alguém abre a porta. Acalma ao ouvir a voz do avô.
António Azevedo, 53 anos, Lisboa
Aquelas visitas foram enchendo a casa de brinquedos prodigiosos.”  - Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez
Desafio nº 15 com frase retirada de um livro

Luz Câmara ― desafio 136

Era uma vez um arco-íris descolorido. Nascera da briga entre o sol e a chuva e vivia infeliz devido à palidez das suas cores.  
― Se pudesse renascer e ver-me colorido como todos os outros, seria o mais feliz dos arco-íris – pensava e repensava o sete cores celestial, sentindo-se impotente na sua infelicidade.
― E se… – sorria o arco desmaiado à ideia que lhe surgia.
E num dia de sol potente, estendeu-se numa nuvem e concretizou o seu sonho.
Luz Câmara, 58 anos, Coimbra
Desafio nº 136 – 5 pares de palavras, sem e com prefixo

Luz Câmara ― desafio 133

Caíra na rotina dos dias. Perdera a noção temporal do ontem, do hoje e do amanhã. Passava pela vida distraidamente em momentos segmentados que lhe sufocavam o querer e dilaceravam a vontade. Algures, no seu passado, perdera o brilho do olhar e aquela vontade de conceber o acontecer.
Onde ficara a paixão e aquela ânsia de ser e de fazer? Talvez num recôndito de si, onde não conseguia aceder.
Enredara-se nas silvas espinhosas da vida. Viva, morrera!
Luz Câmara, 58 anos, Coimbra
Desafio nº 133 ― cair nas silvas

14/06/19

Odília Baleiro ― desafio 175


Podia ter ido contigo, mas decidi não ir. Afinal era já tarde e fazia tanto vento. Seria melhor marcar para um dia com sol. Depois preferi o meu canto, acompanhada de palavras.
Podia ter sido interessante, junto de gente bonita. Afinal, como já disseste, foi mesmo muito divertido. Seria fantástico, todos juntos, reviver tempos sem preocupações. Depois pensei que, afinal, foi bom para mim.
Reli palavras de um livro, companheiro de toda a vida. Preciso sempre dele!
Odília Baleiro, 63 anos, Lisboa 
Desafio nº 175 ― ritmo do texto predefinido

Theo De Bakkere ― desafio 175

Entre uma maiúscula e um ponto final
Podia ter sido uma história como há muitas. Afinal, todas as histórias iniciavam com uma maiúscula. Seria um relato banal, se fosses aquela mosca. Depois de caíres na teia sem escapatória possível. Podia ninguém te salvar dessa cruel morte certa! Afinal, és só uma mosca, ninguém se importaria. Seria visto como um ato útil, assassínio não. Depois, alguém com medo matou a aranha negra. Quem se importaria! Afinal ficará um contozinho banal, terminando com um ponto final.
Theo De Bakkere, 67 anos, Antuérpia Bélgica
Desafio nº 175 ― ritmo do texto predefinido
Mais textos aqui: http://blog.seniorennet.be

Paula Castanheira ― desafio 174


A risca azul ainda será moldura da porta 112?
Escondia-me por detrás das grossas paredes brancas.
Quem era afinal, Joaquim?
Dediquei-lhe vida e lágrimas.
Fi-lo rei do meu condado.
E no entanto…
Quantos sóis sem abraços?
Quantas luas sem elogios?
Criticas.
Ofensas.
Ameaças.
Domínio.
A diminuir-me.
A destruir-me opiniões.
A desprezar-me o corpo…
Tive medo de partir.
Mais medo de ficar...
Meti à pressa, revolta e esperança na mochila.
Apanhei do chão os cacos de mim.
Fui!
Paula Castanheira, 55 anos, Odeceixe
Desafio nº 174 ― história de Bullying

Grandes miúdos em destaque


No dia antes do carnaval começou a nevar. Os organizadores do carnaval pensaram e entre si disseram em segredo:
“Antes que a neve derreta, será impossível o desfile acontecer.”
Mas uma menina que se encontrava a passar por lá ouviu isto. Então, contou a toda a gente e pediu ajuda para tirar a neve. No dia de carnaval a menina pôde dizer:
“Bom trabalho, agora o desfile pode acontecer!” E a menina ficou feliz, alegre e orgulhosa.
Matilde, 10 anos, 4ºA, EB Bairro dos Arneiros, Caldas da Rainha, Professoras: Isabel Oliveira e Marlene Jorge

Desafio nº 171 ― antes que a neve derreta

Eu sei, meu amor
Que nos voltaremos a ver,
Pois o que nos separa
É apenas esta dor
E eu nunca te vou esquecer! 
 Toda a gente te adora,
Mesmo que tenhas roído a porta.
Sabes uma coisa?
Agora já não importa,
Até fica mais bonita
Assim meia torta!
 Ver o que corrias,
Quando me vias.
Ver o que saltavas,
Quando eu te chamava.
Ver sempre o teu carinho?
Só para os olhos de quem tem saudades! 
Teresa M, 12 anos, Paços de Ferreira, prof Joana Pinho
Desafio nº 35 – partindo de dois versos de autor
"Eu sei, meu amor" de David Mourão-Ferreira e "Só para os olhos de quem tem saudades" de Miguel Torga


13/06/19

Isabel Lopo ― desafio 175

Podia desta vez ter corrido tudo bem connosco...
Afinal, tínhamos planeado tudo com um enorme entusiasmo.
Seria talvez a última oportunidade que nos dávamos.
Depois restou apenas a amargura de termos falhado...
Podia não ter entrado nesta aventura tão arriscada.
Afinal, não eras tão bom como te gabavas...
Seria uma oportunidade única de mudarmos de vida.
Depois, compraríamos a casa com que tanto sonháramos...
Mas tudo falhou naquele assalto. Resta-nos o consolo de sermos vizinhos de cela!
Isabel Lopo, Lisboa
Desafio nº 175 ― ritmo do texto predefinido

Assunção Novais ― desafio 133


O João trapalhão, assim era conhecido, pois arranjava muitas peripécias, era um craque na sua bicicleta. Ninguém lhe ganhava corridas e fazia as mais estapafúrdias acrobacias.
Certo dia, ia a grande velocidade, troçando (da lentidão) dos outros, quando caiu da estrada para um monte de silvas. Sem se conseguir libertar e cheio de arranhões, gritoooouuuu… até que os amigos foram salvá-lo.
Desde então, o João nunca mais gozou com eles e passou a ensinar-lhes os seus truques!
Assunção Novais, 54 anos, Vila Nova de Gaia
Desafio nº 133 ― cair nas silvas

António Azevedo ― desafio 14


Imóvel, olhava o filho que dormia e que hoje fazia 14 anos. Sorriu. Era a sua idade invertida. Regressou à infância. Suspirou ao recordar os três meses de férias de verão. A alegre despreocupação de quem não pensa no amanhã. O querer ser mais velho para poder sair à noite com os irmãos… Agora gostaria de ter uns anitos a menos… Saiu dos seus devaneios com o acordar do filho que o fitava com um sorriso rasgado.
António Azevedo, 53 anos, Lisboa
Desafio nº 14história onde entram duas personagens de idades: 14 e 41

Assunção Novais ― desafio 129

A Marta é uma pessoa fantástica. Nasceu no dia de Natal, há 37 anos, em Amarante, e tem um percurso de vida aliciante. É uma das mais ativas voluntárias da Amnistia Internacional, acérrima defensora dos direitos humanos.
Acalenta o sonho de conhecer a Antártida. As preocupações ambientais, em especial, a quantidade aberrante de resíduos de plástico que invadem os oceanos, têm sido também a sua grande luta. Recentemente, foi oradora num Congresso Internacional sobre Ambiente, em Atenas.
Assunção Novais, 54 anos, Vila Nova de Gaia
Desafio nº 129 – palavras que vêm de NATA

3º/4º GA B, EB Galveias ― desafio 168


O caso era surpreendente, Catarina encontrou um crocodilo, numa praia de Portugal Continental, a beber um refrigerante com a Margarida.  A Catarina ficou verdadeiramente emocionada!
Foi contar à Mafalda, ela estava a fazer as malas para ir para o Canadá. Na viagem estudou as tabuadas e completou o emociómetro.
Margarida comprou um presente para oferecer ao seu animal de estimação, uma garrafa com uma linda caravela lá dentro. Eles tornaram-se os melhores amigos de sempre!
3º/4º GA B, EB Galveias, professora Carmo Silva
Desafio nº 168 ― o caso surpreendente (com alguma liberdade)

12/06/19

António Azevedo ― desafio 13


Enquanto caminhava pela rua, não conseguia parar de cantarolar: “Eu cá não sou supersticioso, mas o pai dela dá-me azar.” Era a banda sonora do dia. Estaco de repente... Na monta da loja está uma guitarra elétrica ao alcance da minha curta bolsa. Compro-a sem pensar duas vezes. Preparo tudo. Carrego no botão e pum! Fica toda a rua às escuras e eu a cheirar a queimado! Que mais poderia esperar de uma sexta‑feira 13? Era barata!
António Azevedo, 53 anos, Lisboa
Desafio nº 13 – Frase para terminar: Que mais poderia esperar de uma sexta-feira 13? Era barata!

3º/4º GA B, EB Galveias ― desafio 170


Paco Bandeira cantou “Ó Elvas, ó Elvas, Badajoz à vista…”
As pessoas juntaram-se ao cantor e cantaram com ele. Combinaram ir ver o jogo da copa América, no domingo.
Juntaram-se todos na casa do Jaime. O João levou um saco com frangos assados, a Mafalda levou uma saca de batatas ocas. Foi um caso sério! A Sandra levou sumos e uma linda capa.
Estávamos na Páscoa e o Miguel canta “O sapo não lava o pé…”
3º/4º GA B, EB Galveias, professora Carmo Silva
Desafio nº 170 ― letras de Páscoa

Grandes miúdos em destaque

Era uma vez 10 amigos: o 1, o 2, o 3, o 4, o 5, o 6, o 7, o 8, o 9 e o 0. Eles eram os melhores amigos, faziam várias coisas juntos: jogar futebol, dançar, etc.
Uma vez, eles foram ver um jogo de futebol. Era Benfica vs Chelsea para a Liga Europa, o resultado foi 3 vs 0.
Depois foram ver um espetáculo de dança.
No final, eles viveram muito felizes para sempre.
João S., 8 anos, Luanda, Angola
Desafio nº 3 – números de 1 a 10

Era uma vez um rapaz chamado Luís que em conversa com a sua amiga Rita disse:
“Antes que a neve derreta, será impossível.”
Mas o que o Luís e a Rita não sabiam é que as suas amigas, a Carolina e a Eva, ouviram e foram para a rua dizer a todos:
“Antes que a neve derreta, será impossível.”
E quando as pessoas perguntavam:
“Mas qual o significado dessa frase?”
As amigas respondiam:
“Isso nós não sabemos!”
Shiloh, 9 anos,4ºA, EB Bairro dos Arneiros, Caldas da Rainha, Professoras: Isabel Oliveira e Marlene Jorge
Desafio nº 171 ― antes que a neve derreta

11/06/19

Natalina Marques ― desafio 175


PODIA ter contado, sim, uma mentira piedosa.
AFINAL, era fácil omitir a verdade que doía.
SERIA imprudente, mas tudo tem razão de ser.
DEPOIS, procura-se uma solução para resolver o problema.
PODIA contar a verdade, sem pensar nas consequências.
AFINAL pouco me importa se gostas ou não.
SERIA tão bom ficar com a consciência tranquila.
DEPOIS vem o sentimento de culpa, tristeza, desilusão.
Então, que o destino faça o seu trabalho,
e sejas feliz para sempre.
Natalina Marques, 60 anos, Palmela
Desafio nº 175 ― ritmo do texto predefinido

Eunice ― desafio 175


Podia ela, despida de orgulho, falhar-lhe de amor? Afinal, os compromissos haviam-lhes acertado apenas uma amizade. Seria possível assumir o verdadeiro tempero daquela pulsação? Depois de esperar ansiosamente ouvir a verdade, lembrou-se... Podia antes ouvir uma mentira: piedosa, amargamente protetora. Afinal, a doce verdade já lhe era conhecida. Seria capaz de aceitar um telhado tão frágil? Depois de controlar o coração, entregou-se ao silêncio... e, nele, o seu coração esperneou asfixiando a vida que ali havia nascido.
Eunice, 34 anos, Vila Nova de Gaia
Desafio nº 175 ― ritmo do texto predefinido

Teresa Caeiro ― desafio 175

Podia dizer mil palavras que não encontraria eco. Afinal, nada do que dizia lhes fazia sentido... Seria novamente apontado como o velho teimoso ridículo. Depois de uma certa idade, todos somos ignorados. 
Podia esperar um futuro diferente, já não acreditava. Afinal, a cabeça dos outros decide quem somos. Seria bom provar que estavam todos muito enganados! Depois de muito hesitar, resolveu arriscar e falar. Calaram-se, boquiabertos, ante a sua eloquência e acabaram por levá-lo, vitoriosamente, em ombros. 
Teresa Caeiro, 60 anos, Lisboa
Desafio nº 175 ― ritmo do texto predefinido

Elsa Alves ― desafio 175

Podia ter comprado outro livro, mas foi aquele.
Afinal a capa era atraente; o título irresistível.
Seria um reencontro com o meu escritor preferido.
Depois, iria ser o deslumbramento esperado com ansiedade? 
Podia viajar dentro dele? Viajar dentro de mim?
Afinal escolhemos nós os livros ou eles escolhem-nos? 
Seria uma hipótese de responder a essas perguntas. 
Depois, respostas para quê? Importantes são as perguntas.
Apertei o livro nas mãos. "É para embrulhar?" "Não, é para comer já..."
Elsa Alves, 70 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 175 ― ritmo do texto predefinido

Simão ― desafio 174

Então, eu nunca conseguia pará-los e a cena repetia-se e repetia-se. O menino que estava a fazer a cena era mau, mas muito mau. Então eu fui a uma das funcionárias pedir para separá-los. Separámo-los, mas passados dez minutos já estavam outra vez naquilo, e eu observava e observava, todos os dias, mas todos, todos os dias sempre a mesma coisa. Eu fui, mais uma vez às funcionárias, a funcionária separava-os, e essa funcionária via-os outra vez…
Simão, 4º A, EB Bairro do Arneiros, Caldas da Rainha, Profs Isabel Oliveira e Marlene Jorge
Desafio nº 174 ― história de Bullying

Grandes miúdos em destaque

O mistério do encanto do fogo, da sua energia, se é vida pode ser igualmente morte, dá prazer olhar para a lareira acesa, com o carvão incandescente. Sente-se a sedução, a sensação de medo, respeito e adoração, sentimentos que deslumbram, fascinam... É mágico, algo que nos deixa com um grande sorriso e que dá pena quando se extingue, porque se está com vivacidade é forte mas se não se alimenta desfaz-se em cinzas, um elemento feroz.. enigmático...
João C., AE D. Lourenço Vicente, prof Rosalina Simão Nunes
Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

Era noite de Natal, e vi a árvore cheia de presentes. Lancei um grande sorriso a todos. À meia-noite fomos abrir os presentes, e vi todos a receber muitos presentes e todos os que desejavam, mas quando chegou a minha altura, abri todos os presentes o mais rápido que consegui até encontrar o que queria. No final, vi que ninguém me tinha dado o presente que queria e disse:
Fogo! Não recebi o queria…
Tive mesmo pena
Inês A., AE D. Lourenço Vicente, prof Rosalina Simão Nunes
Desafio nº 1 – palavras impostas: pena, sorriso, fogo

10/06/19

Maria Ferreira ― desafio 175


Podia estar a fazer algo que me extasiasse. Afinal, a vida tem mundos impenetráveis por descobrir. Seria, então, alcançado o céu, tantas vezes almejado? Depois, recordaria momentos e sonharia outros, ainda melhores.
Podia, simplesmente, estar a conversar com os amigos. Afinal, a amizade é um bem insubstituível, inestimável! Seria um prazer simples, caseiro, quotidiano, sem ambições. Depois, pensaria em como é simples ser-se feliz.
Mas, não! Nada disso! Estou, miseravelmente, a corrigir testes, ombro e pulso doridos.
Maria Ferreira, 59 anos, Arruda dos Vinhos
Desafio nº 175 ― ritmo do texto predefinido

Margarida Leite ― desafio 175


A falta de tempo
Podia ter sido a melhor mãe do mundo. Afinal, sempre teve tudo: dinheiro, saúde e amor. Seria isso o suficiente para tarefa tão difícil? Depois de todos estes anos, sabia que não.
Podia ter passado menos horas naquele amargo escritório. Afinal, o dinheiro não lhe trouxe a felicidade! Seria muito melhor ter passado tempo com ela. Depois, lembrava-se dos seus pedidos para a abraçar…
Agora, inconformada, chorava a sua perda, com o coração dilacerado de tamanha dor.
Margarida Leite, 49 anos, Cucujães
Desafio nº 175 ― ritmo do texto predefinido

Chica ― desafio 175

Podia tudo tão simples ser, bastaria apenas pouco.
Afinal ela queria apenas poder participar do desafio.
Seria, como sempre, em todos os outros dias
Depois de acordar, ligar o computador e criar

Podia, mas por qual motivo hoje não deu?
Afinal, fiz tudo certinho como nos outros dias.
Seria problema na máquina que novamente pedia férias?
Depois de tantos anos, ele também dela precisava?

Se estivesse cansado como a dona, certamente sim e pronto para pedir "reparos".
Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nº 175 ― ritmo do texto predefinido

Assunção Novais ― desafio 139

Talvez recuar no tempo nos faça pensar:
Nós que outrora brincávamos fora de casa,
Talvez hoje não saibam o que significa.
Nós víamos televisão a preto e branco,
Talvez hoje já poucos se lembrem disso.
Nós que crescemos a apanhar muito sol,
Talvez sim, escapemos aos perigos do ozono.
Nós tínhamos irmãos para guerras e brincadeiras,
Talvez amanhã voltem a nascer mais “rebentos”.
Nós não tínhamos telemóveis, consolas, portáteis, tecnologias,
Talvez contássemos amigos, ao vivo, a cores.
Assunção Novais, Vila Nova de Gaia
Desafio nº 139 ― todas as frases com 7 palavras ― Talvez… + Tu…

Gonçalo F ― desafio 137

O burro acordou muito feliz porque ia encontrar-se com a vaca Mikas. Aquela vaca era o animal de que ele mais gostava.
Na quinta, ele deparou-se com o boi que disse mentiras sobre o burro à vaca e roubou a flor cor-de-rosa que ele lhe ia oferecer. O burro, que já não tinha nada para oferecer à Mikas, deu-lhe o isqueiro do seu pai. Ela não o aceitou, ele desistiu da vida, de tão triste que ficou.
Gonçalo F, 6º D, AE de Ílhavo, Prof Assunção Novais
Desafio nº 137 ― rosa, isqueiro, burro

Assunção Novais ― desafio 137

O nosso querido burro, Ambrósio, descansava à sombrinha quando se aproximou uma borboleta, linda, colorida, esvoaçando sobre as flores do campo, beijando uma bela rosa branca e dançando, voando, indo mais e mais longe, até se perder de vista.
A chama do isqueiro do Sr. José (seu dono) já se aproxima e lembra a Ambrósio que já vai deliciar-se com um belo fardo de feno, antes de se recolher, porque amanhã é um novo dia.
Bons sonhos!
Assunção Novais, Vila Nova de Gaia
Desafio nº 137 ― rosa, isqueiro, burro

António Azevedo ― desafio 12


Estava, na Graça, à espera do elétrico. Mais um dia de trabalho. Em frente ao semáforo alguém tenta ter graça fazendo pantominices. Entro no elétrico e sou parado pelo revisor: “Então isto é assim!? O bilhete? Pensa que a viagem é de graça!? Diga-me lá a sua graça para a multazinha.” Saio cabisbaixo. Não tem graça nenhuma começar assim o dia. Atrasado, tento ir buscar o passe esquecido. E o pior é que ainda estou na Graça!
António Azevedo, 53 anos, Lisboa
Desafio nº 12 – uma palavra que aparece meia-dúzia de vezes, pelo menos

Tomás M ― desafio 137

Era um lindo dia,
eu tinha um grande
quintal,
esse quintal tinha
uma rosa
lindíssima!
No dia seguinte,
cinzento e muito
chuvoso,
a rosa estava
murcha,
muito, muito murcha.
O Sr. José
disse ao
burro,
― Queimaram-na!
Descobriram então 
um isqueiro e…

A coitada da
flor,
já morta,
enterrada,
com um monte
de terra por
cima!
O burro,
ia todos
os dias
visitá-la!
Passaram-se anos,
eles foram
envelhecendo,
até que chegou
o dia em
que também eles morreram!
Tomás M, 6º D, AE de Ílhavo, Prof Assunção Novais
Desafio nº 137 ― rosa, isqueiro, burro

Assunção Novais ― desafio 86

Chico, aos saltos, gritava:
― Nãããooo, a minha sacola não, por favoooor!
A sua vida toda ali guardada. Mas, alguma alma o podia ouvir?
A sacola, qual assombração, subia no ar, fugia, planava, tinha asas… ora cobria o sol, ora rumava ao mar, brincava com o arco-íris!
Com tamanha agitação, choviam cartas por todo o lado, quando por fim o nosso ardina acorda…
Afinal, tudo não passou do imaginário caso passado ao longo de um aflito, infinito sonho.
Assunção Novais, Vila Nova de Gaia
Desafio nº 86 – Chico ardina sem E

Desafio nº 175

Hoje, iremos trabalhar o ritmo do texto. Como? Assim:

Vamos ter uma imposição de palavras a inserir no início de frases com 8 palavras (a obrigatória mais 7). Faremos esta sequência por duas vezes. No fim, sobram 13 palavras livres, para terminarem o texto.

Aqui ficam as que iniciam cada frase:
PODIA    AFINAL    SERIA    DEPOIS
PODIA    AFINAL    SERIA    DEPOIS
+ 13 palavras livres

Eu escrevi assim:
Podia ter sido diferente, se não tivesse visto. Afinal, éramos amigos, acreditaria no que me contasse. Seria estranho, mas eu aceitaria tudo sem zangas. Depois de o ver pagar ao homem, não. Podia vir-me dizer que eu estava enganada, podia. Afinal, eu até nem conhecia o homem, gritou. Seria talvez um chantagista, temi, enfurecendo-o ainda mais. Depois de tantos gritos, ainda me pareceu pior. Pagar-lhe para quê? Trazia-lhe droga? Não. Era o seu padeiro, pagava-lhe o pão…
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 175 ― ritmo do texto predefinido