Ao todo são 77. Estas palavras rasgam o meu coração. Lapidam amigavelmente tua alma. Mas este é
também um número que a tua idade,
demasiadamente ultrapassou. Ave desasada, já sem companheiro de caminhada,
continuas teu percurso esbanjando afectos. Atenta ao mundo que teima em correr
veloz sob os teus pés. És o pilar que sustenta nossos
abraços
30/11/12
Cúmplice e amigo...
Contigo, vivi horas lindas histórias.
Ajudaste a carregar meus
problemas, dores, sempre permitindo que depois, eu abrisse os olhos à
realidade.
Foste cúmplice, amigo sincero e
leal.
Até mesmo quando te troquei,
perdoaste. Ainda que no início nos estranhássemos, fomos nos ajustando e houve
o entendimento.
Contigo aprendi que na vida, tudo
é questão de jeito. Quando nos encaixamos bem, a convivência fica melhor ainda.
Assim, poderia te dizer muitos
motivos pra te dedicar, meu querido Colchão!
Chica, Brasil
AC/DC
A minha adolescência foi
maravilhosa, sabes porquê?
Porque tinha a tua amizade, que a
pouco e pouco se transformou em Amor.
Amámo-nos mutuamente.
Resolvemos casar, não me pediste,
fui eu que quis casar.
Eu não era feliz em casa dos meus
pais. Tu concordaste.
Casámos há já vinte e um anos.
Sou muito, muito feliz! Arrisco
dizer que o somos.
A minha vida tem dois tempos, o
A.C. (antes do casamento) e o D.C. (depois do casamento)!
Marina Maia
Mãe...
Ao todo são 77. Estas palavras rasgam o meu coração. Lapidam amigavelmente tua alma. Mas este é
também um número que a tua idade,
demasiadamente ultrapassou. Ave desasada, já sem companheiro de
caminhada, continuas teu percurso esbanjando afectos. Atenta ao mundo que teima
em correr veloz sob os teus pés. És o pilar que sustenta nossos
abraços incansáveis. Eis aqui o amor maior que a vida
tem... Puro, roubado, incondicional! Este é o amor
de nossa mãe…
Graça Pinto -
Almada
desafio nº 26
Hoje peço-vos um texto especial – uma dedicatória!
Gostava que dedicassem a vossa história a alguém:
- Alguém que adoram;
- Alguém que veneram;
- Alguém que detestam;
- Alguém que precisava de ouvir das boas;
- Alguém que não sabe o valor que tem;
- Alguém
que… enfim, o que quiserem!
Dêem-lhe
as vossas 77 palavras, vá!
Aqui vai a minha:
No momento em que escrevo este texto, Junho
de 2015, o blogue já fez quatro anos e a parceria com a Rádio Sim dois. Pelo
caminho, ficam perto de quatro mil histórias, 127 desafios, centenas de
participantes, alguns muito assíduos, outros mais esporádicos, todos com algo
em comum: o prazer de escrever em 77 palavras. Dedico-vos estas 77 e
agradeço-vos a amizade – sem as vossas histórias, este blogue não faria
sentido. Voltem sempre! São só… 77 palavras.
Margarida
Fonseca Santos, 54 anos,
Lisboa
Desafio nº 26 – dedicatória para
alguém
EXEMPLOS
Ouvir este e/ou outros textos aqui:
Diário 77 ― 37 ― Para ti, Alice
EXEMPLOS
Ouvir este e/ou outros textos aqui:
Diário 77 ― 37 ― Para ti, Alice
29/11/12
O meu arroz
(Chittogart, arte, pequenas, nascem, pedintes, esperando, doce, cercada)
Jamais esquecerei aquela manhã em Chittogart na India. A arte é uma constante em todos os monumentos, forrados de pequenas figuras, que nascem em jardins muito descuidados. Aí abundam pedintes esperando turistas. Encostada a uma árvore, uma mulher, sorriso doce, cercada de crianças. Na mão um saco de plástico, cheio de arroz. Faz pequenas bolas que distribui pelos garotos famintos. Querem mais!
Recordo o meu caixote lixo, com restos de um arroz igual àquele.
Genoveva Pereira
Paris
Paris à
RisteàTerraço àCorreria à Riacho à Chorar à Raridade
Lembras-te
quando fomos a Paris? Andámos numa correria aqueles dias antes da viagem,
para fazermos as malas e arranjarmos os bilhetes ao preço mais barato, que raridade! Mas tivemos sorte e valeu a
pena por tudo… principalmente aquela vista do terraço do nosso quarto de hotel, que fazia o Sena parecer um riacho! Riste que nem uma perdida nesse dia. Estavas completamente
deliciada com a cidade! Triste foi o regresso, em que desatámos as duas a chorar!
Agnes C. - 19
anos
O Baile
Íamos
ao baile. Um baile especial num local idílico, como só os sonhos permitem.
Apanhámos o barco da imaginação, mas a falta desta provocou um choque com
um icebergue.
Queríamos ser as primeiras!
Irritadas,
chegou-nos a mostarda ao nariz, valeu-nos a paciência da Daniela explicando
que a dança mais importante era a latina, esta a última do
concurso.
Finalmente
chegámos ao polo Norte onde o Pinguim Narigudo trajado a rigor
porque era domingo, nos recebeu para dançar.
Maria Rosélia
Palminha, 64 anos, Portugal
28/11/12
A gaveta
Abre a gaveta. Tapa a gaveta. Inspira. Abre a gaveta.
Corre com a mão atrás dela. Tira a mão. Fecha a gaveta. Abre a mão que encerra a papoila. Expira. Latejando, ainda doente, permanece com as pétalas descaídas, são incapazes de voltar a acenar.
Abre a gaveta. Tira o ninho de folhas de caderno. Abre. Embala-a e suavemente
coloca-a a dormir confortavelmente enroscada nas suas pétalas outrora carmim. Tenebrosa e sapiente roda a chave, tranca a gaveta.
Catarina Peças
27/11/12
Impaciência
relógio Gioconda data tâmara rabo bochecha chamas
Olhei para o relógio. Gioconda, desesperada, ergueu-se da cadeira e bombardeou:
- Estou aqui há uma data de tempo e o sô doutor ainda nem sequer chegou!
- Ficou preso no trânsito, senhora, acalme-se!
Intervi.
- É servida? Tire uma tâmara!
A mulher já não se aguentava - a consulta era para dentista - até de dores no rabo se queixava, incomodada com o assento.
Veio o médico, finalmente, e Gioconda:
- Olhe esta bochecha a arder!
(E as chamas atingiram-no sem piedade!)
Cocas, 37 anos, Portugal
Notícias Antena Zero
Último – motim – imprevisto – todo – donativos – vossa – saco
Bom dia, são três horas da tarde. Em fevereiro último abateu-se sobre a cidade um motim organizado não se sabe por quem, tendo resultado em setenta e sete vidros partidos. O imprevisto suscitou de imediato reação por parte de todo o governo. A população contribuiu com donativos para recuperação dos danos. “A vossa solidariedade é o sustento de todos nós”, disse o executivo, agradecendo ao povo português. Pergunta-se: o saco rompeu há muito. Que fizeram ao dinheiro?
Cocas, 37 anos, Portugal
Parabéns, Chica
Chica – Cada – daqui – quisesse
– semear – arquitectar
– tarde – deliciando-nos
– nossa
Querida Chica, muitos, muitos, parabéns!!! Pensando em
cada história
sua que publico no blogue das 77 palavras, só posso enviar-lhe daqui um
abraço bem grande, apertado, embora quisesse muito dar-lhe um beijo ao vivo! Este blogue deixou-se semear pelos
os seus textos, nesta sua forma de arquitectar sonhos e palavras, com contos que
nunca vêm tarde,
deliciando-nos
a cada desafio. Obrigada, nossa querida companheira de histórias,
brincadeiras e pensamentos. Receba de nós todos 77 beijos de parabéns!
Domingo Louco
Que domingo louco: no fim da festança, deitei mostarda na
Daniela… Imaginem!... Foi um choque para a Constança que berrou para o narigudo
do marido: “ não me cheira nada bem! Vou espirrar…atchim, atchim,”
A mãe da moça, muito latina, com as suas ancas
transbordantes e olhos amendoados, pespegou-me duas beijocas na cara… Depois
pôs-se a chorar, tartamudeando “queríamos, queríamos”; não percebi nada.
A filhinha rebolava-se no chão com cócegas. O cão
Epaminondas, ladrou: “está tudo louco!”
Graça Samora
26/11/12
Escultura
Grande → derrotismo → modulagem → gempilídeos → oscilador → dorso → sobrepairar
Grande era o desafio a que Octávio Manuel se entregava sem derrotismo. Era por todos reconhecida, a dificuldade da modulagem de um enquadramento complexo, mas Octávio escolhera os gempilídeos e agora era tarde para alterar a opção. Os dedos agitavam-se na tentativa de os delinear perfeitos num harmonioso bailado.
O pêndulo oscilador aguardava já o dorso do peixe que faria sobrepairar, como se do mar acabasse de sair.
Finalizada a escultura faltava o nome: dança dos gempilídeos.Quita Miguel, Cascais
23/11/12
Abandonados
Abandonados; expulsos. De repente, o sossego de anos foi-se. O ego, mais que esfrangalhado, sofrera um golpe profundo: como puderam ser tão pérfidos assim, despedir sem aviso prévio, sem indemnização? Era dose a austeridade alemã, sabiam disso, bastava ler os jornais, eles sempre tiveram a mania que mandavam no mundo, qualquer um.
Sem mais lamentações, pegaram nas suas coisas, olharam pela última vez o menino - tão lindo! - e, a vaca e o burro, disseram adeus ao presépio.
Bau Pires
22/11/12
O meu avô
Nada impedia das coisas diárias que aspirava fazer, que Ana visitasse o avô. Alindou-se para lhe agradar. Os valores e o respeito tomaram conta dela, tornando-a muito especial. Sempre almejara dias melhores que raramente chegaram. No caminho doía-lhe a lembrança de quando o deixou no lar.
Ao chegar viu a sua cadeira vazia, o que era raro. Como um robô percorreu o jardim. Faltou-lhe o ar! E a pergunta soltou-se arranhada, danosa e inevitável.
O meu avô?
Graça Pinto - Almada
Desesperada
Desesperada - dava - varre - resolve - verbalizar - zarpar - pára
Está desesperada! Noites a
fio sem dormir. Dava tudo para estar no lugar dele. Varre a
casa para se acalmar. Não é suficiente! Resolve retomar
a estratégia de sempre: verbalizar que não está bem,
por causa do Rui. Não obtém resposta. Ou melhor, a esperada:
silêncio.
Zarpar é a solução. Será?! Vê-lo!
Pára a meio do caminho; reflecte: tem de ser ele a
decidir. Ajudá-lo? Ainda não sabe como. Mas não será em vão a sua ida?!
Isabel Pinto, Almada
O QUEBRA-CABEÇAS
Zeferino → Nojo → Jogar → Garfo→ Foca → Casaco → Comichão
O Zeferino não
conseguia desfazer a careta de nojo.
O Isaltino tinha parado de jogar o
quebra-cabeças literário para se pôr a comer! E sem talhares! Zeferino
estendeu-lhe um garfo, mas ele
lançou-o pelo ar indo aterrar na foca
insuflável da sua irmã. Furibundo, Zeferino pegou no casaco dele. Sem deixá-lo terminar o frango assado, empurrou-o
porta fora. As ideias fervilhavam em comichão
na cabeça e por culpa do Isaltino não iria terminar o jogo a tempo!
Maria Jorge, Vila Franca de Xira
A OBRA
Quinta
→ Tabique → Queríamos → Mosquitos → Toscos → Costas → Tasquinha
Na quinta todos
nos prontificámos em reconstruir a velha casa de paredes de tabique. Queríamos a obra pronta em apenas um mês, mas ao fim de uma semana
fomos atacados por uma praga de mosquitos.
Eram aos milhares e agarravam-se como lapas. Não picavam, mas incomodavam
bastante. Os olhos ficavam toscos e as
marteladas nos dedos e dores nas costas
eram mais que muitas. Decidimos largar o trabalho e irmos para a tasquinha refrescar-nos com bebidas
fresquinhas.
Maria Jorge, Vila Franca de Xira
Duros desafios
Destino – Novas –
Vasta – Tarefa – Farejava – Vazia
Saíra de casa sem destino, pensando em novas formas de enfrentar a vasta e penosa tarefa de resolver os duros desafios que agora fariam parte da sua vida.
No silêncio da noite distinguiu um vulto que farejava nos arbustos algo para encher a barriga vazia.
Pegou no pequeno cachorro perdido e, com ele agasalhado no casaco, regressou. Ter mais uma boca para comer, seria decerto compensado pela companhia que a ajudaria a enganar a solidão dos dias.
Saíra de casa sem destino, pensando em novas formas de enfrentar a vasta e penosa tarefa de resolver os duros desafios que agora fariam parte da sua vida.
No silêncio da noite distinguiu um vulto que farejava nos arbustos algo para encher a barriga vazia.
Pegou no pequeno cachorro perdido e, com ele agasalhado no casaco, regressou. Ter mais uma boca para comer, seria decerto compensado pela companhia que a ajudaria a enganar a solidão dos dias.
Maria Bruno, Lisboa
Ao serão
envolvida – Dalila – lacre - crepita – talentos – tosse – segue
Hoje ao serão, envolvida numa aconchegante manta de lã, Dalila espera notícias. Naquelas cartas amarelecidas que guardam
ainda o lacre, jogadas numa das gavetas da
velha escrivaninha, junto à lareira onde crepita o fogo, escondem-se mágoas de vidas antigas e talentos
escondidos. Tosse e acorda o gato
que enrolado aos seus pés lhe faz companhia nestes dias outonais de solidão. Uma
nuvem de fumo segue a luz
bruxuleante e tímida que emana do candeeiro pendurado no teto.
Alda Gonçalves, Porto
Alda Gonçalves, Porto
Publicado aqui: http://macadejunho-mafaldinha.blogspot.pt/2012/11/historias-em-77-palavras.html
21/11/12
EXEMPLOS - desafio nº 25
Passa ela esvoaçante
sacode, deixando rastros, plumas a espalhar
decidida, com seu andar estonteante
20/11/12
Roberta, a fera!
Roberta – tagarelava – vade-retro – troar – arfando – dobrava – valha-me
Nada impedia Roberta de fazer e
dizer o que lhe dava na veneta. Nada nem ninguém! Toda ela meneios na cintura
fina, trejeitos na cara sardenta e sacudidelas nos caracóis cor de fogo, tagarelava sabichona
sobre mil assuntos, agora afirmativa e concordante, logo raios e coriscos!, vade-retro!, era um troar de
impropérios, um bater de portas e um sair arfando. A avó Hermínia dobrava preocupada os panos da loiça: – Valha-me a Virgem!
Que faço desta cachopa? Dizem-me
Ana Faísca, 36, Portugal
No Douro...
Animador - dormir - miradouro - romântico - comer - mercado - domingo
Resolvemos ter um fim de semana animador, ir passear, e no sábado bem cedo partimos, depois de
muito passear, fomos dormir num parque de
campismo. Havia umas belas casinhas de madeira e tinha um miradouro onde podíamos avistar todo
o belo Douro.
Resolvemos ir fazer um passeio romântico de barco, com almoço a bordo, fomos comer produtos regionais que também comprámos no mercado, para casa trazer.
Domingo voltámos,
mas as águas espelhadas do Douro fizeram-nos rejubilar! Adorámos!!!
Marina Maia, Portugal
Saber ver
Passa à sacode à decidida àdan os à nossaà sapeca à capricha
Passa ela esvoaçante
sacode ,deixando rastros, plumas a espalhar
decidida, com seu andar estonteante
danos ,acidentes, por certo irá causar!
Nossa! Marmanjos, tontos, parados, fixos a lhe fitar
sapeca, ela capricha mais
no rebolado
olhos como se a quisessem ter
no fundo ela está a gostar
assim, se sente
"aparecer"!
Há, no entanto quem sabe
ver
que por sob as penas, outra pode
ter!
As aparências podem enganar.
Há de se ter cuidado, antes da
opinião formar!
Chica
Publicado aqui:
desafio nº 25
Vamos lá dar a volta a essas cabeças!
O que vos proponho hoje é isto:
Queria que procurassem sete palavras respeitando esta
regra: cada palavra nasce da última
sílaba da palavra anterior. Dou-vos um exemplo:
Choque → Queríamos → Mostarda → Daniela → Latina → Narigudo → Domingo
Serão estas as
palavras que darão a estrutura ao vosso texto, por ordem!
Deixo aqui o meu texto, partindo daquelas palavras:
Não queria acreditar!
Parei, tentei raciocinar. Que choque!
Acabavam de nos dizer que, depois de tanto esforço, tudo o que queríamos para o futuro ia ser adiado,
senão mesmo cancelado. Foi mostarda
para o meu nariz, e vi que Daniela,
qual latina furiosa, estava pronta a
enfiar naquele narigudo patrão um
soco que lhe desse a volta ao miolo. Não deu… Acabámos o domingo a remendar roupas e deitar contas às contas que já não
conseguíamos fazer.
Margarida Fonseca Santos
MAIS TEXTOS
Margarida Fonseca Santos
Desafio nº 25 – palavras com sílabas encadeadas
OUVIRMAIS TEXTOS
19/11/12
A FUGA
A menina entrou na casa
pronta para atacar
com o mata-moscas na mão dizia:
– Desta não vão escapar!
Acordei a minha companheira,
dei-lhe com a asa na testa.
– Vamos voar para longe,
vamos fugir para a floresta!
A balofa da minha amiga
não se levantou
e com tanto sangue na barriga,
a menina a localizou.
As minhas pernas esguias,
estavam tremendo.
– Ai minha Mãe do Céu,
a morte chegou demasiado cedo!
Agarrei a minha companheira,
apressámo-nos a voar.
Atravessámos a janela,
conseguimos escapar!
Lívia Batalha e Alexandra Petran, 8º B, Escola
Hermenegildo Capelo, Palmela, professora Sandra Marques
Melgas modernas
Começou por evitar coisas que engordavam: espelhos, fotografia e balanças. Depois, insatisfeita, entrou nas dietas malucas. Ao fim de algum tempo, a melga Arabela ficou esbelta, ao contrário da amiga Felisbela que engordava a olhos vistos.
O pior foi quando, já escanzelada, capaz de desfilar no Moda Lisboa, começou a perder forças.
Faz como eu - aconselhou Felisbela -, vai ao shopping, não falta gente com bom sangue.
Foi; engordou. Só não contou com o colesterol que ganhou. Morreu.
Bau Pires
Um leitão
O leitão era super engraçado. Vivia a pisar nas rolhas pelo quintal afora. Sempre descontraído a procura de algo interessante para fazer ou para comer. Quando passava perto do almofariz dava sempre um espiada em busca de algo apetitoso para comer, quando surge um odor magnífico que o faz viajar pelo mundo gastronômico.
De repente ele sai do êxtase e acorda com o despertador gritando e o trazendo-o para a realidade.
Nem se importa e vai logo pegando a sua bolinha de tênis para se aventurar com a vespa pelos campos floridos da Toscana que tem um papel fundamental para sua felicidade.
Duas histórias, dois destinos...
Duas melgas à conversa, num sofá
de alpendre, admirando o pôr-do-sol.
- Mas que lindas cores! Gostaria
tanto de ir até aquele bracinho! Pena é que mal me mexo!
- Oh, amiga Florinda, veja como
eu sou flausina! Eu tenho sempre cuidado, não vá encontrar um braço rolicinho,
mas cheio de colesterol! Depois fico doente, como a amiga! Agora, vou voar e
fazer uns exercícios! Ande, ou antes, venha voar, verá que lhe faz bem à saúde!
+
Uma melga
E outra melga e meia
Discutiam quem seria a mais bela!
- Tu és uma flausina, toda
magrinha!
Dizia a Francelina.
- Tu és uma bolinha, toda
redondinha!
Respondia a Laurinda.
- Tu nem sabes voar, é o vento
que te leva!
Dizia a Francelina.
-Tu só sabes rebolar, nem
consegues parar!
Respondia a Laurinda.
Uma melga
E outra melga e meia
Discutiam quem seria a mais bela!
Ana Santos
18/11/12
Solidariedade
A gorda parecia um moscardo: zumbia como este seu parente. No andar de cima havia uma, magrizela e muito ativa: não tinha nada de mosca-morta.
Quando vieram os desalojamentos, fecharam tudo e não ficou nada para comer…
A magrinha conseguiu passar por um orifício pouco maior que o fundo de uma agulha e desceu em socorro da vizinha que, desesperada, se picara a si mesma e estava quase em coma.
Abraçadas, sobreviveram, até as janelas serem abertas.
Graça Samora, Portugal
Graça Samora, Portugal
Fiquem a saber!
Uma melga gorda,
Uma melga magra,
Falando em confusão,
E com estranha desilusão,
Fica a conversa estragada.
Uma melga gorducha,
Uma melga magricela,
Veem na televisão
Com muita atenção
A nova novela.
Uma melga esperta,
Uma melga preguiçosa,
Uma estuda para o exame
E a outra dorme
Debaixo da árvore frondosa.
Uma melga esperta e gorda,
Uma magra e preguiçosa.
Por mais que tenham defeitos
Para nada têm jeito,
Apenas para nos morder.
Pois fiquem a saber!
António Cortez Marques, 9 anos
Torres Vedras, Portugal
15/11/12
O ministro das finanças
Era uma vez duas melgas, Salomé e Ricardo.
A Salomé era uma melga magrinha e voava depressa, o Ricardo, por ser uma melga
gorda, voava mais devagar.
Enquanto voavam, as duas melgas
discutiam a atualidade.
– Olha Salomé, isto está cada vez
mais complicado. Só impostos e despedimentos.
– É verdade, Ricardo. Isto está,
como dizem os humanos, pela hora da morte!
De repente, aparece o senhor Ministro
das Finanças e multa descaradamente as melgas por estarem a conversar.
Rafael e Pedro, 8º C, Escola Hermenegildo
Capelo, Palmela, Professora Sandra Marques
Gordalina e Ossinhos
Era uma vez duas melguinhas chamadas Gordalina e Ossinhos.
Um dia, estavam a passear pelas ruas… quando, distraídas, a passar pela
passadeira, as melgas são atropeladas por um carro, ficando presas ao vidro
onde já havia outros bichos. Elas, com medo que o condutor ligasse o pára-brisas,
tentaram fugir, mas a Gordalina estava presa ao vidro, vomitando para cima da
Ossinhos! O condutor viu uma coisa pequenina a mexer, ligou o pára-brisas e …morreram
as duas esmagadas!
Francisco Fernandes, 8º
B, Escola Hermenegildo Capelo, Palmela, Professora Sandra Marques
O perigo espreita
Era uma vez duas melgas: a Cátia, uma melga magra, e a
Felicidade, uma melga obesa.
Estavam as duas cuscas a tomar o chá das cinco, quando
começaram a ouvir uns barulhos assustadores…
“txitxii”
– Felicidade, mas que barulho assustador é este? – perguntou
a Cátia.
– Oh, meu Deus! Olha!
De repente, aparece Sykes! A perigosa lata de Dundum!
– Inimigos! – gritou Sykes, muito assustada.
– É o nosso fim? – perguntou Felicidade.
“txitxii”
- Sim, amiga Felicidade, é o nosso fim.
Alexandra Santos e
Débora Mondim, 8º B,
Escola Hermenegildo Capelo, Professora Sandra Marques
“Escanzelada” e feita melga
Sabia-se magríssima. Mas ouvir do
melga do fisioterapeuta que se encontrava escanzelada, custou-lhe. Melgou
também sobre o assunto, encetando um diálogo; acertando contas com as melguices
diariamente sofridas. Transformada em melga verberou uma série de asneiras.
“Encheu-lhe” a cabeça; embora educadamente; ainda, vive o lema “antes sofrer
uma injustiça do que cometê-la”.
Encontravam-se num espaço
fechado. A porta de saída encravou. “Escanzelada” escapou por uma janela
minúscula, do perigo, de horas trancada. Os melgas, obesos, aguardaram horas…
Isabel Pinto
14/11/12
de dieta...
– Olha, chegou um e aquele é bem gordinho.
Quita Miguel, Cascais
– Não tanto como tu – respondeu a irmã alisando as asas e mirando-se no reflexo da janela. Aquele ano seria eleita Miss Melga. Disso não tinha dúvidas.
Ignorando o comentário, o insaciável insecto começou a esvoaçar acompanhada pelo inconfundível bzzzzzzzzz, importunando o homem que se estendera no alpendre a saborear a cerveja.
– Maldita melga – barafustou, arremessando o jornal que, catrapuz, acertou na elegante melga.
– Porquê eu? Até estou de dieta.
Quita Miguel, Cascais
Uma história de amor... com melgas!
A melga Joaquim amava a melga Matilde desde que eram larvas.
Hoje planeava pedi-la em
casamento. Quando ouviu o pedido, Matilde, muito aflita,
disse: “ Ai, Joaquim que me matas, estou tão gorda que não caibo no vestido.
Não sou assim escanzelada como tu!”. Joaquim riu-se e abraçou-a. “Isso não
importa, Matilde!”. Naquele instante o limpa pára-brisas começou a funcionar.
Só tiveram tempo de pular para a antena. Foram-se embora a rir porque o amor
fê-los invencíveis!
Alexandra
Rafael
Dia de limpeza
Estão duas melgas, a gorda e a escanzelada, à conversa e de
repente diz a magrinha:
– Foge! Vamos morrer! É o aspirador. É dia de limpeza!
A gorda tenta fugir, mas as asas não aguentam com o peso.
– Raios partam! As minhas asas são tão fracas…
Acaba por cair e a escanzelada tenta socorrê-la. Quando
chega ao pé dela, ao tentar levantá-la, é esmagada pelo seu enorme peso. Caem
as duas e são sugadas pelo poderoso aspirador.
Cláudio Barreiros e
Rúben Lima, 8º B
Escola Hermenegildo Capelo, Palmela,
Professora Sandra Marques
Uma tragédia!
Certa noite, estava eu entre quatro paredes entretida a
falar com a minha querida amiga.
– Então, tens andado a alimentar-te bem! – disse a minha
amiga escanzelada.
– O que queres dizer com isso? – respondi eu, ficando
irritada.
– Nada, nada… Esta casa não tem quaisquer perigos – diz
confiante, a escanzelada, rindo-se.
De repente aparece o “SPRAY ANTI-MELGAS “.
Nós conseguimos fugir, até que a minha amiga gorda bateu
numa parede com força e teve um fim trágico!
Catarina Monteiro e Sofia Gomes, 8ºB
Escola Hermenegildo Capelo, Palmela,
Professora Sandra Marques
Foi por pouco...
Numa tarde de primavera, o sol brilhava radiante. Junto a um
sobreiro, ergue-se uma sombra onde duas melgas, uma gorda e uma escanzelada,
descansavam. Entretanto, a sombra aproximou-se e ouviu-se um grande ruído. Era
um mata-melgas eléctrico que alguém segurava para as apanhar. Enquanto tentavam
escapar, a melga gorda ficou presa nos buracos, não se conseguindo mexer. A
melga escanzelada, ao tentar fugir, foi contra a melga gorda e puxou-a com
força. Conseguiram fugir e ficaram felizes.
8º A - Escola Hermenegildo Capelo, Palmela, Professora Sandra Marques
O bicho
Estavam duas
melgas à conversa, uma delas era gordinha, a Taty, e a outra era mais magrinha,
a Nany. De repente, o perigo espreita... As duas melguinhas estavam a ser
atacadas por um bicho estranho e desconhecido, que lhes cuspia para cima.
– Taty, estamos
a ser atacadas! – diz a Nany, muito aflita.
– Socorro, oh meu Deus, oh meu Deu... #PUFFF#
– Socorro, oh meu Deus, oh meu Deu... #PUFFF#
As melgas
amigas ficaram com as asas coladas e foram refeição para o bicho.
Miriam
Esteves e Ana Sofia Cavaleiro, 8ºB
13/11/12
Melgas sem sorte...
— Onde estiveste, Ziza?
— A jantar.
— Não me convidaste?!
— Desapareceste!
— Fui tentar encontrar comida, mas não tive sorte.
— Oh, Mizi. Estás a passar fome. Olha para mim.
— Estás bem gordita. Já eu… estou numa miséria.
— Queres vir comigo?
— Onde?
— A uma casa onde estão sempre em festa.
— Ah, então o sumo vermelho deve ser bem docinho.
— Aos litros!
Esgueiraram-se por uma frecha da janela e entraram.
— Oh, não! Vamos morrer, Ziza!
— Armadilharam-se contra nós! Foge Mizi!
— Maldito spray!
+
— Olha Mizi, quem vem lá.
— É o Quito. Que andas a fazer por aqui?
— À procura de um lugar tranquilo para dormir. E vocês?
— À espera que anoiteça.
— Vão ao ataque de novo?
— Claro! Há dias que não como nada! A Ziza tem sorte.
— Vamos! Está na hora!
— Cuidaaaaaaddddddoooooo! — gritou o Quito.
— O que foi?
Zás! Uma mão pesada caiu sobre a Ziza.
— Oh, não! Mataram a minha amiga!
— Voa Quito!
Maria Jorge
12/11/12
Será que o vento vem?
A melga escanzelada voou uns
quilómetros ao encontro da melga anafada para lhe pedir ajuda.
– Não aguento a penúria, não
tenho mais onde sugar!
– Isso pensas tu. Sê esperta, faz
como eu!
Obedecendo-lhe cegamente, picou e
sugou onde pensava já não ser possível. Mas continuava escanzelada e cada vez
mais subserviente à medonha melga gorda.
Desanimada, questionou:
– Eu sugo, sugo, e tu é que
engordas?
A resposta não veio.
Veio o vento. Zangado soprou,
nenhuma escapou.
Ana Paula Oliveira, Santa Maria da Feira
publicado aqui:
http://livro-leitor.blogspot.pt/2012/11/vento-que-as-leve.html
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Disputa de melgas
Duas
melgas numa luta constante pela sobrevivência:
– Este
belo gordinho é meu!
– Sua
gorda, badofa, devias deixar-me agora dar uma chupadinha de sangue… estou com
fome!
– Sim, pelo teu ar diria que estas prestes a cair para o lado, mas este belo gordinho
é meu!
– Deus
das melgas, olha ali… o gordinho traz um mata melgas… Foge
Ambrosina.
– Não
fujo, não consigo… pesam-me as asas…
–
Gorda, eu ajudo-te, não devia, tu és má para mim!
–
Obrigada Felizmina!
Marina
Maia - Portugal
Tontas...
Estão duas jovens melgas a
trautear uma bela canção musicada pelas asas da mosca Teté, quando de repente a
dona Ermelinda se lembra de vaporizar a casa com um perfume estranho que as
deixou tontas e com falta de ar. Apenas a melga gorda, egoísta e matreira,
tinha culpa naquela situação: picara a dona da casa e alimentara-se bem. A
melga escanzelada não provou a refeição e, sem ter culpa de nada, tombou de
fome e aflição.
Sandra Marques, Portugal
Amigas Melgas!
A Melga gorda pousou, saciada de
sangue de um turista americano. Olhou, viu a Melga escanzelada.
– Estás tão magrinha!
– Sabes… entrei numa casa
pensando que teria um banquete, mas nada.
– Então?
– Tentaram matar-me, escondi-me.
Ouvi bater a porta, e pensei… saíram. Fiquei presa. Hoje regressaram, fugi.
– Anda, com sorte o americano
ainda lá está.
E estava! Tentam aterrar, ele,
enxota-as. Do nada um ameaçador spray. Fogem!
A Melga gorda diz: Ainda não é
hoje que vais comer!
Genoveva Pereira, Portugal
Clotilde e as melgas
Lá na beira do mar
Clotilde estava tão a vontade
O sol seu corpo a bronzear
Oh que felicidade
De repente um zumbido escutou
E viu duas melgas inquietas
Seu ouvido tinindo ficou
Depois disso, tentou ficar esperta
Uma melga tão gorda era
Que mal conseguia voar
A outra escanzelada era
Que foi fácil com ela acabar
Clotilde de saco cheio
Melga gorda a lhe atacar
Saiu correndoem cambaleio
E a melga atrás, querendo lhe pegar
Clotilde estava tão a vontade
O sol seu corpo a bronzear
Oh que felicidade
De repente um zumbido escutou
E viu duas melgas inquietas
Seu ouvido tinindo ficou
Depois disso, tentou ficar esperta
Uma melga tão gorda era
Que mal conseguia voar
A outra escanzelada era
Que foi fácil com ela acabar
Clotilde de saco cheio
Melga gorda a lhe atacar
Saiu correndo
E
Majoli Oliveira, Brasil
11/11/12
EXEMPLOS - desafio nº 24
Tarde
quente, beira mar!
Duas
melgas, uma gorda e outra, escanzelada, faminta por sangue vivo...
Sabiam
que bastaria o sol sumir, teriam bons cardápios. Gente com pouca roupa, presas
fáceis.
Uma prenda estupenda!
Miguel Teixeira fazia anos. Uma festividade destas, o tio
Arlindo arranjou um
bom LEITÃO.
– Quem quer abrir o Champanhe? – interrogou o tio.
– Eu! – disse o Miguel.
Ao abrir a garrafa, a ROLHA saltou e acertou no ALMOFARIZ.
O barulho foi tal que lembrava o irritante DESPERTADOR.
Finalmente, os presentes. Clarinda ofereceu-lhe uma BOLA DE
TÉNIS e o resto da família arranjou uma estupenda prenda coletiva: ofereceu-lhe
uma VESPA, embrulhada num fantástico PAPEL de embrulho azul.
João Silva,
Marinha Grande
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