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12/03/20

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio 165


Naquela manhã João estava sentado no sofá imaginando o futuro quando repentinamente começou a chover. Nada o previra.
Olhou para as caixinhas que acolhia no regaço. Eram a chave da sua vida... guardavam as alianças de noivado.
Hoje iria pedir Irene em casamento.
Mas, a chuva... seria um mau presságio?
João ficou parado, olhando o infinito uns instantes.
Depois, pegou no sobretudo, nas caixinhas, na chave do carro e saiu.
A chuva não vence o verdadeiro amor.
Susana Sofia Miranda Santos, 40 anos, Porto
Desafio nº 165 – estrutura de palavras

02/11/19

Maria João Cortês ― desafio 165


Naquela noite, Maria estava sentada à lareira imaginando como seria quando tudo começou a descambar. Nada era perfeito, mas o que se passara não tinha explicação e muito menos desculpa. A maldade ultrapassara o limite do suportável. Sentira aquilo no corpo e na alma. Achava mesmo que isso só podia vir de uma mente perturbada. Ninguém no seu pleno juízo conseguiria ter aquele comportamento. Estava destroçada, mas acreditava que uma força suprema acabaria por repor a justiça.
Maria João Cortês, 76 anos, Lisboa
Desafio nº 165 – estrutura de palavras

12/04/19

Carla Silva ― desafio 165


Imprevisto
Naquela tarde chuvosa estava Clotilde completamente absorta imaginando como e quando tudo começou a desabar. Nada previra tal desfecho. É que, tirando um ou outro arrufo mais aceso, tudo corria normalmente. Nem Gervásio mostrara em ocasião alguma descontentamento algum.
Ela sabia que tudo terminava, mas daí a chegar àquele ponto ia uma grande distância. Nunca imaginara que por uma discussão idiota deixaria o quadro de empregada do mês para fazer parte do quadro do centro de emprego.
Carla Silva, 45 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 165 – estrutura de palavras

27/03/19

Cristina Lameiras ― desafio 165

Juventude inquieta
Naquela beleza rebelde estava uma jovem insolente imaginado margens luminosas quando impaciente começou a chorar.
Nada impressionada, protestou.
Dora, duquesa fútil, vestidos perfeitos, trocista, intimidante, vivia freneticamente na voracidade diária.
Bisneta de um duque, herdeira de grande fortuna, misteriosa, favorita para a sucessão, ensinada para sorrir e acenar, balbuciou cautelosamente.
Sempre vivera debaixo de holofotes, sem regras, julgando-se dona de um império, com lucros, sem informações.
Caiu na realidade dolorosa, grosseira...
Confiara demais no gestor de fortunas...
Cristina Lameiras, 53 anos, Casal de Cambra 
Desafio nº 165 – estrutura de palavras

12/03/19

Paula Castanheira ― desafio 165


Naquela noite, Isabel estava de nariz alçado, imaginando monstros fantasmagóricos, quando subitamente começou a sorrir. Nada tinha mudado. O céu negro sempre fora o seu secreto quadro de ardósia. Nele desenhava a traço de fantasia, histórias, muitas histórias!
Das nuvens saltavam unicórnios, ovelhas aladas, bruxas disformes… brincavam à apanhada. As estrelas escondiam-se, deixavam-nos às escuras. Eles coitaditos, tropeçavam uns nos outros e transformavam-se em medonhos dinossauros...
Sentiu um pontapé, acariciou a barriga. Seria um segredo só delas!
Paula Castanheira, 54 anos, Massamá
Desafio nº 165 – estrutura de palavras

07/03/19

Graça Pinto ― desafio 165


Naquela sala onde estava Ana, balbuciando nomes, imaginando rostos, foi quando tudo começou, seria mãe. 
Nada mais importava. Aquelas paredes denunciavam-se num misto de dor e plenitude emergindo a razão do "ser" ou não "ser".
Fizera acontecer o sonho que à muito acompanhara, agora entregara  seu  corpo  a uma dor desmedida, em espasmos repetidos, prolongados em intermináveis horas.
Subitamente um sopro de vida aconteceu, seguido de um choro que anunciava ali o início de uma nova história.
Graça Pinto, 60 anos, Almada
Desafio nº 165 – estrutura de palavras

Ana Seixas Silva ― desafio 165


Naquela tarde primaveril estava sentada no jardim imaginando o mar quando ela começou a chamar. Nada de anormal.Àquela hora, impreterivelmente, a minha avó, chamavam-nos.
O meu irmão fazia a bicicleta derrapar e enchia-me de pó, saindo dali disparado para a cozinha.
A minha avó, exímia cozinheira, presenteava-nos com um banquete.
Enquanto a envolvia num abraço, ele já devorava a sopa e olhava gulosamente a sobremesa.
O odor da comida invadia a cozinha, eu sentia-me plenamente feliz.
Ana Seixas Silva, 45 anos, Nelas
Desafio nº 165 – estrutura de palavras

05/03/19

Leonor Dias ― desafio 165


Naquela manhã soalheira estava sentada no terraço imaginando outro mundo quando aquilo começou a cair. Nada o impediu.
E eu continuava distraída até que me chamaram, já aflitos. Fugi nessa altura sem ter noção do que se passava. Só depois me apercebi que um vento forte e barulhento tinha feito das suas.
O grande toldo do terraço soltou-se e partiu o que estava debaixo dele. Foi sorte, pura sorte. A cabeça na lua ia fazendo das suas.
Leonor Dias, 13 anos, Caldas da Rainha
Desafio nº 165 – estrutura de palavras

Helena Rosinha ― desafio 165


Naquela maçadora audiência  estava, como de costume, imaginando mundos fantásticos quando alguém começou a rezingar. Nada de extraordinário. Nem se virou; reconheceu-lhes a voz. A sua viagem prosseguia ― sobrevoando florestas, mares, castelos ― embalada por páginas de fantasia, que ia virando inebriado.
Mãe e pai,  desavindos, lutavam por tudo: dinheiro, casa, até pela sua posse. Ah, mas ele não lhes pertencia! Era um ser encantado, alheado daquelas personagens vestidas de preto que ali peroravam sobre o seu futuro.
Helena Rosinha, 66 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 165 – estrutura de palavras

Natércia Tomás ― desafio 165


Naquela tarde soalheira, estava animada, brincando sozinha, imaginando uma amiga, quando inesperadamente começou a ouvi-la. Nada que fosse possível, mas a verdade é que alguém, falava consigo:
― Lurdinhas, que patetice, isso não se faz assim! Onde já se viu, calçar as meias nas mãos do boneco e vestir as cuecas na cabeça?
― Ora essa – respondeu. ― Se até tu existes na minha imaginação, porque não vestir o xuxa duma forma mais divertida e original? Como ele gosta, convenhamos!
Natércia Tomás, 65 anos, Caldas da Rainha
Desafio nº 165 – estrutura de palavras

Isabel Lopo ― desafio 165


Naquela tarde, ele estava com maus pressentimentos, imaginando desencontros, abandonos, quando repentinamente começou um temporal, nada bom presságio. Toda a sua vida tinha sido um acumular de perdas e esta seria com certeza mais uma. Foi quando a viu surgir do nada. A água escorria-lhe pela cara como se fossem lágrimas pesadas. Mas o seu sorriso era de tal forma brilhante que esqueceu o pessimismo. E soube que a espera valera a pena. Agora o sol brilhava! 
Isabel Lopo, Alentejo
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04/03/19

Alda Gonçalves ― desafio 165


Desafio à espreita
Naquela noite fria estava impaciente pela espera, imaginando apenas quando tudo começara a surgir. Nada fazia sentido. Por inúmeras razões seria sempre grato.
Aquela luz seria um oceano de certezas na sua vida.
Um emprego precário, dívidas, más relações, e o telefone a tocar.
― Queres vir para Toronto? Estão à procura de enfermeiros. Um hospital Central, especializado em tumores...
Deu um salto quando uma voz feminina anuncia que o embarque do voo Lisboa-Toronto será na porta 77.
Alda Gonçalves, 51 anos, Porto
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03/03/19

Theo De Bakkere ― desafio 165


Entrudo
Naquela tarde nublada estava frio, todos imaginando «vai chover», quando inesperadamente começou a nevar.
Nada facto tranquilizante. Porém, nem participantes, nem espetadores nas calçadas ou aqueles debruçados nas janelas receavam por pior. Todos queriam só participar no cortejo de alegria. Havia bruxas, deusas, matrafonas, cowboys, palhaços a rodo, mesmo freiras. Já se ouvia música. Carnaval dissipara as nuvens escuras. Com o sol disfarçado como morango grande, a festa da loucura e exuberância rebentará em toda sua glória.
Theo De Bakkere, 66 anos, Antuérpia, Bélgica
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02/03/19

Emília Simões ― desafio 165


Naquela manhã esplendorosa, estava Joana muito alvoroçada imaginando a festa quando repentinamente começou a chover.  Nada como esperava. Aninhou-se na cama um pouco triste e rapidamente voltou a adormecer. Acordou já o sol ia alto e pensou sobre o que estava ali a fazer. Não havia uma festa ao ar livre, no largo da aldeia? “Como sou tola”, pensou. Chove copiosamente. A esta hora o largo estará deserto e a festa deve ter sido cancelada. Logo hoje...
Emília Simões, 67 anos, Mem-Martins
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Natalina Marques ― desafio 165


Naquela manhã soalheira estava sentada naquele banco, imaginando como seria quando chegasse. Começou a pensar, nada como esperar.
Mas o tempo não passava, naquele momento era o seu maior inimigo.
Não queria ir à escola, com medo de não chegar a tempo de recebê-la, mas foi, pelo caminho foi pensando no nome que lhe daria. Seriam amigas inseparáveis.
Estrela...! Sim, seria Estrela, porque iria iluminar-lhe a vida, já que os seus olhos não lhe davam esse prazer.
Natalina Marques, 59 anos, Palmela
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01/03/19

Vera Viegas ― desafio 165

Naquela viagem que estava a planear (nunca imaginando que começaria quando acordasse) começou a trabalhar. Nada a deteria. Sozinha, três meses por África.
Paulo desiludira-a quando recusou acompanhá-la, mas não podia aceitar que isso a desmotivasse. Tinha medo claro, um homem ao lado dá sempre aquela segurança. Os homens conseguem impor o respeito que nós sozinhas, nestas circunstâncias, ainda não conseguimos. Contudo, adormeceu confiante. Acordou com 2 bilhetes e bagagem no seu leito. Desta vez, Paulo superou-se!!
Vera Viegas, 35 anos, Penela da Beira
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Chica ― desafio 165


Naquela noite Clotilde estava animada, entusiamada, feliz, imaginando todo combinado, quando momentaneamente começou sentir coceira.
Nada poderia atrapalhar!
Seu rosto parecia explodir, pegar fogo. Logo depois, bolhas em seu corpo todo pareciam brotar minuto a minuto. Estaria com o tal “já começa?”
Mas as noites de folia não abandonaria! Isso nunca!
E assim foi.
O prurido cessou, porém o rosto todo ficou pelo inchaço deformado.
Olhou-se ao espelho!
Mudança de plano!
Foi ao Carnaval fantasiada de múmia!
Chica, 70 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nº 165 – estrutura de palavras

Roselia Bezerra ― desafio 165


Naquela manhã dominical, estava passeando, ternamente pacificada, com familiares, imaginando toda beleza que iria encontrar, quando, surpreendida, por uma igrejinha lá no Alto, fiquei emocionada. 
Quando, magicamente, uma cachoeira também na estrada, subitamente, me apareceu. 
Começou um alvoroço delicioso ante o fato inusitado. 
Nada refrescava debaixo do bambuzal, vento muito pouco, barulho da água acalmava... 
Restou-me contemplar tão precioso cenário. 
Deixei-me fotografar pela beleza do lugarejo, acompanhada da paz.
Muita luz trouxe comigo para toda semana finita.
Roselia Bezerra, 64 anos ES, Brasil
Desafio nº 165 – estrutura de palavras

Desafio nº 165 – estrutura de palavras


Que texto nasce desta estrutura? Os espaços são palavras:

Naquela ______________  ________________ estava ___________  _____________  ____________ imaginando ______________ _______________ quando ______________ começou ______________ ___________. Nada _______________  _____________.

Agora que temos 18, continuaremos o texto, até às 77 palavras.


Resolvi assim este desafio:
Naquela terra inóspita estaria a salvo dela, imaginando futuros, como quando jovem começou a divagar. Nada a detinha. Descobriria onde se encontrava? Talvez não. Não deixara pistas, não contara a ninguém, simplesmente desaparecera. Fora da cabana, o vento varria a terra seca. Sentou-se, aliviado. Fechou os olhos. Ela veio e abraçou-o com a ternura própria da função. Compôs-lhe o casaco, separou a alma do corpo para que ascendesse e sorriu. «Velho tonto», disse. «Ninguém escapa à morte.»
Margarida Fonseca Santos, 58 anos, Lisboa
Desafio nº 165 – estrutura de palavras
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