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04/11/17

Carla Silva ― escritiva 25

O bolo de chocolate 
O que tanto temia aconteceu. O meu bolo de chocolate foi parar ao chão!
Mas quem festeja um golo aos pulos!? Só ele… o meu querido irmão!
Olhei para ele, ajeitei a gola e antes que me saltasse a mola, subi para a mota e desapareci.
Queria lá saber que me chamassem cota! Naquele momento só queria sentir o vento gelado no rosto, cortando-me meu humor como quem corta uma fatia de bolo. Do meu rico bolo…
Carla Silva, 44 anos, Barbacena, Elvas
Escritiva nº 25 - palavras em sequência de mudança



27/10/17

Susana Sofia Miranda Santos – escritiva 20

Robert Chesebrough, enquanto procurava petróleo na Pensilvânia, deparou-se com uma peculiar cera amarela, que encravava as máquinas escavadoras.
O químico levou essa substância para o seu laboratório, em Nova Iorque, isolando-a do petróleo.
Após inúmeros estudos, descobriu que a vaselina era extremamente eficaz para cicatrizar cortes e arranhões, entre outras utilizações.
Chesebrough acreditava tão piamente nos benefícios da vaselina que ingeriu diariamente uma colher até à sua morte!
Graças ao ouro negro, o "ouro amarelo" fora descoberto.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio Escritiva nº20 – acidentes da ciência


Zé Manel Ventura – sem desafio

Xaile preto
José, seu pai, sua mãe amam xailes pretos. Quando vão andar a pé, seus pais, José e Irene, embrulham-se no xaile. Eles sentem-se aconchegados, nem sentem vento no corpo. Caminham pelas ruas do Sebal, vêem os pássaros a voar no céu com nuvens. Beijam-se de amor. Quando se cruzam com os vizinhos na rua, dizem bom dia e agradecem o cumprimento. Esta vida dos seus pais, é o seu sonho. Gosta de os ver andar a pé.

Zé Manel Ventura, 35 anos, Sebal

Liliana Elsig – escritiva 25

Foi um riso aquele almoço, no último piso do edifício.
O toninho que é tão magrinho, não aguentou o peso da porta e ficou preso! Quem chegava, não sabia se ria ou se ajudava.
Sentei-me à mesa num banco preto, e quando o meu prato chegou, reparei que o pato, o do arroz, nem se via!
― Se calhar é um pito! (Berrou alguém)
O apito da Susana interrompeu as gargalhadas… faltavam cinco minutos para a aula recomeçar.
Liliana Elsig, 36 anos, Ovar

Escritiva nº 25 - palavras em sequência de mudança

Cândida Jardim – escritiva 25

Estávamos no último ensaio da TUNA. A harmonia das vozes é interrompida por um som estridente:
― Estão o ouvir as sirenes? É na tua RUA, Joana. 
Usam a GRUA para retirar uma criança. O edifício de cinco andares transformou-se numa GRUTA. Uma mãe GRITA. Um horror! Aconteceu! 
Enquanto FRITA o bife ouve-se uma explosão. Puxa a FITA vermelha que funciona como lacre do extintor mas não resolveu.
A RITA em estado de choque chamou os bombeiros.
Cândida Jardim, 54 anos, Ovar
Escritiva nº 25 - palavras em sequência de mudança


Susana Sofia Miranda Santos – escritiva 10

Tótil ― é uma palavra tipicamente tripeira e significa muito. Mas, apesar deste advérbio possuir sentido universal, a palavra utilizada para chegar até si varia.
No Porto, os adolescentes que se orgulham de serem "gunas tripeiros" riem-se do "bué" dos "betinhos alfacinhas", que significa o mesmo que tótil.
Uma palavra característica de uma localidade contribui para acentuar rivalidades regionais.
Contudo, as barreiras hereditárias esbatem-se, pois os adultos que contactam permanentemente com adolescentes são contagiados pelos seus hábitos linguísticos.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Desafio Escritiva nº 10 ― definições criativas


20/10/17

Susana Sofia Miranda Santos – escritiva 22

Esta manhã, quando temperava o hambúrguer que confeccionaria  ao almoço, o telefone tocou. Dirigi-me à sala para atender a chamada.
Quando regressei à cozinha para retomar o trabalho culinário, já não encontrei o hambúrguer, mas somente um prato vazio em cima da banca, bem como vestígios de carne picada no focinho da minha cadela.
Não fiquei zangada... até achei piada!
O drama é que este episódio provocou-lhe gastrite, carecendo de tratamento veterinário.
Felizmente, já se encontra saudável.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto
Escritiva nº 22 ― apanhado em flagrante


Susana Sofia Miranda Santos – escritiva 4

Queridas amigas, não possuo um porte atlético impressionante nem cultivo práticas desportivas louváveis, mas a vaidade nunca me fez viver obcecada por saltos altos.
Sempre foi prazeroso o momento do encontro entre todas as amigas.
Vocês acompanhavam-me nos pés, diariamente, oferecendo-me o conforto necessário para passear pela trela a minha melhor amiga.
A nossa vida em conjunto, apenas terminou quando a vossa ficou destruída, após tantas horas nos meus pés. Obrigada pelos passos seguros, nunca vos esquecerei!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio Escritiva nº 4 – homenagem às sapatilhas

Susana Sofia Miranda Santos – escritiva 3

Nesta manhã invernal, o sol brilha num céu azul.
Visto o fato de treino, calço as sapatilhas, correndo imediatamente para a rua.
Vou aproveitar as tréguas climáticas para fazer ginástica.
Contudo, quando já estava longe, surgiram rajadas de vento poderosas, a chuva começou a cair como um dilúvio catalítico.
De repente, avisto o carro vermelho do meu namorado que veio buscar-me.
Obrigado, amor, sem ti não sobreviveria! Como abrigo, és mais eficiente que a Arca de Noé!
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio Escritiva nº 3 – texto com: chuva, vento, amor, azul, vermelho e rua

21/08/17

Margarida Fonseca Santos ― escritiva nº 23

Maiorca, sim! Cá em Portugal, sim. Livra, não conhecem? É uma vila, perto da Figueira da Foz, com um paço para visitar, o Paço dos Viscondes de Maiorca, edificado no séc. XVIII, gente simpática, banda e ranchos, passeios para fazer a pé ou de bicicleta, um arroz doce que faz desmaiar qualquer um, uma biblioteca e muitos amigos. É para lá que fujo nos momentos de descanso. É lá que mais escrevo. Maiorca, sim, aqui em Portugal.
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa
Escritiva nº 23 – recomendar um destino, guias de viagem


20/08/17

Escritiva nº 23

Não sei de vocês, mas eu podia bem trabalhar para o Turismo de Portugal, tal é a promoção turística que faço do país. Eu devia receber uma percentagem por cada amigo ou colega que já foi a Portugal depois de ouvir as minhas recomendações, juro-vos que estaria rica! Desconfio bem que às vezes até têm experiências menos positivas, mas não se atrevem a dizê-lo e eu continuo nisto a recomendar Portugal.

Ora bem, o desafio não é recomendar destinos em Portugal, que também pode ser e a gente agradece, mas sim escrever em apenas 77 palavras uma recomendação que dê mesmo vontade de visitar um determinado destino, ir comer a um determinado restaurante, assistir a uma determinada festa ou romaria, ou todo o contrário!

Eu recomendei assim:
Se não quiser ficar a cheirar a sardinha assada e com hálito de caldo verde, não pense pôr aqui os pés. Se gosta pouco de confusões, gente muito alegre munida de martelos e alhos porros, nem sequer perca tempo a fazer as malas. Se tem ouvidos sensíveis, um coração debilitado e colesterol elevado, não arrisque: o fogo de artifício é potente. E se é pouco dado a socializar, o São João não é mesmo festa para si!
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 36 anos, Salamanca
Escritiva nº 23 – recomendar um destino, guias de viagem

21/07/17

Margarida Fonseca Santos ― escritiva nº 22

Era fascinada por agendas. Naqueles tempos, ainda com agendas de papel, trazidas em carteiras ou bolsos dos casacos, não conseguia desviar o olhar quando alguém puxava da sua. Tudo lhe interessava: as cores usadas, a foram de riscar, de apontar, as horas. A única coisa que nunca lhe despertara curiosidade era… o conteúdo. Na sua visão, não prejudicava ninguém. Na dos outros, era uma coscuvilheira. Bisbilhotar a agenda do seu chefe fora um delito grave. E agora?
Margarida Fonseca Santos, 56 anos, Lisboa
Escritiva nº 22 ― apanhado em flagrante


20/07/17

Escritiva nº 22

Nunca lhe aconteceu estar parado no trânsito e sentir aquela tentação de “limpar o salão” com jeitinho, para ninguém o ver? E nunca tentou ouvir uma conversa atrás da porta? Não? De certeza? Eu sim!  E o pior não é admiti-lo, o pior é a vergonha que se passa quando somos apanhados em flagrante. Nem sempre é fácil sair do apuro.

Eu resolvi a situação assim:
Fora discreta, esperara até que todos estivessem a dormir, desceu sem fazer ruído, fechou a porta devagarinho, abriu a gaveta, tirou os talheres, um prato e atirou-se à vítima sem piedade. Sem restos que a incriminassem, voltou terrivelmente satisfeita. Dormiu como nunca, sem qualquer remorso, mas a liberdade durou pouco:
 ― Minha menina, estás de castigo! Comeste o bolo todo e não digas que não, porque tens o corpo cheio de borbulhas.
― Oh não, o bolo tinha nozes...
Paula Cristina Pessanha Isidoro, 36 anos, Salamanca
Escritiva nº 22 ― apanhado em flagrante

09/07/17

Alda ― escritiva nº 21

Adorava fazer caixinha com as amigas. E um dia a tia, sempre bem humorada, ofereceu-lhe uma caixinha linda em madeira, decorada com a técnica decoupage.
Aproveitou para guardar nela a carta que recebera do outro lado do mundo, que lhe trazia uma verdadeira história de encantar, que nem nos livros, encontramos.
Nessa noite, ao serão, jogou a carta trunfo e ganhou pela primeira vez aos irmãos. Confortada pelo jogo, abriu o livro e contou-lhes do seu divórcio.
Alda, 49 anos, Porto
Escritiva nº 21 ― falsos amigos (palavras com vários significados)
Carta (escrita/jogar)
Caixinha (guardar segredo/objeto )

Livro(com folhas/vida)

04/07/17

Quita Miguel ― escritiva nº 18

Temporal
– É impossível dormir com este atchim constante.
– Brrr! Para mim o pior é o frio.
Brrr booom! Os trovões acompanhados pelas batidas metálicas dos espanta espíritos clang!, blém!, blém! davam ao ambiente um ar tétrico.
Wham! bam! A corrente de ar atirou com a porta, que eles nem sabiam que estava aberta.
– Ah! – Um tremor acompanhou o grito.
Ao susto seguiu-se a alegria. He! he! he! eh! eh! O calor da lareira chegava por fim a envolvê-los.
Quita Miguel, 57 anos, Cascais
Faça aqui o download do conto «Sonho Esventrado» https://www.smashwords.com/books/view/595005

Desafio Escritiva nº 18 ― onomatopeias na história

01/07/17

Carla Silva ― escritiva nº 21

Vai ser bonito
A mudança para Madrid impunha um novo vocabulário. Embora as vizinhas ajudassem como podiam, ainda tinha muito que aprender. Como comprovei esta manhã quando procurava o marco do correio.
Tentando colocar a carta no correio, segui à risca as instruções da vizinha Carmen, mas dei com uma loja de molduras!
E não ficou por aqui! Não imaginam a risada quando disse que tinha polvo para o jantar. Parece que por aqui polvo é pó! Não está fácil!
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Escritiva nº 21 ― falsos amigos (palavras com vários significados)

28/06/17

Amélia Meireles ― escritiva nº 21

O rosto denunciava a aflição que ninguém adivinhava. A amiga preocupada questiona se está bem. A resposta pouco esclarece e apenas confunde mais. Estava bem, sim, mas precisava de ir à casinha. A casa de quem queria ela ir? Numa excursão, em regra, visitam-se monumentos e não casinhas… A insistência para clarificar potenciou o desatino da amiga. Qual é o teu problema, preciso de ir à casinha! Rápido ou urino-me toda! Percebi, casinha é quarto de banho!
Amélia Meireles, 64 anos, Ponta Delgada

Escritiva nº 21 ― falsos amigos (palavras com vários significados)

22/06/17

Ana Paula Oliveira ― escritiva nº 21

O meu marido sempre foi duro de ouvido, quer para cantar, quer para línguas estrangeiras.
Fomos de férias para o sul de Espanha e passámos uma noite num hotel, em Sevilha, onde jantámos.
Na hora de pagar, disse-lhe a rececionista:
― Tu tienes una cena…
― Cena???? Não houve cena nenhuma. A minha mulher deitou-se e dormiu toda a noite…
― Como asi???
De longe, apercebi-me da atrapalhação de ambos. Às gargalhadas, gritei-lhe:
― O jantar de ontem! É para pagar!
Ana Paula Oliveira, 56 anos, S. João da Madeira

Escritiva nº 21 ― falsos amigos (palavras com vários significados)

Carla Silva ― desafio RS nº 50

Complicações
― Desculpa?! A culpa é minha?
― Claro! De quem mais? Tu e essa mania de contar tudo o que ouves! Não viste que se ia complicar?
― Alguém tinha de a desmotivar, fazer-lhe...
― Desmotivar?! Diz antes motivar! Agora está ali a descontar no pobre, quando não devia ligar peva ao que disseste.
― Não disse nada de mais.
― Não?! Parecias uma espingarda com o automático encravado, sem o conseguires desligar. 
― Admito, errei! E agora?!
― Agora?
― Sim, como descomplicar?
― Perguntas bem.
Carla Silva, 43 anos, Barbacena, Elvas

Desafio RS nº 50 ― palavras com prefixo des