Mostrar mensagens com a etiqueta USAL. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta USAL. Mostrar todas as mensagens

21/08/17

Margarida Fonseca Santos ― escritiva nº 23

Maiorca, sim! Cá em Portugal, sim. Livra, não conhecem? É uma vila, perto da Figueira da Foz, com um paço para visitar, o Paço dos Viscondes de Maiorca, edificado no séc. XVIII, gente simpática, banda e ranchos, passeios para fazer a pé ou de bicicleta, um arroz doce que faz desmaiar qualquer um, uma biblioteca e muitos amigos. É para lá que fujo nos momentos de descanso. É lá que mais escrevo. Maiorca, sim, aqui em Portugal.
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa
Escritiva nº 23 – recomendar um destino, guias de viagem


20/08/17

Escritiva nº 23

Não sei de vocês, mas eu podia bem trabalhar para o Turismo de Portugal, tal é a promoção turística que faço do país. Eu devia receber uma percentagem por cada amigo ou colega que já foi a Portugal depois de ouvir as minhas recomendações, juro-vos que estaria rica! Desconfio bem que às vezes até têm experiências menos positivas, mas não se atrevem a dizê-lo e eu continuo nisto a recomendar Portugal.

Ora bem, o desafio não é recomendar destinos em Portugal, que também pode ser e a gente agradece, mas sim escrever em apenas 77 palavras uma recomendação que dê mesmo vontade de visitar um determinado destino, ir comer a um determinado restaurante, assistir a uma determinada festa ou romaria, ou todo o contrário!

Eu recomendei assim:
Se não quiser ficar a cheirar a sardinha assada e com hálito de caldo verde, não pense pôr aqui os pés. Se gosta pouco de confusões, gente muito alegre munida de martelos e alhos porros, nem sequer perca tempo a fazer as malas. Se tem ouvidos sensíveis, um coração debilitado e colesterol elevado, não arrisque: o fogo de artifício é potente. E se é pouco dado a socializar, o São João não é mesmo festa para si!
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 36 anos, Salamanca
Escritiva nº 23 – recomendar um destino, guias de viagem

21/07/17

Margarida Fonseca Santos ― escritiva nº 22

Era fascinada por agendas. Naqueles tempos, ainda com agendas de papel, trazidas em carteiras ou bolsos dos casacos, não conseguia desviar o olhar quando alguém puxava da sua. Tudo lhe interessava: as cores usadas, a foram de riscar, de apontar, as horas. A única coisa que nunca lhe despertara curiosidade era… o conteúdo. Na sua visão, não prejudicava ninguém. Na dos outros, era uma coscuvilheira. Bisbilhotar a agenda do seu chefe fora um delito grave. E agora?
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa
Escritiva nº 22 ― apanhado em flagrante


20/07/17

Escritiva nº 22

Nunca lhe aconteceu estar parado no trânsito e sentir aquela tentação de “limpar o salão” com jeitinho, para ninguém o ver? E nunca tentou ouvir uma conversa atrás da porta? Não? De certeza? Eu sim!  E o pior não é admiti-lo, o pior é a vergonha que se passa quando somos apanhados em flagrante. Nem sempre é fácil sair do apuro.

Eu resolvi a situação assim:
Fora discreta, esperara até que todos estivessem a dormir, desceu sem fazer ruído, fechou a porta devagarinho, abriu a gaveta, tirou os talheres, um prato e atirou-se à vítima sem piedade. Sem restos que a incriminassem, voltou terrivelmente satisfeita. Dormiu como nunca, sem qualquer remorso, mas a liberdade durou pouco:
 ― Minha menina, estás de castigo! Comeste o bolo todo e não digas que não, porque tens o corpo cheio de borbulhas.
― Oh não, o bolo tinha nozes...
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 36 anos, Salamanca
Escritiva nº 22 ― apanhado em flagrante

09/07/17

Alda ― escritiva nº 21

Adorava fazer caixinha com as amigas. E um dia a tia, sempre bem humorada, ofereceu-lhe uma caixinha linda em madeira, decorada com a técnica decoupage.
Aproveitou para guardar nela a carta que recebera do outro lado do mundo, que lhe trazia uma verdadeira história de encantar, que nem nos livros, encontramos.
Nessa noite, ao serão, jogou a carta trunfo e ganhou pela primeira vez aos irmãos. Confortada pelo jogo, abriu o livro e contou-lhes do seu divórcio.
Alda, 49 anos, Porto
Escritiva nº 21 ― falsos amigos (palavras com vários significados)
Carta (escrita/jogar)
Caixinha (guardar segredo/objeto )

Livro(com folhas/vida)

04/07/17

Quita Miguel ― escritiva nº 18

Temporal
– É impossível dormir com este atchim constante.
– Brrr! Para mim o pior é o frio.
Brrr booom! Os trovões acompanhados pelas batidas metálicas dos espanta espíritos clang!, blém!, blém! davam ao ambiente um ar tétrico.
Wham! bam! A corrente de ar atirou com a porta, que eles nem sabiam que estava aberta.
– Ah! – Um tremor acompanhou o grito.
Ao susto seguiu-se a alegria. He! he! he! eh! eh! O calor da lareira chegava por fim a envolvê-los.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais
Faça aqui o download do conto «Sonho Esventrado» https://www.smashwords.com/books/view/595005

Desafio Escritiva nº 18 ― onomatopeias na história

01/07/17

Carla Silva ― escritiva nº 21

Vai ser bonito
A mudança para Madrid impunha um novo vocabulário. Embora as vizinhas ajudassem como podiam, ainda tinha muito que aprender. Como comprovei esta manhã quando procurava o marco do correio.
Tentando colocar a carta no correio, segui à risca as instruções da vizinha Carmen, mas dei com uma loja de molduras!
E não ficou por aqui! Não imaginam a risada quando disse que tinha polvo para o jantar. Parece que por aqui polvo é ! Não está fácil!
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Escritiva nº 21 ― falsos amigos (palavras com vários significados)

28/06/17

Amélia Meireles ― escritiva nº 21

O rosto denunciava a aflição que ninguém adivinhava. A amiga preocupada questiona se está bem. A resposta pouco esclarece e apenas confunde mais. Estava bem, sim, mas precisava de ir à casinha. A casa de quem queria ela ir? Numa excursão, em regra, visitam-se monumentos e não casinhas… A insistência para clarificar potenciou o desatino da amiga. Qual é o teu problema, preciso de ir à casinha! Rápido ou urino-me toda! Percebi, casinha é quarto de banho!
Amélia Meireles, 64 anos, Ponta Delgada

Escritiva nº 21 ― falsos amigos (palavras com vários significados)

22/06/17

Ana Paula Oliveira ― escritiva nº 21

O meu marido sempre foi duro de ouvido, quer para cantar, quer para línguas estrangeiras.
Fomos de férias para o sul de Espanha e passámos uma noite num hotel, em Sevilha, onde jantámos.
Na hora de pagar, disse-lhe a rececionista:
Tu tienes una cena…
― Cena???? Não houve cena nenhuma. A minha mulher deitou-se e dormiu toda a noite…
― Como asi???
De longe, apercebi-me da atrapalhação de ambos. Às gargalhadas, gritei-lhe:
― O jantar de ontem! É para pagar!
Ana Paula Oliveira, 56 anos, S. João da Madeira

Escritiva nº 21 ― falsos amigos (palavras com vários significados)

Carla Silva ― desafio RS nº 50

Complicações
Desculpa?! A culpa é minha?
― Claro! De quem mais? Tu e essa mania de contar tudo o que ouves! Não viste que se ia complicar?
― Alguém tinha de a desmotivar, fazer-lhe...
― Desmotivar?! Diz antes motivar! Agora está ali a descontar no pobre, quando não devia ligar peva ao que disseste.
― Não disse nada de mais.
― Não?! Parecias uma espingarda com o automático encravado, sem o conseguires desligar
― Admito, errei! E agora?!
― Agora?
― Sim, como descomplicar?
― Perguntas bem.
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Desafio RS nº 50 ― palavras com prefixo des

21/06/17

Margarida Fonseca Santos ― escritiva nº 21

― Ai, que engraçada! ― disse, para dar a entender que era uma fã da chefe.
― Qué dices?!
― Desculpe, desculpe, estava a comentar que gosto muito dessa sua blusa, linda de morrer! Credo, que até fiquei embaraçada…
― Embaraçada?! Tú?!
Foi despedida duas horas depois. Sem perceber porquê, veio choramingar para casa, onde o namorado, espanhol, não parou de rir.
Mais tarde, aflita e acompanhada do tradutor doméstico que quis ir consigo, recuperou o emprego, mas não do verdadeiro embaraço!
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa
Escritiva nº 21 ― falsos amigos (palavras com vários significados)

Theo De Bakkere ― escritiva nº 21

Uma conversa mal-entendida
― Desculpe-me, procuro a quinta das pegas, queria comprar uma dessas pegas formosas para o meu filho.
― Ai, Senhor, não sou daqui. Talvez saiba mais o homem sentado no burro ao lado daquela velha pega.
― Desculpa-me, não noto, nem pega nem burro.
― Não vê o homem e a mulher no banco?
― Ah sim!
― Então, com certeza saberão onde se vendem pegas domesticadas que sabem falar.
― Mas não procuro um cavalo falante, mas uma pega, um cavalo de duas cores.
Theo De Bakkere, 65 anos, Antuérpia, Bélgica

Escritiva nº 21 ― falsos amigos (palavras com vários significados)

Natalina Marques ― escritiva nº 21

Não comes?
Dói-me a mó (dente).
Pois, está encravada,
esta semana não tens farinha para a fornada.
Hoje não posso regueirar (regar)
não sei da enchada, a manga (mangueira) está cobrada (partida).
Vais, ó Ti Manel, a buscar outra, depois faço a paga com pão.
A enchada está ao cabo (fundo) da meroça (pedaço de terreno).
O Zé?
Está mal, bateu com a canela (perna) numa fraga (pedra)
Sim, e porque não puseste no arroz doce?
Esqueci-me.
Natalina Marques, 58 anos, Palmela

Escritiva nº 21 ― falsos amigos (palavras com vários significados)

20/06/17

Desafio Escritiva nº 21

Em espanhol e em português há muitas palavras traiçoeiras que me passam rasteiras com alguma frequência. Por exemplo, cola. Ora em espanhol é fila, ou seta, um tipo de cogumelo, ou vaga, que em espanhol é preguiçosa. 
Isto que me acontece com estas duas línguas, ocorre também com muitas outras, por isso, acho que estes “falsos amigos” merecem, ser “denunciados”.

Aqui fica a minha "queixa":
Andava há horas à procura da seta amarela que me indicaria o caminho certo, quando me encontrei com um senhor simpático que me garantiu saber onde poderia encontrar “setas”. Eu, que queria apenas uma, pensei que melhor “setas” a mais do que a menos. E lá fui atrás dele. Não, não descobri o albergue de peregrinos, mas comi um belo prato de “setas”, que eu conhecia apenas como cogumelos, acompanhado de um belo “vaso” de vinho tinto!
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 36 anos, Salamanca
Escritiva nº 21 ― falsos amigos (palavras com vários significados)

12/06/17

Amélia Meireles ― desafio escritiva nº 19

Com vinho branco ou tinto, conseguia sentir o prazer que os lábios exalavam quando mergulhados no líquido que unia as risadas à volta da mesa. Naquele dia, algo correu mal e, sem dar conta, sentiu-se rasgado. A sua dor acompanhou o desalento das mãos que o envolviam. Terminara o seu destino como copo. Agora, no parapeito da janela da cozinha, acolhia a avenca. Sentia saudades do que fora, porém, percebia que, enquanto vaso, continuava a ser útil.
Amélia Meireles, 64 anos, Ponta Delgada

Desafio Escritiva nº 19 ― vidas passadas de objetos

01/06/17

Domingos Correia ― desafio escritiva nº 20

Supercola
Harry Coover queria criar um plástico especial para as miras das armas dos soldados. Mas o novo plástico era demasiado pegajoso. Arreliado, distraiu-se, e sentou-se na mesa onde fazia a experiência.
Subitamente, cai-lhe a fixa: era o dia do seu casamento!!!
Porém, ao tentar levantar-se, não conseguiu porque encontrava-se irreversivelmente colado ao novo produto. Estava descoberta a supercola!
E o casamento? Desenvencilhou-se das calças e, imaginem… apareceu em cuecas na igreja perante o espanto geral dos convidados!
Domingos Correia, 59 anos, Amarante

Desafio Escritiva nº20 – acidentes da ciência

Carla Silva ― desafio escritiva nº 20

As letras
― Sei lá que fazes para o jantar! ― respondeu Guttenberg
― Nunca sabes! Bem que podias inventar algo que prestasse, em vez dessa coisa que deixa a roupa toda suja.
― Vou tentar amor!
― Podes começar por algo útil, como estender a massa para a empada.
― Está bem, dá cá.
Mas Guttenberg deixa cair a massa na sua invenção, que, com o peso, começa a trabalhar e do outro lado saem letras de massa, sujas é certo, mas letras comestíveis. 
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas
Desafio Escritiva nº20 – acidentes da ciência

26/05/17

Theo De Bakkere ― desafio escritiva nº 20

Isaac Newton e o strudel de maçã
Desde que uma maçã caiu na sua cabeça era um vaivém dos colegas sábios e Isaac... coitado! Devia constantemente agitar a macieira. Sua hospedeira não sabia com que santo se pegar com tantas maçãs
caídas, por isso fazia para os visitantes do erudito “apfelstrudel”, o que apreciavam com apetite. Rapidamente correu a boato que um tal Newton inventara a lei de gravitação, mas ainda mais rápido que a gravitação própria corria pelo mundo a receita do apfelstrudel.
Theo De Bakkere, 64 anos, Antuérpia, Bélgica

22/05/17

Sandra Évora ― desafio escritiva nº 20

Na malga de vidro transparente abandonada na secretária, reúnem-se comuns clipes prateados. Destinados sobretudo ao papel, não tinha sequer pensado na sua polivalência. Até ao dia em que o
fecho das minhas calças, zangado com o seu botão, revoltou-se e renunciou à sua função. Num acesso de criatividade súbita, para encobrir o arejamento, descobri que afinal um clipe pode abraçar um botão e dar uma grande lição a um fecho. Afinal, como nós, um clipe pode reinventar-se!
Sandra Évora, 44 anos, Sto. António dos Cavaleiros
Desafio Escritiva nº20 – acidentes da ciência

Theo De Bakkere ― desafio escritiva nº 20

O moinho de café
Ela segurou tremulamente a manivela do moinho e moeu com a força que ainda tinha os grãos de café. Não podia estar sem sua chávena diária de consolo. Embora o neto, e biscateiro fervente,
inventasse especialmente para ela o moinho elétrico, usava-o apenas para lhe agradar quando estava de visita. Tinha uma aversão pela máquina desordeira. Já um tempo andava na lua e uma vez esqueceu-se de fechar a tampinha. Coitado! Grãos de café voavam no hemisfério.
Theo De Bakkere, 64 anos, Antuérpia – Bélgica
Desafio Escritiva nº20 – acidentes da ciência