Mostrar mensagens com a etiqueta desafio nº 62. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta desafio nº 62. Mostrar todas as mensagens

04/08/20

Elsa Alves – desafio 62

Ao pó, uma moldura e um livro, sobrevivem numa prateleira da estante. Um dia...
– Já aqui estamos há tantos anos... És um romance?
– Não... Sou um dicionário.
– Um daqueles livros com palavras por ordem alfabética?
– Bom, eu sou especial...
– Eu também. Sou valiosa. Tenho a fotografia do casamento deles...
– Digo-te isto: 
“Somos só recordação
de tempos que já passaram.
Já nem nos têm à mão.
P'ra sempre nos afastaram...”
– Adorável!!!  És um dicionário de rimas!!! Faz-me versos...
Elsa Alves, 72 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 62 – dois objetos, numa prateleira cheia de pó, conversam

20/07/20

Fernanda Malhão – desafio 62

Ali estavam bule de prata e chávena de fina porcelana, no armário guardadas há anos, cheias de pó, assistiam as aranhas a tecerem meticulosamente as suas teias por toda a parte. Esquecidas à espera de que os filhos da madame se entendessem com as partilhas.
– Ah (suspiros), será que algum dia conseguiremos sair novamente deste armário? Tenho esperança de que voltaremos a tomar chá com as mais finas senhoras da cidade.
– Queria ter o teu otimismo, meu amigo bule!
Fernanda Malhão, 44 anos, Gondomar
Desafio nº 62 – dois objetos, numa prateleira cheia de pó, conversam

07/10/18

Arnaldo C ― desafio 62

Dentro de um museu abandonado, havia uma faca e uma estátua, cheias de pó numa prateleira. Houve um dia em que a faca falou:
― Acorda, estátua!
― O que foi?
― E se nós os dois acordássemos todos os objetos?
― Para quê?
― Para podermos reconstruir este museu. Era fixe, não era?
― Era, mas não temos os materiais necessários.
― Se todos colaborarmos vamos conseguir. Por isso ajuda-me a acordar estes objetos todos.
― Claro!
― Ficará bonito no fim, vais ver!
Arnaldo C, 13 anos, Escola Dr. Costa Matos, ex-aluno da prof Cristina Félix
Desafio nº 62 – dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam

15/08/17

Susana Sofia Miranda Santos ― desafio nº 62

Uma caixa de música e um gira-discos conversam tristemente numa prateleira empoeirada do armário, no sótão.
― Caixinha, a família partiu... ficamos esquecidos!
― Amigo, já fomos felizes! Antigamente, adormecia sempre o bebé com a minha música.
― E eu, alegrava o dia do casal, que adorava dançar com as músicas de rock do Elvis Presley.
― Actualmente, o casal faleceu; o filho cresceu, só ouve música funk na televisão, aparelhagem e computador.
― A música modernizou-se, mas perdeu qualidade e romantismo.
Susana Sofia Miranda Santos, 38 anos, Porto

Desafio nº 62 – dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam

03/02/17

Dentro e fora...

Naquela prateleira, já com pó de tempo vivido, estavam o papelinho enrolado e a pequena caixa.
― Papel, já estiveste aqui dentro...
― Gostei de aí estar... mas depois... desenrolei-me... tinha de vir cá fora...
― Fiquei triste... ainda estou...
― Não fiques...
― Olho para ti e olho-me aqui dentro...
― E?...
― Sinto-te aqui, mas sei-te aí...
― Difícil...
― Mas não posso manter-me triste... hoje, agora, quero viver e sentir tudo com um sorriso, dentro e fora...
― Sim, um dia de cada vez...
Paula Tomé, 44 anos, Sintra
Desafio nº 62 – dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam

17/06/16

Programa Rádio Sim 778 – 17 Junho 2016

o programa em podcast na Rádio Sim

Ação na arrecadação
A velha ratoeira de raposas, ainda armada, repousava empoeirada numa prateleira da arrecadação. Ao lado, descansava um martelão. Ali, esquecidos, entretinham-se conversando:
– Ai martelão, que saudades das caçadas!...
– E eu das marteladas que dava, da pedra que partia!...
Nisto, um barulho... Um ladrão entra, tropeça num caixote, abana a prateleira, a ratoeira cai, caça-lhe uma perna. O ladrão grita, o martelão escorrega, acerta-lhe… chega a polícia, lá vai preso o azarado ladrão.
– Finalmente, ação…
– É verdade, martelão!

Domingos Correia, 58 anos, Amarante
Desafio nº 62 – dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam

30/03/16

O boné e os sapatinhos

Conversavam sem cessar
Dois objetos esquecidos:
Um boné de andar no mar,
E sapatinhos garridos!

– Sou boné de marinheiro,
Andei de noite, de dia,
Percorri o mundo inteiro
Ao sol e à maresia!

– Fizemos muitos bailados,
Em Paris, em Roterdão,
Fomos muito desejados,
Vimos amor e paixão!

A dama que nos usou,
Amada no mundo inteiro,
Ousada, nos atirou
A um lindo marinheiro!

Com este dito certeiro,
O boné lacrimejou,
Pertencera ao marinheiro
Que essa dama arrebatou!

Maria do Céu Ferreira, 60 anos, Amarante

Desafio nº 62 – dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam

10/03/16

Valorizações

A moldura e a fotografia
Lembras-te há quanto tempo aqui estamos,
esquecidos a ganhar pó?
– Sei lá, mas não importa, porque eu tenho utilidade,
tenho dentro de mim, alguém que é lembrado com saudade,
enquanto tu não tens valor nem préstimo para nada.
– Ora essa, vejam só a tua prepotência,
tu podes fazer lembrar alguém,
mas eu sou o símbolo desse alguém,
porque fui seu pertence.
E tu enquanto vais sendo esquecido, com o tempo,
eu com o tempo, vou sendo valorizado.

Natalina Marques, 56 anos, Palmela
Desafio nº 62 – dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam


16/07/15

Nem morrendo...

– Mudo…. Para que sirvo eu mudo?
– Cala-te, resmungão! E eu sempre debaixo de ti?
– Sempre me és útil, embelezas o meu chão! Oh, naperon da avozinha!
– A ti cortaram-te o pio, para que serves, velho rádio?
– Não tarda saio daqui. Valho dinheiro num antiquário. Deixa-os descobrir e verás!
– Não sentes calor? Olha o fumo debaixo da porta!
– Socorro! A casa está a arder!
– Ninguém te ouve, rádio mudo. Anima-te! Ao menos morremos juntinhos!
– Nem morrendo tenho sorte…

Amélia Meireles, 62 anos, Ponta Delgada

Desafio nº 62 – dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam

22/06/15

Amor não correspondido

Duas chávenas iguaizinhas, poeirentas, com asas em s, tomaram-se de amores por um copo de bordo musculado, colocado na mesma prateleira.
– Mana, estou louca por ele! – disse uma chávena.
– Eu também estou! – retorquiu a irmã – rodopiemos  no pires até ele reparar em nós.
– Jesus, mana, estou tonta de tanto rodopiar e ele nem olha! Está totalmente fascinado por aquela taça de champanhe delambida e fora de moda.
Deixa lá, mana – disse a outra irmã –, merecemos bem melhor!

Isabel Sousa, 63 anos, Lisboa
Desafio nº 62 – dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam

20/02/15

Amor à primeira vista

Apaixonaram-se à primeira vista quando se encontraram na prateleira poeirenta. Ele, um tablet com memória gigante, carregado de informação importante. Ela, uma velha pilha gasta que, provavelmente, iria acabar no pilhão.
O tablet queria protegê-la mas o destino não estava na sua mão.
– Melhor será viver o momento e não desperdiçar nem um minuto! Este dia pode ser o último que estamos juntos!
– Concordo! - respondeu a pilha.
E dava gosto vê-los partilhar episódios... confessarem desejos e ódios!


Márcia Gomes, 36 anos, Vila Nova de Famalicão
Desafio nº 62 – dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam

08/11/14

Memories

– Não lembro quando cheguei, Ela era menina, me acionava seguidamente, eu dançava, rodava, dançava, rodava (...) as vezes pensava que ia cair.
–  Quando quebrou?
Há tempos, em uma das mudanças... Logo depois ela caiu ficando igual a mim, imóvel...
Nunca dancei, mas tocava muitas músicas o dia inteiro na cozinha.  Não caí, porém fui trocado por novos inventos e já não canto mais.
Restamos, nós e o tempo, inexorável...
Ainda bem! Restamos um ao outro.
– É isso.

Roseane Ferreira, Macapá, Estado de Amapá, Brasil 
 Desafio nº 62 – dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam

21/09/14

O trim...

– Ai a terrinha… sabes?, é por isso que acho o teu nome tão bonito, terrina.
– Pois, se eu me chamasse garfo também acharia.
– Não sejas assim, olha que não deixaram cá mais ninguém para falar contigo, até as tuas queridas saladeira e molheira já partiram.
– Também queres que te fale das colheres e das facas, é? … Porque é que tu ficaste aqui, afinal?
– Foi o destino, eu ia voltar para a cozinha quando o telemóvel fez trim.

Ana Rita, 23 anos, Porto

Desafio nº 62 – dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam

19/08/14

Esquecidos

– Fomos esquecidos – disse o candeeiro.
– Não te apoquentes – retorquiu a vela –, a Luz de cada ser está no seu íntimo; mesmo com somos potência de Luz.
– É verdade, mas gostaria de ser tratado com respeito.
– Deixa-te de lamúrias: és um objecto único, tens-me a mim como companheira e no dia em que nos retirarem o pó brilharemos e sentiremos a nossa beleza exterior.
– Obrigado pela lição: somos uma dualidade: preparamos o interior, do exterior o futuro encarregar-se-á.   

Ana Mafalda, 44 anos, Lisboa
Desafio nº 62 – dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam


18/08/14

Esperança

O sótão conhecia de ginjeira as suas lamúrias – o livro de histórias e a boneca de trapos –, contidas no tempo e nas teias de aranha.
– Vamos sair daqui. Olá se vamos.
– Ó minha amiga, tira daí as ideias que ainda rebentas pelas costuras. Eu vou para o papelão e tu para o lixão!
– Mas que desenxabido tu me saíste, pareces um livro de política.
Abre-se a porta:
– Vamos doá-los ao orfanato. Espera…faltam estes dois da prateleira.

Ana Diniz, 53 anos, Almada

Desafio nº 62 – dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam

23/07/14

O Livro e a Moldura

Não entra ninguém nesta sala, diz o livro, na sua encadernação poeirenta, 
para uma moldura em estanho, de desenho singelo, com uma foto antiga, 
a sépia, duma jovem a dançar.
A Mariana, todos os dias, lia ou relia, uma das tuas histórias... e eu escutava-a,
enlevada.
Curioso, ela lia sempre em voz alta!
Gostava que fôssemos seus companheiros, no prazer de ler.
Os contos, terminavam sempre, num provérbio.
Atchim!!!
Saúde!
Atchim! Atchim!
Este pó acumulado, provoca-nos alergia!

Arminda Montez,76 anos, Queluz

Desafio nº 62 – dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam

16/07/14

Sonho novo

Lá estavam, desde há já muito. Quer acreditem quer não, já a deprimir! "Mas quem?", perguntam vocês. Um velho e maçudo dicionário e uma folha de papel amachucada.
– Bem, parece que havemos de ficar aqui eternamente, já ninguém precisa de nós! – lamenta-se  a pobre folha.
– Há que ser paciente! Quando for ocasião seremos usados, como em tempos.
Assim passavam os seus longos dias... Sempre com o mesmo antiquado diálogo. Dias passados na prateleira sonhando um sonho novo. 

Liliana Macedo, 15 anos, Ovar
Desafio nº 62 – dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam


24/06/14

O Espanador e o Livro

– Ufa!  Passou aqui um furacão! Há muito que o Espanador não me visitava. Como está?
– Bem, obrigado. Passei para ver como estava e reconheço que quando o vi o achei um pouco adoentado.
– Pudera! Há três semanas que não sou visitado; ninguém me pode agarrar, abrir, ler...
– Mas agora que cheguei, como se sente?
– Mais reconfortado e feliz!
– Acho-o mais vivaço, Sr. Livro. As suas letras brilham e encantam as crianças. Olhe para elas. Que contentes estão!

Arménia Madail, 56 anos, Celorico de Basto

Desafio nº 62 – dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam

26/05/14

Programa Rádio Sim 264 – 26 Maio 2014

OUVIR o programa! 
No site da Rádio Sim


Recordar 
– Lembras-te colar de pérolas quando a Princesa Alexandra nos usava quase todos os dias?
– Claro que lembro, tiara de diamantes! Foram dias maravilhosos, estava sempre na vanguarda da moda, nuns dias discreta noutros exuberante e vaidosa.
– Sempre linda, mesmo quando fugia dos paparazzi.
– Envelheceu e ganhou novos hábitos. Transformou o palácio num museu.
– Temos de respeitar! A memória começa a falhar-lhe e já não precisa de nós…
– E nós para aqui esquecidas nesta prateleira cheia de pó.

Cristina Lameiras, 48 anos, Casal Cambra
Desafio nº 62 – dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam

02/05/14

Programa Rádio Sim 249 – 2 Maio 2014

OUVIR o programa! 


No site da Rádio Sim

Conversa de Companheiros
Rigorosos, os feixes solares de certeira lanceta, denunciavam com precisão os objectos em cima do aparador.  Na casa vazia, reinava uma paz de eremitério onde o pó aterrava livremente nas prateleiras.
Diz o Solitário:  
– Ampulheta, minha amiga, paraste no tempo!
– Olha, eu estou de folga!
– Eu, pelo menos faço jus ao meu nome: serei sempre Solitário.
– E eu só preciso que me voltem, homessa! 
E, importantes, ficaram à conversa, mapeados pelo pó, eternizados até  chegar o espanador.

Elisabeth Oliveira Janeiro, 69 anos, Lisboa
Desafio nº 62 – dois objectos, numa prateleira cheia de pó, conversam