30 novembro 2013

No divã...

Já me tinham alertado para este efeito, mas o meu coração ficou completamente alterado assim que te vi. Alergias? Não, ficou parvo, enfeitiçado pelas poções preparadas pelo olhar e sorriso que tens. Tenho várias opções, mas decido que deixo de ser servil à vida e que te dedico os meus dias. Quero partilhar alegrias e tempos livres, quero ser tua companheira, tua diva!
E a prova é esta: estou no divã, e só penso em te ter.

Catarina Azevedo Rodrigues, 40 anos, Lisboa

Desafio nº 56 – usar 14 anagramas insólitos e divertidos

Perdido nas trevas... contigo!

– Olha só o que foste fazer! Tu, o Senhor das Estradas, entalado! Eu bem te disse "Não sejas parvo! É bom que traves!" Já está o caldo entornado!
– O trânsito está todo alterado! Podias me ter alertado!
– Alertei!
– Eu é que decido! Afinal, sou eu que dedico tempo a estudar as linhas rodoviárias!
– Quando foste entronado? Tu, o Rei do entroncado! Também deves ter realizado uma prova?
– Serei encontrado!
– Estás enlatado, não perdido!
– Perdido nas trevas! Contigo!

Laura,11 anos, Oeiras. Externato Marista de Lisboa
Desafio nº 56 – usar 14 anagramas insólitos e divertidos

Perfeita

Sentado no divã da vida, qual diva aguardando ser servida. Ninguém é mais servil, podemos fazer a escolha de ser livres. Qual desejo encontradoentroncado nos pensamentos que vagueiam nas trevas de um mundo alterado. Onde cada um por si é alertado das opções de suplantar o outro. Não vertas mais a tua energia para essa ideia de separação. Eu decido aquilo a que me dedico. Não traves a tua vida procurando poções mágicas, tu és perfeita.

Paulo Renato, 38 anos, Maia

Desafio nº 56 – usar 14 anagramas insólitos e divertidos

33? Ora...

No talho, uma senhora excessiva e arrebicada estava na fila à espera da sua vez.
Quando um garoto entrou na loja, a vaidosa mulher percebeu que o moço estava a fixar-se ela e perguntou:
– O que é que há, rapaz?
– A senhora tem 33?
– 33? Diga... – E dirigiu-se lisonjeada aos circunstantes: – Tenho muito mais anos!
O rapaz olhou com estupefação para ela e disse:
– Entendi que dizia o número da senha que tirou ao entrar na loja.

Theo De Bakkere, 60 anos, Antuérpia, Bélgica

Desafio nº 33 – Pegando em “Diga 33”, ou qualquer outra versão do 33

Parvo!

Já foste alertado!
Ao veres a prova encontrada perceberás a verdade. Ainda que te deixe alteradoque te doa, verás o quanto foste parvo.
Tudo parece agora entornadoDe nada te adiantou seres bem entroncado, julgando-te grande e forte.
Aquela mulher, a diva que havias entronado vida toda, mostrara que o “caldo” estava agora derramado.
Foste  sempre servil!
Mas ainda que traves diante o fato ao saber, logo sairás das trevas. Sentirás o sabor dos livres!

Chica, 64 anos Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil  

Desafio nº 56 – usar 14 anagramas insólitos e divertidos

Programas Rádio Sim - Novembro 2013

Todos os programas, sempre com Helena Almeida, na Companhia da Rádio - podem ouvir-se aqui
(ou pelos links que estão em baixo)

Indicativo do Programa - Música e letra: Margarida Fonseca Santos; Arranjos, direcção musical, piano e voz: Francisco Cardoso - Histórias de Cantar CD - Conta Reconta

Horário na Rádio Sim - 21h20, todos os dias

Quer saber que histórias foram lidas? Vá por aqui:

Em Novembro de 2013:

Desafio nº 56

Anagramas obrigatórios

Sempre me deliciaram os que baralham ou aumentam assuntos, ora vejam:
alterado + alertado // enojado + enjoado // poções + opções // decido + dedico // trevas + traves + vertas // vida + divã + diva // entalado + enlatado // servil + livres // encontrado + entroncado // entronado + entornado // parvo + prova //
… a lista poderia continuar…

O desafio é usar pelo menos 14 destas palavras (em pares ou trios, mas espaçados no texto).
Deixem-nas a bold, para podermos encontrar as novas ideias.

Vamos a isto? É tão divertido. 

Eu escrevi assim (usei 20):

– Estás tão alterado! Não vertas mais impropérios, quero é que traves as trevas que soltaste!
– Podias ter-me alertado para isto. Até estou enjoado. Mais!, estou enojado! Assim que dedico algum tempo a qualquer coisa, fico entalado nas opções pouco livres da tua mente.
– És uma diva, tu! Dás cabo da minha vida, sabias?
– Não vejo porquê, estás aí deitadinho no divã
Decido estar, estou. Não sou servil, não vivo entalado nas tuas poções.
– O que apenas prova que és parvo

Margarida Fonseca Santos, 52 anos, Lisboa

29 novembro 2013

Programa 145 – 29 Novembro 2013

OUVIR o programa!   Uma forma boa de passar o dia de anos!
Ouvir no site da Rádio Sim


O mar enredou-lhe os pensamentos, e ela deixou. Descartou-se de momentos passados e exaltou-se com momentos desejados. Sentiu-se diferente – já não era um ponto final suspenso na rocha. Não encontrou o vazio que carregava, nem questionou a vontade que surgia.
Deixou-se ficar, quieta. Abandonou o olhar nas ondas, deixou que lhe trouxessem outras verdades. Transformou-se num mar mais forte, mais azul, tão mais possível.
E reencontrou-se em cada onda que sentiu e que não deixou para trás.
(texto: Margarida Fonseca Santos; ilustração: Francisca Torres) 

Pode ser prematuro sofrer

História sem registo
Impelida e agitada pela suavidade agreste das tuas palavras, procurei conforto na alcova da nossa história, com inquietação revi cada imagem, cada momento, refletidos no clarão asfixiante do meu sofrer. Não entendia o alcance daquela indecisão. Com cólera rebobinei o filme, na esperança de encontrar o teu melhor: a altivez que te tornara único e especial. Não encontrei qualquer registo… Contudo, entendi que a felicidade é émula do sofrimento, hoje vou sorrir, amanhã pode ser prematuro sofrer!

Paula Maria Inverno, 45 anos, Torres Novas

Desafio nº 55 – reescrevendo um texto com contrários

Andarilho na multidão

Estava na inquietude da minha vida
Descansando na luminosidade do cotidiano
Quando o contra tempo  de repente se fechou
brisa açoitou a tarde levantando nossos alicerces
O céu foi o infinito, não ficou pedra sobre pedra
bonança foi o teto que cobriu meu desespero
Você decretou minha indecisão, a solidão
E na minha alma carente plantastes  uma resposta
E na resignação, sublimei minha existência sou andarilho na multidão
E com toda arrogância lhe peço pão!

Ângela Maria Green, 56 anos, Novo Horizonte, estado de São Paulo, Brasil

Desafio nº 55 – reescrevendo um texto com contrários

Regresso

Acordou pensativo, a imagem da amiga não lhe saía da cabeça. Havia algo no seu olhar...
– No que pensas? – perguntou  a mãe.
– Na Sara, regressou.
– Sei. E?
– Não sei... Achei-a... Quando a encontrei estava triste, só, um pouco ferida...
– Ferida?
– Sim. Apagada. Abatida...olha, não sei.
– Oito anos passaram. Muita coisa mudou.
– No entanto, há coisas que nunca mudam.
– A vida tem coisas engraçadas.
A mãe sorriu, a paixão do filho não terminara. Talvez agora, quem sabe...

Carla Silva,40 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 42 – frase com 5A5E5O3I e 3U, que dá o mote

Convicção

Terei chegado ao início do derradeiro momento? E se o limite for uma ventura que se entranha como uma complacência sórdida e ameaçadora? Ter-me-ei cansado da arrogância dos meus atos, da intolerância de um sorriso forçado ou do alvoroço conveniente em que trago a minha alma? E se eu continuar na lucidez submissa dos meus dias só até me agarrar à primeira aragem que venha pôr um ponto final nesta convicção certa que é a minha vida?

Célia Costa, 42 anos, Malveira
Desafio nº 55 – reescrevendo um texto com contrários

28 novembro 2013

Programa 144 – 28 Novembro 2013

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Carta para diversos ursos
Carta para diversos ursos:
Não se pode dizer que vivesse bem, à larga, com folga, despreocupadamente, e sem qualquer tipo de cuidado em relação ao futuro. Não se pode cuidar do futuro, quando não se sabe nada do que vai acontecer no presente.
Sabia que tinha de comer todos os dias, mas comer para viver era o mesmo que saber que amanhã podia morrer, por isso, sem saber como, decidiu comer até morrer. De barriga bem cheia.

João Luís Silva, 52 anos, Cabinda, Angola
(sem desafio)

Textos de luto

O Crispim foi ter com o Rui e disse:
– Hello!
E o Rui perguntou:
– O que é isso?
O Crispim esclareceu logo:
– É um cumprimento em inglês!
E o Rui disse:
– MMM! Giro!
– Pois, muito giro – disse o Crispim, e o Rui respondeu:
– Oi! Crispim, tenho de ir! Goodbye!
– Ei, disseste isso em inglês! – comentou o Crispim.
O Rui ficou muito surpreendido.
– Foi? Bom!
E foi, o Rui fez um enorme sorriso para o Crispim e despediu-se!

Rúben Crispim, 11 anos, Torres Vedras
Desafio nº 37 – uma história sem usar a letra A

Transtornada

A insónia matinal. Ficou em transe. Sinal do transtorno de que sofria. Transvoou do quarto para a cozinha: ansiava chegar aos medicamentos, para transcursar ou minimizar sintomas; sabendo que a transfiguração era inevitável. Transida, sentiu transparecer os primeiros sinais. Embora transitivos, transjugavam todo o seu ser durante horas: alucinações e delírios que a transfiguravam. Restava-lhe aguentar. Para o fazer, sem se transviar, transcendendo o sofrimento, fechar-se-ia em casa. Com sorte, conseguiria transverberar textualmente a narrativa de viver.

Isabel Pinto, 47 anos, Setúbal
Desafio RS nº 5 – 7 palavras com TRANS–– (no início, não necessariamente prefixo)


Amizades

Não se considerava uma pessoa servil, antes prestativa. Sem se intrometer na vida dos demais.
Havia sempre alguém a precisar de algo, principalmente idosos solitários e fazia-o com todo o gosto.
Assim conhecera o Sr. Felisberto, tem 77 anos e muitas histórias a contar!
Costumava ir ler para ele e acabavam horas na conversa. Sentiam-se livres ali, sob a acácia, aproveitando os últimos raios de sol que passavam entre as folhas, apreciando a companhia um do outro.

Carla Silva, 40 anos,  Barbacena, Elvas

Desafio nº 17texto que contém pelo menos uma palavra simétrica

27 novembro 2013

Programa 143 – 27 Novembro 2013

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A septuagésima palavra
Na terra destemida já nada me surpreende. Todas as inconfidências caóticas de caminhos rectos pelos sons embevecidos já não sabem do susto, do medo, das regras, da sede daquela palavra que nos faz permanecer na encruzilhada do amor. E amar o mar que bebo sem a sede de quem já não nada no nada. E ao viver cruzando a quadratura dessa mesma encruzilhada procuro desesperado pela confidente, secreta e sempre ansiosa e deliberadamente procurada septuagésima sétima palavra.

Hélder Rodrigues, 34 anos, Vila Nova de Gaia
Desafio nº 54 – pares de palavras com sentido contrário

A caçada

Pronto já começara! Ao longe, ouviam-se os gritos, a agitação. Tanto reboliço por um só dia! 
Nunca percebera o porquê desta correria.
Hoje, o pessoal viera trabalhar mais cedo, por ele podiam dispensá-los. A mãe não concordava.
– É a tradição! – dizia.
Desde miúdo que não apreciava a ocasião, esta caça ridícula! Sorriu ironicamente! 
Ele também "caçara" noutros tempos. Lembrava-se da desilusão, tanto corre para cima, corre para baixo, para nada! Afinal, era só um ovo de Páscoa.

Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Desafio n.º 39 – história que contém a frase: “Afinal, era só um ovo de Páscoa”

26 novembro 2013

Programa 142 – 26 Novembro 2013

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O Pé
A mesma Mãe nos pariu aos dois no mesmo dia. Somos um par, mas sempre rivais. Sempre juntos para todo o lado vamos. Meu irmão é bom para a bola, eu nem tanto. Às vezes teimo, paro, ele cai e chora. Somos um só, sem ti não vivo, digo. Olho para o lado, não está lá, não o vejo, choro. Eu não ando como dantes. Maus os homens que deitam minas nos rumos. Sou o pé Dextro.

Cândido Pinheiro, 73 anos, Póvoa do Varzim

Doces recordações

Ali estava ele, o sorriso idiota que lhe iluminava o rosto sempre que ouvia aquela música. A irmã acusava-a de ser sentimental demais. Nessa altura, mergulha num silêncio profundo, todo ruído é abafado e esteja onde estiver, vê-se automaticamente de mãos dadas com o seu amado ao som dessa música especial. Passados 25 anos, não consegue  evitar que seus olhos sorriam ao ouvi-la. Por muitos anos que passem ainda há essa magia, ao ouvi-la  tudo se transforma.

Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Desafio nº 52 – uma história com música, ruído e silêncio

(Des)ventura

Nem a arrogância justificava a indecisão. Fora no começo daquela noite de calmaria… Aquele lugar não lhe trouxera o caos de que necessitava para esquecer. A certeza permanecia. Eis que um momento houve em que o descontrolo se impôs. Foi. Bateu à porta do que sabia ter sido o agressor, cobardemente impune. Como se de fama estivesse sedento, atacou-o. Não era merecedor da ventura que lhe mudava o rumo, pois não era. Mas, a vingança estava feita. 

Carina Leal, 30 anos, Coimbra

Desafio nº 55 – reescrevendo um texto com contrários

Assumir De Culpa

A lista de coisas sobre as quais quero escrever ficou subitamente em branco. Do meu pensamento solitário não surgiu outra ideia, vou escrever sobre não ter nada para escrever. Gastei tempo com isso, tempo gasto com nada. Chamo-lhe sabática porque a palavra falhado não me está a soar bem. Mas no fundo sei que o sou. Tudo o que planeei morreu antes da gestação. Algum dia, alguma coisa há-de sair bem, por este andar é que não.


Salvador Fachada, 25 anos, Lisboa

Aparências

Ficou tão revoltada ao ver o marido da sua amiga com outra!!! Não pensou duas vezes.
Foi falar com ela. Quando chegou o marido, saiu, deixando-a num mar de lágrimas. 
A amiga ligou-lhe horas depois dizendo que o confrontara, afinal a outra era irmã dele e estavam a preparar-lhe uma surpresa.
Sentiu-se imensamente mal, mas ficou para morrer quando o marido da amiga ligou para lhe dizer:  
– Sabes, Idalberta? Água de Julho, no rio não faz barulho.

Carla Silva, 40 anos, Barbacena, Elvas

Desafio Rádio Sim nº 3 – um dos provérbios dados no fim

25 novembro 2013

Programa 141 – 25 Novembro 2013

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Tudo sim!
Sim. Era só sim. Nada mais se lhe escapava dos lábios senão o sim, a nefasta palavra da concordância. Sempre. Não havia forma de a contornar. Era tudo sim. SIM! Quer ouvisse, quer falasse ou até viajasse até onde a sua linda cabecinha mandasse. Já me irritava ouvir tanto sim. Era tão fácil, tão colorido, para ela. E aquele sim, que eu não queria ouvi-la dizer, ao outro, que se tornaria seu marido, era o meu não.

Carolina Cordeiro, 34 anos, Ponta Delgada, São Miguel, Açores

24 novembro 2013

Se for hoje, tipo, hoje!

– Tipo, achas que devo comprar aquela caneta?
– Sim.
– É que estou tipo indecisa, porque tipo, eu já tenho uma tipo igual, mas sem tampa.
– Então não sei…
– É que tipo, eu queria, mas valerá tipo a pena?
– Falaste com os teus pais?
– Não, mas tipo, eu queria tanto! Eu gosto de ter as coisas tipo perfeitas, arranjadinhas.
– Compra lá, antes que percamos a hora de almoço! Acho que os teus pais não se zangam, se for hoje…

Carolina Longle, 11 anos, Odivelas

Desafio nº 48 – diálogo em que uma personagem tem um tique de linguagem

O Palhaço Rubi

Sempre que subia ao palco, a sua natural soberba de palhaço rico, experimentava uma acalmia que só a mudez e a economia de gestos burlescos lhe impunham.
Levava quase ao infinito o ensejo de agradar, mas pleno da firmeza que a conseguida prosperidade lhe tinha aplacado a inquietação sobre o futuro que, afinal, se apresentava agora, refulgente da luz da esperança.
O Palhaço Rubi cedia por fim à irrequietude da insegurança e gozava do alor do sucesso.

Elisabeth Oliveira Janeiro, 69 anos, Lisboa

Desafio nº 55 – reescrevendo um texto com contrários

Luz na penumbra

A tua ARROGÂNCIA veio aumentar a minha ANSIEDADE em relação à nossa vida. Não tenho PRESSA pois não tenho CERTEZAS de nada. Sei que é difícil compreenderes isto. O teu coração vive num enorme DESASSOSSEGO e a minha INDECISÃO  incomoda-te. Mas julgo que o SUCESSO da partilha de uma vida não é só sentirmos um INFINITO Amor, mas procurarmos a CALMARIA onde há tempestade e a LUZ onde há penumbra. Só assim conseguiremos construir o nosso caminho...

Isabel Lopo, 67 anos, Lisboa

Desafio nº 55 – reescrevendo um texto com contrários