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23/06/20

HN ― desafio 120

Numa manhã de domingo, saí à rua para ir passear o meu cão Domingos. Mas, nem acreditam no que aconteceu. O meu cão puxou-me com tanta energia que cai pela escada abaixo.
Fiquei magoada. “Uma queda enorme!”, disse a minha mãe quando olhou pela escada do nosso 3º andar. Deslocou-se até casa e chamou a ambulância. O Domingos preocupado, lambeu a entorse da menina, com muito cuidado.
Passado um tempo, a menina desceu as escadas com cuidado."
HN, 11 anos, Lisboa
Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F

24/01/18

Ana Pegado ― desafio 120

Seria capaz? Não sabia, nunca tinha seguido por ali. Os arbustos eram densos, com muitas mimosas, algumas plantas de alecrim e bastantes azinheiras. As bolotas no chão eram poucas, indício de que os animais teriam passado ali recentemente. Seriam porcos, coelhos, esquilos? Podiam ser, mas não conseguia distinguir as pegadas no solo. Decidiu continuar. Olhou para o céu e a escuridão era mais densa do que anteriormente. Temia o que iria acontecer mas agora não podia parar.
Ana Pegado, 31 anos, Lisboa
Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F


11/12/17

Elsa Alves ― desafio 120

No passado, ele insistira num percurso sem regresso; considerara o mundo seu e para sempre. Era o seu desejo. Contudo, algo existia escondido nas entrelinhas, mostrando que a estrada que seguia também continha atalhos que poderiam conduzir ao desejado destino. Tomou então uma decisão: apanhar outro caminho de regresso, outro que não o de antes, um que indicasse um outro rumo. Aos seus lamentos deu contorno nítido. Descobrindo outra maneira de regressar, reencontrou igualmente a sua história.
Elsa Alves, 69 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F


04/12/17

Margarida Freire ― desafio 124

Quando aceitara aquele Trabalho, achara que tudo iria correr bem. Contudo, isso não acontecera. A Equipa não permanecera coesa, abalada na sua estrutura. Tinha agora de assumir todas as responsabilidades. Percebeu que tomara decisões erradas
Porque acreditara tanto naquele sujeito… Porquê? Grande traste lhe saíra!
Tudo iria mudar a partir de amanhã. À sua espera, um outro desafio. Recomeçaria com o novo projecto, tentando não repetir erros, claro!
No céu, o arco-íris sorria-lhe. Tudo ia correr bem!
Margarida Freire, 75 anos, Moita
Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F


27/11/17

Simão Narciso ― desafio 120

Numa noite de tempestade, o Simão ia para casa, quando se deparou com um leão perdido, do seu rochedo grande e rijo.
O leão tinha medo, que a sua mãe lhe ralhasse por estar perdido na perigosa serra, então o menino como tinha bom coração ajudou-o e percorreram juntos a serra até chegarem à parte mais montanhosa onde o leão morava.
Depois o menino retomou o caminho para casa.
Quando chegou, entrou em casa e deitou-se cansado.
Simão Narciso, 4º anos, 9 anos, Porto de Mós
Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F


01/11/17

Carlos Rodrigues ― desafio 120

Numa estação de comboios, deserta, encontrei uma rapariga só, que ia puxando uma pequena mala pela mão até ao local onde era suposto parar o seu transporte para um mundo que perseguia incessantemente.
Lá longe, na cidade das luzes, sentia que ia encontrar o amor e deixar para trás um tempo que não queria recordar. Tudo tinha sido tão mau!
Começou a estar escuro. Era perto do Natal.
Partiu, com tanta luz a iluminá-la por este caminho.
Carlos Rodrigues, 59 anos, Lisboa
Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F


20/10/17

Isabel Lopo – desafio 120

Encarcerada neste pequeno mundo onde tudo era rotina, já nada era emoção, nem mesmo tu, parti… Percorri estradas, desertos onde o som era silêncio, respirei o cheiro do capim, perdi-me por entre as cores exóticas de terras longínquas....
Um dia acordei com o coração dorido. Bastou o sábio curandeiro olhar-me nos olhos para descobrir que o meu mal eram saudades...
Chegada a hora do regresso, caminhei entre o deslumbre de um reencontro e o medo do abandono!
Isabel Lopo, 71 anos, Lisboa
Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F


14/09/17

Fernanda Botelho - desafio nº 120

Reencontrou o seu caminho. De tempestade em tempestade, o trilho aparecia e desaparecia diante dos seus olhos incrédulos e da alma alucinada pela pressa dos dias.
Corria, serpenteando o tempo demasiado curto, demasiado misterioso. Demasiado, demasiado… tempo
Perdera-se sem jamais se ter encontrado, seguia um caminho sinuoso entre neblinas e incertezas.
Agora, sentia estranhos murmúrios, ecos, sons no seu peito, na sua pele… algo lhe dizia que o caminho era aquele, saberia segui-lo até à próxima tempestade?
Fernanda Botelho, 58 anos, Sintra 
Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F


31/08/17

Quita Miguel ― desafio nº 120

Coragem para mudar
– Muito bem – concluiu Florêncio, olhando-se ao espelho e jurando mudar de vida.
A doença que lhe fora diagnosticada, mostrava como havia desperdiçado a vida. Há mais de 30 anos que fazia o que odiava, convivia com quem não lhe interessava e calava muitas das verdades que queria gritar.
Colocou o boné e enfrentou o sol quente do Alentejo, em busca do barro que a sua criatividade iria moldar.
Quanto tempo iria viver? Não sabia, mas seria feliz.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais
Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F
Faça aqui o download do conto «Sonho Esventrado» 

24/08/17

Maria do Céu Ferreira ― desafio nº 120

Destino
Relâmpagos e estalidos,
Clarões na rua deserta,
Céu negro, alguns gemidos,
Mas nenhuma porta aberta…

Perdera rumo e Norte,
O carro na enxurrada,
Já não tinha passaporte,
Parecia uma emboscada!...

Até que algo o tocou
No meio da escuridão,
Um raio que aclarou,
Alguém que estendeu a mão…

Era o seu petiz querido,
Arrastado pelo chão…
E aquele baque e gemido
Tocaram-lhe o coração…

Ia entregar o menino,
Raptado com ousadia,
Tempestade no destino
Aplacou-lhe a rebeldia…
Maria do Céu Ferreira, 62 anos, Amarante

Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F

30/07/17

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 120

A tempestade passada ocorreu por causas passionais. Reencontrei o meu caminho junto de ti; tornaste-te o meu herói.
Eu pensei que nunca mais acreditaria no amor, mas, graças a ti, não perdi a esperança de conseguir combater os tumultos da existência.
Sei que nos momentos doces estarás comigo e que nas tempestades agrestes também poderei sentir a tua mão enlaçada na minha para me encorajares a encarar os perigos e tormentas.
Obrigado, amor, por seres quem és!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F

15/07/17

Celina Silva Pereira ― desafio nº 120

A sala de aula
Licenciara-se no início da segunda dezena de anos na sua cidade. Na pressa de conseguir uma colocação, terminara obtendo um dos primeiros lugares de um concurso e trabalhara mais dois decênios numa área estranha, com processos e documentos.
Terminara essa jornada, já há cinco meses em casa. Lendo as notícias, encontrou outra oportunidade, agora para mestra. Decidiu participar e retornar para a carreira sequer iniciada. Lendo algumas apostilas, recordou lições passadas. Assim reencontrou a sala de aula.
Celina Silva Pereira, 67 anos, Brasília, Brasil

Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F

13/07/17

Amélia Meireles ― desafio nº 120

Há muito que perdera a razão de existir. Abandonara a alegria de gozar cada dia que surgia no seu destino. O céu enegrecido, prometendo choro, parecia emoldurar o seu estado de alma. Deixou-se ir sem perceber a direção. Calcorreou o trilho que a transportou para o mar e, sem disso dar conta, deixou-se carregar pelo ondular da água. Naquele instante tudo se alterou. No hospital percebeu que o destino lhe dera outra oportunidade. Saberia lograr com isso?
Amélia Meireles, 64 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F

09/07/17

Alda ― desafio nº 120

Vivia num desnorte contínuo. Sonhar faz parte da vida jovem. O apego à escola era a maior desconfiança dos amigos que vivem no desapego constante das relações. Nas férias iria ficar no norte. Uma forma de ganhar a confiança do grupo.
Que chatice quando tudo é medido pelos pais. Ser jovem é ser desmedido, mas os adultos insistem em não aceitar.
Tem graça apenas quando são os pais que sofrem na pele a desgraça de novas adaptações.
Alda, 49 anos, Porto

Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F

08/07/17

Isabel Lopo ― desafio nº 120

Quando os rapazes partiram, sentaram-se em silêncio na sala, que agora lhes parecia sobrar em tamanho...
Ele continuou a trabalhar, sem pressa de regressar a casa. Ela, na sua solidão, perdia-se em recordações...
Uma noite ele não regressou.
Então, ela retomou o mestrado que há muito abandonara.
Tempos depois, à saída das aulas, reconheceu-o. Num gesto impensado, juntou-se a ele. E retomaram o caminho de casa, como sempre o tinham traçado.
Apenas sabiam que esta tempestade serenara.
Isabel Lopo, 71 anos, Lisboa

Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F

Fernanda Costa ― desafio nº 120

Pelo Mundo
Há lugares tórridos, onde a brisa é comprimida pelo suão. Lá, não existem desconhecidos, comunicam em íntimos circuitos, estranhando aqueles que, em sua simplicidade, optam pela entrada. 
Apesar do círculo estar completo, existem rosas ― desabrochando com suas cores e aromas. Crescem contentes, em busca de Luz. São elas que aspiram as lágrimas, destilando-as.
O reencontro com o caminho é incerto, mas pleno. Partimos, experimentando os beijos dos bons, os abraços dos luminosos e a sensatez dos tolerantes. 
Fernanda Costa, 55 anos, Alcobaça

Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F

05/07/17

Theo De Bakkere ― desafio nº 120

Melancolia
Depois de ter suportado muitos anos de melancolia, Joana não podia mais tolerar este caminho de dor. Embora não possuísse pecúlio nem casaco sólido, decidiu-se a regressar no mundo real. Ora, por um instante sentiu-se incerta. No entanto, com a algazarra social e a gentileza das pessoas, o mundo parecia-lhe de repente lindo e Joana nunca mais queria largar essa sensação de tranquilidade dentro de si própria.
Após anos escondidos numa solitária ordem monástica, encontrará seu equilíbrio?
Theo De Bakkere, 65 anos, Antuérpia, Bélgica

Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F

Alda Gonçalves ― desafio nº 120

Céptica, sempre lera que o trabalho é um escape aos problemas. E agora que dizer...
A sair da adolescência, más notas, companhias pouco sãs, pouco apoio.
Trabalhar na loja de roupas não é solução, nem opção. Um dia após outro, o tempo corre. 
Uma SMS de longe, bem longe, diz: queres aparecer por cá uns dias? Descansas e conheces a cidade. Linda! Se te agradar, arranjas cá trabalho. E agora um caminho surge. Há que segui-lo. Emigra.
Alda Gonçalves, 49 anos, Porto

Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F

04/07/17

Manuela Branco ― desafio nº 120

O ser humano nasce com o poder da escolha. Eu nasci com esse dom, mas com algumas anomalias no sistema.
Duas estradas, cinquenta por cento de erro, e eu escolho qual? A errada!
Sina, destino? Não sei, só sei que hoje continuo a tentar encontrar ou reencontrar esse caminho.
Dizem, não olhes para o passado, e eu, olho!
Para quê? Para tentar o outro lado.
Mas, como todos os loucos, sou alegre.
Perdida? Não! Tentando sempre reencontrar-me.

Manuela Branco, 60 anos, Alverca
Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F

Carla Silva ― desafio nº 120

Gumercina e Tibéria
Gumercina olhou-me de lado. Mas eu, Tibéria, não engulo sapos!
― Sua pindérica! Achas-te melhor!?
― Bem melhor que os da tua laia!
― Acaso pensas que te sou algo!?
― Isso querias tu!
― Segurem-me que me dá uma coisa!
E deu! Agarrei-lhe aquele pescoço de galinha, sacudi-a tanto que caiu estatelada no chão.
Ah, mas a Judas arrastou-me junto!
De traseiro no chão começámos a rir como crianças, reencontrando assim a amizade perdida.
Bem, pelo menos, até Gumercina me espicaçar!
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 120 ― reencontrar o caminho sem V nem F