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27/01/19

Maria do Céu Ferreira ― desafio 149


Madrugada
Vi uma bruxa voar,
Cabelo despenteado,
Levitava pelo ar
Parecia um cão alado!

Vi uma bruxa voar,
Cabelo despenteado,
Estava a rir e a chorar
Com agrado e desagrado!

Vi uma bruxa voar,
Cabelo despenteado,
Dei-lhe um pontapé no ar
E voou um bom bocado!

Pôs-se, então, muito bonita,
Como a lua prateada,
Cabelos longos com fita,
Jovem como a madrugada!

E com a boa magia
Dessa bruxinha formosa,
Acordei sentindo o dia,
Beijada por uma Rosa!
Maria do Céu Ferreira, 63 anos, Amarante
Desafio nº 149 ― ficção e realidade

30/10/18

Cristina Lameiras ― desafio 149


Enigma
Um grupo de turistas visitou Lisboa, cidade moderna, cosmopolita.
Adoraram as ruas, telhados e azulejos da capital, as suas histórias com pormenores suculentos.
O guia turístico fez publicidade, desafiou-os a visitar as planícies alentejanas.  
A excursão seguiu entre a fantasia e a realidade...
Alojaram-se numa estalagem rural, viveram a natureza, passearam por aldeias e povoações.
Ao regressarem encontraram um cadáver desleixado, murcho e ressequido.
Em sobressalto ficaram para o funeral.
Num ambiente repressivo o enigma tentaram resolver.
Cristina Lameiras, 53 anos, Casal Cambra 
Desafio nº 149 ― ficção e realidade

18/10/18

Carla Silva ― desafio 149


Apesar de detestar o trabalho, Samantha vestiu-se e sorrindo saiu para trabalhar. Seriam apenas umas horas, depois disso regressaria para junto de Nicolau, que saía do roupeiro todas as noites para estar com ela.
Depois de meses entregues à tristeza, ele finalmente sentira piedade dela e regressara. Ela estava consciente que não passava de um sonho. Mas não se importava, porque durante aquelas horas voltava a sentir a felicidade que sentira antes do acidente que lho roubara. 
Carla Silva, 44 anos, Barbacena, Elvas
Desafio nº 149 ― ficção e realidade

17/09/18

Maria Loureiro ― desafio 149


Mensagem tua?... não pode ser!
Chamam-lhe ciclo da vida. Angustiados e impotentes, sentimos abanar a nossa parede de afetos. Partem os mais velhos amados, homens e mulheres, próximos ou não, a quem devemos alicerces do pensamento e estar, os nossos pares, os amigos da juventude, os cúmplices das nossas lutas, amores, maluquices e heroísmos. Tu, S., acabas de partir. Aqui longe, não te acompanhamos à última morada terrena. Recordar-te-emos com grande amizade, essa forma sublime de amar.
Maria Loureiro, 63 anos, Lisboa
Desafio nº 149 ― ficção e realidade

16/09/18

Natalina Marques ― desafio 149


Quem me dera
que  o amanhã fosse diferente
com uma nova quimera
traga sol a toda a gente.

Semear para colher
trigo para o nosso pão
e no ventre da mulher
bata sempre um coração.

E na hora da tristeza
dos problemas ou da dor
haja sempre uma certeza
que tudo tem solução
pela força do amor.

Viver num mundo sem esperança
que já não tem solução,
é como os sonhos de criança
que são apenas ficção.
Natalina Marques, 59 anos, Palmela
Desafio nº 149 ― ficção e realidade

Filomena Galvão ― desafio 149


Sapateiro e coveiro vivera no reinado de D. João V. Via-se agora num caminho estranho, repleto de pedras alinhadas, lisas. A terra desaparecera, não via excrementos, bestas, ou carruagens. Havia coisas com rodas, não eram carroças, deitavam fumo, faziam muito barulho. As casas amontoavam-se umas em cima das outras. As pessoas andavam com pequenas caixas na mão, batiam-lhes com um dedo. 
Pedro prosseguia o tpc de português : introduzir uma personagem do século XVIII no século XXI.
Filomena Galvão, 57 anos Corroios
Desafio nº 149 ― ficção e realidade

15/09/18

Margarida Freire ― desafio 149

Li…. Não queria acreditar!
Tem um filho autista; como único rendimento, o do seu trabalho.
Despedida ilegalmente, recorreu ao Tribunal, que lhe deu razão. A Corticeira foi obrigada a reintegrá-la.
Só que… diabólico!...
Diariamente TEM de carregar e descarregar, um pacote com os mesmos sacos de plástico (quinze a vinte Kgs), sob temperaturas insuportáveis – 40/45º. Debaixo da maior repressão.
Desde o dia 7 de Maio. Não é ficção.
É em Portugal, no Ano da Graça de 2018.
Margarida Freire, 75 anos, Moita
Desafio nº 149 ― ficção e realidade

13/09/18

Elsa Alves ― desafio 149


Sentiu-se cair. Impossível travar a descida, pelo buraco escuro,  aos trambolhões, atrás do Coelho Branco. Gritou bem alto: "Mãe!" A porta abriu-se. Acendeu-se a luz. Sentou-se na cama, olhos abertos, espantados. A mãe acalmou-a. "Foi só um sonho. Já passou, filha." Olhou à volta. Era o seu quarto: a cama, o roupeiro, a estante com os seus queridos livros. Que alívio! Mas quando levantou o braço, na mão, apertadas entre os dedos, as luvas brancas do Coelho...
Elsa Alves, 70 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 149 ― ficção e realidade

Theo De Bakkere ― desafio 149


A cartomante
Eu estava a gozar o sol na esplanada, quando fui interpelada por uma cigana:
- Ó meu amor, dá cá tua mão que leio-te a sina.
Ora a cartomante, versada em convencer pessoas, viu que fiquei indeciso e aproximava-se.
- Devias querer! Vejo nos teus olhos um obstáculo, mas também alguns desenvolvimentos favoráveis no teu futuro.
Curioso, estendi a mão e logo a realidade manifestou o vaticínio.
- Então, combinamos assim, se eu acertar a sua profissão, dás-me cinco euros.
Theo De Bakkere, 66 anos, Antuérpia, Bélgica
Desafio nº 149 ― ficção e realidade

12/09/18

Isabel Lopo ― desafio 149


A solidão fazia-a confundir-se com as personagens dos livros. À noite, o marido encontrava sempre uma Mulher diferente, porque se transfigurava noutras pessoas. Pensando que ela enlouquecera, cada vez chegava mais tarde. Uma noite, ao regressar, achou-a mudada. Bem vestida e penteada, recebia-o com um sorriso.Lembrou-se então da Mulher que um dia amara e quis abraçá-la. Ela afastou-o e estendendo-lhe uma folha disse: "Sou a advogada da sua Mulher. Por favor assine o papel do divórcio..."
Isabel Lopo, Lisboa
Desafio nº 149 ― ficção e realidade

Helena Rosinha ― desafio 149


Observo as lombadas dos livros, soletro os títulos com dificuldade – a escola não deu para mais. Ainda criança, lá ia com a minha mãe, manhã cedo, ajudar nas limpezas: escadas, consultórios, o que aparecesse. Agora, com trabalho certo numa casa onde livros e conhecimento ocupam lugar de destaque, o sonho revisitou-me: saber ler! Um dia vou pegar nestes romances e mergulhar nas suas páginas. Ao emergir, serei portadora da felicidade que só os amantes da literatura entendem.
Helena Rosinha, 65 anos, Vila Franca de Xira
Desafio nº 149 ― ficção e realidade

Paula Fialho Silva ― desafio 149

Durante o dia sou assistente técnica num serviço do Estado. Não podem imaginar quão aborrecido é o meu trabalho. Papeladas e mais papeladas que felicidade nenhuma me trazem. Mas à noite transformo-me! Sou personagem de romances, de policiais e de histórias de terror. Ambiciono ser a heroína de um romance histórico, quem sabe uma rainha poderosa e maquiavélica. Hoje sou uma assassina implacável capaz das maiores atrocidades. Infelizmente, quando acordar, voltarei à triste realidade de funcionária pública!
Paula Fialho Silva, 39 anos, Badajoz
Desafio nº 149 ― ficção e realidade

Paula Castanheira ― desafio 149

No seu quase paraíso, seria só mais um passeio de um verão entardecido, já com outono a açoitar-lhe o cabelo e as ondas a afagarem-lhe os pés. Mas tudo mudou, no instante em que trocou aquele inesperado sorriso. Espasmos de ideias galopantes tomaram-lhe o ser. Gostava de partir da vida e aterrar nas histórias. Sentia-se nelas como roupa branca aconchegada em gavetas com o aroma fresco da alfazema.
‘Duas mulheres, um destino’ – o novo livro de Aurora!
Paula Castanheira, 54 anos,  Armona, Algarve
Desafio nº 149 ― ficção e realidade

10/09/18

Chica ― desafio 149


Sem alternativas
Notícia da hora: atentado à um político.
Eleições  à porta.
Promessas e mais promessas dos candidatos.
Um mentia mais do que o outro, um falava de tantas coisas faria. Nem eles acreditavam!
Outro prometia mundos e fundos, um falava em segurança, outro semeava a violência.
O povo, de tanto já leu e vivenciou, já andava bastante escaldado e em nenhuma proeza mais acreditava!
Mas ainda assim, teria que algum escolher!
Entre os podres, escolheria o menos fedorento...
Chica, 69 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil
Desafio nº 149 ― ficção e realidade

Desafio nº 149

Que texto (pode ser história, notícia ou reflexão, como quiserem), juntando a realidade como a conhecemos e vivemos todos os dias, e a ficção que lemos nos livros?

Pus-me a pensar e escrevi isto:
Fez da escrita uma inspiração para os que decidiram, um dia, ler os seus livros. Falava na primeira pessoa, contando uma história de tal forma real que os leitores tomaram como biografia o que lhes oferecia. A nova verdade, a escrita, foi-se instalando em si como se fosse real, deixando-a sem armas para lidar com o quotidiano. Quando a campainha tocou, recebeu espantada o filho que nunca tivera, apenas ficcionara. Abraçaram-se. Morreu nesse instante, de verdade súbita.
Margarida Fonseca Santos, 57 anos, Lisboa
Desafio nº 149 ― ficção e realidade

Ouvir este e outros textos aqui: Diário 77 ― 83 ― Verdade súbita
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