31 outubro 2012

Viagem


Ia viajar até à Bairrada. Comer leitão (adorava), bom vinho tinto, de rolha (cortiça) a acompanhar, com o par ideal: o paraíso. Voltando, reforço no Almofariz.
Levantara-se demasiado cedo, para os seus hábitos. Despertador a tocar; a jornada era comprida.
Valera a pena! Fora um bom dia, apesar de ter tropeçado numa bola de ténis e picada por uma vespa, à entrada do restaurante. Socorrera-se de papel, embebido em vinagre, para a dor e o inchaço.
Estava feliz!

Isabel Pinto, Portugal

A dieta




Leitão à pururuca, rolha com odor de vinho de boa qualidade, embaralhado ao cheiro da mistura de temperos socados no almofariz...o despertador tocou e Julião lembrou que do sonho só restou a vontade de comer. Estava de regime e com raquete e bola de tênis na mochila rumou tal qual vespa para a quadra treinar e suar. Seu papel era perder peso para arrasar no verão...e do sonho só restou a lembrança do sorridente leitão!


Bia Hain, Brasil

Sonhar com leitão...


Estávamos a  comer um belo leitão,   quando se abriu o vinho, a rolha caiu dentro do almofariz fazendo um estrondo...
Nisto toca o despertador,  afinal tudo era um sonho, a que propósito foi sonhar hoje?
Agarra a bola de ténis, hoje ia precisar  dela, para  dar sorte. Pega na sua vespa, vai a toda a velocidade em direcção ao estúdio, hoje era dia de dar o melhor de si próprio, dia de representar o seu melhor papel.

Marina Maia, Portugal

Um desastrado...


Pedro Leitão era um desastre em casa, ou a fazer fosse o que fosse. Nunca tirava inteira a rolha ao abrir uma garrafa, partira o almofariz de estimação da mãe ao tentar fazer a primeira açorda e o despertador tocava sempre fora da hora que ele programara.
Um dia, tentou com uma 
bola de ténis matar uma vespa; o insecto escapou por um espaço inesperadamente aberto.  Quando a mãe chegou, um papel no frigorífico explicava a janela partida.

Maria Cecília Bruno, Lisboa

Um Natal atribulado!


Natal já estava chegando
E o 
leitão só a engordar
Todos da família amando
Pensando de seu sabor degustar

Pra 
rolha do vinho abrir
Mariana estava bem esperta
E naquele 
almofariz, temperos à curtir
Só de pensar ficou boquiaberta

Ainda era madrugada
despertador tocou
Mariana pulou da cama apavorada
E na 
bola de tênis escorregou

Uma 
vespa pela janela entrou
O rosto de Mariana picou
Saiu sangue, tudo melecou
Nem um 
papel, pra limpar, ela achou

Majoli Oliveira, Brasil
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30 outubro 2012

Receita



Num tabuleiro colocar o leitão. Tirar a rolha de uma boa garrafa de vinho, vertendo metade no bicho. Esmagar seis dentes de alho com sal num almofariz e barrá-lo. Deixe marinar. Vai ao forno. Acione o despertador para uma hora. Simples?
Porém, como o meu papel na cozinha é fraco, Domingo munida de raquete e bola de ténis, faço um joguinho. Depois monto a vespa com o namorado e vou almoçar ao Rui dos Leitões. Bem melhor!
Graça Pinto, 54 anos, Almada

O leitão cozinheiro



Era um leitão cozinheiro com a mania de andar com uma rolha de cortiça na narina esquerda. Certo dia, enquanto cozinhava, pegou no almofariz preferido e começou a esmagar os ingredientes. De repente cai o seu piercing de cortiça e fica tudo desfeito. Assusta-se com o despertador do forno e tropeça na sua bola de ténis, caindo em cima de uma vespa que o esperava com um ferrão medonho. O papel da receita voava livremente pela cozinha.

Sandra Marques, Portugal

Perder os óculos dá nisto...

O leitão tirou muito cuidadosamente a rolha de cortiça do nariz colocando-a inadvertidamente dentro do almofariz. Quando o despertador tocou, ainda meio a dormir, confundiu-a com a bola de ténis. Dando pela diferença, gritou: ai! A vespa sobressaltada acordou e curiosa perguntou: O que se passa? Nada, respondeu o leitão, ando sempre a fazer papel de parvo desde que perdi os óculos.

Dolores Cortés, Portugal

O despertador


O senhor Leitão só resmungava – ora porque o vinho sabia a rolha, ora porque o almofariz esboroado dava mau sabor à comida. Resmungava fazendo justiça ao seu cognome: o despertador. E não era por acaso: despertava em todos a sede da vingança. Tirou o boné para dar mais ênfase à discussão, mas levou com uma bola de ténis desgovernada, onde se apegara uma vespa tresmalhada. A vespa, cumprindo o seu papel, pregou-lhe uma valente ferroada. Todos descansaram!

Margarida Fonseca Santos, Lisboa

O actor Antão

leitão Antão era actor. E viciado em champanhe. Mesmo agora, a dormir, sonhava com a rolha a saltar da garrafa. Acordou com ressaca. Como era muito esquisitinho, moeu a aspirina no almofariz e misturou com sumo. Ouviu o despertador tocar e lembrou-se: era dia de ensaio. Pegou na bola de ténis (ia fazer de tenista) e montou-se na vespa, o seu transporte preferido. Mentalmente rezou que se lembrasse das deixas do seu papel. E lá foi!

Alexandra Rafael, Portugal

Raio da bola!


– Sei exactamente aquilo que quero. Um leitão acabadinho de assar.
Rolha retirada da garrafa,  almofariz para pisar o alho, agora era só aguardar que o despertador assinalasse o fim da cozedura.
Travessa na mesa, talheres de trinchar em punho e eis que uma bola de ténis aterra bem no meio da comida, salpicando-o com o molho, que uma vespa insistia em provar.
– Não querias mais nada – disse sibilante, pegando no jornal e afastando-a com decisão. – Papel abençoado.

Quita Miguel, Cascais

Um domingo decisivo



Como este leitão se fará rei da mesa, tu hás-de tornar-te campeão! – sentenciou o pai, sacando a rolha ao tinto para o tempero do bicho, à espera no almofariz. 
Era manhã de domingo, a única sem
 despertador, e havia assado no forno. Dia feliz, decerto,  se nessa tarde triunfasse... Caso perdesse, sabia-o, teria de arrumar raquete, bola de ténis e esperança para sempre. 
A incerteza, qual teimosa
 vespa, zumbia-lhe ao ouvido: se falhasse, que papel lhe restaria?

Rita Bertrand, 40 anos, Lisboa

Festa na fazenda.



Leitão sendo assado.
Nonno abre um espumante. A rolha salta. Cai no almofariz, onde nonna socava temperos para as bruschettas.
despertador toca. Césare levanta. Escorrega numa bola de tênis usada para acertar uma vespa que rondava à noite.
Outro grito, agora Bruno:
– Acabou o papel! Como faço?
– Ora, quer que te leve a rolha, já temperada? Não vais gostar! Vai arder muito... – fala nonno divertido.
Todos riem e a festa enfim começa!
Chica, Brasil


desafio nº 23



Dia 30, novo desafio!!! Estão preparados?

O que vos peço hoje é que descubram qual é a história se pode contar a partir deste percurso de palavras – respeitem a ordem, nada de batotas!!!

Leitão rolha (cortiça)almofarizdespertador bola de ténisvespapapel

Desta vez, não vou enviar já a minha, para não influenciar quem está de caneta em punho.

Vamos a isto? Óptimo!

29 outubro 2012

Bela - num abecedário...


A Bela correu dali para fora. E encontrou um feliz golfinho.
Quando reparou já estava noutro jardim e viu um gato. Havia uma igreja com janelas luminosas e muitas novas outras coisas. Olhou…parou abismada, queria reparar em tudo! Será que tudo isto é verdadeiro? Ou será imaginação minha? – pensou ela uma vez e outra, e voltou a pensar. Não! Só posso estar a sonhar. Xoné! Este sítio não existe! De repente acorda e vê o irmão Zé.

Mariana Bastos, 12 anos, 8º ano

25 outubro 2012

A Festa


A chuva levou minha alma... Alma minha, levou chuva a todos os dissabores e viu, do rastro que deixou, pegadas de incerteza e dor serem apagadas e escorrerem pelo ralo. Cabelos molhados e pele arrepiada, em ti, alma que agora está limpa como se acabasse de ter sido parida, desejo depositar as alegrias que não vivi, os sonhos que não realizei e vesti-la para a festa que a vida está a nos preparar. Venha linda... e sorridente!

Bia Hain, Brasil

24 outubro 2012

Virar de Página



O meu país está morrendo? Morrendo está… País o meu! …
Impávidos, assistimos ao luto que lhe vestem. Onde está o meu país a preto e branco que um dia tirou a mordaça que o calava e cantou versos de poetas numa madrugada de Abril, revestindo de sonhos  todo um povo?
Está sucumbindo meu país, sua mudez encobre gritos abafados dum povo cansado que se vai deixando abater.
Viremos a página desta morte anunciada do meu país.


Graça Pinto, 54 anos, Almada

Onde...?


À minha volta negrume: o céu, a alma. Não sei como ficar aqui, nem como encontrar outro onde. Onde fica o meu onde? Onde, meu, fica perto do amor? Duvido: o meu onde é tão intrínseco, está tão escondido entre os meus pensamentos sombrios, que se tornou um buraco negro sem fundo. Ouço um riso, alegre e cândido; deixo-o penetrar no nevoeiro cerrado da minha mente. Ouço o meu coração a bater: encontrei o meu onde.

Maria José Dias

23 outubro 2012

Lembram-se do desafio 21? O do rapaz? Então leiam...

Era uma vez um menino, chamado Pedro que sonhava ter uma horta, mas os pais desse menino eram pobres e não podiam comprar nenhum terreno.
Anos mais tarde, o menino já era um homem e ele foi juntando dinheiro e conseguiu comprar um terreno, onde resolveu plantar muito arroz.
Chegaram as tempestades e ele só tinha arroz e a todas as refeições, pequeno-almoço, almoço e jantar, só comia arroz.
Ele disse:
- Outra vez arroz… já estou farto.

António – 4º ano – EB Veiros


O amor é mais forte que tudo

Era uma vez um menino chamado Miguel que não tinha casa e estava muito triste.
Uma menina chamada Raquel ajudou-o. Um dia foram conversar e ele disse:
- Eu acho que és muito linda!
- Obrigado. És muito simpático!
- Queres namorar?
- Sim…
Porém, o pai da Raquel não os deixou namorar.
Abandonaram Lisboa e foram para Portalegre, prometendo amarem-se na alegria e na tristeza, na saúde e na doença!
Viveram sempre felizes!

Teresa – 4º ano – EB Veiros


Estava um dia muito bonito, mas o menino António, nem no dia mais bonito parava de estudar.
Quando foi para o quarto a mãe deixou-lhe a janela aberta e o António reparou que, de noite, estava a nevar.
A mãe disse ao filho:
- Podes ir brincar na neve com as outras crianças.
O menino foi e conheceu uma menina, chamada Maria.
A Maria ensinou-o que na vida há tempo para tudo. Para estudar, conviver e ser feliz.

João Miguel – 4º ano – EB Veiros


Era uma vez um rapaz que só comia arroz.
De manhã, em vez de comer torradas e beber leite, comia arroz, ao almoço comia arroz e ao jantar comia arroz. Não fazia mal, mas a nossa alimentação deve ser variada.
- Outra vez arroz! – disse ele.
Baixou a cabeça e colocou as mãos por cima desta.
Entrou numa loja, onde viu verduras, legumes, frutos, carne, peixe…
Provou, gostou, começou a comer de tudo e nunca mais se fartou!

João Filipe – 4º ano – EB Veiros

Professora Carmo Silva

Calou-se...

O prazo para reclamação da herança estava a findar. Bastava uma palavra e tudo seria diferente. Mas Joana calou-se
Remetia-se agora ao andar de cima, curtindo as bebedeiras que se sucediam, na vã tentativa de suportar a ausência do marinheiro que partira. O mar por vezes era cruel, desumano mesmo.
Todos esperavam que uma voz surgisse do outro lado da porta e o dinheiro brotasse. Essa voz não veio.
Calou-se Joana, mas… a dor não se silenciou.

Quita Miguel, Cascais

O desempregado


 
Levantava-se com as manhãs, como quem tivesse para onde ir.
Ir onde? Para o café? Para o jardim?
Para onde houvesse vida, decidira, agora que moribundo se sentia.
E sentava-se no terminal dos comboios, a ver quem passava... Sempre dava para entreter e às vezes até acontecia ganhar um sorriso de mulher.
Assim anoitecia melhor.
Mas na manhã seguinte regressava ao vazio do dia em branco.
O mesmo dia repetido, desde que o tinham demitido.
Até quando?
 
Rita Bertrand, 40 anos, Lisboa

22 outubro 2012

O sonho de voar


O sonho dela era voar, voar era dela, sonho... Por vezes pensa que se voasse, seria fácil, poderia sair dali, ir para um sítio onde se sentisse segura, onde a liberdade fosse possível, possível fosse iria para o mar, e ouviria o bater das ondas em simultâneo com as suas asas.
Que bom seria ouvir o mar...
Nos dias de insegurança, insegurança em dias tristes como hoje, esperando o brilho do sol.
Sonhar o brilho do sol...

Marina Maia, Portugal

Velhas fechaduras


A árvore possui as chaves que abrem o coração. São chaves douradas, pequenas e secretas. A água escasseia por ali e as fechaduras já são velhas. Velhas são as fechaduras e as chaves já pouco aguentam sem serem colhidas na altura certa. Vai chegar uma certa altura em que a árvore irá secar e o coração já não poderá ser aberto. As chaves chorarão a velhice das fechaduras. Chorarão as chaves e o coração sangrará em vão.

Clara, 36, Lisboa

As palavras finais


Viver? Não tens nada; sim, nada tens, não viver…
A campainha interrompeu a saída das palavras “é a única solução”. Custara-me imenso ter chegado àquele ponto; foram muitas horas a pensar como ia terminar, a sofrer as palavras finais, e agora um simples trrim atrapalhara tudo.
– Margarita, certo? – perguntou o rapaz, quando abri a porta.
Como podia ser tão estúpido e ter encomendado uma pizza, precisamente no momento em que fechava a frase final do meu romance.  

Bau Pires, Portugal

21 outubro 2012

Diziam-lhe...


Médicos diziam-lhe sempre, és sobrevivente. Da vida. Observação elogiosa, algo que conseguira, por si, extraordinariamente. Não entendiam. Fizera o que devia fazer: boa filha, aluna, mãe, esposa, pessoa. Era suposto ser de outra forma, porque a vida se apresentara demasiado ingrata: obstáculos (quase)  inultrapassáveis?! Crê, assim o pensaram. Expectável seria a insanidade mental,  distúrbios, ou marginalidade. Ouviu isto sempre com enorme estranheza. Para si, pouco fizera na e com a sua vida.  Sobrevivente és sempre! Diziam-lhe médicos.

Isabel Pinto, Portugal

O Mineirinho



Desde que conheci o tal do mineirinho
Confesso que uma curiosidade me bateu
Pois dizem que eles comem quietinhos
Seria isso um perigo, pensei eu 

Mas resolvi adiante seguir
De forma alguma me alarmar
Queria era poder sentir
O que estava a me esperar

Com o tempo tudo foi ficando bom
Confesso que bom por demais
Se ser quietinho é fazer tão delicioso som
Eu vou querer mais, muito mais

Uai, estou apaixonada, sim
apaixonada estou, uai.

Majoli Oliveira, Brasil
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Nada restou


Meu amor. A ideia de nunca mais te ver deixa-me doente. Tento aceitar? Aceitar tento todos os dias em que acordo e respiro. Respiro e acordo e rasga-se o peito com saudades. O que mais me falta são os teus olhos de gato vendo-me, olhando-me como se eu fosse uma pedra preciosa. Faltam-me as tuas mãos examinando-me o corpo como se buscassem um tesouro. Acabou aqui? Aqui acabou, pois claro. Não somos mais os mesmos. Nada restou.

Alexandra Rafael, Portugal

20 outubro 2012

Sábado

Sábado...
Três e quarenta da madrugada...
Lá fora, pássaros apressadinhos, madrugadores, sofrendo pela cidade que não mais dorme, já estão a cantar.
Abre os olhos, acorda... O dia está a esperar!
Olha ao lado, amor está ainda a dormir.
Volta, beija-lhe a face!
Enquanto se ajeita, arruma tudo por lá, agradece a vida!
Pouco tem, mas muito lhe sobra. Pois há amor dentro de si!
Ela reflexiona: Vivo feliz!
Viver? É amar sempre! Sempre? Amar é viver!

Chica, Brasil
Publicado aqui:
http://chicabrincadepoesia.blogspot.com.br/2012/10/viver-e-amar.html

desafio nº 22


Dia 20, novo desafio!!!

O que iremos fazer hoje?
A ideia é arranjar uma frase (ou conjunto de duas/três frases) cuja ordem de palavras seja simétrica. Como é isto?
Deixem-me dar-vos uns exemplos. Reparem como as palavras estão numa disposição simétrica:
1 – Podia até ter dito “ter”, até podia…
2 – Sozinho, quase frio, senti-te frio, quase sozinho.
3 – Ela queria ser um doce... Doce? Um ser, queria ela.


Depois de construir a frase, toca a arquitectar a história em 77 palavras que a contém (pode entrar onde vos apetecer!).

Eu já fiz a minha, ficou assim:
Agora, que o dia chegava ao fim, apetecia-me gritar que tudo não passara de um desperdício! E de quem era a culpa? Minha, como sempre. Deixara-me levar pelas ideias dos outros, pela ideia que fazia dos outros, pela ideia que tinha sobre o que os outros pensavam de mim. Ignorei-me. Agora era tarde, o dia passara, a oportunidade também.
Sonhei? Nem hesitei… nem sonhei.
À minha frente, os sonhos dos outros ocupavam o meu espaço. Aprendi? Talvez…

Não se esqueçam de enviar a idade e o local onde vivem, pode ser?
Tudo para 77palavras (arroba) gmail.com

Zonzos ficamos nós, depois de ler!!!


Antes, Belarmino Cocoricó dizia-se esperto. Franganote!
Era o galo cantor mais hábil de sempre. Inchava, jubilava, luzia, se mais de nove ovos chocados, pintos quase, rebolavam para o seguirem. Tinha-se em boa conta: um vate, um xamã, Zeus de penas e crista.
Zonzo deixou-o o xiripiti bebido vitoriosamente de um trago. Se o roubou, quase-delito, ao peru Olindo, não foi por mal. Livrou-o outras vezes do irritante humano guloso. Ficou enjoado depois, cantor borracho e afónico!

Carla Lages, 33 anos, Portugal.

(desafio nº 20!)

19 outubro 2012

Vencer?


Esteve hospitalizada. Sofrimento insuportável, culpa insistente, desespero...
Tinha de continuar, pelos que amava, mas como? Aguentaria?! Para conseguir iniciou um percurso de anestesia medicamentosa. Assim, não pensava ou interrogava sobre as coisas. Consequência: resistência orgânica à substância; episódios psicóticos.  Aí, assustaram-se. Conduziram-na ao médico. Internamento. Outro médico: bipolaridade. Sabia que era depressão, grave, arrastada no tempo, com comportamentos para-suicidários. Mas... Depressão era, que sabia. Lutara, antes, através dos livros, para  vencê-la. Vencera-a? Talvez! Ainda não. Não!

Isabel Pinto, Almada

Partiste Cedo


Lembro-me das maravilhosas bolachinhas de manteiga! Que bem que cheiravam! Hum! E que bem sabiam!
Sabias como confortar, o meu coraçãozinho, quando triste chegava da escola por não me terem deixado jogar à bola!
Agora não estás cá! Partiste! Eu cresci! Não tenho as bolachinhas, mas quando me sinto triste, baixo a cabeço, penso em ti!
E, não sabendo explicar, de repente paira sobre mim, um manto invisível! É mágico porque traz o cheiro das bolachinhas.

Sandra Maria Filipe de Jesus Coelho, 41 anos, Portugal

A sopa da mãe

Tudo estava ao contrário na vida de Leonor, as constantes chatices com as amigas faziam baixar progressivamente as suas notas.
Não se sentia segura para fazer o que quer que fosse, a sua vida tinha ficado sem cor!
Leonor só pensava nos planos que tinha feito para o seu futuro, planos brilhantes, que agora pareciam tão inseguros como um fio de esparguete!
Mas Leonor sentiu um cheiro, cheiro inconfundível da sopa da mãe que aquece qualquer coração.

Maria Francisca Boaventura, 8º ano, Marinha Grande – profª Isabel Palmela

17 outubro 2012

A Leitura saiu à Rua


Mariana baixou a cabeça e entrelaçou os dedos no cabelo. Tinha de encontrar uma solução para ajudar o seu bairro!
De repente, como se de um arco-íris se tratasse, minúsculos duendes lançaram um sopro fresco e suave. Mariana sonhou e teve uma ideia:
Que tal organizar uma sessão de leitura, nas ruas, à janela, trazer gente de fora para divulgar o bairro?
Abriu o facebook e anunciou: “A Leitura saiu à Rua no Bairro do Arco-Íris” Participe!

Ana Maria Santos

16 outubro 2012

Cuca-fresca

Pequenos pontinhos brilhantes começam a dançar em frente aos meus olhos. Parecem borboletinhas de luz e ofuscam minha visão. Poderiam me convidar a dançar com elas, mas em seguida uma dor pulsante e latejante nasce em algum ponto do cérebro e se estende, irradiando teimosamente como se as veias cerebrais fossem uma pista de balada. "Culpa da cervical, que está sobrecarregada" disse o acupunturista. Nada. Culpa minha. Preciso aprender a transformar tal pista de dança em cuca-fresca.

Bia Hain, Brasil

A sede da escrita

As pontas dos dedos de Serafim sempre reservaram palavras por inventar. Com pouco carvão esculpia no caderno uma personagem diferente, novos caminhos e um punhado de desafios nunca antes desejados. Um dia perdeu a sua última folha de papel. Não havia como voltar a tocar-lhe com a sede da escrita, para estreitar ruas de uma cidade que precisava de criar para que um pobre velho pudesse ser feliz. Nenhum canto do seu sorriso se voltou a conhecer.


Patrícia Paisana Martins
http://www.facebook.com/patriciapaisanamartins

O trabalho de casa dos pais



A Benilde estava contente porque domingo ia emigrar.
Foi para Germania hesitou um bocado, mas la imprimiu o bilhete, e foi com o marido João luís.
Foi para a casa da Matilde a amiga da Natália. O apartamento e pequeno, mas tem um quintal e podem fazer mais um quarto. Foi recebida muito bem que a satisfez.
Com esta mudança todos usufruímos uma vida tranquila. No quintal a fazer xaradas e a planear uma viagem ao Zaire.   


David Rodrigues
(só com um alfabeto)

15 outubro 2012

Nunca mais...!


“Nunca mais iria cair na mesma asneira”. Era o que eu pensava sempre que, realmente, caía na mesma asneira. A culpada era eu. Deixava-me ir na senda do “só mais esta vez” e depois amargava a minha decisão. Ele vinha, batia à porta, eu abria e pronto, estava o caldo entornado. É que as pernas fraquejavam só de o olhar. Fraca, fraca, como a carne é fraca. O melhor mesmo era nunca mais lhe abrir a porta!

Alexandra Rafael

Enfrentar a morte



Não devia ter puxado o gatilho. Matei aquele senhor, que afinal só me queria ajudar. Pedi-lhe o carro rapidamente, dizendo que tinha uma urgência. Era um homem bondoso, homem de família. Só queria ir ao hospital ver o meu filho nascer, mas passado um pouco percebi que o pobre senhor, era deficiente motor e não conseguiu sair mais depressa. Com isto tudo, matei o senhor, mas cheguei ao hospital, com o meu filho morto. Descansem em paz.
Alexandre Neto, 8ºC, ESEACD, Marinha Grande, Prof. Rosa Miranda

14 outubro 2012

Sopa de estrelas

Leu a receita com atenção. Misturou todos os ingredientes - não fora fácil encontrá-los. Esperou uns minutos, mas nada.

Onde teria falhado? Colhera todas as estrelas que estavam penduradas no céu nessa noite, como pedia o receituário.

Mas agora, dentro do caldeirão, pareciam mortas; a sopa de estrelas que queria oferecer - para acender os corações - cheirava a sombra.

Desesperado, de mãos na cabeça, nem reparou que um vapor cintilante se espalhava, iluminando a alma de quem o sentia.

Bau Pires

12 outubro 2012

Tobásio...

O Tobásio estava de mau humor, a vida a andar para trás e ele a guardar rancor. Tudo graças a um cão ao qual se afeiçoou, ficou com piolhos e a sua vida mudou. Com piolhos no cabelo, não pôde ir trabalhar, coçar o cabelo só vai piorar. Tobásio teve uma ideiazita enquanto estava na sanita, podia não funcionar, mas teve de experimentar. Comprou um gel e esfregou bem, até que os piolhos fugiram numa nuvem.

​​​​​​​André Ferreira, 8º ano, Marinha Grande, prof Isabel Palmela

Pó de estrelas


Tinha ouvido contar que o mundo era feito de pó de estrelas. Pessoas incluídas. E cães, árvores, montanhas, até o mar!
Aquilo intrigara-o. E deu por ele a estudar física, a ver se compreendia melhor.
Em vão: quanto mais estudava, menos entendia.
Mas era tarde para mudar. Os pais tinham-no avisado...
Agora agonizava, de mãos na cabeça, a preparar mais um exame.
Mas continuava a ver o raio do pó de estrelas ao seu redor, a serpentear.
Rita Bertrand, 40 anos Lisboa

Superar-se!


Miguel Teixeira, em pleno exame, já não conseguia pensar! Aquele problema de matemática dava-lhe a volta à cabeça, arruinava a esperança - aquela resposta podia significar a entrada na universidade que há tanto desejava.
Fez uma pausa, baixou a cabeça, concentrou-se e… de repente algo se iluminou em seu redor. Foi como se uma onda de sabedoria tivesse misteriosamente surgido. O problema deixou de o ser, estava resolvido. Vitória!!! Tinha-se superado, era a recompensa por não desistir.

João Silva, Marinha Grande, 8º ano (prof Isabel Palmela)

Dois contos


Amargurado, desiludido, triste ou pensativo… assim o vemos de mãos na cabeça e rosto escondido. Uma solução para encontrar ou uma decisão para tomar? Um desejo de fugir e escapar à angústia, mas sem forças para o fazer ou sente-se acomodado sem energia para agir? Que bom seria se erguesse a cara e revelasse um sorriso estendido ao olhar e contagiasse quem o observa e não sabe se deve aproximar ou afastar-se dele. O tempo o revelará.
+
Simão não queria acreditar. Luísa, a sua amiga de infância, estava a pensar mudar de país. Mais do que isso, já estava a fazer as malas e a não lhe dar tempo para se despedir. Detestava despedidas, dizia ela. E as saudades? Será que não pensava nelas? Pois ele, sim. Ela ainda não tinha partido, e ele já não sabia como iria viver sem a sua constante amizade. Por isso, não tinha coragem para a ver partir.

Maria Jorge, Portugal

11 outubro 2012

Porquê...?

Porque é que fico calado quando me ofendes, me agrides, me queres fazer sentir um ser sem valor? Porque não te mostro que, o que vês não sou eu, mas o reflexo de ti? Porque deixo que vistas a indumentária da vítima sem te mostrar que estás errada?
Não sei porque me calo, mas gostaria que um dia parasses, te ouvisses e te desses conta que sofrer é uma perda de tempo.

Quita Miguel, Cascais

TU


Segurando o rosto, reprimia as lágrimas e o soluço amargo que intrépida e atrevidamente se deixava esboçar. Este era mais um dos arremessados e incansáveis dias, que ultimamente me tiravam o sono e a vontade de viver,
De dia para dia, sentia cada vez mais ameaçada, aquela que era a minha prioridade. Com 5 anos, Tiago estendia-me a mão pedindo de comer e eu, de rosto tolhido pedia a Deus um milagre, uma luz que me iluminasse!

Graça Pinto, 54 anos, Portugal

10 outubro 2012

Acabou



O Francisco estava triste porque conheceu uma rapariga que desabafou com ele... 
Ela tinha medo da trovoada, e foi devido ao medo que ela conheceu o amigo colorido. 
Ela passava muito tempo com ele, o sorriso dela nesse tempo era muito grande. 
Mas um dia, o para sempre acabou, o sorriso foi trocado por lágrimas. Acabou por sofrer bastante. 
Ela não tinha vontade de sorrir, mas sim chorar. 
Com ela eu quis dizer EU e sim acabou.

Ana Ramos nº4 8ºC‏  ESEACD, Marinha Grande – Prof. Rosa Miranda 


Vida incompleta


Teresa era uma apaixonada pela vida e tudo o que ela contém. Apesar da infância difícil, tinha viajado por ela sempre com optimismo e uma esperança que nem sabia de onde lhe vinha. Um casamento frustrante e uma dedicação ao filho demasiado preenchida, achando que ele seria o seu triunfo mais tarde.  
Muito amor e uma primorosa educação, todas a ferramentas para um futuro brilhante, também isso falhou; Teresa, dolorida, sente a tristeza de uma vida incompleta.

Maria Carmo Bruno, Portugal

Magia


Andava eu por demais de desanimada
Nada ao meu redor me satisfazia
Mesmo sendo por meus filhos amada
Me entregava dia após dia

Uma certa vez a cabeça muito doía
Abaixei-a, coloquei nela minhas mãos
Era um momento de total apatia
Nisso veio uma luz, me cobriu de bênçãos

Era feito brisa suave, cheia de magia
Despertando em mim a eterna criança
Ali fiquei por um tempo, sentindo a calmaria
Sabia que depois disso, voltaria minha esperança

Majoli Oliveira, Brasil