24/08/19

Theo De Bakkere ― desafio 182

A Branca de Neve
Desde há um ano jaz a Branca de Neve numa cama de rosas encarnadas, achando-se em coma. Uma bruxa megera, que a execrava só por causa da sua formosura esmagadora, oferecera à moça uma maçã venenosa e desencadeara uma praga que porém provocou, em vez de aversão, uma fama enorme sobre sua formosura. Um monarca jovem com um abraço amoroso quebrou a praga. A verdade é que a repercussão da bruxa fendeu-se em cem cacos de peçonhas.
Theo De Bakkere, 67 anos, Antuérpia Bélgica
Desafio nº 182 ― 3 histórias sem i, t, l

Odília Baleiro ― desafio 182

Mancha enorme no mapa mundo abraçada por mares e oceanos. Poderosa fauna: araras, corvos, cangurus, possums, jacarés, cobras, aranhas, kookaburras... Frondosas árvores espessas de braços redondos, curvos e enrugados, por vezes, expressam caras humanas e servem de base às aves.
Ao amanhecer, cores e sons erguem-se no ar, coros agudos e graves em comunhão, que nos acordam e nos afagam.
É hora de andar e provar o famoso barbecue nos parques verdes, verdes...
É ver para crer!
Odília Baleiro, 64 anos, Gold Coast, QLD, Austrália
Desafio nº 182 ― 3 histórias sem i, t, l (em tema livre)

Natalina Marques ― desafio 182

― João, comes a sopa?
― Não quero, quero pão com doce de amora
― Já não há doce de amora, só de pêra. Queres de pêra?
― Não.
― Sabes que não podes acampar, não sabes?
― Não, porquê?
― Chove para a semana que vem.
― Não quero saber, vou na mesma, com a Ana. Vamos banhar-nos na água doce que corre por pedras e árvores frondosas, vamos namorar, passear e nadar. E não és nossa mãe para dar ordens.
― És mesmo casmurro.
Natalina Marques, 60 anos, Palmela
Desafio nº 182 ― 3 histórias sem i, t, l (em tema livre)

22/08/19

Eurídice Rocha ― desafio 39

Foho encantada
Criança tentou tocar-lhe mas  ansião olhou-a nos olhos e paralisou-a. Galinha cacarejava como se fosse sua dona... Jemichia com machadada transformou-a em canja. Habitantes andavam agitados como se céu tivesse caído na cabeça. Nunca ninguém vira objecto tão brilhante... como oiro. Quando  sol lhe reflectia  lançava raios em todas  direções....
Sol derreteu-o ― afinal, era só um ovo de  oa ― coberta ficou foho de chocolate. Física transformou ovo num milagre ― peregrinação anual: Santo Doce Foho Chocolate Sem Fim!
Eurídice Rocha, 53 anos, Dili  (Timor)
Foho (tétum) - Montanha (português)
Desafio n.º 39 história que contém a frase: “Afinal, era só um ovo de  Páscoa”

Maria Silvéria dos Mártires ― desafio 182

As peras são fadas
Uma árvore do meu pomar
Sacode as peras para o chão
E quando as vou apanhar
Choro de pena, de dor e emoção.

Por as ver deveras amachucadas.
Mas em menos de uma hora
Ergo aos céus braços e mãos
Deus manda-me peras às braçadas.

As machucadas renovo-as ponho-as novas.
Quero-as boas não mando nenhuma embora.
São agora como jovens fadas abraçadas.
De cor branca, verde maduras e rosadas.
São doces, ouro puro e não requerem provas.
Maria Silvéria dos Mártires, Lisboa
Desafio nº 182 ― 3 histórias sem i, t, l – versão em texto livre

Maria João Cortês ― desafio 160


FIGUEIRÓ estava em festa. Os FOGUETES não paravam e as cozinheiras iam de FUGIDA atear os FOGAREIROS para assar as febras e corriam FUGAZES para o REFOGADO, não fosse ele queimar-se.
As FAGULHAS saltavam, mas nada havia que pegasse FOGO.
De sobremesa havia uns belos FIGOS moscatel a rebentar de bons, fazendo uma bela FIGURA. As FIGUEIRAS tinham ficado depenadas.
As crianças AFUGENTAVAM as moscas, pois também elas queriam fazer parte da festa.
FUGIAM, mas logo voltavam.
Maria João Cortês, 75 anos, Lisboa
Desafio nº 160 – plvrs com FAG, FIG, FOG, FUG

Alda Gonçalves ― desafio 182


Febre e Varvarruga agora concorreram aos óscares da peugada. Para ganhar o esforço será enorme. No percurso apareceu o Pepe vagaroso. A Varvarruga na conversa com Pepe, esqueceu de chegar a horas ao concurso. Febre nas suas pegadas pesadas, andou, andou sempre sem parar. E para seu grande horror o medo varreu-se. Ganha quem é audaz, pensou ao chegar ao desfecho e ver no fecho a Varvarruga e o Pepe a beber cerveja na sombra da cabana. 
Alda Gonçalves, 51 anos, Porto
Desafio nº 182 ― 3 histórias sem i, t, l

20/08/19

Desafio nº 182

Agosto está a meio e eu vou acabar com a vossa paciência… Sim, uma ideia diabólica.

Que versão em 77 palavras conta uma destas histórias sem usar o I, o T e o L?

Pode ser: Branca de Neve ou Tartaruga e lebre (com outras personagens) ou Cinderela.
Preparados? Claro que sim!

Para não estarem sozinhos a dar voltas à cabeça, eu fiz assim:
Candereza chorava: não poder mover-se para o sarau do monarca pareceu, e bem, uma ofensa. As megeras abonecavam-se com esmero, achando-se com chances de ganhar o coração do jovem. Foram embora. Num sopro de anjo, apareceu a fada dos desejos. Fez de Candereza uma formosura capaz de convencer o jovem monarca. Mas a jovem pôs-se em fuga sem razão, desprendendo uma concha. O monarca procurou-a sem descanso. Recuperou-a, casou-se sem demora. As megeras nunca perdoaram a cena…
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa

Desafio nº 182 ― 3 histórias sem i, t, l

19/08/19

Maria João Cortês ― desafio 167

Cheguei ao nascer do sol ao alto da montanha. Eram sete da manhã.
Que espetáculo! Os cumes todos cobertos de neve em pleno Agosto, e a temperatura a rondar os cinco graus. Fazia mesmo frio ali.
As pessoas começaram a chegar. Estávamos ali reunidos para uma aula de Yoga. O professor queria mostrar-nos que o poder da respiração aqueceria de tal forma o nosso corpo que acabaríamos a aula em calção ou t-shirt ligeira.
E assim aconteceu.
Maria João Cortês, 75 anos, Lisboa
Desafio nº 167 ― «chego ao nascer do sol»

Maria João Cortês ― desafio 145


O dia começou quando te vi pela primeira vez. Até lá sentia-me um patinho feio e não me atrevia sequer a olhar para quem quer que fosse.
Tu viste qualquer coisa em mim que te agradou e não descansaste enquanto não meteste conversa.
A partir desse dia não me largaste mais e andámos juntos durante algum tempo.
Mas o que é bom acaba depressa.
A noite começou quando te encontrei embevecido com outra mulher.
Nem queria acreditar.
Maria João Cortês, 75 anos, Lisboa
Desafio nº 145 ― o dia/noite começou quando…

Eurídice Rocha ― desafio 38

Em Timor
Descobri neste mundo novo sentir, reforçada força!
De pé, descrente, obriguei-me ripostar negro destino.
Pisei em unguento de São Fiacre*, rochedos, espinhos ferozes rumo ao Norte…
Cravo semente entra na terra rebentando luz a emergir ― revolto fogo de arcadorado ―. Novo folgo, pulmão velho, transforma sangue, luta e resistência. Vendaval no peito guia futuro bem presente… afronta velha ordem, caça novos sonhos, eternos desejos.
Movimento circular leva e traz antiga dor… caminho achado dilui-a neste novo sentido.
Eurídice Rocha, 53 anos, Ermera (Timor)
Desafio nº 38 – partindo de uma frase, utilizar os pares de letras desta para o texto
*Unguento de São Fiacre – barro e bosta amassados para vedar os golpes feitos nas árvores (fonte: https://dicionario.priberam.org)

18/08/19

Helena Rosinha ― desafio 49

Agosto
Partimos de madrugada ― as quatro, tenda e mochilas ― no velho VW do pai da Susana. Após revisão completa, o carocha ficou impecável, como novo!
Susana conduzia concentrada, nós galhofávamos.
Um solavanco repentino, uma roda a passar ao nosso lado ― Susana guinou para a direita, travou a fundo. Fora do carro, constatámos que faltava uma das rodas traseiras; vimo-la mais adiante, ultrapassara-nos! 
Porcas encontradas, roda colocada por um camionista prestável, seguimos viagem com mais uma história para contar.
Helena Rosinha, 66 anos, Vila Franca de Xira 
Desafio nº 49 – história louca de férias!

Graça Pinto ― desafio 181

O sol timidamente empurrou as nuvens fazendo exibir todo o seu esplendor, contudo, num golpe atrevido, grãos de areia soprados pelo vento fustigaram-me a visão de um lavar de alma sobre um imenso mar azul.
A leitura de final de tarde teria de ficar adiada.
Bem que a minha amiga avisou: ...”A ilha verde é o fim da picada.
Amanhã irei ao ilhéu, levando no farnel aquelas queijadinhas típicas, com um creme de fazer lamber os beiços.
Graça Pinto, 61 anos, Almada
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Isabel Lopo ― desafio 181


O SOL queimava-lhe o corpo, o coração. A AREIA grossa magoava-lhe os pés nus. Fugia daquela terra maldita. ”O MAR levava as pessoas para longe”, LERA um dia. Deixava a terra, os AMIGOS, a vida destruída. Fora o fim da PICADA, perdera a cabeça e matara quem lhe roubara a mulher...
Fugia de si próprio, carregando o FARNEL que a Mãe apiedada lhe arranjara. No fundo, o CREME das queimaduras. Mas a honra, essa já ia queimada...
Isabel Lopo, Algarve
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Ana Rita Nápoles ― desafio 181

Ao nascer do sol, um grão de areia fui encontrar.
Era diferente de todos os outros tive mesmo de o guardar.
Com o mar diante de mim precisei de o lançar
Tinha um desejo guardado
Prontinho a se realizar.
Na leitura das marés um amigo descobri
Vinha picado na crista da onda com um farnel preparado para mim.
Foi uma tarde maravilhosa difícil de imaginar
A conversa fluiu
Com o creme da bola de Berlim a saltar.
Ana Rita Nápoles, 35 anos, Torres Vedras  
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Alda Gonçalves ― desafio 181

Pelas ravinas do Douro
O sol ardente queimava nas costas e o balde da areia pesava toneladas. Naquele mar verde onde os cachos de uvas brilhavam na folhagem, em contraste com o céu azul. Esforço válido. 
Lá em cima era um paraíso para a leitura na hora da sesta do amigo. Aos noventa tudo se perdoa, dizia ele. 
Andar naquela picada onde ao redor apenas se vislumbravam vinhedos, convidava a esmerar no farnel. Iguarias únicas onde não faltaria o leite creme. 
Alda Gonçalves, 51 anos, Porto
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Ana Paula Oliveira ― desafio 181


A aldeia tem muito sol e, embora não tenha areia nem mar, atrai turistas, os poucos que se querem sentir perdidos na direção da paz.
É o local ideal para ler ou passear com um amigo especial ao longo das ruas empedradas ou do silencioso rio. Aqui nada importa. Nem as possíveis picadas das abelhas que rondam o farnel, atraídas pelo convidativo leite creme.
A luz realça o aveludado das rosas dos jardins. E tudo é suavidade!
Ana Paula Oliveira, 58 anos, S. João da Madeira
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

15/08/19

Margarida Leite ― desafio 52


MOMENTOS
Que cansaço…
Não aquele de quem carrega uma botija de gás por uma montanha de escadas. Não.
Aquele que nos impede de sorrir nos sonhos; de vibrar com o ruído da multidão a cantar Xutos & Pontapés; de dançar aquela música agarradinhos, como quando éramos putos com estilo.
Talvez ajudasse um ombro, para pousar pensamentos sem vida.
Ou uma mão quentinha, para aquecer o coração com ternura.
Mas restava somente a solidão e o som do silêncio…
Margarida Leite, 50 anos, Cucujães
Desafio nº 52 – uma história com música, ruído e silêncio

Helena Rosinha ― desafio 60

Procuraram-no pelo parque, alargaram depois as buscas aos campos vizinhos, contornaram vedações, saltaram valas, utilizaram cães. Do músico nem sinal. Tiveram então conhecimento de que, numa aldeia afastada, o novo organista tocava dia e noite sem cessar. Montaram guarda à igreja e, no momento apropriado, abordaram-no, perguntaram-lhe o nome. Ele, apreensivo, ergueu o braço, mostrando a pulseira da clínica com a identificação rasgada ao meio:
 “Agora sou apenas Sebastião, o meu apelido ficou preso no arame farpado.” 
Helena Rosinha, 66 anos, Vila Franca de Xira 
Desafio nº 60 – apelido preso no arame farpado (frase obrigatória)

Margarida Leite ― desafio 181

O PIQUENIQUE
D. Luisinha tomou um calmante, que o dia ia ser muito difícil. Maldito piquenique! Nada de sol ou areia no corpo. Iam para longe do mar. À sombra, tencionava dedicar-se à leitura. A amiga levava a manta e o spray para as picadas da bicharada! Ela, que só come dieta, preparou um farnel invejável: croquetes e bolos com creme caseiro. Mas alguém levou champanhe fresquinho. D. Luisinha bebeu o primeiro gole, o segundo… e foi só galhofar!
Margarida Leite, 50 anos, Cucujães
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Rosélia Bezerra ― desafio 181


Nos dias de sol, saio a passear, devorando com os olhos, toda beleza da criação. Pela areia, ponho-me serena depois de agradecer a Deus pelo mar de bênçãos. Após percorrer os quilômetros da ida, paro num banco do calçadão para fazer alguma leitura.
Anteontem, não fosse o amigo salva-vidas alertar-me, quase fui picada por abelhas numa lixeira, no calçadão, mudei rumo. Sempre levo meu farnel, normalmente água e maçã.
Renovo, muito feliz, meu creme de protetor solar.
Rosélia Bezerra, 64 anos, ES, Brasil
Mais textos aqui: www.escritosdalma.com.br
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

14/08/19

Isabel Sousa ― desafio 181


Teresa caminhava ao ritmo do Sol, que despertava no horizonte. O seu coração, sem areia, mergulhava num mar de afetos.
As leituras incentivavam Teresa ao deleite dos sentidos ― a brisa serrana insistia na presença do amigo António.
Estranhou uma dor aguda ― seria António com as suas brincadeiras?
― Uma picada de inseto! ― exclamou tristemente.  
farnel e o creme protetor haviam ficado na bagageira ― equacionou voltar.
Não, nem pensar!  António perseguira-a, banhando-lhe a alma num mar de luz.
Isabel Sousa, 38 anos, Lisboa  
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

13/08/19

Helena Rosinha ― desafio 181


Sol dum raio!”  Encandeado, o taxista pragueja, os pneus a derrapar no chão de areia. “Daqui prá frente só a pé.”  
Sigo um mar de gente com sacos, cestas repletas de livros: vai tudo participar no festival de leitura. Mas que caminho! Demasiado tarde para aceitar conselho amigo: “O acesso parece uma picada, leva sapatos práticos… e farnel.” 
Eu, de stilettos, desequilibro-me, aperto a pochette contra mim ― tchaak! Agora, nem o triângulo de queijo creme se aproveita.
Helena Rosinha, 66 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

António Azevedo ― desafio 31


Assustou-se ao ver o resultado da conta. Não estava à espera daquele valor. Tem de fazer a prova dos nove para confirmar. Várias vezes detetou erros nas suas contas com aquele método. Bendito seja quem descobriu aquele sistema para validar as operações aritméticas. Não gostava de calculadoras. Insistia em fazer as contas à mão. Queria continuar a dar uso ao cérebro. Eram simples somas e subtrações, não cálculos de engenharia. Noves fora nada. A conta está certa.

António Azevedo, 54 anos, Lisboa
Desafio nº 31 um conto com matemática…

Isabel Lopo ― desafio 180

A CERTA DISTÂNCIA, OLHO ESTE DESENHO ONDE TAMBÉM EU ESTOU. Faço parte dele como espectador e como protagonista. Parece uma fotografia em tons de sépia que me faz viajar no tempo. Nada tem retorno, mas a recordação do momento vivo-a como se fosse agora... Não os reconheço. São fantasmas que povoaram o meu passado. Mas olhando para ti, sei que não enlouqueci. És o mesmo que um dia me partiu o coração. Sem hesitar, rasgo o desenho...
Isabel Lopo, Algarve

Contos de Eva Luna, Isabel Allende
Desafio nº 180 ― 10 palavras do livro que estamos a ler

Natalina Marques ― desafio 181

O SOL escaldava, queimava-lhe as têmporas.
A AREIA grossa do caminho que a levava ao MAR imenso de trigo para ceifar, não ajudava na caminhada. A LEITURA desse dia teria que esperar, assim como a visita ao castelo com a Ângela, AMIGA de longa data.
Mas não se importava, as PICADAS dos mosquitos tinham-na desfigurado. Agora só queria comer o FARNEL, ir para casa e besuntar-se com CREME, adormecer e sonhar que um castelo tinha ido visitar.
Natalina Marques, 60 anos, Palmela
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Theo De Bakkere ― desafio 181

Bolinhos
Ele nunca se importava, quer chova ou faça sol, de natureza preguiçosa, não gostava de acordar .De facto, seria escrever na areia, se alguém tentasse acordá-lo antes do meio-dia. Ninguém passaria bem, nem tanto ao mar nem tanto à terra. Salvo o rádio despertador, nem um amigo dele causaria alguma vez, por erro na leitura, tanto barulho que reagisse bastante picado. Zangado, lançaria qualquer objeto, mesmo um farnel com inocentes bolinhos de creme, acabaria ingloriamente no chão.
Theo De Bakkere, 67 anos, Antuérpia-Bélgica
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

12/08/19

Maria Silvéria ― desafio 181

Mar de Vento
Sol cintilante irradiando pequenos grãos de Areia num imenso Mar de vento que leva tudo pelo ar. Dificultando a Leitura com os Amigos pois as páginas Picadas por uma bruma, que apaga as letras; estas sumiam não só tornando este gosto cultural impossível como também não deixa ver o Farnel que tinham preparado com muito prazer, e muito desejavam saborear assim como o Creme de manga que só de pensarem nele lhes faz crescer água na boca.
Maria Silvéria doa Mártires, 72 anos, Lisboa
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Paula Castanheira ― desafio 181


Protegeu-se do sol que lhe violentava os olhos. Da noite dormida aos solavancos, trouxera a aflição de ser enterrada viva, em areias movediças.
Matilde entregara-se àqueles beijos que julgou de ocasião e mergulhou num mar de problemas.
Fez leitura errada.
Ele apaixonado e amigo.
Ela a deixar-se picar com o veneno letal da mentira.
Um farnel pesado, que lhe vergava a vontade de viver.
Procurou consolo no pelo creme e macio de Tobias, mas só conseguiu chorar!
Paula Castanheira, 55 anos, Massamá
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Odília Baleiro ― desafio 181

Anoitecia no oriente. O sol deslizava para o outro lado do mundo, vestindo cores laranja, vermelho, azul, pincelando a areia e o mar do imenso Pacífico. Lindo quadro, se fosse pintora... Cenário próprio para a meditação. A leitura ficaria para outra hora, junto dum amigo, um bom livro. Era a hora do mosquito e as picadas já deixavam marcas. Agarrei no farnel, quando vi o creme do queijo da Tasmânia a escorrer dentro do meu saco favorito. 
Odília Baleiro, 64 anos, Gold Coast, Austrália 
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Carlos Rodrigues ― desafio 181


O dia tinha amanhecido com sol. Da minha janela via aquela obra interminável, que levantava uma areia infinita, um mar de grãos que procuravam um lugar para se infiltrar.
Ia tomar café na esplanada ao lado de casa, ler um pouco e estar com amigos. Agora não dava. Ainda por cima as abelhas que adoram este ambiente. Picaram-me. A minha carne era um farnel para elas. E só o creme que tinha posto me acalmava a comichão.
Carlos Rodrigues, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

10/08/19

Desafio nº 181

Está muita gente de férias, outros já foram, outros ainda esperam ir.
Ora, que história sem qualquer relação com praia, obedece a estas palavras (que podem ser adaptadas)?

Atenção ― não pode ser uma história de praia e tem de ser respeitada a ordem destas palavras:
SOLAREIAMARLEITURA ― 
AMIGO/A PICADA FARNEL CREME

Fiz a minha assim:
O sol desaparecera. Só um gafanhoto burro, com cabeça de areia, acharia bem levar a namoradinha para aquele mar de erva. Ela depressa se assustou. Dissera-lhe a aranha, lendo-lhe a sina, que o futuro seria sombrio, sem amigos. Foi o fim da picada para o gafanhoto. Saltou ao seu lado, tentando sossegá-la, mas aterraram mesmo em cima do pão dum farnel abandonado. Ah, ela gostou! O creme da bola-de-Berlim, fê-la suspirar. Afinal, talvez não fosse tão burro.
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Chica ― desafio 181

Sentado ao sol para tentar descansar olhos que pelo sono pareciam areia ter, não podia esquecer o mar de trabalho que o esperava.
leitura de processos imensos e inúmeros estava acumulada e pensava só com ajuda de amigos seria cumprida.
Mas o sono? Cada vez maior! Parecia haver ganhado picada da mosca do sono!
Fazer o quê? Abriu seu farnel e deliciou-se com o lanche preparado pela sua mãe que hoje caprichara no creme do sanduíche!!!
Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nº 181 ― sequência imposta sem praia

Helena Rosinha ― desafio

Mal amanhece, Jocelina senta-se na soleira, caneca de café numa mão, a outra sacudindo da saia migalhas de pão imaginárias. Dali, assiste ao movimento diário de aviões, imune ao ruído ensurdecedor que atroa os ares, os olhos velados pela Sodade ― da ilha, do silêncio das madrugadas, do cheiro, da música do mar. Regressar para quê? Correu tempo, já não pertence lá, tampouco pertence a esta terra. É só uma velha no bairro de barracas junto ao aeroporto.
Helena Rosinha, 66 anos, Vila Franca de Xira 
Desafio nº 52 – uma história com música, ruído e silêncio

Paula Castanheira ― desafio 180


A vida era um lugar tão escuro e denso, que parecia até que lhe tinham arrancado à dentada, a oportunidade de ser feliz!
Naquele quarto que lhe era completamente estranho, onde se encontrava Pilar iletrada, mas muito apaixonada, Benilde escrevia a pedido, mais uma carta romântica, para um tal António.
O rapaz foi-se rendendo às missivas que recebia. Um dia quis conhecer a verdadeira autora e despedaçou o coração de Pilar.
Benilde e António casariam em 1963!
<<…quarto, que lhe era completamente estranho, onde se encontrava Pilar…>> Cem anos de solidão Gabriel García Marquez
Paula Castanheira, 55 anos, Massamá
Desafio nº 180 ― 10 palavras do livro que estamos a ler

Glória Vilbro ― desafio 180

Por vezes fica-se com a noção de que os seres humanos são especialistas em errar… Teimam em manter resoluções que sabem de antemão não serem as melhores. Receiam descobrir novos horizontes. Na verdade as pessoas têm muitas dificuldades em libertar-se do sofrimento. Devido provavelmente a um certo prazer doentio em esgravatar as próprias feridas, a maioria de nós insiste em soluções desastrosas. Como se deitar sal nas chagas ajudasse a cicatrizar mais depressa. Esperamos talvez um milagre…
“As pessoas têm muitas dificuldades em libertar-se do sofrimento. Devido…” citação de Thich Nhat Hanh, em “Cure os seus medos”, de Lissa Rankin
Glória Vilbro, 50 anos, Negrais, Almargem do Bispo - Sintra
Desafio nº 180 ― 10 palavras do livro que estamos a ler

Graça Pinto ― desafio 180


Nada no mundo se poderá comparar ao riso de minha mãe. Simples, rasgado, sem cobranças. Um riso autêntico que me fazia mergulhar nas profundezas do ser, acalentando-me a alma.
As recordações daquela outra vida, as memórias que como résteas continuam coladas à pele, invadindo, molhando insistentemente meus olhos.
Dizem que o tempo é o melhor remédio para curar dores da alma. Mas ele insiste, ingrato, não precisando de relógio, mostrando que um capitulo da minha vida encerrou.
Frase do livro “Ave de mau agoiro”, de Camilla Lackberg, pág.191
Graça Pinto, 61 anos, Almada
Desafio nº 180 ― 10 palavras do livro que estamos a ler

Elsa Alves ― desafio 180


Virgínia deteve o olhar mortiço na face árida da amiga.
Tratava-se de uma aridez aparente, uma máscara escondendo um dom magnífico: uma voz que lhe fora concedida para alegrar homens e mulheres comuns.
Às vezes, Virgínia pedia-lhe que cantasse e ela trauteava uma qualquer ária antiga. Era o suficiente para que Virgínia subisse ao céu.
Tinham-na visto deambulando na margem do rio a trautear uma qualquer ária antiga, mas ninguém a vira mergulhar nas profundas águas lodosas.
Elsa Alves, 71 anos, Vila Franca de Xira
Frase de Lygia Fagundes Telles,"Ciranda de Pedra"
Desafio nº 180 ― 10 palavras do livro que estamos a ler

António Azevedo ― desafio 30

Bom dia”, disse, ao chegar, com a certeza de
saber aquilo que estava à sua espera. Hoje
é o dia em que vai assumir
o seu novo posto. O que teve de
calar para ali chegar! De fazer de conta e,
até, de idiota. Mas isso acabou! Agora vai
ser fiel às suas convicções. É
tempo de agir, de mudar. Chegou a altura
de renovar aquele local. De todos poderem
falar e contribuir com as suas opiniões.
António Azevedo, 54 anos, Lisboa
Desafio nº 30 – provérbio à esquerda na folha imposto

06/08/19

Helena Rosinha ― desafio 122


“Ruim, és mesmo ruim!” 
O comentário foi repetido, ouvido até à exaustão. Era mázinha, concedo! Das partidas mais inocentes, às atrocidades cometidas contra minhocas, lagartixas, rãs, tudo aprontei. Um dia, a curiosidade por insectos levou-me a mergulhar um mosquito no leite da minha irmã para “observação e registo”. Castigaram-me, mas não abandonei as experiências. 
Hoje, recebo o diploma de Entomologista, em sessão solene. Vejo a família orgulhosa, na primeira fila, e sinto-me redimida da ruindade de infância.
Helena Rosinha, 66 anos, Vila Franca de Xira.
Desafio nº 122 ― um mosquito no leite

Mariete Silva ― desafio 27

Três irmãos ursinhos  queriam brincar!
― Procuramos uma grande árvore, uma tábua, fazemos um balancé e andamos, não há sol que entre connosco ― disse o primeiro.
― Se tivéssemos um cavalo, podíamos ir a galope à praia, onde corre ar fresco e saudável – disse o segundo.
O terceiro ursinho declarou:
― Não temos cavalo, nem árvore, nem tábua. Regressamos, evitamos assim queimaduras solares, e deliciamo-nos com favos de mel! Ah, e lembrem-se como a mãe adora estes dias solarengos.
Mariete Silva, 64 anos, Beja
Desafio nº 27 – palavras que crescem (em anagrama)

Mariete Silva ― desafio 76


Luís sentia-se bem sem nada fazer ― preguiça! Chegada a idade adulta, andava sempre triste, as amizades eram apenas imaginárias. A família pediu-lhe para ir trabalhar. Precisavam de rapazes na “Quinta das Aves“, para lá se dirigiu, sim, trabalhar…
Vivia lá uma linda rapariga muda, fazê-la rir permitia-lhe ficar curada!?
Viu, Luís, segurava na cabeça uma zebra… saudável e alta gargalhada surgiu na quinta!
A família da rapariga, agradecida, já vislumbrava visitas, saídas e até um final feliz…
Mariete Silva, 64 anos, Beja
Desafio nº 76 – escrever sem a letra O

Ana Paula Oliveira ― desafio 180


Luís Gustavo está em casa, sentado em frente ao televisor. O comando, distraído, passeia pelos canais, mas ele nada vê.
Até que a cena de sexo o desperta. A atriz é uma mulher sensual, nela vê Daniela. Sente os seus cabelos compridos e as pernas longas a enredarem-se nele. As mãos macias percorrem-lhe o corpo. Estremece. Regressa ao torpor. O aparelho faz-lhe companhia, a única, desde que Daniela o deixou, sentado frente ao televisor, comando nas mãos.
Ana Paula Oliveira, 58 anos, S. João da Madeira
Frase do livro O pianista de hotel, de Rodrigo Guedes de Carvalho, pág.449
Desafio nº 180 ― 10 palavras do livro que estamos a ler

04/08/19

Ana Paula Oliveira ― desafio 180


Caminhava como um autómato, cabeça longe, as pernas conduziam-na ao acaso. Uma tontura súbita fê-la encostar-se à parede. Preparava-se para continuar quando
― Precisa de ajuda?
Maria Luísa não ouve à primeira. Andou uns metros e parou. Só então se apercebeu que alguém lhe falava. Não estava habituada a que fossem gentis com ela, muito menos que lhe oferecessem ajuda.
― Precisa de ajuda?
Sim, precisava. Há meses que calcorreava a cidade, procurava emprego. Teria algum para lhe oferecer?
Ana Paula Oliveira, 58 anos, S. João da Madeira
Desafio nº 180 ― 10 palavras do livro que estamos a ler
Frase do livro O pianista de hotel, de Rodrigo Guedes de Carvalho

Natalina Marques ― desafio 180


Depois de uma feia discussão, saiu de casa, com o rosto desfigurado pela dor da descoberta da verdade, era cruel demais saborear o amargo da traição.
SEGUIU-SE UM MOMENTO DE SILÊNCIO. CONSEGUIA IMAGINÁ-LO NUM QUARTO DE uma pensão barata na beira da estrada.
Os remorsos e o arrependimento turvaram-lhe o pensamento, corroíam-lhe a alma, soube então que ainda o amava.
Teria de arranjar uma maneira de amenizar aquele sofrimento e obter o seu perdão. Será que conseguia?
Natalina Marques, 60 anos, Palmela
MORTE SEM TESTMUNHAS, de ELIZABETH GEORGE
Desafio nº 180 ― 10 palavras do livro que estamos a ler

António Azevedo ― desafio 29


Neste momento do ano há uma imagem que, sempre, lhe assalta o espírito: a mudança de pele de uma cobra. Em pensamento, vê o lento contorcionismo do réptil enquanto se liberta da pele que já não serve para começar a desgastar uma completamente nova. Não sabe explicar por que vê, nesse facto, uma excelente metáfora do momento que está prestes a acontecer. Com os olhos postos no relógio escuta o estouro da rolha: o Novo Ano chegou!
António Azevedo, 54 anos, Lisboa
Desafios nº 29 – Passagem de Ano

Mariete Silva ― desafio 180

Isabel ruma à capital para estudar na faculdade. As praxes da Faculdade de Economia e Gestão eram secretas! Receava os rituais de integração; as humilhações praticadas!?
Não tinha safa, se queria integrar o grupo, sociabilizar! Veste roupa folgada onde esconde sacos com pétalas!
Atmosferas de farra, de música, bebiam pelo gargalo das garrafas, caras e cabelos pintados, roupas rasgadas!
Então, Isabel lança milhares de pétalas para o ar! Grita: DIÁLOGO,TOLERÂNCIA…
Os caloiros Batem Palmas, os veteranos Sorriem!
Mariete Silva, 64 anos, Beja
«As praxes da Faculdade de Economia e Gestão eram secretas», Uma Gaiola de Ouro - Camila Läckberg
Desafio nº 180 ― 10 palavras do livro que estamos a ler